28 de fevereiro de 2013

A IGREJA DEVE SER LIBERAL OU CONSERVADORA?


Coral de menonitas
por George Gonsalves

“Se você se casa com o espírito de sua geração, você será um viúvo na próxima”.
                                                           William Inge, ex-deão da Catedral de São Paulo, Londres

Há uma pressão nos meios intelectuais e na mídia para que a igreja cristã se torne menos conservadora e cada vez mais liberal. Nesta perspectiva, ela deveria se desvencilhar de ensinos antigos que vão de encontro ao pensamento contemporâneo e, assim, se amoldar aos atuais padrões de moral e ética do mundo ocidental.
    Alguns líderes cristãos já se renderam a esta ideia. No afã de verem seus templos lotados, eles tentam adaptar o ensino bíblico à última moda.  Assim, diversos preceitos morais ensinados pelos crentes ao longo de séculos têm sofrido uma “revisão”, a fim de que o mundo secular aceite a sua mensagem.
    Doutrinas como a indissolubilidade do casamento, a autoridade do marido no casamento e a modéstia no vestuário, por exemplo, são vistas hoje como radicais e conservadoras (e isto em sentido perjorativo) por muitos membros da cristandade. Atualmente, a igreja tem sido pressionada para que reveja sua posição sobre duas práticas vistas historicamente como pecado: o aborto e o homossexualismo.
    Na verdade, a igreja não deve preocupar-se em ser liberal ou conservadora, e sim em seguir os padrões morais estabelecidos pelas Escrituras Sagradas. Não há outro parâmetro para o crente, a não ser o próprio Cristo. O teólogo de Oxford, Alister McGrath afirmou com acerto:

“Permitir que nossas ideias e valores tornem-se controlados por qualquer coisa ou pessoa que não a auto-revelação de Deus na Escritura é adotar uma ideologia, em vez de teologia: é tornar-nos controlados por ideias e valores cujas origens se acham fora da tradição cristã – e potencialmente tornar-nos escravizados por eles”.[1]     

O cristão deve utilizar o que é moderno para melhor comunicar o evangelho. Deste modo, as novas tecnologias podem ser ferramentas úteis na propagação do reino de Deus. Mas, a mensagem cristã deve permanecer inviolável; o evangelho não é negociável. Se dirigindo a igrejas que estavam misturando o ensino cristão com preceitos judaicos, o apóstolo Paulo escreveu: “ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que temos pregado, seja anátema” (Gálatas 1:8).
Assim, a igreja deve continuar a tratar o aborto e o homossexualismo, por exemplo, como são: transgressões à palavra de Deus. Os valores do mundo são mutáveis; o evangelho, não. Seguir o mundo é calar a voz profética da igreja. A história nos mostra exemplos desastrosos, com igrejas nazistas, racistas e nacionalistas, porque foram tomadas pelo espírito de sua época. Façamos como disse Spurgeon: “O dever de vocês é fazer o que é certo: as consequências estão com Deus”.[2]




[1] Paixão pela verdade. São Paulo-SP, Shedd Publicações, 2007, p.53.
[2] Murray. Iain. O Spurgeon que foi esquecido. São Paulo-SP, PES, 2004, p. 196.

26 de fevereiro de 2013

PENSAMENTOS SOBRE DEUS




“O que vem à nossa mente quando pensamos em Deus é a coisa mais importante no que diz respeito à nossa própria pessoa.”
A.W. TOZER
“Existem pessoas que querem ver Deus com seus olhos como veem uma vaca, e amá-la como amam uma vaca – pelo leite e queijo que recebem.”
JOHANN ECKHART
“De que adianta resistir aos imutáveis decretos de Deus?.”
DANTE ALIGHIERI
“O homem propõe, mas Deus dispõe.”
THOMAS DE KEMPIS
“Não devemos ser presunçosos ao ponto de acreditarmos que Deus nos tenha querido dar notícias de suas resoluções.”
RENÉ DESCARTES
“Deus é o perfeito poeta que em sua pessoa interpreta suas próprias criações.”
ROBERT BROWNING
“A ciência não conseguiu inventar um substituto para Deus.”
HENRY DRUMMOND
“Se Deus existe, que é? Se não existe, quem somos?”
G. BUFALINO
“Alguns acreditam no indemonstrável dogma da existência de Deus; outros, no igualmente indemonstrável dogma da existência do homem da casa ao lado.”
G.K. CHESTERTON
“É natural que o conhecimento que o homem pode ter de Deus seja limitado porque, sendo Deus infinito, não pode enquadrar-se nos limites da mente humana, finita.”
KARL BARTH
“Deus é o invisível evidente.”
VICTOR HUGO
“A impossibilidade em que me vejo de provar que Deus não existe revela-me a sua existência.”
PASCAL
“Deus é a primeira razão das coisas.”
G.W. LEIBNITZ

