28 de agosto de 2013

LUTHER KING TEVE UM SONHO, E O SEU QUAL É?

Negros e brancos de mãos dadas em Washington

por George Gonsalves

Há cinquenta anos Martin Luther King falou para milhares de pessoas em Washington e para milhões de telespectadores norte-americanos: “Eu tenho um sonho”. O sonho era ver brancos e negros de braços dados vivendo como irmãos, sem discriminações. Por ele viveu e morreu. E o seu sonho, qual é?
    Vivemos uma época de sonhos frustrados. As revoluções populares não realizaram os desejos de idealistas e utópicos. Sobrou pouca coisa: o sonho da casa nova, do carro novo, da namorada ou namorado novo. Há também o sonho da fama, mesmo que efêmera; do sucesso, mesmo que medíocre; da riqueza, mesmo que corrupta. 
       Não se vive ou se morre mais por sonhos elevados, aqueles que transcendem o próprio umbigo, que são maiores do que o próprio sonhador.
      Os cristãos também já tiveram sonhos elevados. Na igreja primitiva se queria morrer como mártir. Na Reforma se sonhou com um mundo iluminado pelas santas palavras. No século XIX muitos sonharam com a expansão do evangelho por terras sombrias e inóspitas.
      John Knox dizia: “Dá-me a Escócia, senão morro”. O jovem Jim Eliott, quando alertado do perigo de evangelizar a uma perigosa tribo de índios, replicou: “Cheguei a um ponto que não posso mais retornar”. Eles sonhavam sonhos de Deus. O que sonham os crentes de hoje? Prosperidade material, sucesso profissional e afetivo? Muitos cantam a Deus: “Restitui, eu quero de volta o que é meu (sic)”. Não são necessariamente desejos ruins, apenas são pequenos. Nada diferem dos anseios dos que não conhecem a Deus.
     Estou farto do discurso piegas que conclama aos ouvintes: “Busque o seu sonho”. E se ele não for bom? Cansei da pregação mentirosa que brada dos púlpitos: “Deus quer realizar os seus sonhos”. Ora, sabemos que o homem deve servir ao Senhor, e não o contrário. Não quero um Deus que viva a realizar os meus desejos. Ele não seria tão grande assim.
      Em seu último sermão, Luther King falou mais da natureza de seu sonho. Ele o pronunciou na véspera de seu assassinato em Memphis, em 1968:

“Como qualquer pessoa, desejo uma vida longa. A longevidade tem seu lugar. Mas não estou preocupado com isto agora. Quero apenas fazer a vontade de Deus. E ele me permitiu que eu subisse ao monte. Olhei lá de cima e pude contemplar a Terra prometida. Pode ser que eu não entre lá com você, mas quero que você saiba esta noite que, como povo, nós entraremos na Terra Prometida. É por isso que estou feliz esta noite. Não estou preocupado com nada. Não temo homem algum. Meus olhos viram a glória do Senhor que vem”.


    Sonhar é preciso. Mas, é preciso que Deus nos dê os seus sonhos. Estes, podemos sonhar com confiança, mesmo que não vejamos sua concretização.

26 de agosto de 2013

"EU TENHO UM SONHO" - 50 ANOS DO MAIOR DISCURSO DA HISTÓRIA

   
Martin Luther King em Washington  
por George Gonsalves

   Há cinquenta anos foi pronunciado aquele que talvez seja o discurso mais famoso de todos os tempos. Durante um evento intitulado “Marcha sobre Washington pelo Emprego e pela Liberdade”, o pastor batista Martin Luther King Jr. subiu nas escadarias do Lincoln Memorial e pronunciou o célebre “Eu tenho um sonho” (“I have a dream”).
   A luta pelos direitos civis dos negros tomava novo impulso, tão forte que suas consequências podem ser vistas no rosto de quem ocupa hoje a Casa Branca. O movimento mostrou (assim como o de Gandhi na Índia) de forma indelével a força de protestos não-violentos e marcou um momento importante da igreja evangélica como uma organização voltada para os problemas da sociedade como um todo, sejam espirituais, sociais ou econômicos.
  Harvard Sitkoff, professor de história da Universidade de New Hampshire, descreveu assim a reunião: “A adesão em 28 de Agosto de 1963 excedeu todas as expectativas. Quase um quarto de milhão de americanos, incluindo setenta e cinco mil brancos, desceram sobre Washington de avião e a pé, em vinte e dois comboios fretados, dois mil autocarros [ônibus] alugados e milhares de carros partilhados, naquela que era a maior manifestação alguma vez feita a favor dos direitos dos negros. O dia tornou-se uma celebração, um comício e um piquenique de igreja, um dia de música gloriosa – por vezes solene, outras vezes jubilosa”[1].     
   Depois de ler um discurso um tanto formal por cerca de sete minutos, a cantora gospel Mahalia Jackson gritou: “Conta-lhes o sonho, Martin”. Foi, então, que Luther King iniciou seu famoso discurso como se fosse um profeta do Velho Testamento. Como alguém disse, ele subiu ao púlpito como um líder dos negros americanos e desceu como um líder mundial. Veja trechos do discurso:

