26 de novembro de 2013

PARA LER NO NATAL

Por George Gonsalves

Está chegando o natal! Ótimo momento para leitura. Vale a pena separar um tempo na correria do fim de ano para leituras edificantes. Indico algumas páginas sobre o natal que me fizeram refletir nos últimos anos: 

MATEUS 2:1-12 e LUCAS 2:1-20
      Evidentemente, a leitura dos evangelhos está em um nível completamente diferente de importância. Trata-se da narrativa do próprio Deus sobre a vinda de Cristo ao mundo. Em Mateus, temos a narrativa da enigmática visita dos magos ao menino Jesus, os quais foram guiados por uma estrela.
       Em Lucas, lemos a mais detalhada narrativa sobre o nascimento de Jesus: desde o anúncio dos anjos aos pastores, até a visita destes à manjedoura. O trecho é um dos que mais amo da Bíblia.
        A leitura destes textos é suficiente para plena edificação da alma na época natalina.     

A POESIA DO NATAL - ANTOLOGIA 
Autores: vários

     Organizado por Sammis Reachers, trata-se de uma antologia de poemas natalinos escritos por autores evangélicos brasileiros e portugueses como Gióia Júnior, Joanyr de Oliveira e Israel Belo de Azevedo. Tive a honra de ter um poema de minha autoria incluído: Noite de natal, noite sem igual.
     Encontramos nestes versos um pouco da essência do natal para um cristão: um momento para refletirmos sobre o significado da encarnação de Jesus. Encontra-se disponível para baixar gratuitamente em:



UM CÂNTICO DE NATAL
Autor: Charles Dickens
       Escrito por um dos maiores romancistas ingleses, a obra traz a história de Ebenezer Scrooge, um velho avarento e que odeia o natal, mas que é levado a repensar suas atitudes ao se encontrar com o espírito de seu falecido amigo.
Talvez uma palavra que descreva bem o livro é redenção. As vívidas cenas das famílias reunidas na noite de natal me tocaram profundamente.

CARTAS NATALINAS
Autor: Rainer Maria Rilke

       

        O livro reúne cartas que um dos maiores poetas alemães, escreveu para Sophie, sua mãe, de 1900 a 1925. As linhas são belas: cheias de ternura e fé. Na carta escrita em 1910, Rilke diz: “isso é Natal, sentir no peito uma vez ao ano a expectativa, a esperança inabalável, de que o adulto, ora vigorando em nós, nos quer surpreender, não um pouco, não, muito, com o infinito”.




MISTÉRIO DE NATAL
Autor: Josten Gaarden
         Bela fábula contada pelo autor de O mundo de Sofia. Através de um calendário mágico há uma viagem no tempo e no espaço até chegar ao dia e lugar onde Jesus nasceu. Li no ano passado com meus dois filhos, e viajamos juntos nesta interessante história.    

A ÁRVORE DE NATAL NA CASA DO CRISTO
Autor: Dostoievski
             Emocionante. Li este pequeno conto há vários anos e nunca o esqueci. O grande escritor russo faz uma denúncia social sobre a desigualdade entre os homens, ao mesmo tempo em que nos faz pensar sobre a providência e o amor de Deus, muitas vezes ocultos aos nossos olhos.    



22 de novembro de 2013

PENSAMENTOS DE C.S. LEWIS


Clive Staples Lewis
       Há cinquenta anos, em  22 de novembro de 1963, morria o irlandês C.S. Lewis (1898-1963), célebre pensador cristão e autor de inúmeros livros de sucesso, como As crônicas de Nárnia, O peso de glória e Cristianismo puro e simples. Ateu durante algum tempo, se converteu em 1929 e se tornou um grande apologeta do cristianismo.

       Em 1993 foi lançado um filme contando um pouco de sua história, tendo Anthony Hopkins como protagonista intitulado Terra das sombras.
           
         Veja alguns de seus pensamentos extraídos de seus excelentes livros:  

“Cedi, e deixei Deus ser Deus.”

“Nossa tentação é procurar com avidez o mínimo aceitável.”

"Em Deus não existe fome a ser satisfeita, apenas fartura que deseja doar."                               
"O que Deus faz por nós Ele faz em nós."         



“Ser cristão significa perdoar o indesculpável, porque Deus perdoou o indesculpável em nós.”

