11 de janeiro de 2014

CAMUS: O ATEU QUE BUSCOU A DEUS

ALBERT CAMUS E O TEÓLOGO
AUTOR: HOWARD MUMMA
CARRENHO EDITORIAL. SÃO PAULO- SP, 2002, 127p.


por George Gonsalves

"Estou quase em uma peregrinação, buscando algo para preencher o vazio que estou experimentando, e ninguém sabe [...]. Desde que comecei a ler a Bíblia, sinto que existe alguma coisa. Não sei se é pessoal ou se é uma grande ideia ou influência poderosa - mas existe algo que pode trazer novo significado a minha vida. Eu certamente não tenho esse algo, mas ele está lá. Nas manhãs de domingo, ouço que a resposta é Deus" (p. 104/105). 
As palavras acima teriam sido ditas por Albert Camus (1913-1960), escritor francês ganhador do prêmio Nobel de literatura de 1957, e autor de livros consagrados como O mito de Sísifo e A peste. Elas foram reveladas tardiamente por Howard Mumma no livro Albert Camus e o teólogo.
Tido por ateu (ou agnóstico), Camus teria tido vários diálogos com Mumma, que foi ministro da Igreja Americana de Paris, na década de 50, sobre questões existenciais, incluindo a fé em Deus. Muitas dúvidas foram levantadas sobre a autenticidade das palavras de Camus. Algumas têm fundamento. O livro só foi publicado mais de quarenta anos após os supostos diálogos. Segundo o próprio Mumma, ele fez "copiosas anotações" das referidas conversas, mas precisou da memória para reconstruí-las. Há também imprecisões históricas em alguns comentários do ministro.
Mesmo com estas dúvidas, o livro merece ser lido. Os diálogos são interessantes e revelam diferenças importantes entre a filosofia existencialista (embora o próprio Camus afirme que não se identifique totalmente com ela) e o cristianismo. Há concordância sobre a angústia humana em um mundo assolado pelo mal (ou pecado). Contudo, o cristão enxerga, pela fé, um sentido para vida. Ela está não no próprio homem, mas em um Deus pessoal e relacional.    

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