22 de fevereiro de 2013

CONFERÊNCIA: COMO TUDO COMEÇOU-AO VIVO





 CONFERÊNCIA FIEL
COMO TUDO COMEÇOU 
Uma introdução ao criacionismo científico
  Prof. Adauto Lourenço

Assista ao vivo as palestras nos dias 22 e 23 de fevereiro de 2013.
    
clique aqui

20 de fevereiro de 2013

O ELEITO DE DEUS: POLÍTICA E RELIGIÃO NO SÉCULO XVII


O ELEITO DE DEUS
AUTOR: CHRISTOPHER HILL
COMPANHIA DAS LETRAS, 1988, 279p.


por George Gonsalves

Um dos livros sobre a revolução inglesa do século XVII, também conhecida como revolução puritana, escrita por Christopher Hill (1912-2003), um dos maiores expoentes da história social. Outros publicados em português são: O Mundo de Ponta-Cabeça, Origens Intelectuais da Revolução Inglesa, A Bíblia Inglesa e as Revoluções do Século XVII, A Revolução Inglesa de 1640 e O século das revoluções.
        O eleito de Deus retratado na obra é Oliver Cromwell (1599-1658), um dos personagens mais importantes da história da Inglaterra, inclusive da igreja cristã inglesa. O livro narra com brilhantismo a vida do general do exército inglês que se tornou um dos articuladores da revolução inglesa e que culminou com a execução do rei Carlos I, em 1649.
A obra deve ser lida por aqueles que estudam a história da igreja, porquanto a revolução do século XVII foi muito influenciada pelo movimento puritano, de orientação calvinista. Basta lembrar que John Owen, um dos principais teólogos puritanos, foi o braço direito de Cromwell para assuntos eclesiásticos. Portanto, política e religião estão profundamente entrelaçados neste movimento. 
Cromwell é um personagem que atrai opiniões muito divergentes. Por um lado, lutou contra o poder opressor do rei e contra a intolerância religiosa na Inglaterra. Por outra parte, promoveu massacres contra grupos que não se moldavam a suas diretrizes de governo. Todas estas facetas são descritas de forma apaixonada pelo autor.         
       
                

         
       



18 de fevereiro de 2013

MORRE O MISSIONÁRIO T.L. OSBORN



Thomas Lee Osborn, nasceu em 23 de dezembro de 1923. Mais conhecido como T. L. Osborn, foi um evangelista, missionário, maestro, pianista, autor, editor, linguista, desenhista, e administrador.
Osborn foi um dos primeiros evangelistas a fazer cruzadas em nações não cristãs. Além de proclamar Jesus Cristo, sempre deu ênfase em curas e libertação. Autor de dezenas de títulos, sua obra mais conhecida é Curai enfermos e Expulsai demônios. Lançado em 1951, já vendeu  mais de um milhão de cópias e foi traduzido para dezenas de línguas.
Aos 20 anos de idade, ele e sua esposa Daisy foram missionários na Índia. Anunciaram o evangelho em mais de 100 nações, atingindo milhões de pessoas com sua mensagem de fé. 
Em 1949, criou a Fundação Osborn, batizada posteriormente de OSFO Internacional, que sempre investiu na evangelização e plantação de igrejas. LaDonna Osborn, a única filha do casal ainda viva diz que ele faleceu aos 89 anos, “pouco depois de pedir ao Seu Senhor Jesus: Leve-me para casa!”. Ela escreveu o seguinte relato em nome da família:

“Meu pai muito amado, Dr. T.L. Osborn, o homem conhecido em todo o mundo entrou em seu descanso eterno na quinta-feira, 14 fevereiro, 2013. Ele não estava com dores e não tinha nenhuma doença. Meu pai foi envolvido em amor. A família estava em seu lado dele quando atravessou o véu para a eternidade. Está agora na presença de Jesus, a quem serviu fielmente durante 77 anos. Podemos apenas imaginar o doce reencontro entre ele e sua amada Daisy, três de seus filhos, uma neta e uma série de crentes que já estão lá, dentre estes, muitos resgatados por ele.
Certamente estão comemorando, porque o ministério de meu pai, durante mais de 65 anos alcançou todos os cantos da terra. T.L. Osborn deixou a sua missão completa em sua “jornada terrena”. Ele ouviu as palavras de seu mestre: “Muito bem, servo bom e fiel… entra no gozo do teu Senhor” (Mt 25:21).