“Acredito no Cristianismo como acredito que o Sol nasceu, não apenas porque eu o vejo, mas porque por meio dele eu vejo todo o resto.”



“A exigência divina é infinita e inexorável. Podemos recusá-la ou podemos começar a tentar cumpri-la.”



“A variedade das promessas não quer dizer que qualquer outra coisa que não seja Deus será nosso êxtase supremo.”



“Li outro dia num periódico que o essencial é o que achamos de Deus. Pelo amor desse mesmo Deus, não é nada disso! O que Deus pensa de nós não só é mais importante, mas infinitamente mais importante.”

"Se posso ousar fazer uma imagem biológica, Deus é um “hospedeiro” que cria deliberadamente seus próprios parasitas; fazendo-nos existir a fim de que possamos explorá-lo e “tirar proveito” dEle. Este o diagrama do próprio Amor, o inventor de todos os amores."

 "O inferno é o único lugar além do céu onde podemos estar a salvo dos perigos do amor."



“Experimentar o amor de Deus de uma forma verdadeira e não ilusória é experimentá-lo como uma entrega às suas exigências.”



“O homem piedoso visa o bem do seu próximo e, assim, acaba fazendo a 'vontade de Deus'.”

"Se analisarmos as audaciosas promessas de galardão e a natureza surpreendente das recompensas prometidas no Evangelho, pareceria que Nosso Senhor considera nossos desejos não muito fortes, mas muito fracos, isto sim. Somos criaturas sem entusiasmo, brincando feito bobos e inconsequentes com bebida, sexo e ambições, quando o que se nos oferece é a alegria infinita."

"Rejeito de imediato a ideia que persiste na mente de algumas pessoas modernas de que as atividades culturais são de direito espirituais e meritórias – como se poetas e intelectuais fossem intrinsecamente mais agradáveis a Deus que os catadores de lixo e os engraxates [...] A obra de um Beethoven e o trabalho de uma faxineira são espirituais, exatamente na mesma condição, a de ser ofertas a Deus, de ser feitos com humildade “como para o Senhor”.





21 de novembro de 2013

A CAMPANHA GAY DO SITE IG

Deputado Federal Marco Feliciano
                              Por George Gonsalves

O site de notícias IG continua sua campanha a favor dos homossexuais. Primeiramente, criou um espaço dentro do portal chamado iGay, com notícias ligadas ao grupo LGBT. Como espaço privado de notícias este procedimento é democrático (cada grupo defende o que quer). Mas, é no mínimo estranho que haja uma seção em um grupo de comunicação dedicada a pessoas de determinada preferência sexual. Imaginem um espaço dentro de um jornal ou revista dedicado somente àqueles que optam sexualmente por pessoas mais velhas ou por pessoas de determinada cor?
       Hoje (21/11/2013) o IG lançou uma enquete ridícula e que induz as pessoas a erro. Ela diz: Por que o deputado Marco Feliciano ataca tanto os gays? As opções são: convicção religiosa, preconceito ou orientação partidária. 
   Não sou membro da igreja pastoreada por Feliciano e tenho inúmeras discordâncias dele, mas a pergunta colocada na enquete é falaciosa. O site afirma que o deputado "ataca" os gays, fato que é, obviamente, mentiroso. Não me consta que Feliciano tenha agredido, pelo menos verbalmente, algum homossexual ou que tenha atrapalhado qualquer manifestação do grupo LGBT. O contrário é que aconteceu. Feliciano é que foi perseguido em muitas ocasiões, inclusive com manifestações dentro do espaço reservado para o culto, o que constitui-se em crime.  
    Na verdade, a pergunta colocada no IG revela um pensamento de nosso tempo: "se alguém crê que o comportamento homossexual é pecado, é porque é intolerante e preconceituoso". Ora, a mensagem cristã sempre foi de condenação do pecado, mas de amor aos pecadores: "Vais e não peques mais", disse Jesus a uma mulher acusada de adultério. Certamente, Cristo seria visto hoje como alguém que "ataca" os pecadores.
   O portal IG tem o direito constitucional de defender suas bandeiras, mas os cristãos também têm. Deste modo, os crentes devem continuar a pregar o evangelho, e isto envolve o convite ao arrependimento de pecados (sejam quais forem)  

                              

20 de novembro de 2013

QUANTAS COISAS PRECISAMOS TERMINAR?


por George Gonsalves

      "completei a carreira" (Paulo a Timóteo - II-Tim. 4:7).

