30 de dezembro de 2014

ALGO MUDA NO ANO NOVO?


por George Gonsalves

                Um verso de uma das canções mais conhecidas da música pop mundial diz que “nada muda no dia de ano novo” (New Year’s Day – U2). No plano macro isto é verdade. A passagem do dia 31 de dezembro para o dia primeiro de janeiro é, em muitos aspectos um momento comum: a  Terra não se move mais rápido, as estrelas não brilham mais e as pessoas não ficam mais belas.

       Ocorre que, podemos nos beneficiar da criação cultural de zerar o calendário para refletirmos sobre muitas coisas em nossas vidas. Podemos, pois, nos lembrar das bênçãos que recebemos de Deus. Esta lembrança deve nos levar a uma vida de gratidão. Neste caso, precisamos estar cientes que nossa mente não abarca tudo o que o Senhor nos fez. Sua graça derramada a cada milésimo de segundo do ano que finda escapa à nossa memória e percepção. Devemos, ainda, corrigir nossos passos e colocá-los no caminho que Deus nos preparou.

           Algo pode mudar no dia de ano novo. Como disse o poeta: “É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre” (Carlos Drummond de Andrade).
             
              Feliz e santo ano novo!

22 de dezembro de 2014

NATAL, VISLUMBRE DO PORVIR





por George Gonsalves         

          O natal está chegando mais uma vez. As cidades voltaram a se iluminar. Há magia no ar: luzes encantadoras se derramam sobre muros e árvores não tão belos assim. Figuras brilhantes de renas, presentes e, é claro, do bom e velho Noel, que nos recordam de uma época em que acreditávamos na fantasia e, assim, éramos mais felizes. Há também os singelos presépios, que tentam de alguma forma reproduzir o inefável, nos lembrando a razão de toda a festa. Há a preparação de fartos banquetes, com iguarias que nos fazem desejar que esta época se prolongue. Também há reuniões. Várias. Famílias, amigos, vizinhos e colegas de trabalho se sentarão por alguns instantes em volta de uma mesa. Talvez se olharão em uma noite como não o fizeram no ano todo. Trocarão presentes e poderão sentir o prazer de receber, mas principalmente de dar, e saber que podem fazer alguém sorrir ou se emocionar.     
        Os otimistas dirão que o mundo está entrando em uma fase de amor e compaixão, que os povos estão superando suas diferenças para compreender o outro. Cantarão que o natal é uma noite feliz para todos e que no próximo ano “todos os sonhos serão verdade”.
         Mas há os pessimistas que, aliás, não aceitam este nome. Preferem ser chamados de realistas. Farão um diagnóstico profundo da sociedade. Dirão que tudo não passa de uma festa capitalista, arquitetada para encher os cofres dos empresários e que, enquanto estamos nos banquetes, milhares de pessoas passam por graves necessidades, sem condições mínimas de sequer tomar uma refeição por dia. Nos lembrarão também que todos os anos os homens fazem belos votos no fim de ano para então descumpri-los no decorrer do próximo. 
          Para mim o natal é, principalmente, um vislumbre do porvir. Nada nesta terra é pleno, perfeito. Os homens não são exatamente como Deus criou, nem o que serão diante d'Ele. São rascunhos esperando a arte final do Grande Artista. As cidades mais planejadas do mundo, não podem se comparar com a beleza da cidade celestial. Fico fascinado com o espetáculo de luzes na cidade, mas gosto de pensar que ele apenas aponta para o dia em que até o sol será desnecessário, pois o próprio Senhor brilhará sobre todos (Ap. 22:5). As fartas ceias que, pela graça de Deus, desfrutamos não são perfeitas: os abraços nem sempre são verdadeiros, os presentes nem sempre são dados como gestos de gratidão e há uma multidão de pessoas que estão de fora delas. Mas, imagino que elas são um tosco desenho do dia em todos os filhos de Deus estarão em um grande banquete ao lado do Salvador do mundo (Mt. 8:11; 26:29). Naquele dia não haverá falta, nem de comida, nem de pessoas, nem de amor.
         O natal de hoje é bom, mas não é perfeito. É apenas um vislumbre de um belo porvir reservado para os que foram alcançados pela excelsa graça.

(publicado originalmente em 11/12/2010)