Fonte: Gospel Prime

16 de fevereiro de 2013

NO LUGAR DE SALOMÃO, O QUE PEDIRÍAMOS?




 Por George Gonsalves

     No primeiro livro de Reis encontramos esta impressionante passagem: “Em Gibeom, apareceu o Senhor a Salomão, de noite, em sonhos. Disse-lhe Deus: pede-me o que queres que eu te dê.” (3:5). O Todo-Poderoso, cuja majestade e poder são infinitas e habita em luz inacessível que homem algum já viu nem pode ver, fez a uma de suas criaturas uma oferta. Mas não qualquer uma. Foi a maior oferta feita a um ser mortal em todos os tempos.
       Não se tratava de retórica. Deus tem plenas condições de cumprir suas promessas. Os homens muitas vezes, mesmo que tenham ótimas intenções, são limitados e oscilantes.
        Por outro lado, o Senhor está empenhando sua palavra. Não poderia Ele voltar atrás em sua oferta: “O Senhor vela por sua palavra para a cumprir (Jeremias 1:2). Tudo isto nos leva a um espanto e a um deslumbramento: algum dia o Altíssimo prometeu dar a um simples mortal qualquer coisa que pedisse! O que levaria ao Ser Supremo inclinar-se ao desejo de uma de suas frágeis criaturas? Ninguém objete que não se tratava de um homem qualquer, mas o rei de uma nação. Ora, sabemos que “as nações são consideradas por ele como um pingo que cai dum balde e como um grão de pó na balança.” (Isaías 40:15). Por isto podemos com o salmista declarar: “que é o homem, que dele te lembres?” E o filho do homem, que o visites? (Salmo 8:4).
       Após traçarmos algumas considerações sobre a oferta divina, falemos sobre a resposta humana. O que pediu Salomão ao Senhor? Por certo, não é difícil imaginar qual seria o pedido da maioria dos homens daquela ou de nossa época: poder, riqueza, prazeres ou quem sabe vingança. Todavia, nenhuma destas coisas foi objeto de desejo de Salomão. Sua resposta subiu aos ouvidos de Deus como aroma suave: “Dá, pois, ao teu servo coração compreensivo para julgar a teu povo, para que prudentemente discirna entre o bem e o mal, pois quem poderia julgar a este grande povo? (I-Reis 3:9).
      Salomão colocou-se como um mordomo de Deus. Ele queria ajudar a nação de Israel a andar nos caminhos da verdade e da justiça. Não pediu para si, mas para o Senhor. Seu coração estava em sintonia com a vontade de Deus. As palavras bíblicas não deixam dúvidas quanto a isto: “Estas palavras agradaram ao Senhor, por haver Salomão pedido tal coisa.” (I-Reis 3:10).
       Para termos noção de nosso estado espiritual basta que nos coloquemos no lugar do rei judeu. Em seu lugar o que pediríamos? Evitemos as respostas rápidas. Não pensemos em várias coisas, mas em uma só. A resposta sincera a esta pergunta mostrará nossa condição espiritual real, e não aquela que aparentamos. Um termômetro seria pensar no que estamos pedindo atualmente. Pedimos visando a glória de Deus?. As palavras bíblicas nos alertam: "pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres" (Tg. 4:3).

Publicada originalmente em 02/03/2010 com o título "A maior oferta".

13 de fevereiro de 2013

SUGESTÕES DE FILMES EVANGÉLICOS

por George Gonsalves    
        Nestes dias assisti a dois bons filmes evangélicos sobre pregadores que marcaram a igreja cristã. Recomendo ambos. 


       O primeiro é o documentário sobre Charles Spurgeon (1834-1892). São  visitados os lugares onde o pregador inglês viveu e pregou. Também são apresentadas diversas imagens, fotos e cenas interpretadas por atores sobre momentos importantes da vida do "príncipe dos pregadores".  

         Encontra-se disponível no youtube: clique aqui



         O outro trata da vida de outro notável evangelista: o também inglês John Wesley (1703-1791). O filme é baseado nos seus diários e de seu irmão Charles e procurou ser fiel ao que foi ali relatado.

         Também pode ser visto no youtube: clique aqui




11 de fevereiro de 2013

BENTO XVI: AUTÊNTICO, MAS ERRADO.




