23 de junho de 2014

O CRISTÃO PODE SER PATRIOTA?


por George Gonsalves

Certa vez, tomado de grande amor por sua terra natal, o escocês John Knox (1514-1572) clamou a Deus: "Dá-me a Escócia, senão eu morro". O próprio apóstolo Paulo falou assim de seu povo: "porque eu mesmo desejaria ser anátema, separado de Cristo, por amor de meus irmãos, meus compatriotas, segundo a carne" (Rm. 9:3). Sendo assim, até que ponto o cristão pode ser devotado à sua pátria, ao seu povo?
  
A resposta talvez pudesse ser resumida assim: pode, até o ponto do homem não pecar contra Deus e seu próximo. Podemos e devemos amar nosso chão e nosso povo, mas devemos nos lembrar que Cristo morreu por pessoas de "todas as línguas, povos e nações". Nosso país não é o mais importante do mundo e também não é o preferido de Deus. O amor à pátria pode, também, ser idolátrico.

Na história da igreja uma das grandes manchas é o divisionismo, e um dos seus maiores propulsores foi o nacionalismo. Em sua obra clássica, As origens das denominações cristãs, Richard Niebuhr afirma que: "as igrejas étnicas e nacionais são manifestações adicionais da vitória da consciência social divisiva sobre o ideal cristão de unidade" (p. 71). Assim, inúmeras pessoas se agruparam em igrejas que não estavam unidas apenas por uma mesma fé, mas por laços culturais territoriais. Daí o surgimento de igrejas como: Batista Alemã, Ortodoxa Grega, Ortodoxa Russa, Luterana Norueguesa, Evangélica Luterana Dinarmaquesa, dentre outras. 

O pior se dá quando cristãos justificam pecados pelo amor à pátria. Alguns são declaradamente contrários a imigrantes e, inclusive, lutam em guerras sangrentas contra irmãos de outros povos. Não foi esse patriotismo que motivou as declarações de Knox e Paulo que lemos no início deste texto. Estes crentes estavam movidos por um amor sacrificial pelo seu povo. Isto não os levava a ignorar ou perseguir pessoas de outras nacionalidades. John Knox, por exemplo, serviu a irmãos na Suiça e Paulo foi simplesmente o "apóstolo dos gentios", pregando a inúmeros povos, dos romanos aos gregos.     
 

Por isso, concluo dizendo: cristãos brasileiros, amemos nossa pátria e oremos pelo nosso povo, não porque "nossos lindos campos têm mais flores" ou "nossos bosques tem mais vida", mas porque Deus ama esta gente, a nossa gente . 


17 de junho de 2014

MÃOS QUE AJUDAM OU LÁBIOS QUE ORAM?



por George Gonsalves


Nesta manhã visualizei um adesivo em um carro que trazia uma frase atribuída a Madre Tereza de Calcutá:

"As mãos que ajudam são mais sagradas que os lábios que rezam (oram)".
       
A citação, embora bela, traz uma falsa dicotomia na perspectiva cristã. Coloca-nos diante de dois tipos: aquele que ora muito, inclusive realizando vigílias, mas que não se compadece dos desvalidos e necessitados; ou aquele que se dedica às causas sociais, privilegiando os pobres e discriminados, mas que são considerados espiritualmente apáticos.

Na verdade, o evangelho traz ao coração do homem uma espiritualidade ampla, unindo amor fervoroso a Deus e ao próximo. O próprio Cristo reafirmou as palavras do Antigo Testamento: "Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Mt. 22:37-39).

O homem espiritual não é aquele que se isola do mundo para "se perder em Deus", e nem aquele que, distante de Deus, se aproxima do próximo para fazer obras de caridade. John Wesley, pregador metodista do século XVIII, dividiu boas obras em: obras de piedade (culto, oração, jejum) e da misericórdia (alimentar os famintos, visitar os enfermos ou vestir os nus).

Deste modo, podemos dizer que tanto as mãos que ajudam como os lábios que oram podem ser santificados pelo Senhor.






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