     Há algum tempo percebi que havia começado a leitura de vários livros e, por alguma razão, não havia concluído. Decidi, então, voltar a eles. Quando concluí alguns deles, notei que havia desperdiçado alguns tesouros do conhecimento, que estava negligenciando oportunidades de crescimento, e isto bem ao meu alcance.
      Quantas coisas começamos e, por negligência, não terminamos? Não me refiro a projetos esdrúxulos ou planos mal intencionados. Não devemos levar adiante algo que iniciamos, mas que percebemos que não vale a pena terminar. Há livros e filmes ruins, amizades perniciosas e empregos indignos. Estes precisam ficar pelo caminho, inconclusos.
    Refiro-me a coisas que realmente devemos concluir. Quantas destas há na minha e na sua vida? Muitos de nós somos rápidos para iniciarmos algo, mas nos esquecemos de terminá-lo. Vamos deixando pedaços de obras incompletas pelo caminho da vida, e há coisas que só são boas se forem completadas.  
     Reflitamos e, quem sabe antes do fim do ano, possamos terminar algo que julguemos importante: a leitura de um bom livro, a pintura de nossa casa (ou de outrem), um curso que acrescente conhecimento e oportunidades ou mesmo um diálogo inadiável.

15 de novembro de 2013

TRAILER DO FILME "NOÉ"

Russell Crowe no filme "Noé"
por George Gonsalves

      Foi divulgado pela Paramount o trailer do filme Noé, que conta a história do personagem bíblico, constante no livro de Gênesis. A película é dirigida por Darren Aronofsky (Cisne Negro) e conta com grandes atores no elenco: Russell Crowe, Anthony Hopkins, Jennifer Connelly e Emma Watson. A estréia está prevista para março de 2014.
     Pelo trailer nota-se que são feitas especulações sobre a história do dilúvio, como uma possível revolta contra Noé, liderada por Matusalém. Contudo, há cenas belíssimas, e espero que o conjunto da obra não desvirtue aspectos essenciais da narrativa bíblica. É aguardar para conferir. 



11 de novembro de 2013

HÁ DEZ ANOS ENTREVISTEI PAULO CEZAR DO GRUPO LOGOS

     


por George Gonsalves

     Há dez anos, eu e Roberto Pereira entrevistamos o pastor Paulo Cezar, vocalista do Grupo Logos, e publicamos em um jornal evangélico. O conjunto estava em Fortaleza, dando continuidade a uma viagem pelo Brasil.
      As questões colocadas pelo pastor ainda permanecem bastante atuais em nossos dias. Reproduzo, portanto, um trecho:

Qual a diferença que o senhor percebe entre a música evangélica da época em que havia o grupo ELO para a que ouvimos hoje?
Paulo Cezar: Naquela época nós tínhamos um desafio, tínhamos um sonho, uma visão com relação à música e, obviamente, este sonho tinha uma sustentação sempre de ministério, sempre de fazer alguma coisa que realmente fosse marcante para a alma das pessoas. Eu acho que essa é uma diferença muito grande, naquela época como nos nossos dias também. Há uma grande diferença entre a música objetivamente evangélica e a música rotulada de evangélica: é a questão da objetividade. Deixa-me explicar: quando a gente começou o ministério com o ELO nós sentimos que a música evangélica precisava ter uma melhora na sua qualidade técnica, e que ela deveria também ter conteúdo bíblico, uma coisa que de fato pudesse tocar os corações das pessoas com uma qualidade melhor. Então, a gente começou com este objetivo. Continuamos durante todo o tempo fazendo isso. O que eu vejo é que naquela época havia uma dificuldade muito grande por causa da discriminação. A música evangélica era rotulada como sendo de pouca qualidade técnica. Os estúdios eram para músicos seculares. A gente enfrentou barreiras neste sentido que já não temos hoje. Hoje, por exemplo, você pode gravar em qualquer estúdio, as igrejas têm aparelhos importados, têm instrumentos de primeira linha [...] Creio que a mesma dificuldade do começo continua: é a questão da identidade da música. Se ela é de fato evangélica, se diz de fato realmente alguma coisa ou se é uma música de distração para o povo, se é uma música simplesmente para mexer, entreter. Eu acho que Deus chamou cada um para fazer seu trabalho. O nosso é realmente atingir o coração das pessoas com a música consolando, exortando, incentivando, desafiando, chamando.