9 de dezembro de 2014

DEUS E O PARADOXO

A criação do céu, de Michelangelo


por George Gonsalves


Deus é o primeiro e o último

o início e o fim de todas as coisas

É único, mas trino

Autor e consumador da nossa fé

Habita no mais alto e sublime céu e com o abatido de espírito

Tão grande que nada pode contê-lo, mas encontra-se na menor partícula

Não há beleza para descrevê-lo, mas seu Filho não tinha formosura

Sua morada tem ruas de ouro, mas quando veio ao mundo nasceu em manjedoura

É pleno, mas deseja estar conosco

13 de novembro de 2014

O PECADO DA VITIMIZAÇÃO


por George Gonsalves

Começou no Éden. Questionado sobre o seu pecado, Adão respondeu a Deus:"A mulher que me deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi" (Gn. 3: 12). O Senhor, então, se dirigiu à Eva, que se defendeu: "A serpente me enganou, e eu comi" (Gn. 3:13). Deus não perguntou nada à serpente e se perguntasse talvez ela também colocasse a culpa em outro ser. 
         De lá pra cá, muita coisa mudou, mas o desejo de se colocar como vítima permanece vivo como nunca na mente humana. Adúlteros são vítimas de mulheres sedutoras, filhos problemáticos são vítimas de pais repressores, pais deprimidos são vítimas de filhos desobedientes e até criminosos são vítimas de uma sociedade desigual. Enfim, se todos são vítimas nos perguntamos se há algum culpado no mundo.
Na verdade, todos queremos fugir de nossas culpas; não queremos admitir que pecamos, pois isto envolve humilhação e renúncia. É mais fácil culpar a outros, ou quem sabe o próprio Deus. Mas, esta atitude é pecaminosa. Quando estamos sempre na posição de vítimas, assumindo o papel de coitadinhos, deixamos de encarar a Deus e perdemos a oportunidade de mudar: "O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia" (Pv. 28:13).
A Bíblia assinala a responsabilidade de cada um pelos seus próprios atos: "A alma que pecar, essa morrerá...a justiça do justo ficará sobre ele, e a perversidade do perverso cairá sobre este (Ez. 18: 20). Somos chamados a encarar nossos próprios erros, mesmo que alguém tenha nos incitado a eles. A síndrome do "coitadismo" e da vitimização não levará nenhum homem a superar seus demônios e a alçar vôos cada vez maiores em direção à plenitude de vida.     

7 de novembro de 2014

VERSOS RELIGIOSOS DE CECÍLIA MEIRELES



Cecília Meireles (1901-1964)
por George Gonsalves

      Hoje é o dia de nascimento de Cecília Meireles, talvez a maior poetisa brasileira. Se fosse viva, estaria completando 113 anos de idade.

      Recentemente, li uma antologia poética dela com poemas arrebatadores. Cito abaixo alguns versos religiosos desta obra.

"Vou pelo braço da noite,
levando tudo o que é meu:
- a dor que os homens me deram,
e a canção que Deus me deu".
(Assovio)

"...Sempre mais comigo
vou levando os passos meus,
até me perder de todo
no indeterminado Deus".
(Em voz baixa)

"Quando o tempo em seu abraço
quebra o meu corpo, e tem pena,
quanto mais me despedaço,
mais fico inteira e serena.
Por meu dom, divino faço
tudo a que Deus me condena".
(Canção)

"Pode ser que também Deus se aviste,
nessa imóvel transparência.
E pode ser que Deus aviste teu coração,
e saiba por que desceste
esses degraus de cristal que iam para tão longe".
(Metal Rosicler)

3 de novembro de 2014

A COMOVENTE MORTE DE BRITTANY

Brittany Maynard
por George Gonsalves

"Adeus, mundo". Esta foi uma das últimas mensagens deixadas por Brittany Maynard, a americana de 29 anos de idade, que planejou a própria morte. No último dia primeiro de novembro, ela passou pela experiência da morte assistida. Acompanhada de seus familiares, ela tomou uma medicação que pôs fim a dores lancinantes causadas por um tumor no seu cérebro.
Diagnosticada com câncer em estado avançado, Os médicos só deram cerca de seis meses de vida a Brittany. Mas, sua mente iria degenerar semana após semana, trazendo enormes sofrimentos a si e aos que a amavam. Ela, então, decidiu realizar seus últimos desejos (como ir ao Grand Canyon) e morrer "nos seus próprios termos".
Embora creia que só Deus pode tirar a vida de alguém, entendo a decisão de Britanny, apesar de não endossá-la. Impossível não se comover com sua história. O suicídio é um tema controverso no cristianismo. Muitos acreditam que nenhum suicida poderá ser salvo. Apesar disso, desde cedo há registros de cristãos que puseram fim às suas vidas. Alguns desses registros foram deixados pelo primeiro historiador da igreja, Eusébio de Cesaréia (265-339). Segundo ele, algumas cristãs virgens cometeram suicídio para evitar que fossem estupradas e mortas com crueldade pelos perseguidores do império romano.  
Muitas são as razões para que alguém ponha fim a sua vida. Algumas são egoístas, outras altruístas. Uns se matam por não mais suportarem o peso de suas próprias existências, outros para salvarem a vida de alguns. Outros por estarem mentalmente perturbados. Não podemos perscrutar cada coração.
Agora, Brittany passou às mãos d'Aquele que poderá julgar perfeitamente as suas decisões. Não ousemos traçar o seu destino eterno. Deixemos que Deus seja Deus. 

27 de outubro de 2014

A VIDA CRUCIFICADA, DE A.W. TOZER

A VIDA CRUCIFICADA - Como viver uma experiência cristã mais profunda
AUTOR: A. W. TOZER
EDITORA VIDA. SÃO PAULO- SP, 2014, 238p.



por George Gonsalves

Para mim, Tozer (1897-1963) é um dos melhores escritores cristãos. Suas palavras, que são despidas de pompas teológicas, são carregadas de grande profundidade espiritual e atuais para nossa geração.    
O livro em questão trata do assunto da santificação. Para Tozer, boa parte da literatura e pregações da sua época (talvez não seja diferente hoje) visam atingir o cristão medíocre, àquele que não aprendeu a crucificar sua vida mundana. Suas palavras, no entanto, tentam encorajar os crentes a buscarem uma vida espiritual madura.
A obra é dividida em capítulos em que o autor descreve aspectos de uma vida mais santificada: "O fundamento da vida crucificada", "A dinâmica da vida crucificada", "Os perigos da vida crucificada" e "As bençãos da vida crucificada". Ao final de cada capítulo, há uma poesia ou um hino, com destaque para "Não eu, mas Cristo", de Frances E. Bolton.
Não é o melhor livro de Tozer, que já escreveu tesouros como "Esse cristão incrível", "A raiz dos justos" e "Mais perto de Deus", mas não se deve deixar de lê-lo. É ainda muito superior à maioria dos títulos atuais disponíveis nas nossas livrarias.

