27 de outubro de 2014

A VIDA CRUCIFICADA, DE A.W. TOZER

A VIDA CRUCIFICADA - Como viver uma experiência cristã mais profunda
AUTOR: A. W. TOZER
EDITORA VIDA. SÃO PAULO- SP, 2014, 238p.



por George Gonsalves

Para mim, Tozer (1897-1963) é um dos melhores escritores cristãos. Suas palavras, que são despidas de pompas teológicas, são carregadas de grande profundidade espiritual e atuais para nossa geração.    
O livro em questão trata do assunto da santificação. Para Tozer, boa parte da literatura e pregações da sua época (talvez não seja diferente hoje) visam atingir o cristão medíocre, àquele que não aprendeu a crucificar sua vida mundana. Suas palavras, no entanto, tentam encorajar os crentes a buscarem uma vida espiritual madura.
A obra é dividida em capítulos em que o autor descreve aspectos de uma vida mais santificada: "O fundamento da vida crucificada", "A dinâmica da vida crucificada", "Os perigos da vida crucificada" e "As bençãos da vida crucificada". Ao final de cada capítulo, há uma poesia ou um hino, com destaque para "Não eu, mas Cristo", de Frances E. Bolton.
Não é o melhor livro de Tozer, que já escreveu tesouros como "Esse cristão incrível", "A raiz dos justos" e "Mais perto de Deus", mas não se deve deixar de lê-lo. É ainda muito superior à maioria dos títulos atuais disponíveis nas nossas livrarias.

18 de outubro de 2014

OBSERVAÇÕES SOBRE O HOMEM E O MAR



por Raimundo Filho

Certo dia, um homem saiu a meditar a respeito da vida comum, então ele encontrou um lugar maravilhoso: uma bela praia que dava vista à imensidão do oceano. Ele pôde perceber incríveis semelhanças entre o mar e todos os homens.
O mar é sempre lembrado pela sua agitação, e por algumas vezes também é temido por esta causa. Aquele homem viu aí uma semelhança. Toda a nossa vida está cheia de agitações, "ondas" inesperadas, "ventos" que nos surpreendem e, mesmo assim temos que levá-la adiante. Não podemos achar ou permitir que estas "tempestades" nos abalem. Há agitação no mar, mas ele permanece. Assim também é conosco. E há um segredo nisso.
O mar está carregado de coisas não explicadas, mistérios. E nós? Por certo não somos diferentes. Temos no nosso mais profundo ser partes ainda intocadas. Contudo, há Alguém que nos ama muito que há de tocá-las. Alguém que tanto conhece as profundezas do mar, quanto de cada um de nós.
Ao olhar o mar, aquele homem percebeu quem o fez. Foi Alguém especialista em criar coisas majestosamente harmônicas, com uma beleza singular. Da mesma forma, fomos criados de maneira "assombrosamente maravilhosa". O salmista chegou a exclamar: "tal conhecimento é maravilhoso demais para mim: é sobremodo elevado, não posso atingir" (Sl. 139:6).
O tal homem ficou por um pouco de tempo em silêncio, e se maravilhou ao lembrar das palavras do Maior dos Livros, que diz: "Vi como que um mar de vidro" (Ap. 15:2). Foi esta doce lembrança como um bálsamo. A nossa vida às vezes é agitada, há mistérios nela, sendo assombroso o que somos, mas o Senhor se importa conosco. Cristo vendo o mar agitado, acalmou-o com sua amável voz e com uma só palavra (Mc. 4:39). Existe bonança! Ele tem autoridade para acalmar o mar. Em breve, e não mais tardará, chegará o dia em que estaremos em total  descanso.
O Livro finaliza afirmando que o mar : "já não mais existe" (Ap. 21:1). 
     Perderemos nós, também, a identidade? Não, mas será algo ainda mais glorioso: "Deus será tudo em todos" (Cl. 3:11).  

       

13 de outubro de 2014

JESUS, INIGUALÁVEL


por George Gonsalves

Ninguém nasceu como Jesus: "Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco)" (Mt. 1:23).