O que pensa da “teologia” da prosperidade?
Paulo Cezar: “Se não sou abençoado financeiramente, estou em pecado”, “Se estiver doente, estou em pecado”. Isso não tem nada a ver. [Esse ensino] leva o povo a uma cegueira espiritual, então escrevi contra isso. O evangelho humanista não prega que o homem precisa se quebrantar na presença [de Deus], na santidade de Deus, clamar por socorro, pela graça de Deus. Hoje é diferente, não se prega mais o evangelho falando do sangue e da cruz. Agora o pessoal diz: “vem pra cá e você vai ser abençoado, sua vida vai melhorar, você vai parar de sofrer, vai ser curado”. Um evangelho totalmente distorcido. Aí a indignação! As pessoas ouviram isso. Elas têm ouvido, e isso tem mexido mesmo. E eu creio que essa é uma grande arma que Deus nos tem dado como ministros de música. É fazer diferença mesmo. Por isso vamos gravando estas músicas [...] A gente tem uma sociedade, até evangélica, com medo. Hoje você toda hora vê pessoas com traumas dentro da igreja. Pessoas com stress dentro da igreja; é uma palavra nova. Você tem pessoas à beça dentro da igreja que quando vai se aconselhar com o pastor ele manda para o psicólogo, quando podia ministrar a palavra. Dizer: “olha, entrega tua ansiedade para o Senhor, não precisa ir para o psicólogo coisa nenhuma”. Mas a igreja tem vivido esse problema. A gente tem visto isso e precisamos pregar contra. Esse é o sentimento.

Qual o objetivo das viagens que vocês têm feito?

Paulo Cezar: Estou com 53 anos, o tempo vai passando, e eu fiquei pensando: eu tenho que aproveitar, correr enquanto dá, sair com esses moços [os integrantes da banda] que Deus me deu. Quer dizer, eles precisam também experimentar o que o eu experimentei na minha juventude, indo em escolas, presídios e cadeias. Hoje música é fazer show. É cantar, receber cachê e ir embora. Mas cantar para os presos, nas cadeias, isto é para o careta da igreja que prega com um acordeom, algo assim. Esse é o sentido da gente sair. Por isso nós visitamos igrejas. A gente quer mostrar para os jovens das igrejas que é possível fazer isso. Existe um ministério atrás da música.  

7 de novembro de 2013

POBRE FELICIDADE



por George Gonsalves

A foto acima é ilustrativa de um conceito moderno de felicidade. Um homem consegue ser um dos primeiros compradores de um smartphone de última geração, destes que serão parafernálias ultrapassadas no verão seguinte. Uma definição atual de bem estar poderia ser expresso assim: “feliz é quem pode comprar”. Ou seja, é a vitória do “ter” sobre o “ser”.   
     Segundo o historiador Georges Minois, o mercado e os Estados procuram levar as pessoas a pensarem que o consumo as fará realizadas: "A finalidade é formar um cidadão feliz o bastante para comprar e convencido de que será ainda mais feliz graças a suas compras".[1] Muitos cristãos embarcaram nessa falácia, a ponto de existir até uma “teologia” da prosperidade. Haveria uma mudança apenas sobre o meio de se receber os bens. No caso do crente, Deus seria o “canal” para o recebimento de bençãos materiais. O fim é o mesmo.  
      Não pretendo aqui fazer um protesto contra a sociedade de consumo, embora há críticas importantes a se fazer a ela: individualismo, superficialismo, materialismo, etc. Também não quero negar que Deus abençoe materialmente seus servos, embora precisemos saber que somos mordomos, e não donos do que recebemos. O que quero enfatizar é que o Senhor pode nos alegrar mais com Sua presença do que com coisas materiais. Nenhum pai idôneo gostaria que seu filho preferisse ganhar brinquedos a estar consigo. Nosso clamor deveria ser o do salmista: “Tu és o meu Senhor; outro bem não possuo, senão a ti somente” (Salmo 16:2), ou ainda o de Filipe: “Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta” (João 14:8).      
    O que buscamos para sermos felizes? O que tem mais nos alegrado ultimamente? Estamos satisfeitos com Deus, independentemente de nossa conta bancária? Ele nos basta? O que pedimos mais a Ele? Nossos maiores sonhos são de consumo? Estas são perguntas que podem ser constrangedoras para muitos.
Na verdade, tendo a Deus Todo-poderoso como pai, corremos o risco de nos conformamos com pouco, apenas com aquilo que o mundo pode dar. Mais do que nunca me parece atual a reflexão de C.S. Lewis feita há mais de cinquenta anos: "se analisarmos as audaciosas promessas de galardão e a natureza surpreendente das recompensas prometidas nos Evangelhos, pareceria que Nosso Senhor considera nossos desejos não muito fortes, mas muito fracos, isto sim. Somos criaturas sem entusiasmo, brincando feito bobos e inconsequentes com bebida, sexo e ambições, quando o que se nos oferece é a alegria infinita."[2]