18 de outubro de 2014

OBSERVAÇÕES SOBRE O HOMEM E O MAR



por Raimundo Filho

Certo dia, um homem saiu a meditar a respeito da vida comum, então ele encontrou um lugar maravilhoso: uma bela praia que dava vista à imensidão do oceano. Ele pôde perceber incríveis semelhanças entre o mar e todos os homens.
O mar é sempre lembrado pela sua agitação, e por algumas vezes também é temido por esta causa. Aquele homem viu aí uma semelhança. Toda a nossa vida está cheia de agitações, "ondas" inesperadas, "ventos" que nos surpreendem e, mesmo assim temos que levá-la adiante. Não podemos achar ou permitir que estas "tempestades" nos abalem. Há agitação no mar, mas ele permanece. Assim também é conosco. E há um segredo nisso.
O mar está carregado de coisas não explicadas, mistérios. E nós? Por certo não somos diferentes. Temos no nosso mais profundo ser partes ainda intocadas. Contudo, há Alguém que nos ama muito que há de tocá-las. Alguém que tanto conhece as profundezas do mar, quanto de cada um de nós.
Ao olhar o mar, aquele homem percebeu quem o fez. Foi Alguém especialista em criar coisas majestosamente harmônicas, com uma beleza singular. Da mesma forma, fomos criados de maneira "assombrosamente maravilhosa". O salmista chegou a exclamar: "tal conhecimento é maravilhoso demais para mim: é sobremodo elevado, não posso atingir" (Sl. 139:6).
O tal homem ficou por um pouco de tempo em silêncio, e se maravilhou ao lembrar das palavras do Maior dos Livros, que diz: "Vi como que um mar de vidro" (Ap. 15:2). Foi esta doce lembrança como um bálsamo. A nossa vida às vezes é agitada, há mistérios nela, sendo assombroso o que somos, mas o Senhor se importa conosco. Cristo vendo o mar agitado, acalmou-o com sua amável voz e com uma só palavra (Mc. 4:39). Existe bonança! Ele tem autoridade para acalmar o mar. Em breve, e não mais tardará, chegará o dia em que estaremos em total  descanso.
O Livro finaliza afirmando que o mar : "já não mais existe" (Ap. 21:1). 
     Perderemos nós, também, a identidade? Não, mas será algo ainda mais glorioso: "Deus será tudo em todos" (Cl. 3:11).  

       

13 de outubro de 2014

JESUS, INIGUALÁVEL


por George Gonsalves

Ninguém nasceu como Jesus: "Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco)" (Mt. 1:23).

Ninguém falou como Jesus: "Jamais alguém falou como este homem" (João 7:46).

Ninguém olhou como Jesus: "Então, voltando-se o Senhor, fixou os olhos em Pedro, e Pedro se lembrou da palavra do Senhor, como lhe dissera: Hoje três vezes me negarás, antes de cantar o galo. Então, Pedro, saindo dali, chorou amargamente" (Lc. 22: 61-62).

Ninguém curou como Jesus: "Desde que há mundo, jamais se ouviu que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença" (João 9:32).

Ninguém foi tocado como Jesus: "tendo ouvido a fama de Jesus, vindo por trás dele, por entre a multidão, tocou-lhe a veste. Porque, dizia: Se eu apenas lhe tocar as vestes, ficarei curada. E logo se lhe estancou a hemorragia, e sentiu no corpo estar curada do seu flagelo" (Mc. 5:27-29).

Ninguém amou como Jesus: "Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos" (João 15:13).

Ninguém viveu como Jesus: "Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos, o qual não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca; pois ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente" (João 15:13).

Ninguém morreu como Jesus: "E Jesus, clamando outra vez com grande voz, entregou o espírito. Eis que o véu do santuário se rasgou em duas partes de alto a baixo; tremeu a terra, fenderam-se as rochas; abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos, que dormiam, ressuscitaram" (Mt. 27:51-52).

8 de outubro de 2014

E A PROFECIA SOBRE MARINA SILVA NÃO SE CUMPRIU



por George Gonsalves

Pois é, Marina Silva, a evangélica candidata a presidência da República, não foi para o segundo turno das eleições. Tudo bem, faz parte do jogo político. Ocorre, que alguns crentes "profetizaram" a sua vitória nestas eleições. Valnice Milhomens teria sido uma destas pessoas que afirmaram que Deus colocaria Marina no comando na nação brasileira, conforme vídeo que circula na internet.
Em primeiro lugar, destaco que creio na atualidade do dom de profecia. As Escrituras mostram que ela permanece em nossos dias. São corretas, pois, as palavras do teólogo Wayne Grudem: "Não há nenhuma razão para pensar que [a profecia] não continuará na igreja até Cristo voltar. Ela não ameaça as Escrituras nem compete com a Bíblia em autoridade; antes, está sujeita às Escrituras bem como ao julgamento maduro da congregação" (Teologia Sistemática - Ed. Vida Nova, 1999, p. 881). No entanto, corremos o risco de querer que Deus diga o que pensamos e queremos. Talvez, este seja o grande problema das "profecias" de nosso tempo. Muitos crentes se entusiasmaram com a possibilidade de ver mais um cristão na presidência (Café Filho e Ernesto Geisel foram os primeiros) e forçaram uma pseudo-profecia sobre este desejo. Mas, não posso afirmar que houve dolo neste fato.
Aliás, não somente os pentecostais estão sujeitos a erros semelhantes. Membros de igrejas tradicionais também são tentados a interpretar textos bíblicos conforme àquilo que já pensam e vivem. O homem reluta em admitir que precisa mudar, se arrepender. Por isso, é mais fácil "ajustar" a Bíblia à minha vida do que o contrário. Por isso, luteranos, calvinistas,  batistas, pentecostais e os demais grupos evangélicos/protestantes enxergam a sua igreja quando leem as páginas do Novo Testamento. Como disse o escritor francês Paul Bougert: “É preciso viver como se pensa, caso contrário se acabará por pensar como se tem vivido.” 
Precisamos entender, ainda, que o fato de um cristão chegar à presidência da República não significa que o Salmo 33:12 ("Feliz a nação cujo Deus é o Senhor") terá se cumprido. O texto não fala de que a nação será feliz quando houver um soberano temente a Deus, mas quando a nação de um modo geral servir ao Senhor. Por fim, é ingênuo pensar que alguém será um bom líder político por causa de sua fé. Alguém muito piedoso pode não ser um bom professor ou encanador. Mesmo porque a política exige uma comunhão com outros agentes, que não são necessariamente tementes a Deus. 

