20 de agosto de 2015

AS OBRAS DE ARMÍNIO

                                                                                                            

por George Gonsalves

       Acabo de receber o esperado lançamento da CPAD, As obras de Armínio. Dividido em três volumes, a obra alcança mais de 1.500 páginas e é uma excelente oportunidade de conhecermos de primeira mão o pensamento do teólogo holandês Jacó Armínio (1560-1609), que ousou contestar o calvinismo, doutrina dominante na Europa, na época em que viveu.

       No primeiro volume (592p), há uma breve biografia do autor e a exposição de seu entendimento sobre doutrinas bíblicas clássicas, tais como: predestinação, providência divina, livre-arbítrio do homem, graça de Deus, perseverança dos santos, certeza da salvação, dentre outras. Suas opiniões sobre estes temas causaram grande controvérsia entre os calvinistas. No segundo tomo (464p), há a explanação sobre outros tópicos importantes da fé cristã, como por exemplo: perfeição das Escrituras, natureza de Deus, criação e ceia do Senhor. Finalmente, no último volume (487p), encontramos o debate escrito entre Armínio e o calvinista Francis Junius, professor da Universidade de Leiden, além de um exame sobre o tratado do puritano William Perkins sobre a predestinação.  


     Geralmente, os discípulos não repetem completamente os ensinamentos dos seus mestres. Eles os modificam por divergências pessoais, ou por fatores externos (políticos, sociais ou econômicos). Deste modo, muitos dizem que Calvino não é calvinista, assim como John Wesley, evangelista do séc. XVIII, não é wesleyano. Com a obra do teólogo holandês, lançada pela primeira vez no Brasil pela CPAD, poderemos, enfim, responder à pergunta: Armínio é arminiano? 

4 de agosto de 2015

PENSAMENTOS SOBRE PERSEVERANÇA


“Aqueles que se deixam persuadir pela divina benevolência em seu favor são capazes de manter-se firmes nas mais variadas e prementes aflições”.
CALVINO

“Deus não nos guarda independentemente da nossa fé, mas só age mediante a nossa fé”.
WAYNE GRUDEM

“A perseverança é a virtude pela qual todas as outras virtudes frutificam”.
A.  GRÄFF

“A perseverança tudo vence e pode mais que a força”.
PLUTARCO

“Foi pela perseverança que o caracol atingiu a arca”.
CHARLES SPURGEON

“Cair sete vezes; levantar-se oito”.
PROVÉRBIO JAPONÊS

“As grandes obras são executadas não pela força, mas pela perseverança”.
SAMUEL JOHNSON

“Transportai um punhado de areia todos os dias e fareis uma montanha”.
CONFÚCIO

“Não me desencorajo, pois cada tentativa descartada é um passo a frente”.
THOMAS EDISON

“Cheguei a um ponto que não posso mais retornar”.