[1] A Idade de Ouro - História da busca da felicidade. São Paulo: Ed. Unesp. 2011 p. 406.
[2] O peso de glória. São Paulo: Ed. Vida. 2008, p. 30

3 de novembro de 2013

ATEUS IMPEDEM CONFERÊNCIA DE CIENTISTAS CRISTÃOS NA UNICAMP

    

por George Gonsalves

    Segundo matéria publicada na revista ISTOÉ desta semana, o “1° Fórum de Filosofia e Ciência das Origens”, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), foi cancelado após uma campanha orquestrada por professores ateus da própria instituição. O motivo seria o fato dos palestrantes estarem ligados ao “criacionismo científico”.
      Este fato deixa evidente o espírito antidemocrático e anticristão que permeia a academia brasileira. Todos os que frequentam ou frequentaram as universidades públicas no Brasil sabem que muitas delas são autênticos feudos intelectuais, em que professores e estudantes são mais aceitos se aderirem a determinadas teorias. O debate, muitas vezes, é restrito a algumas posições ideológicas e/ou políticas. O marxismo, por exemplo, ainda domina amplamente as discussões nas áreas de História (com a vertente da História Social) e Sociologia.     
    A Unicamp divulgou uma nota oficial em que justificou o cancelamento dizendo que “faltavam integrantes que pudessem debater o tema sob todos os pontos de vista”. Ora, este motivo não é justificável. Mesmo porque, o cancelamento impede que se inicie uma discussão sobre o tema proposto. Deve-se observar que os convidados para o fórum são pessoas respeitadas dentro de suas áreas acadêmicas. Um deles era o americano Russell Humphreys, Ph.D em física pela Universidade de Louisiana, e outro o brasileiro Marcos Eberlin, membro da Academia Brasileira de Ciências e doutor em Química pela própria Unicamp.    
Defensores do cancelamento do fórum afirmam que estão a serviço da ciência. Mas, de qual ciência? Ela é neutra? Ou será que a ”ciência” em questão trata-se de uma cosmovisão eivada de carga ideológica, seguindo a linha dos neo-ateus Dawkins, Harris e do falecido Hitchens? Recentemente, a editora Ultimato publicou o livro O teste da fé. Nesta obra, cientistas falam sobre a fé que possuem em Deus. Todos, contudo, são reconhecidos por seus trabalhos científicos. Cito alguns: Francis Collins, ex-diretor do Instituto Nacional de Pesquisa do Genoma Humano; Alister McGrath, doutor em biofísica molecular e professor de teologia histórica, Universidade de Oxford; Ard Louis, Centro Rudolf Peierls de Física Teórica, Universidade de Oxford; Jennifer Wiseman, astrofísica, Centro Goddard de Voos Espaciais, NASA; Bill Newsome, professor de neurobiologia, Escola de Medicina da Universidade de Stanford; Deborah B. Haarsma, professora associada de física e astronomia, Calvin College, Michigan; Alasdair Coles, professor sênior de neuroimunologia clínica, Universidade de Cambridge e John Bryant, professor emérito de biologia celular e molecular, Universidade de Exeter.  
Não, não se trata de uma batalha entre esclarecidos defensores da ciência de um lado e obscuros crentes de outro. Ironicamente, são os “esclarecidos” que querem calar os “obscuros”, numa espécie de inquisição às avessas. O filósofo Charles Taylor afirmou que o embate entre religião e ciência é “uma quimera, ou melhor uma fabricação ideológica”. Por sua vez, Terry Eagleton afirma que a ciência “lida com certos dogmas, como acontece com qualquer outra forma de conhecimento”.[1]    




[1] Razão, fé e revolução. Rio de Janeiro, Ed. Nova Fronteira, 2011, p. 121.

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