30 de setembro de 2014

O ENCANTO POÉTICO DE ISAAC WATTS

O ENCANTO POÉTICO DE ISAAC WATTS
AUTOR: DOUGLAS BOND
EDITORA FIEL. SÃO JOSÉ DOS CAMPOS- SP, 2014, 183p.


por George Gonsalves

Biografia de Isaac Watts (1674-1748), "pai da hinódia inglesa", autor de cerca de setecentos e cinquenta hinos evangélicos. O autor procura destacar ao longo dos capítulos várias facetas de Watts: educador, pregador, poeta e hinólogo. Para mim, a melhor parte do livro são as citações dos hinos do poeta inglês:

"Caro Salvador, deixa tua beleza ser
O alimento eterno de meu ser"

"Onde a razão esmorece
Com todo o seu vigor,
Ali a fé prevalece
E, enfim, adora o amor."

"Ai de mim! e sangrou meu Salvador?
E o meu Soberano morreu?
Daria sua divindade o Senhor,
Por tal verme assim como eu?"

"Tempo, como um riacho que sempre corre, 
Leva embora toda sua cria;
Voa esquecida, comom um sonho que morre
Logo na abertura do dia."

O livro, apesar de resumido, é interessante e se torna ainda mais importante pela escassez de obras sobre Watts em português.

25 de setembro de 2014

VAI DAR TUDO CERTO...OU NÃO


Natã e Davi
por George Gonsalves

Um querido irmão adoeceu gravemente há alguns meses atrás. Os exames apontaram para câncer no fígado, em estado avançado. Enquanto a igreja orava por ele, procurávamos os profissionais da saúde para prolongar sua vida. Então, um grupo de uma igreja que soube da sua enfermidade foi visitá-lo. Com confiança fizeram fervorosas orações e "profetizaram" que ele iria ficar curado. Dias depois, enterramos o nosso amado irmão.
Exemplos como esse se espalham no contexto religioso em que vivemos com espantosa rapidez. Basta alguém fazer uma prova em um concurso, colocar uma causa na Justiça ou fazer algum plano para as férias para ouvir a frase que é quase um mantra para muitos: "vai dar tudo certo".
Na verdade, não podemos falar do que não sabemos. Deus é quem governa todas as coisas. O nosso desejo ou pensamento positivo não alteram os desígnios do Senhor. Ariano Suassuna disse com razão: "O otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso". O crente deve ser alguém que pede e espera de Deus, mas não determina o que Ele vai fazer. Deus é aquele que abre, e ninguém fecha; mas também fecha, e ninguém abre (Ap. 3:7).
De certo modo, tudo vai dar certo para àquele que teme ao Senhor, pois "todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus" (Rm. 8:28). Mas isto não quer dizer que não tenhamos dissabores ou derrotas pela frente. Significa, no entanto, que nossos aparentes fracassos ou perdas redundarão (de uma maneira que talvez não possamos entender) em bençãos.     
Quando o profeta Natã ouviu de Davi o seu desejo de construir um templo para Deus, ele caiu na tentação de aprová-lo, sem consultar ao Senhor; Ele disse a Davi: "Tudo quanto tens no teu coração faze, porque Deus é contigo" (I-Crônicas 17:2). Ocorre que, na mesma noite, o Altíssimo se manifestou a Natã com as seguintes palavras: "Vai, e dize a Davi meu servo: Assim diz o Senhor: Tu não me edificarás uma casa para eu morar" (I-Cr. 17:4). Natã foi otimista, mas não sábio.
Portanto, se alguém revela um desejo e ouve inadvertidamente o decreto: "vai dar tudo certo"; podemos retrucar: "OU NÃO".

6 de setembro de 2014

RENOVAÇÃO


por Roberto Pereira

Mais um dia nos foi dado
Hora de refletir sobre os erros e acertos.
Hora de recomeçar!

Talvez tenhamos que jogar coisas fora
Talvez consertar coisas quebradas, que deveriam estar funcionando
Talvez conquistar novas coisas ou, talvez, reconquistar!

Talvez tenhamos que pedir perdão
Talvez tirar da gaveta planos esquecidos
Talvez tenhamos que decidir, sair de cima do muro?

O importante mesmo é saber que temos uma nova chance
De consertar, de acreditar, de mudar!
De RENOVAR!

29 de agosto de 2014

JOHN SMITH, MISSIONÁRIO ENTRE OS ESCRAVOS

COROAS DE GLÓRIA, LÁGRIMAS DE SANGUE
AUTORA: EMILIA VIOTTI DA COSTA
ED. CIA. DAS LETRAS, SÃO PAULO- SP, 1998, 415p.





por George Gonsalves

Excelente livro de uma das mais importantes historiadoras brasileiras, Emilia Viotti da Costa, que lecionou na Universidade de Yale, nos Estados Unidos.

