29 de agosto de 2014

JOHN SMITH, MISSIONÁRIO ENTRE OS ESCRAVOS

COROAS DE GLÓRIA, LÁGRIMAS DE SANGUE
AUTORA: EMILIA VIOTTI DA COSTA
ED. CIA. DAS LETRAS, SÃO PAULO- SP, 1998, 415p.





por George Gonsalves

Excelente livro de uma das mais importantes historiadoras brasileiras, Emilia Viotti da Costa, que lecionou na Universidade de Yale, nos Estados Unidos.

A obra discorre sobre a rebelião dos escravos em Demerara, na Guiana Inglesa, no ano de 1823. No centro deste conflito estava um missionário evangélico: o jovem inglês John Smith. Ele havia se candidatado para evangelizar os escravos na então colônia inglesa. Altruísta, o missionário se indignou com a crueldade dispensada aos negros e ganhou a simpatia deles, a ponto de encher a sua congregação com algumas centenas de fiéis.  

Como alguns dos rebelados faziam parte da sua igreja, Smith foi acusado de insuflá-los. Com isso, ele foi preso e, doente,  acabou morrendo na prisão aos 34 anos de idade. Sua determinação, coragem e compaixão me tocaram muito. 
John Smith (1790-1824)
Emilia Viotti consegue tecer com maestria a trama histórica, tentando desnudar os principais agentes envolvidos: fazendeiros, escravos e missionários.  

       O historiador João José Reis fez uma correta avaliação deste livro:
  
    "Ao abordar a história miúda, vivida com intensidade por indivíduos carregados de conflitos íntimos, Viotti empresta credibilidade a seus personagens, tornando-os agentes dinâmicos dos acontecimentos que interpreta. Ao mesmo tempo insiste em que escravos, senhores, feitores, missionários, abolicionistas, administradores coloniais e metropolitanos estavam imersos num mundo maior, submetidos a forças históricas que não controlavam completamente".

22 de agosto de 2014

NÃO QUERIA QUE MEUS FILHOS CRESCESSEM OU O DIVINO MISTÉRIO DAS CRIANÇAS

Crianças em uma missão evangélica no Senegal
por George Gonsalves

Um amigo me disse que quando sua filha era muito pequena, ele ficava impaciente torcendo para que o tempo fosse acelerado para que ela crescesse logo. Deste modo, poderia ter conversas, digamos assim, mais maduras com ela.
De minha parte, adorei a tenra idade dos meus dois filhos e ficava pensando se eles não podiam permanecer pequenos para sempre. Realizamos grandes combates com travesseiros e, como em toda guerra, havia sempre pessoas machucadas, inclusive eu mesmo. Mergulhamos fundo em histórias maravilhosas, de Victor Hugo até a mais bela delas: a de Jesus. Era tudo mágico. A cada dia uma experiência, um espanto, uma descoberta. Pena que acabou. Meus filhos já estão quase na adolescência e já temos diálogos sérios sobre coisas desagradáveis como política e violência.     
O mundo das crianças é maravilhoso. Não à toa Cristo afirmou que só poderíamos ir ao céu se fôssemos como uma delas. Há divinos mistérios nelas. João Batista saltou no ventre de sua mãe quando Maria, que estava grávida de Jesus, se aproximou. Como aconteceu isso? A Bíblia afirma que Deus tira de crianças de peito o perfeito louvor (Mt. 21:16)! De que forma? As crianças possuem imaginação, paixão e uma fé inabalável no transcendente. São sinceras e não guardam rancores. Há nelas uma centelha divina muito forte, que vai se apagando com o tempo.
Por sua vez, os adultos não são nada atraentes. Quase sempre apresentam desculpas esfarrapadas para seus pecados, são interesseiros, incrédulos, guardam mágoas por anos a fio e não cumprem as promessas que fazem, seja para Deus, sua família ou para si mesmos. Como disse um filósofo, como poetas medíocres que sempre procuram rimas para seus veros, estão sempre a procura de justificativas que se encaixem em seu modo de vida.   
Bem, minha vida perdeu muito do encanto desde que meus filhos cresceram. Mas, o problema em breve será resolvido. Minha mulher está grávida. A magia vai começar novamente...

11 de agosto de 2014

QUERIA ESCREVER...MAS A TINTA ACABOU


George Gonsalves

Dentre as folhas que se esparravam pela mesa, peguei uma e comecei a rabiscá-la, tentando definir a Deus:

Imutável
Incomparável
Infindável
Incompreensível
Indestrutível
Inquebrantável
Imbatível
Incansável
Indefectível
 Inefável
Inominável
Indizível

Queria continuar a escrever...mas a tinta acabou.

4 de agosto de 2014

A FORÇA E A BELEZA DAS PALAVRAS


por George Gonsalves

Há algum tempo fui a uma concessionária comprar um carro novo. Estava acompanhado da mulher que amo e com quem estou casado há mais de dezessete anos. Após a compra, um animado funcionário apareceu para me levar ao veículo. Foi, então, que ouvi algo que me soou estranho. Apontando para o tal carro, ele disse-me: "Veja, e se apaixone!". Bem, eu estava muito satisfeito com minha mulher e não estava disposto a me apaixonar por nenhum automóvel... 

É claro que entendi o que o rapaz quis dizer com "apaixonar-se" pelo carro, mas este fato me levou a pensar que as palavras estão perdendo muito do seu significado comum, inclusive bíblico, nos levando a confundir sentimentos e expressões. Desta forma, amamos ao próximo e também amamos chocolate; adoramos a Deus e adoramos pizza; seguimos a Cristo e também somos seguidores de alguém no twitter; somos amigos de alguém que compartilha de muito do que somos e pensamos e temos também centenas de amigos no facebook. 

Em um instigante texto, A. W. Tozer manifestou preocupação com uma expressão muito comum entre os evangélicos: "aceitar a Cristo". Para ele, se esta frase foi dita sem qualquer explicação pode levar os homens a diversos pensamentos equivocados sobre o que significa o discipulado cristão: "O problema é que toda a atitude do 'Aceita a Cristo' é provavelmente errada. Mostra Cristo voltado para nós, e não nós para Ele. Representa-O de pé, chapéu na mão, a esperar o nosso veredicto (sic) sobre Ele, em vez de estarmos nós de joelhos, com corações angustiados, esperando o Seu veredicto (sic) sobre nós" ("O que significa aceitar a Cristo", em Esse cristão incrível, p. 14, Ed. Mundo Cristão).

Devemos ter o cuidado para não deixarmos que o valor das palavras bíblicas se percam. Se, por exemplo, vamos ter amigos virtuais, consideremos que a amizade da qual falou Cristo é de outra natureza, a ponto d'Ele falar aos seus discípulos: "tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer" (João 15:15). Quem sabe podemos também alterar nosso vocabulário, a fim de não vulgarizarmos palavras de significados tão belos. Assim, já que dizemos que temos amor por Deus ou por nossos filhos, não deveríamos dizer que amamos também objetos e máquinas. 

Não somente falamos do que nosso coração está cheio, mas as palavras que ouvimos e falamos também altera nossos pensamentos e comportamentos. 

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