30 de dezembro de 2014

ALGO MUDA NO ANO NOVO?


por George Gonsalves

                Um verso de uma das canções mais conhecidas da música pop mundial diz que “nada muda no dia de ano novo” (New Year’s Day – U2). No plano macro isto é verdade. A passagem do dia 31 de dezembro para o dia primeiro de janeiro é, em muitos aspectos um momento comum: a  Terra não se move mais rápido, as estrelas não brilham mais e as pessoas não ficam mais belas.

       Ocorre que, podemos nos beneficiar da criação cultural de zerar o calendário para refletirmos sobre muitas coisas em nossas vidas. Podemos, pois, nos lembrar das bênçãos que recebemos de Deus. Esta lembrança deve nos levar a uma vida de gratidão. Neste caso, precisamos estar cientes que nossa mente não abarca tudo o que o Senhor nos fez. Sua graça derramada a cada milésimo de segundo do ano que finda escapa à nossa memória e percepção. Devemos, ainda, corrigir nossos passos e colocá-los no caminho que Deus nos preparou.

           Algo pode mudar no dia de ano novo. Como disse o poeta: “É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre” (Carlos Drummond de Andrade).
             
              Feliz e santo ano novo!

22 de dezembro de 2014

NATAL, VISLUMBRE DO PORVIR





por George Gonsalves         

          O natal está chegando mais uma vez. As cidades voltaram a se iluminar. Há magia no ar: luzes encantadoras se derramam sobre muros e árvores não tão belos assim. Figuras brilhantes de renas, presentes e, é claro, do bom e velho Noel, que nos recordam de uma época em que acreditávamos na fantasia e, assim, éramos mais felizes. Há também os singelos presépios, que tentam de alguma forma reproduzir o inefável, nos lembrando a razão de toda a festa. Há a preparação de fartos banquetes, com iguarias que nos fazem desejar que esta época se prolongue. Também há reuniões. Várias. Famílias, amigos, vizinhos e colegas de trabalho se sentarão por alguns instantes em volta de uma mesa. Talvez se olharão em uma noite como não o fizeram no ano todo. Trocarão presentes e poderão sentir o prazer de receber, mas principalmente de dar, e saber que podem fazer alguém sorrir ou se emocionar.     
        Os otimistas dirão que o mundo está entrando em uma fase de amor e compaixão, que os povos estão superando suas diferenças para compreender o outro. Cantarão que o natal é uma noite feliz para todos e que no próximo ano “todos os sonhos serão verdade”.
         Mas há os pessimistas que, aliás, não aceitam este nome. Preferem ser chamados de realistas. Farão um diagnóstico profundo da sociedade. Dirão que tudo não passa de uma festa capitalista, arquitetada para encher os cofres dos empresários e que, enquanto estamos nos banquetes, milhares de pessoas passam por graves necessidades, sem condições mínimas de sequer tomar uma refeição por dia. Nos lembrarão também que todos os anos os homens fazem belos votos no fim de ano para então descumpri-los no decorrer do próximo. 
          Para mim o natal é, principalmente, um vislumbre do porvir. Nada nesta terra é pleno, perfeito. Os homens não são exatamente como Deus criou, nem o que serão diante d'Ele. São rascunhos esperando a arte final do Grande Artista. As cidades mais planejadas do mundo, não podem se comparar com a beleza da cidade celestial. Fico fascinado com o espetáculo de luzes na cidade, mas gosto de pensar que ele apenas aponta para o dia em que até o sol será desnecessário, pois o próprio Senhor brilhará sobre todos (Ap. 22:5). As fartas ceias que, pela graça de Deus, desfrutamos não são perfeitas: os abraços nem sempre são verdadeiros, os presentes nem sempre são dados como gestos de gratidão e há uma multidão de pessoas que estão de fora delas. Mas, imagino que elas são um tosco desenho do dia em todos os filhos de Deus estarão em um grande banquete ao lado do Salvador do mundo (Mt. 8:11; 26:29). Naquele dia não haverá falta, nem de comida, nem de pessoas, nem de amor.
         O natal de hoje é bom, mas não é perfeito. É apenas um vislumbre de um belo porvir reservado para os que foram alcançados pela excelsa graça.

(publicado originalmente em 11/12/2010)

9 de dezembro de 2014

DEUS E O PARADOXO

A criação do céu, de Michelangelo


por George Gonsalves


Deus é o primeiro e o último

o início e o fim de todas as coisas

É único, mas trino

Autor e consumador da nossa fé

Habita no mais alto e sublime céu e com o abatido de espírito

Tão grande que nada pode contê-lo, mas encontra-se na menor partícula

Não há beleza para descrevê-lo, mas seu Filho não tinha formosura

Sua morada tem ruas de ouro, mas quando veio ao mundo nasceu em manjedoura

É pleno, mas deseja estar conosco

Você pode também gostar

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...