A obra discorre sobre a rebelião dos escravos em Demerara, na Guiana Inglesa, no ano de 1823. No centro deste conflito estava um missionário evangélico: o jovem inglês John Smith. Ele havia se candidatado para evangelizar os escravos na então colônia inglesa. Altruísta, o missionário se indignou com a crueldade dispensada aos negros e ganhou a simpatia deles, a ponto de encher a sua congregação com algumas centenas de fiéis.  

Como alguns dos rebelados faziam parte da sua igreja, Smith foi acusado de insuflá-los. Com isso, ele foi preso e, doente,  acabou morrendo na prisão aos 34 anos de idade. Sua determinação, coragem e compaixão me tocaram muito. 
John Smith (1790-1824)
Emilia Viotti consegue tecer com maestria a trama histórica, tentando desnudar os principais agentes envolvidos: fazendeiros, escravos e missionários.  

       O historiador João José Reis fez uma correta avaliação deste livro:
  
    "Ao abordar a história miúda, vivida com intensidade por indivíduos carregados de conflitos íntimos, Viotti empresta credibilidade a seus personagens, tornando-os agentes dinâmicos dos acontecimentos que interpreta. Ao mesmo tempo insiste em que escravos, senhores, feitores, missionários, abolicionistas, administradores coloniais e metropolitanos estavam imersos num mundo maior, submetidos a forças históricas que não controlavam completamente".

22 de agosto de 2014

NÃO QUERIA QUE MEUS FILHOS CRESCESSEM OU O DIVINO MISTÉRIO DAS CRIANÇAS

Crianças em uma missão evangélica no Senegal
por George Gonsalves

Um amigo me disse que quando sua filha era muito pequena, ele ficava impaciente torcendo para que o tempo fosse acelerado para que ela crescesse logo. Deste modo, poderia ter conversas, digamos assim, mais maduras com ela.
De minha parte, adorei a tenra idade dos meus dois filhos e ficava pensando se eles não podiam permanecer pequenos para sempre. Realizamos grandes combates com travesseiros e, como em toda guerra, havia sempre pessoas machucadas, inclusive eu mesmo. Mergulhamos fundo em histórias maravilhosas, de Victor Hugo até a mais bela delas: a de Jesus. Era tudo mágico. A cada dia uma experiência, um espanto, uma descoberta. Pena que acabou. Meus filhos já estão quase na adolescência e já temos diálogos sérios sobre coisas desagradáveis como política e violência.     
O mundo das crianças é maravilhoso. Não à toa Cristo afirmou que só poderíamos ir ao céu se fôssemos como uma delas. Há divinos mistérios nelas. João Batista saltou no ventre de sua mãe quando Maria, que estava grávida de Jesus, se aproximou. Como aconteceu isso? A Bíblia afirma que Deus tira de crianças de peito o perfeito louvor (Mt. 21:16)! De que forma? As crianças possuem imaginação, paixão e uma fé inabalável no transcendente. São sinceras e não guardam rancores. Há nelas uma centelha divina muito forte, que vai se apagando com o tempo.
Por sua vez, os adultos não são nada atraentes. Quase sempre apresentam desculpas esfarrapadas para seus pecados, são interesseiros, incrédulos, guardam mágoas por anos a fio e não cumprem as promessas que fazem, seja para Deus, sua família ou para si mesmos. Como disse um filósofo, como poetas medíocres que sempre procuram rimas para seus veros, estão sempre a procura de justificativas que se encaixem em seu modo de vida.   
Bem, minha vida perdeu muito do encanto desde que meus filhos cresceram. Mas, o problema em breve será resolvido. Minha mulher está grávida. A magia vai começar novamente...

11 de agosto de 2014

QUERIA ESCREVER...MAS A TINTA ACABOU


George Gonsalves

Dentre as folhas que se esparravam pela mesa, peguei uma e comecei a rabiscá-la, tentando definir a Deus:

Imutável
Incomparável
Infindável
Incompreensível
Indestrutível
Inquebrantável
Imbatível
Incansável
Indefectível
 Inefável
Inominável
Indizível

Queria continuar a escrever...mas a tinta acabou.

4 de agosto de 2014

A FORÇA E A BELEZA DAS PALAVRAS


por George Gonsalves

Há algum tempo fui a uma concessionária comprar um carro novo. Estava acompanhado da mulher que amo e com quem estou casado há mais de dezessete anos. Após a compra, um animado funcionário apareceu para me levar ao veículo. Foi, então, que ouvi algo que me soou estranho. Apontando para o tal carro, ele disse-me: "Veja, e se apaixone!". Bem, eu estava muito satisfeito com minha mulher e não estava disposto a me apaixonar por nenhum automóvel... 

É claro que entendi o que o rapaz quis dizer com "apaixonar-se" pelo carro, mas este fato me levou a pensar que as palavras estão perdendo muito do seu significado comum, inclusive bíblico, nos levando a confundir sentimentos e expressões. Desta forma, amamos ao próximo e também amamos chocolate; adoramos a Deus e adoramos pizza; seguimos a Cristo e também somos seguidores de alguém no twitter; somos amigos de alguém que compartilha de muito do que somos e pensamos e temos também centenas de amigos no facebook. 