“...devemos enfrentar a realidade trágica de que o Negro ainda não é livre [...] a vida do Negro é ainda lamentavelmente dilacerada pelas algemas da segregação e pelas correntes da discriminação [...] o Negro continua vivendo numa ilha isolada de pobreza, em meio a um vasto oceano de prosperidade material [...] o Negro ainda definha à margem da sociedade americana, encontrando-se no exílio em sua própria pátria. Assim, encontramo-nos aqui hoje para dramatizarmos tal consternadora condição. 

Também viemos a este lugar sagrado para lembrar à América da clara urgência do agora. Não é o momento de se dedicar à luxuria do adiamento, nem para se tomar a pílula tranquilizante do gradualismo. Agora é tempo de tornar reais as promessas da Democracia. Agora é o tempo de sairmos do vale escuro e desolado da segregação para o iluminado caminho da justiça racial. Agora é tempo de abrir as portas da oportunidade para todos os filhos de Deus. Agora é tempo para retirar o nosso país das areias movediças da injustiça racial para a rocha sólida da fraternidade.

Temos de conduzir a nossa luta sempre no nível elevado da dignidade e disciplina. Não devemos deixar que o nosso protesto realizado de uma forma criativa degenere na violência física. Teremos de nos erguer uma e outra vez às alturas majestosas para enfrentar a força física com a força da consciência.

Digo-lhes, hoje, meus amigos, que apesar das dificuldades e frustrações do momento, ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.
Tenho um sonho que um dia esta nação levantar-se-á e viverá o verdadeiro significado da sua crença: "Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens são criados iguais".

Tenho um sonho que meus quatro pequenos filhos viverão um dia numa nação onde não serão julgados pela cor da sua pele, mas pela qualidade do seu caráter.

Tenho um sonho que um dia todos os vales serão elevados, todas as montanhas e encostas serão niveladas, os lugares ásperos serão polidos, e os lugares tortuosos serão endireitados, e a glória do Senhor será revelada, e todos os seres a verão, conjuntamente.

Esta é nossa esperança. Esta é a fé com a qual regresso ao Sul. Com esta fé seremos capazes de retirar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé poderemos transformar as dissonantes discórdias de nossa nação numa bonita e harmoniosa sinfonia de fraternidade. Com esta fé poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, ir para a prisão juntos, ficarmos juntos em posição de sentido pela liberdade, sabendo que um dia seremos livres.

Esse será o dia quando todos os filhos de Deus poderão cantar com um novo significado: "O meu país é teu, doce terra de liberdade, de ti eu canto. Terra onde morreram os meus pais, terra do orgulho dos peregrinos, que de cada localidade ressoe a liberdade".

Quando permitirmos que a liberdade ressoe, quando a deixarmos ressoar de cada vila e cada aldeia, de cada estado e de cada cidade, seremos capazes de apressar o dia em que todos os filhos de Deus, negros e brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão dar-se as mãos e cantar as palavras da antiga canção negra: ‘Liberdade finalmente! Liberdade finalmente! Louvado seja Deus, Todo Poderoso, estamos livres, finalmente!’”.

Para ver o discurso em vídeo: clique aqui 



[1] SITKOFF. Harvard. Peregrinação ao topo da montanha.  Lisboa, Ed Bizâncio, 2009, p. 144.