JIM ELLIOT

22 de julho de 2015

ETERNAMENTE GRATO



por Raimundo Filho

“Estava indo no caminho de Jericó com minhas bagagens. Aparentemente o caminho era seguro, pois já tinha feito este trajeto algumas vezes e nunca me ocorrera nada. Mas, repentinamente, surgiram salteadores. Infelizmente, fui assaltado! Não só me levaram tudo o que eu tinha, mas num ato de crueldade e covardia, os assaltantes me espancaram de tal maneira que minha vida estava por um fio. Não conseguia me erguer e fiquei ali agonizando, na expectativa de ajuda ou até mesmo de que minha morte ali aconteceria.
           Por um acaso da sorte, um senhor distinto, muito bem vestido, vinha ao longe e pelo passo que vinha passaria bem próximo a mim; foi isso o que pensei. Mas ele passou distante sem nem mesmo olhar se eu estava vivo, carregava em suas roupas ornamentos, ao chegar mais perto, percebi que eram de algum dos religiosos da cidade vizinha, por que não parou? Nem mesmo socorro pediu.
          E que grande alívio senti quando depois de um certo tempo gemendo e sangrando vi uma outra pessoa chegando, tendo vestes totalmente brancas. Seria um anjo aquela minha visão? Não estava mais sabendo de nada, visto meu estado de dor e debilidade. Só queria mesmo que de alguma forma este fosse me ajudar, me socorrer. Mas da mesma maneira como o primeiro, passou de longe, era um dos levitas, um judeu! O primeiro poderia estar apressado, afinal era um sacerdote, meu estado era como de um morto e para estes não se poderia tocar em mortos. Seria considerado imundo tanto o sacerdote como o levita, eles poderia pensar assim. Como saber se eu estava morto ou precisando de ajuda? Nem ao menos passaram perto de meu corpo?  Melhor seria ter sido alucinações, mas dava para escutar muito bem os passos apressados e sentir a poeira levantada pelos seus calçados.
Como poderia sobreviver mais tempo ali, sem água, sem comida, quase sem roupas, muito ferido, sentindo-me bastante debilitado, sem forças para andar. Nada mais passava em minha cabeça, de como poderia sair dali, nenhum socorro veio dos religiosos! Nenhuma outra ajuda mais pensava que poderia vir.
Eis que de repente senti alguém me tocando, este com muito cuidado estava passando vinho e azeite sobre minhas feridas, fez ataduras e essas ataduras não sei de onde ele as tirou. Conseguiu assim estancar meus ferimentos, delicadamente colocou-me em seu cavalo e ia pelo caminho bem devagar, para que não me machucasse mais, me conduziu a uma estalagem. Só isso já me seria muito útil, mas resolveu ficar aquela noite comigo. Não lembro se falou muito, mas suas ações falaram muito mais, nunca as esquecerei, não era judeu mas sim samaritano.
Esperava essa atitude dos religiosos, dos que servem nos templos, dos que andam de forma diferente e fazem muitas orações. Mas tal gesto veio do inesperado, do improvável veio uma ação que nunca tinha visto antes e acho que nunca mais poderia ver. Após aquela noite ele foi até a porta, falou com o hospedeiro, pagou-lhe uma quantia, que me garantiu cuidados por algum tempo. No entanto, o que mais me surpreendeu foi quando ele falou que se houvesse mais gastos, ele pagaria quando voltasse.
Ainda estou nesta hospedagem, há feridas a serem cicatrizadas, há dores para ser aliviadas, há forças a serem reconquistadas, mas o que me faz ter uma grande expectativa é saber que ele vai voltar! Ainda não entendi o que o motivou a si doar, a vir até mim naquelas condições, a custear a minha recuperação, nem mesmo sei se um dia entenderei, mas quero conhecê-lo, quero ser-lhe grato!”
Essa narrativa poderia ser o relato do homem que foi assaltado na parábola contada por Cristo, comumente conhecida como a parábola do bom samaritano. Também não é somente uma reflexão sobre esse relato das Escrituras. Posso dizer com sinceridade e de forma acertada de que todo aquele que O conhece, que experimentou o novo nascimento, compartilha um pouco daqueles sentimentos. Nesta nossa hospedagem ainda poderemos sentir dores e perceber feridas, afinal estamos no processo de santificação e sem dúvidas temos esta expectativa: queremos vê-lO como Ele é. Também prometeu que brevemente voltará e poder conhecê-lO de uma forma inigualável e assim sermos eternamente gratos!

27 de abril de 2015

O TESTE DA FÉ

O TESTE DA FÉ – OS CIENTISTAS TAMBÉM CREEM
RUTH BANCEWICZ (ORG.)
ED. ULTIMATO, 2013, 167 p.


por George Gonsalves

       Em uma época em que os ateus estão cada vez mais contundentes na propagação de suas ideias, O teste da fé veio em boa hora. Cada capítulo do livro é escrito por um cientista cristão de renome, como: Francis Collins (ex-diretor do Instituto Nacional de Pesquisa do Genoma Humano), Alister MacGrath (doutor em biofísica molecular - Universidade de Oxford), Ard Louis (Centro Rudolf Peierls de Física Teórica – Universidade de Oxford) e John Bryant (professor emérito de biologia celular e molecular – Universidade de Exeter).

    Mas não se trata de um livro apologético. Os autores não querem, primariamente, defender a fé cristã contra argumentos ateístas ou agnósticos. Eles querem contar a sua experiência de fé, ou seja, como chegaram à conversão. Alguns eram ateus e outros foram criados em um lar evangélico.  

       Após a publicação do livro, polêmicas foram levantadas, porquanto ele seria uma propagação do "evolucionismo teísta", ou seja, uma tentativa de conformar o evangelho à teoria da evolução.


Contudo, esta controvérsia não é abordada de forma explícita pelos autores. Não são textos acadêmicos, mas testemunhos de fé. Trata-se de uma obra edificante e encorajadora. 