    Joseph Ratzinger, o papa Bento XVI, surpreendeu o mundo católico ao anunciar que vai renunciar ao pontificado em 28 de fevereiro deste ano. Não o reconheço como um verdadeiro líder da igreja de Cristo, mas devo reconhecer que ele se mostrou autêntico nos anos em que ficou a frente do Vaticano.
     Diferentemente de seu antecessor, João Paulo II, Bento não procurou ser popular. Com certeza, em relação a ele não cantaríamos “este papa é pop”. Ele se manteve firme (e nisto concordamos) em combater o aborto e o homossexualismo como pecados diante de Deus. Não transigiu ante às pressões do politicamente correto e do intelectualismo permissivo. Se comportou como um ardoroso defensor da doutrina católica.
     Contudo, a autenticidade não nos livra do erro. A igreja de Roma, como todas as outras, são formadas de pecadores, e por isso seus fieis cometeram inúmeros erros no passado, e ainda o cometem hoje. Ocorre, que há erros institucionalizados na igreja católica, doutrinas que carregam o ranço da intolerância e da violência. Estes ensinos não foram revistos nem por João Paulo II, nem por Bento XVI.
      Cito como exemplo, a inquisição e a violenta colonização colocadas em ação pela igreja romana em tempos passados. Milhares de pessoas foram mortas em nome da fé católica. Isto não foi um acidente de percurso, ou falhas de alguns fieis. Antes, foi o cumprimento da própria doutrina da igreja. Ensino que foi ratificado no texto da encíclica Quanta cura, promulgada em 1864 pelo papa Pio IX. Este documento trazia um silabo de erros, uma lista de oitenta proposições modernas que os católicos não deviam aceitar[1]. Cito alguns itens:
     18 – Que o protestantismo é nada mais do que uma forma diferente da mesma religião cristã, em que é possível se agradar a Deus tanto como na verdadeira Igreja Católica;
     24 – Que a igreja não tem autoridade para usar de força, nem tem nenhum poder temporal, seja direto ou indireto;
       55 – Que a igreja deve ser separada do Estado e o Estado da igreja;
     77 – Que em nossos tempos já não é mais conveniente que a religião católica seja a única do Estado, nem que se excluam todos os outros cultos.[2]
     Deste modo, constato que Bento XVI foi autêntico, mas ainda errado, porquanto não ousou confrontar as doutrinas católicas com os mandamentos bíblicos. Isto serve de lição para qualquer cristão. Seguimos com ardor o credo de nossa igreja, mas este resiste à luz da Palavra de Deus? Devemos, pois, observar o pensamento do escritor americano Joseph Campbell: “Talvez não exista nada pior que alcançar o topo da escada e descobrir que você está na parede errada”.
               George Gonsalves




[1] WALKER. Wiliston. História da igreja cristã. Aste, 3ª Ed. 2006, p. 786.
[2] GONZALEZ. Justo L. A era dos novos horizontes. Vida Nova. 1988, p. 110/111.

8 de fevereiro de 2013

COLOCAR OU TIRAR A MÁSCARA?


   
       Há uma propaganda de uma marca de cerveja circulando na mídia que me chamou a atenção. O mote é o seguinte: no carnaval, através de fantasias, você pode ser quem quiser. Realmente, este período é marcado por uma forte permissividade. Pode-se tudo, inclusive ser alguém que você não é.
    O grupo com quem Jesus mais travou debates foi o dos fariseus. E a palavra que Cristo mais usou contra o comportamento deles foi: hipócritas. Ora, esta palavra é uma transcrição do vocábulo grego "hypochrités", que era usada para designar os atores gregos que usavam máscaras de acordo com o papel que representavam numa peça teatral. Ou seja, fingiam ser alguém que não eram. Obviamente, Jesus não está condenando a representação teatral. Ocorre que os fariseus aparentavam uma espiritualidade no dia a dia que de fato não a tinham: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, por que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que, por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos mortos e de toda imundícia; Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas, por dentro, estais cheios de hipocrisia e iniquidade” (Mt. 23: 27-28).
     A hipocrisia é uma grande tentação para os cristãos. Como falamos que tivemos uma experiência poderosa com Deus, somos tentados a mostrar que vivemos em um alto nível espiritual. Por isso, tantos testemunhos são exagerados e pecados omitidos.
     Mas, o apóstolo Paulo não se envergonhou em dizer que era “o principal dos pecadores” e o “mínimo de todos os santos”. Também não escondeu o fato de que havia aprendido a estar contente em toda e qualquer situação revelando, assim, que não estava vivendo com contentamento antes. Também somos chamados por Deus a viver sem máscaras. Achar sempre defesa para nossos pecados é infantil e inútil. A conversão não nos transforma em anjos, continuamos pecadores. Como alguém já disse, somos como mendigos que achamos pão. É somente quando aceitamos quem somos que podemos ser transformados em quem o Senhor quer.
George Gonsalves  

4 de fevereiro de 2013

OS ANÔNIMOS DE DEUS


No mês de fevereiro o blog Graça e Saber completa 3 (três) anos. Aproveitamos para agradecer o apoio de todos os que, de alguma forma, colaboraram, e ainda colaboram com este trabalho.    