22 de agosto de 2013

FRASES SOBRE TOLERÂNCIA


“Posso não concordar com nenhuma palavra que você disser, mas defenderei até a morte o direito de dizê-las”.
VOLTAIRE
“Ninguém é completamente tolerante. Quanto mais acreditamos na tolerância, menos toleramos os tolerantes”.
ROBERT QUILLEN
“A tolerância é a virtude do homem sem convicções”.
CHESTERTON
“Devemos amar uns e outros: aqueles cujas opiniões partilhamos, assim como aqueles com cujas opiniões discordamos”.
TOMÁS DE AQUINO
“A palavra mais doce do mundo é a palavra áspera que não se pronunciou”.
ANATOLE FRANCE
“Deixe que o seu companheiro fale uma vez ou outra. Você nada aprenderá ouvindo somente a você mesmo”.
J. GRAHAM
“A regra áurea da conduta...é a mútua tolerância, visto que jamais pensaremos da mesma forma e que veremos a verdade sempre fragmentada e de ângulos diferentes”.
MAHATMA GANDHI
“Esforça-te por suportar com paciência os defeitos e fraquezas alheias; também os outros terão muito que suportar de ti”.
THOMAS À KEMPIS
“É fácil ser um anjo quando ninguém amarrota as suas penas”.
ELEANOR L. DOAN
“Há muitas pessoas que, quando clamam por tolerância, desejam, na realidade, um tratamento privilegiado”.
WENDELL PHILLIPS
“Ninguém conhece o peso do fardo dos outros”.
GEORGE HERBERT
“A tolerância não alcança a perfeição antes de se transfigurar em amor”.
ARNOLD TONYBEE
“Há um limite onde a tolerância deixa de ser virtude”.
EDMUND BURKE
“Deus tolera os maus, mas não para sempre”.
MIGUEL DE CERVANTES
“Vi demonstrarem grande intolerância em defesa da tolerância”.

SAMUEL T. COLERIDGE
“Analise os motivos do ponto de vista do outro. Dessa forma, você nem o condenará, nem se justificará tão às cegas”.

BALTASAR GRACIÁN

19 de agosto de 2013

LA REFORMA RADICAL - 30 ANOS



por George Gonsalves

Há trinta anos era lançado em espanhol um clássico estudo sobre a Reforma  Radical, que incluiu vários movimentos espirituais do século XVI, em especial os anabatistas: trata-se de La Reforma Radical, de George Huntston Williams (1914-2000).
      Trata-se da 2ª edição (ampliada) da obra Radical Reformation, que havia sido lançada em 1962, em inglês, pela Westminster Press. Uma outra edição foi lançada em 2000, ano da morte de Williams, pela Truman State University Press, com um acréscimo de quase trezentas páginas.
     Desde o lançamento da primeira edição, a obra de George Williams se tornou uma das principais referências sobre a “terceira força” da Reforma Protestante[1]. Para ele a Reforma Radical “foi um movimento formado por três tendências principais, não muito estreitamente vinculadas no começo: o anabatismo, o espiritualismo e o racionalismo evangélico”[2]. No entanto, ele descreve os anabatistas (que tinha entre seus líderes Hans Denck, Michael Sattler, Menno Simons, dentre outros) como o grupo mais importante da Reforma Radical.
    Quase todos os livros de história da igreja publicados em português que tratam do tema citam o livro de Williams. Para Timothy George, por exemplo, trata-se de um “levantamento abrangente da dissenção religiosa no século XVI. Embora superado em alguns detalhes, é ainda o estudo padrão na área”.[3] Já Carter Lindberg, professor emérito de História Eclesiástica na Faculdade de Teologia da Universidade de Boston (EUA), considera Radical Reformation (La Reforma Radical) simplesmente um “estudo magistral”.[4]
      Por sua vez, o teólogo batista Roger Olson, confessa em sua obra História da Teologia Cristã que retirou boa parte da descrição dos anabatistas da obra de George Williams.[5] Ainda, em um livro recentemente lançado no Brasil, A revolução protestante, o teólogo de Oxford, Alister McGrath, afirmou que esse estudo continua como o melhor sobre os anabatistas. [6]
   Outros autores de convicções teológicas diversas fizeram menção do livro de Williams em seus livros como: Robert G. Clouse, Wiliston Walker, John Driver, A.G. Dickens e Donald F. Durnbaugh.
    Por tudo isso, La Reforma Radical (Radical Reformation) pode ser chamado de um autêntico clássico da historiografia da igreja cristã e da Reforma. Não que a obra seja definitiva sobre os anabatistas. Mesmo porque, como disse Italo Calvino: “um clássico é um livro que nunca acaba de dizer o que tem para dizer”.