29 de março de 2015

SURPREENDA-SE



“E chamou-lhe José, dizendo: O SENHOR me acrescente outro filho.”
Gênesis 30:24

 Raimundo Meneses dos S. Filho

Nunca este versículo teve um significado tão maravilhoso para mim quanto nestes últimos dias. Às vezes, conquistamos coisas que no momento é algo igual a qualquer outra que já tenhamos conseguido, mas na verdade é algo muito maior que no momento não sabemos.

       Raquel era estéril. Para nós ela não teria condições de ter um filho, mas como se revela na Escritura: “Deus se lembrou de Raquel” e esta teve um filho depois de muitos anos, cujo nome é José que significa “O Senhor Acrescenta”. Sim, o Senhor acrescentou para ela um livramento, uma retirada de vergonha, um filho comum, como os outros que Jacó já tinha. Ela mesma, depois de um certo tempo, teve outro: Benjamim.

     Ela não viu o que aconteceu com José: de um jovem sonhador a um escravo; de um escravo a um senhor na casa de Potifá; de um homem considerado traidor, a um governador do Egito. Mas o que ela fez nesta história? Ela simplesmente teve um filho.

       Nestes dias conquistei algo que acrescentará muito na minha vida pessoal, e creio que na vida espiritual também, mas o que fiz? Uma simples prova, uma avaliação que me proporcionou algo maior, e pode ser que seja muito mais ainda, pois o que Deus faz conosco geralmente é assim: de um simples filho, virá o governador do grande império, da manjedoura virá o Messias, em vasos de barro estão tesouros escondidos.

Não desprezemos as simples surpresas de Deus, Ele vê muito mais além do que nós. Às vezes, queremos muito e para nossa surpresa, vem muito menos, pois é o que realmente necessitamos; em outros momentos nem pedimos, mas alcançamos mais do que pensamos ou imaginamos. A vida cristã é assim, o supremo Deus está no controle de tudo, precisamos entender pelo menos isso: Ele sabe qual surpresa nos dará.

Surpreenda-se!!


12 de março de 2015

DEUS, NÓS E OS JARDINS




por George Gonsalves

No primeiro jardim, pecamos. 

Deus, então, agonizou em outro jardim 

para que voltássemos a ver as flores.

7 de março de 2015

A VIDA É CURTA, ENTÃO COMECE...



               
 por George Gonsalves
                
“E peço isto: que o vosso amor cresça mais e mais em ciência e em todo o conhecimento, para que aproveis as coisas excelentes...” (Filipenses 1:9-10).

Em uma doceteria de Nova Iorque, há um cartaz com os dizeres: “A vida é curta, então comece pela sobremesa”. Para além da instigante propaganda, a frase esconde uma verdade: devemos priorizar o que é melhor. Mas, a questão para um cristão é exatamente descobrir o que é mais excelente.
       O mundo em que vivemos já escolheu o caminho: “faça aquilo que te dê prazer”; “priorize a felicidade”, é o que dizem as pessoas quase em uníssono. A felicidade ou o prazer são os deuses do nosso tempo, àqueles que todos devem reverenciar e servir.
      Contudo, o melhor para o crente é o regozijar-se em Deus. Isto inclui, obviamente, fazer a Sua vontade. Como disse John Piper: “O amor é transbordar e a expansão do prazer em Deus! Não é o dever pelo dever, ou o certo pelo certo”. [1] Sabemos que a vida na Terra é efêmera, por isso devemos cumprir nosso chamado com zelo. Ao ser perguntado sobre o sucesso no seu trabalho missionário, William Booth, fundador do Exército da Salvação, disse em lágrimas: "Deus teve de mim tudo o que quis". 
        Aprendi que priorizar o reino de Deus não somente é a principal coisa a fazermos, é também a mais prazerosa. Assim, podemos parafrasear a loja de doces: “A vida é curta, então comece pelo mais importante no reino de Deus”.



1 Plena Satisfação em Deus. São Paulo-SP. Ed. Fiel. 2009, p. 49.

6 de fevereiro de 2015

CONVERSANDO COM C.S LEWIS

CONVERSANDO COM C.S LEWIS
AUTOR: ALISTER MCGRATH
PLANETA. SÃO PAULO- SP, 2014, 223p.


              por George Gonsalves
                
      Alister MacGrath, teólogo de Oxford, escreveu recentemente uma extensa biografia sobre o apologista irlandês: A vida de C.S. Lewis: do ateísmo às terras de Nárnia. Portanto, o autor tem muito conhecimento sobre o autor de Cristianismo puro e simples.
      Nesta obra, McGrath explora, em cada capítulo, temas importantes que permearam a vida e a obra de C.S. Lewis: significado da vida, amizade, importância das histórias, arte da apologética, educação, problema da dor, esperança e paraíso. Para mim, McGrath tem o dom de combinar erudição e didática, de modo que pode escrever sobre assuntos profundos com extrema clareza.
      Trata-se de uma excelente introdução à estimulante obra de um dos maiores escritores cristãos do século XX.