Em um instigante texto, A. W. Tozer manifestou preocupação com uma expressão muito comum entre os evangélicos: "aceitar a Cristo". Para ele, se esta frase foi dita sem qualquer explicação pode levar os homens a diversos pensamentos equivocados sobre o que significa o discipulado cristão: "O problema é que toda a atitude do 'Aceita a Cristo' é provavelmente errada. Mostra Cristo voltado para nós, e não nós para Ele. Representa-O de pé, chapéu na mão, a esperar o nosso veredicto (sic) sobre Ele, em vez de estarmos nós de joelhos, com corações angustiados, esperando o Seu veredicto (sic) sobre nós" ("O que significa aceitar a Cristo", em Esse cristão incrível, p. 14, Ed. Mundo Cristão).

Devemos ter o cuidado para não deixarmos que o valor das palavras bíblicas se percam. Se, por exemplo, vamos ter amigos virtuais, consideremos que a amizade da qual falou Cristo é de outra natureza, a ponto d'Ele falar aos seus discípulos: "tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer" (João 15:15). Quem sabe podemos também alterar nosso vocabulário, a fim de não vulgarizarmos palavras de significados tão belos. Assim, já que dizemos que temos amor por Deus ou por nossos filhos, não deveríamos dizer que amamos também objetos e máquinas. 

Não somente falamos do que nosso coração está cheio, mas as palavras que ouvimos e falamos também altera nossos pensamentos e comportamentos. 

26 de julho de 2014

STANLEY HORTON, UMA MENTE EM CHAMAS

Stanley Horton (1916-2014)
por George Gonsalves

Há alguns dias, no dia 12 de julho, o teólogo pentecostal Stanley M. Horton morreu aos 98 anos na cidade de Springfield, Missouri (EUA). 

Stanley Horton me fez lembrar um título de um livro do grande gênio cristão Blaise Pascal, editado e publicado pela editora Palavra: Mente em Chamas.

Rev. Horton recebeu sua formação educacional em grandes centros universitários americanos como Berkeley e Harvard. E ainda fez estudos complementares no New York Theological Seminary. Foi autor, colaborador e editor de inúmeras obras publicadas no Brasil como: Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal, 1995; O Que a Bíblia Diz Sobre o Espírito Santo, 1993 e reeditada como A Doutrina do Espírito Santo no Antigo e Novo Testamento; Doutrinas Bíblicas: Uma Perspectiva Pentecostal, 1995, com William Menzies; Isaías: O Profeta Messiânico, 2002; I & II Coríntios, 2003; Comentário Bíblico- Apocalipse, todos publicados pela CPAD e O Livro de Atos, 1993, publicado pela Editora Vida.

Tinha, portanto, uma mente potente. Mas não apenas isso. Sua mente parecia inflamada por Deus. Sua intenção era devotar seu conhecimento à causa do Evangelho. Ele era de uma família importante no movimento pentecostal. Seus avós maternos, Elmer Kirk Fisher e Clara Daisy Sanford, participaram diretamente do histórico Avivamento da rua Azuza em 1906. Ele, então, continuou a ser alguém a divulgar a atuação do Espírito Santo em seu tempo.

Precisamos de homens como Horton. Pessoas que não "se estribem em seu conhecimento", que não se vangloriem de seus diplomas, mas que busquem a sabedoria do alto e que consagrem sua mente ao Senhor. Em minha vida vi muitos membros da igreja entrarem na universidade e, depois de algum tempo, se tornarem pessoas orgulhosas e espiritualmente frias. Urgentemente devemos pedir que Deus nos dê mentes em chamas.

23 de junho de 2014

O CRISTÃO PODE SER PATRIOTA?


por George Gonsalves

Certa vez, tomado de grande amor por sua terra natal, o escocês John Knox (1514-1572) clamou a Deus: "Dá-me a Escócia, senão eu morro". O próprio apóstolo Paulo falou assim de seu povo: "porque eu mesmo desejaria ser anátema, separado de Cristo, por amor de meus irmãos, meus compatriotas, segundo a carne" (Rm. 9:3). Sendo assim, até que ponto o cristão pode ser devotado à sua pátria, ao seu povo?
  
A resposta talvez pudesse ser resumida assim: pode, até o ponto do homem não pecar contra Deus e seu próximo. Podemos e devemos amar nosso chão e nosso povo, mas devemos nos lembrar que Cristo morreu por pessoas de "todas as línguas, povos e nações". Nosso país não é o mais importante do mundo e também não é o preferido de Deus. O amor à pátria pode, também, ser idolátrico.

Na história da igreja uma das grandes manchas é o divisionismo, e um dos seus maiores propulsores foi o nacionalismo. Em sua obra clássica, As origens das denominações cristãs, Richard Niebuhr afirma que: "as igrejas étnicas e nacionais são manifestações adicionais da vitória da consciência social divisiva sobre o ideal cristão de unidade" (p. 71). Assim, inúmeras pessoas se agruparam em igrejas que não estavam unidas apenas por uma mesma fé, mas por laços culturais territoriais. Daí o surgimento de igrejas como: Batista Alemã, Ortodoxa Grega, Ortodoxa Russa, Luterana Norueguesa, Evangélica Luterana Dinarmaquesa, dentre outras. 

O pior se dá quando cristãos justificam pecados pelo amor à pátria. Alguns são declaradamente contrários a imigrantes e, inclusive, lutam em guerras sangrentas contra irmãos de outros povos. Não foi esse patriotismo que motivou as declarações de Knox e Paulo que lemos no início deste texto. Estes crentes estavam movidos por um amor sacrificial pelo seu povo. Isto não os levava a ignorar ou perseguir pessoas de outras nacionalidades. John Knox, por exemplo, serviu a irmãos na Suiça e Paulo foi simplesmente o "apóstolo dos gentios", pregando a inúmeros povos, dos romanos aos gregos.     
 