[1] As duas forças mais conhecidas da Reforma seriam: o catolicismo e o protestantismo. Ver A terceira opção, de Paul M. Lederach. Campinas-SP, Ed. Cristã Unida, 1993.   
[2] La Reforma Radical. México, Fondo de Cultura Económica, 1983, p. IX.
[3] Teologia dos Reformadores. São Paulo-SP, Vida Nova, 1993, p. 304. 
[4] As reformas na Europa. São Leopoldo-RS, Sinodal, 2001, p. 238. 
[5] História da Teologia Cristã. São Paulo-SP, Vida, 2001, p. 649. 
[6] A revolução protestante. Brasília-DF, Ed. Palavra, 2012, p.482. 

15 de agosto de 2013

OS PECADOS DOS HEROIS DA FÉ


Martin Luther King


por George Gonsalves

"Os vasos em quem Deus habita tem furos"
D.L. Moody

      Recentemente uma pessoa me falou que estava decepcionada com um "heroi da fé". Ela soube que o tal heroi, conhecido por ser um notável pregador do século XVIII, era proprietário de escravos. Pensava, disse ela, que ele fosse mais santo.
     Vários grupos sociais têm seus ícones, pessoas que sofrem de imunidade contra qualquer tipo de falha moral. São infalíveis, indefectíveis, imaculados. Os comunistas têm Che Guevara, os pacifistas têm Gandhi. Nas religiões, personagens históricos adquirem certa aura que beira a perfeição. Os muçulmanos têm Maomé; budistas têm Buda e os católicos admiram o papa.
    E como é entre os cristãos evangélicos? É grande a tentação de colocar pessoas em um pedestal. Há, inclusive, grupos que se identificam pelos nomes dos seus líderes: calvinistas, wesleyanos, luteranos, etc. Alguns são mencionados como que dotados de um poder sobrenatural, santidade e sabedoria plenas. Não é a toa que livros como Herois da fé, de autoria de Orlando Boyer (CPAD), fazem tanto sucesso.
     Contudo, quando lemos as biografias de alguns destes personagens da igreja cristã descobrimos fatos que podem surpreender: Lutero aconselhou apunhalar camponeses revoltosos, Calvino concordou com a morte de hereges em Genebra, Spurgeon fumou e ingeriu bebidas alcoólicas durante seu ministério, o evangelista George Whitefield teve escravos em pleno século XVIII e Martin Luther King foi acusado de ter tido uma amante. Estes fatos são notórios e constam de livros em português. Mas, o que eles nos revelam? Foram impostores, fariseus? Não, eles foram importantes líderes da igreja cristã, dedicados servos de Deus, que realizaram obras que marcaram o mundo em que pisaram.
     Entretanto, eram humanos. E assim sendo, carregavam em si a semente do pecado. Lutavam contra si mesmos. O próprio Deus deixou gravado na Bíblia inúmeras histórias de seus santos cometendo pecados. Abraão enganou, Moisés desobedeceu a Deus, Davi adulterou, João Batista duvidou, Pedro negou. Eram santos que pecavam e pecadores que buscavam ser santos. Deus não os abandonou. Dentre os que são mencionados como exemplo para nossa fé estão pessoas que não foram exatamente modelos perfeitos de virtude como Jacó, Raabe e Sansão (Hebreus 11). 
      Na verdade não há herois da fé no sentido que se costuma dar. O próprio Cristo afirmou que o tamanho da fé não é importante, mas em quem ela é depositada (Lc. 17:6). O que há são pessoas que merecem nosso respeito por sua dedicação e fé, mas ainda assim imperfeitos. No fim das contas, a história da igreja revela a excelsa graça de Deus. Ela mostra que tipo de material é habitado pelo Espírito: homens e mulheres inacabados, carentes do perdão e da misericórdia divina. Por isso Abigail van Buren disse certa vez: "Uma igreja é um hospital para pecadores, não um museu para santos".      