21 de janeiro de 2015

NÃO SOU AL-QAEDA, NEM SOU CHARLIE

Eu não sou Charlie
    por George Gonsalves

Vivemos tempos de extremismos. Às vezes, parece que só podemos escolher entre duas opções. Se alguém se manifesta contrário a algum pensamento dominante, corre o risco de ser tido como intolerante, conservador, retrógrado, radical ou coisa parecida.

Quando terroristas invadiram a sede do jornal Charlie Hebdo, em Paris, matando vários cartunistas e policiais, uma compreensível onda de solidariedade aos membros do periódico se espalhou pelo mundo. Uma expressão foi, então, cunhada: “Je suis Charlie” (Eu sou Charlie).

Como cristão, tenho uma posição. Repudio, com veemência, o covarde ataque dos terroristas islâmicos, que seriam membros do grupo Al-Qaeda. Todos PODEM se manifestar livremente, mesmo que isto ofenda o que amo. Contudo, não me identifico com o estilo sarcástico e blasfemo do jornal francês. Há coisas que PODEMOS fazer, mas não DEVEMOS. Zombar e ridicularizar publicamente a fé de outrem não me parece ser virtuoso: “Tudo me é permitido, mas nem tudo convém” (I-Cor. 6: 12).

Por isso, não sou AL-Qaeda, nem sou Charlie.

Não sou Al-Qaeda. Eles não toleram o diferente, não costumam perdoar quem os ofende ou à sua religião. São assassinos de seus inimigos declarados ou de “pretensos” adversários.

Não sou Al-Qaeda, pois não devo silenciar quem pensa diferente de mim. Sou chamado a amar o próximo, e este pode ser alguém que me odeie.

Não sou Al-Qaeda, porquanto não devo matar pessoas que fazem charges que ridicularizam o que mais amo. O meu Deus é amor e sua mensagem foi que devemos perdoar indefinidamente o que nos agridem.

Não sou Al-Qaeda, pois, embora o respeite, não tenho Maomé como profeta de Deus, nem o Alcorão como livro sagrado.

Também não sou Charlie. Não creio que devemos fazer humor com tudo e com todos. Há coisas sagradas e seremos sensatos se observarmos isto.

Não sou Charlie, porque entendo que o direito que tenho de livremente me manifestar, não me isenta de exercê-lo com amor e respeito.


Não sou Charlie. Meus princípios não estão fundamentados em uma “filosofia” moderna de mundo que apregoa liberdade sexual e desprezo pelo sagrado.

4 de janeiro de 2015

LIVROS QUE LI EM 2014




              por George Gonsalves           

          Os livros que mais gostei de ler em 2014 foram: Cristianismo puro e simples, de C.S. Lewis (Martins Fontes), Os puritanos, do reverendo Martyn Lloyd-Jones (PES) e Coroas de glória, lágrimas de sofrimento, da historiadora Emília Viotti da Costa (Cia. das Letras).

           Li também outros bons livros durante o ano, que cito abaixo:

Jesus em nova perspectiva (James Dunn): Paulus
Jesus Cristo homem (Bruce Ware): Fiel
O lado bom do calvinismo (Ricardo Quadros Gouvêa): Fonte Editorial
O problema do sofrimento (C.S. Lewis): Vida
Águas que dividem (Donald Bridge e David Phypers): Vida
O cristão e a cultura (Michael Horton): Cultura Cristã
A vida crucificada (A.W. Tozer): Vida
O encanto poético de Isaac Watts (Douglas Bond): Fiel
O que nos faz bons ou maus (Paul Bloom): Best Seller
A vida do livreiro A.J. Fikry (Gabrielle Zevin): Paralela
Mil anos de felicidade (Jean Delumeau): Cia. das Letras
Cecília de Bolso – Uma antologia poética (Cecília Meireles): L&PM Pocket
Conto de natal de Auggie Wren (Paul Auster): Cia. das Letras
 

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