Por isso, concluo dizendo: cristãos brasileiros, amemos nossa pátria e oremos pelo nosso povo, não porque "nossos lindos campos têm mais flores" ou "nossos bosques tem mais vida", mas porque Deus ama esta gente, a nossa gente . 


17 de junho de 2014

MÃOS QUE AJUDAM OU LÁBIOS QUE ORAM?



por George Gonsalves


Nesta manhã visualizei um adesivo em um carro que trazia uma frase atribuída a Madre Tereza de Calcutá:

"As mãos que ajudam são mais sagradas que os lábios que rezam (oram)".
       
A citação, embora bela, traz uma falsa dicotomia na perspectiva cristã. Coloca-nos diante de dois tipos: aquele que ora muito, inclusive realizando vigílias, mas que não se compadece dos desvalidos e necessitados; ou aquele que se dedica às causas sociais, privilegiando os pobres e discriminados, mas que são considerados espiritualmente apáticos.

Na verdade, o evangelho traz ao coração do homem uma espiritualidade ampla, unindo amor fervoroso a Deus e ao próximo. O próprio Cristo reafirmou as palavras do Antigo Testamento: "Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Mt. 22:37-39).

O homem espiritual não é aquele que se isola do mundo para "se perder em Deus", e nem aquele que, distante de Deus, se aproxima do próximo para fazer obras de caridade. John Wesley, pregador metodista do século XVIII, dividiu boas obras em: obras de piedade (culto, oração, jejum) e da misericórdia (alimentar os famintos, visitar os enfermos ou vestir os nus).

Deste modo, podemos dizer que tanto as mãos que ajudam como os lábios que oram podem ser santificados pelo Senhor.






5 de maio de 2014

DOMINGO DA IGREJA PERSEGUIDA 2014

Tema DIP 2014 – Pastores e líderes africanos


   No dia 25 de maio de 2014 haverá mais um DIP - Domingo da Igreja Perseguida, evento promovido pela organização cristã Portas Abertas e realizado por mais de quatro mil igrejas em vários países.

    Qualquer igreja pode se cadastrar: clique aqui


 

25 de abril de 2014

A PALAVRA "DEUS" É BANIDA DOS FILMES DA DISNEY



por George Gonsalves


"Julgai todas as coisas, retende o que é bom".
I-Tes. 5:21

A palavra "Deus" foi banida de filmes da Disney, afirmou a dupla que ganhou Oscar este ano de melhor canção original (“Let it go”), do filme FrozenO casal Robert Lopez e Kristen Anderson-Lopez disse em entrevista à rede norte-americana NPR (National Public Radio) que "um dos poucos temas que são encarados com reserva na Disney são relacionados à religião”.


A afirmação não chega a surpreender. Vários sites evangélicos tentam mostrar mensagens subliminares diabólicas nos filmes da Disney. Lembro-me de ter visto há alguns anos uma mensagem do pastor Josué Yrion, que trata do mesmo assunto.
Independentemente da verdade ou não sobre as mensagens ocultas nos desenhos (tenho algumas dúvidas), a revelação de hoje soa muito estranha. Em um mundo em que se defende a conservação das matas, a proteção às baleias e aos ovos de tartaruga, a proibição da palavra "Deus" nos desenhos parece demonstrar uma forte aversão aos temas religiosos.  

De minha parte, prefiro analisar as coisas que estão postas explicitamente. Sabemos que a arte (filmes, desenhos, livros, música, pintura, etc.) não é neutra. Todo autor tem uma ideia e quer transmiti-la através de seus talentos. Certo dia, vi um episódio do "Pica-pau" que incentiva o suicídio na velhice. Precisamos, como cristãos, examinar as coisas à luz da Palavra de Deus. Como pais, temos o dever de sermos criteriosos quanto aquilo que nossos filhos irão assistir, a fim de que não sejam influenciados por mensagens contrárias aos princípios cristãos.

Felizmente, várias obras de autores que tentam abordar valores bíblicos em seus livros, como C.S. Lewis e J.R.R. Tolkien, têm sido traduzidas para o português e adaptadas para o cinema: Crônicas de Nárnia, Senhor dos Aneis, O hobbit. São boas indicações para crianças e adultos.  

21 de abril de 2014

PENSAMENTOS SOBRE A RESSURREIÇÃO




"Jesus nunca oficiou um funeral, mas sempre esteve presente à ressurreição".

F. N. PELOUBET


"Os dois símbolos cristãos absolutamente centrais são a cruz e a ressurreição".

PAUL TILLICH


"O homem, quando procura reduzir a ressurreição ao que a sua mente pode conceber, só consegue esvaziá-la".

RICHARD NIEBUHR


"Nosso Senhor escreveu a promessa da ressurreição não somente nos livros, mas em cada folha da primavera".

MARTINHO LUTERO 


"Nosso evangelho não termina num cadáver, mas num Conquistador; não numa tumba, mas numa vitória".

STANLEY JONES


"O maior argumento em favor do Cristo ressurreto é o cristão vivo".

WINIFRED KIRKLAND


"Os Evangelhos não explicam a ressurreição; todavia a ressurreição explica os Evangelhos".

JOHN S. WHALE


"O cristianismo começa onde a religião termina - com a ressurreição".

WILLIAM McFEE


"A ressurreição indica que a cruz de Cristo não se pode compreender como uma morte puramente humana, mas como o juízo libertador de Deus sobre o mundo".