12 de agosto de 2013

QUANDO A CORDA SE ROMPE

QUANDO A CORDA SE ROMPE
AUTOR: STEPHEN BROWN
ED. VIDA, 1990, 154p.

por George Gonsalves
           
     Quando li este livro, ainda no início da minha fé, ele causou uma revolução no meu coração. Nunca mais fui o mesmo. Stephen Brown, pastor presbiteriano, demole com competência os pilares de uma falsa teologia triunfalista, em que o cristão é sempre vencedor nas suas pelejas, realizador de seus sonhos e imune a sofrimentos.
     O livro mescla argumentação teológica consistente, boas citações (C. S. Lewis e Thomas à Kempis, por exemplo) e história edificantes, algumas vividas pelo próprio autor. Ele procura mostrar como a Bíblia trata o problema do sofrimento do cristão.   
     Obra esgotada, mas se encontrá-la não deixe de lê-la. Ela lhe fará bem. Cito alguns trechos do livro:
    
   “Mesmo que pudéssemos ser perfeitos – o que não podemos – ainda teríamos problemas causados pelas imperfeições dos outros” p. 14.  

   “Se achamos que as coisas estão confusas, é possível que apenas não estejamos entendendo o projeto do arquiteto” p. 21.

   “A Bíblia ensina que Deus criou o mundo para que ele, Deus pudesse ser glorificado. Uma vez que você entenda essa verdade, adquire a chave para viver e morrer” p. 26.

   “Um de nossos grandes problemas como crentes é pensar que nada de ruim nos acontecerá quando começamos a seguir a Cristo” p. 67.

   “A amargura é como a canção das sereias – extremamente atraente, porém mortal” p. 71.

   “Os sofrimentos que você experimenta não se relaciona com os seus pecados. Se assim fosse, você sofreria muito mais” p. 83.

5 de agosto de 2013

AMANDO SEREI MAIS AMADO?

Pedro nega conhecer Jesus
por George Gonsalves

O apóstolo Paulo deu literalmente suor, lágrimas e sangue pelas igrejas de Cristo. Ele chegou a dizer que sentia “dores de parto” pelas igrejas da Galácia (Gl. 4:19). Aos colossensses escreveu: “me regozijo nos meus sofrimentos por vós” (Cl. 1:24). Mas nenhuma afirmação de Paulo me impressiona mais em relação ao povo de Deus do que esta, direcionada aos coríntios: “Eu de boa vontade me gastarei e ainda me deixarei gastar em prol da vossa alma. Se mais vos amo, serei menos amado?” (II-Cor. 12:15).
     O apóstolo sentiu na pele a dor da ingratidão, do desprezo e da covardia daqueles por quem ele dedicou sua vida. Em uma de suas últimas cartas ele escreveu a seu discípulo Timóteo: “Na minha primeira defesa, ninguém foi a meu favor; antes, todos me abandonaram” (II-Tim. 4:16). É dilacerador receber o mal de quem você fez bem. O próprio Cristo passou por isto. Momentos antes de sua prisão, ele falou: “Esta noite, todos vós vos escandalizareis comigo; porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho ficarão dispersas” (Mt. 26:31). Todos o abandonaram. Em perigo, preferiram negar a própria fé.
      Embora esta experiência seja terrivelmente dolorosa, Deus não permite que nos alimentemos de nossas lágrimas, que sejamos consumidos por autocomiseração. Somos chamados a não nos cansar de fazer o bem (Gl. 6:9), a alimentar o próprio inimigo (Rm. 12:20). Afinal, estamos sempre diante do Senhor, e é a Ele que devemos agradar.
     Jesus chamou Judas de amigo quando este o foi trair com um beijo (Mt. 26:50). Paulo perdoou quem o abandonou (II-Tim. 4:16). Fazer isto é ser liberto da mágoa e da vingança, que corroem o coração e nos imobilizam para o bem. Respondendo a pergunta que é o título deste texto: "Amando serei mais amado?". Não necessariamente. Amar é correr riscos, riscos que não podemos deixar de correr. Como bem disse C.S. Lewis: “Amar é sempre ser vulnerável. Ame qualquer coisa e certamente seu coração vai doer e talvez se partir [...] O único lugar além do céu onde se pode estar perfeitamente a salvo de todos os riscos e perturbações do amor é o inferno.” 

               

1 de agosto de 2013

Morre Richard Denham, fundador do Ministério Fiel

Faleceu na tarde de ontem, aos 86 anos, o Pr. Richard Denham, missionário no Brasil desde 1952 e fundador do Ministério Fiel, que tantas bençãos traz ao povo evangélico. 
Oremos para que o Senhor console a família, amigos e irmãos mais próximos. Louvemos também a Deus por sua vida.  








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