Ninguém falou como Jesus: "Jamais alguém falou como este homem" (João 7:46).

Ninguém olhou como Jesus: "Então, voltando-se o Senhor, fixou os olhos em Pedro, e Pedro se lembrou da palavra do Senhor, como lhe dissera: Hoje três vezes me negarás, antes de cantar o galo. Então, Pedro, saindo dali, chorou amargamente" (Lc. 22: 61-62).

Ninguém curou como Jesus: "Desde que há mundo, jamais se ouviu que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença" (João 9:32).

Ninguém foi tocado como Jesus: "tendo ouvido a fama de Jesus, vindo por trás dele, por entre a multidão, tocou-lhe a veste. Porque, dizia: Se eu apenas lhe tocar as vestes, ficarei curada. E logo se lhe estancou a hemorragia, e sentiu no corpo estar curada do seu flagelo" (Mc. 5:27-29).

Ninguém amou como Jesus: "Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos" (João 15:13).

Ninguém viveu como Jesus: "Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos, o qual não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca; pois ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente" (João 15:13).

Ninguém morreu como Jesus: "E Jesus, clamando outra vez com grande voz, entregou o espírito. Eis que o véu do santuário se rasgou em duas partes de alto a baixo; tremeu a terra, fenderam-se as rochas; abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos, que dormiam, ressuscitaram" (Mt. 27:51-52).

8 de outubro de 2014

E A PROFECIA SOBRE MARINA SILVA NÃO SE CUMPRIU



por George Gonsalves

Pois é, Marina Silva, a evangélica candidata a presidência da República, não foi para o segundo turno das eleições. Tudo bem, faz parte do jogo político. Ocorre, que alguns crentes "profetizaram" a sua vitória nestas eleições. Valnice Milhomens teria sido uma destas pessoas que afirmaram que Deus colocaria Marina no comando na nação brasileira, conforme vídeo que circula na internet.
Em primeiro lugar, destaco que creio na atualidade do dom de profecia. As Escrituras mostram que ela permanece em nossos dias. São corretas, pois, as palavras do teólogo Wayne Grudem: "Não há nenhuma razão para pensar que [a profecia] não continuará na igreja até Cristo voltar. Ela não ameaça as Escrituras nem compete com a Bíblia em autoridade; antes, está sujeita às Escrituras bem como ao julgamento maduro da congregação" (Teologia Sistemática - Ed. Vida Nova, 1999, p. 881). No entanto, corremos o risco de querer que Deus diga o que pensamos e queremos. Talvez, este seja o grande problema das "profecias" de nosso tempo. Muitos crentes se entusiasmaram com a possibilidade de ver mais um cristão na presidência (Café Filho e Ernesto Geisel foram os primeiros) e forçaram uma pseudo-profecia sobre este desejo. Mas, não posso afirmar que houve dolo neste fato.
Aliás, não somente os pentecostais estão sujeitos a erros semelhantes. Membros de igrejas tradicionais também são tentados a interpretar textos bíblicos conforme àquilo que já pensam e vivem. O homem reluta em admitir que precisa mudar, se arrepender. Por isso, é mais fácil "ajustar" a Bíblia à minha vida do que o contrário. Por isso, luteranos, calvinistas,  batistas, pentecostais e os demais grupos evangélicos/protestantes enxergam a sua igreja quando leem as páginas do Novo Testamento. Como disse o escritor francês Paul Bougert: “É preciso viver como se pensa, caso contrário se acabará por pensar como se tem vivido.” 
Precisamos entender, ainda, que o fato de um cristão chegar à presidência da República não significa que o Salmo 33:12 ("Feliz a nação cujo Deus é o Senhor") terá se cumprido. O texto não fala de que a nação será feliz quando houver um soberano temente a Deus, mas quando a nação de um modo geral servir ao Senhor. Por fim, é ingênuo pensar que alguém será um bom líder político por causa de sua fé. Alguém muito piedoso pode não ser um bom professor ou encanador. Mesmo porque a política exige uma comunhão com outros agentes, que não são necessariamente tementes a Deus. 

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