G.C. BERKOUWER






15 de abril de 2014

O "JUDAS" QUE HÁ EM NÓS


A captura de Cristo, de Caravaggio ou um dos seus discípulos
por George Gonsalves

"Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?"
Jeremias 17:9

Em nosso país ainda há o costume de queimar bonecos que representem Judas Iscariotes na época da "semana santa". Neste ato, parece-me que muitas pessoas identificam o ato do apóstolo que traiu Jesus, como o mais vil e condenável que alguém poderia ter cometido. Não nego esta afirmação. A traição de Judas foi de fato um pecado gravíssimo contra Deus.

Contudo, muitos dos pecados que ele cometeu dele também rondam o nosso coração. Não estamos imunes às tentações pelas quais ele passou. Precisamos desesperadamente da graça divina para resistir ao "Judas" que há em nós. Podemos trair a Cristo de várias maneiras maneiras, inclusive, algumas bastantes sutis. 

Por exemplo, traímos a Jesus quando:

Preferimos a aprovação dos homens a de Deus; 
Guardamos para nós dinheiro que deveria ser dado para a obra do Senhor ou para o próximo; 
Nos  acovardamos diante das pressões de um mundo imoral;
Desperdiçamos o escasso tempo que temos com futilidades;
Nos omitimos na defesa de pessoas claramente injustiçadas;
Aceitamos para nós a glória que é devida somente a Deus;
Nos orgulhamos daquilo que fizemos;
 Nos envaidecemos de nossa pretensa beleza, intelectualidade ou santidade;
Murmuramos porque não temos o que queríamos, ao invés de agradecer pelo que temos; 
 Não cuidamos dos fracos e doentes que cruzam o nosso caminho;
Guardamos mágoa em um coração que deveria perdoar; 
Negligenciamos a igreja amada por Deus;
Não meditamos nas Escrituras de modo reverente; 
Não adoramos como convém Aquele que é digno de todo louvor e adoração;
Desejamos mais a dádiva do que o Doador.

11 de abril de 2014

OS PURITANOS: SUAS ORIGENS E SEUS SUCESSORES


por George Gonsalves

    Excelente! Um manancial de conhecimento de história da igreja e exortação a uma vida santa e avivada. O Dr. Martin Lloyd-Jones, um dos grandes mestres da igreja no século passado, conseguiu transmitir conhecimento em chamas nestas palestras proferidas entre os anos de 1959 a 1978.

    Notáveis são os capítulos dedicados a homens como Howell Harris, John Knox, George Whitefield, Jonathan Edwards e John Bunyan.

     Em uma palestra proferida em 1968, o pregador inglês critica a falta de emoção e fervor na vida de alguns calvinistas: "O calvinismo leva à emoção, à paixão, ao calor, ao louvor, à ação de graças" (p. 222/223), E questiona: "Qual foi a última vez que nós derramamos lágrimas?" (p.223). Ele faz um alerta: "Muitos há que estão com tanto medo do pentecostalismo e dos seus excessos e aberrações, que acabam extinguindo o Espírito" (p. 23)    

      Sobre o avivamento, Lloyd-Jones deixou frases impactantes:

      "O avivamento é algo realizado por Deus com soberana liberdade, muitas vezes apesar do que são os homens".

      "Se você de fato crê na soberania de Deus, deve crer em que, seja qual for o estado da Igreja, Deus pode enviar avivamento".

       "A história do progresso e desenvolvimento da Igreja é, em grande parte, uma história de avivamentos, destas efusões do Espírito de Deus poderosamente excepcionais".

        "Nada menos que avivamento é o de que se necessita".  

2 de abril de 2014

JACQUES LE GOFF: DEUS E A IDADE MÉDIA

            
    por George Gonsalves

Morreu nesta terça-feira em Paris, aos 90 anos, um dos maiores historiadores de nosso tempo: Jacques Le Goff. Seus estudos se voltaram para a Idade Média, principalmente os séculos XII e XIII, mas ele teve a preocupação de tirá-los do círculo acadêmico. Foi consultor do filme O nome e a rosa, baseado na obra de Umberto Eco. Sua influência sobre várias gerações de estudantes e amantes da História (como eu) é incalculável. Quando recebeu, em 2004, o prestigiado prêmio Dr. A. H. Heineken de História, atribuído pela Academia Real das Artes e Ciências dos Países Baixos, a declaração do júri dizia que Le Goff “mudou a nossa percepção da Idade Média”. Para ele, não era correto chamar a Idade de Média de “Idade das Trevas”.
    Curiosamente comprei dois livros recentemente de Le Goff, ambos lançados neste ano no Brasil: A Idade Média e o dinheiro (Civilização Brasileira) e Homens e mulheres da Idade Média (Estação da Liberdade).
É interessante que Le Goff estudou um período onde Deus era muito cultuado mas, paradoxalmente, parecia que era muito diferente daquele que era adorado nas catacumbas e casas dos discípulos dos primeiros anos do cristianismo. Na era medieval prevaleceu a pompa, os rituais e o poder temporal da igreja romana, em detrimento da simplicidade e do poder espiritual da igreja cristã.
Mas Le Goff, que não era cristão, sabia do poder que o cristianismo tinha para mudar a sociedade: “O cristianismo foi uma revolução ou o motor essencial de uma revolução”.[1] Em uma entrevista publicada na Folha de São Paulo, em 2002, o historiador francês criticou àqueles que fazem “uso” de Deus mesmo para fins políticos e sociais: “Se Deus existe, não compete ao homem se envolver em suas ações. Ele seria grande o suficiente para fazer o que quer”.    
A magnífica obra de Le Goff ficará por muito tempo, trazendo luz a um período que, segundo ele, poderia melhor ser definido não pela palavra “trevas”, mas por “maravilhoso”.




[1] O nascimento do purgatório. 2ª Ed. Lisboa. Editorial Estampa, 1995, p.25.

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