Durante as próximas semanas estaremos republicando alguns textos que foram postados nos dois primeiros anos do blog. Eis o primeiro, publicado originalmente em 11/03/2010.


O dramaturgo alemão Bertolt Brecht escreveu certa vez:

“Quem construiu a Tebas das sete portas?
Nos livros constam os nomes dos reis.
Os reis arrastaram os blocos de pedra?
A decantada Bizâncio só tinha palácios para seus habitantes?
César bateu os gauleses.
Não tinha pelo menos um cozinheiro consigo?

Uma vitória em cada página.
Quem cozinhava os banquetes da vitória?
Um grande homem a cada dez anos?
Quem pagava suas contas?

Tantos relatos.
Tantas perguntas.”

Podemos fazer várias reflexões sobre estas poucas, mas profundas palavras. Uma delas é evidente, mas muitas vezes ignorada: a história humana não é construída por alguns eméritos homens, cujos nomes estão gravados nos livros e enciclopédias. Pessoas comuns, anônimas, fazem a roda do mundo girar.

Idêntico fato ocorre na igreja cristã. Certamente na história do povo de Deus há santos notórios, homens e mulheres que foram exemplos de abnegação e fé, arautos da verdade evangélica. Pessoas cujas vidas trouxeram a doce fragrância celeste a este mundo conturbado e, que devem ser destacadas e lembradas.

Contudo, não podemos esquecer que o Senhor constituiu para si uma nação santa, raça eleita. Grandes e pequenos, intelectuais e incultos, todos são, pela fé, membros do corpo de Cristo, embaixadores, igualmente, do Altíssimo. O livro de Atos dá uma evidente notoriedade a Pedro, e principalmente a Paulo de Tarso. Todavia, é um erro grave imaginar que os demais discípulos não foram importantes cooperadores da causa do evangelho. Podemos ler: “com grande poder os apóstolos davam o testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça (Atos 4:33 – grifo meu). Podemos perceber que todos os apóstolos foram veículos da graça do Senhor e importantes para a sedimentação da igreja primitiva. Ora, nesta época Paulo não havia ainda sido solto das amarras do farisaísmo, mas outros apóstolos de Cristo como Bartolomeu e Simão estavam entre aqueles que operavam sinais. Tais nomes estão quase apagados da nossa memória.

Mas, não somente os apóstolos foram os responsáveis pela expansão do reino de Deus na terra. Em Atos 8:1 e 4 a Bíblia nos diz o que ocorreu após a morte de Estevão: “levantou-se grande perseguição contra a igreja em Jerusalém; e todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judéia e Samaria {...} Entrementes os que foram dispersos iam por toda parte pregando a palavra” (grifei). Aqui fica evidente que todos os membros da igreja foram semeadores do evangelho. Quantos anciões, jovens e senhoras, cujos nomes e testemunhos não chegaram a nós e fizeram parte do exército do Senhor!

Nos avivamentos costumamos destacar alguns poucos nomes, geralmente dos líderes dos movimentos. Entretanto, não pensemos que exclusivamente por causa deles houve um mover do Espírito. John Wesley e Whitefield são conhecidos propagadores do avivamento metodista na Inglaterra do século XVIII. Mas, inúmeros pregadores leigos morreram com pouca idade e espalharam o fogo de Deus a inúmeros recantos da Grã-Bretanha e Estados Unidos. Já li que D. L. Moody e Charles Finney ganharam, cada um, quinhentas mil pessoas para Cristo! Parafraseando Brecht poderíamos perguntar: não havia crentes orando por eles durante seu ministério? Crentes anônimos não evangelizaram suas cidades e assim espalharam a mensagem evangélica? A igreja atual parece acometida de um vício: exaltar em demasia determinadas pessoas (pastores, evangelistas, cantores), esperando que eles façam o que Deus ordenou a todo crente.

Na Sua obra o Senhor permite que alguns sejam notórios, outros prefere ocultar. Estes são os anônimos de Deus. Mas não importa, pois todos são sacerdotes do Todo-Poderoso, com uma função específica no reino divino: “os membros do corpo que parecem ser mais fracos, são necessários.” (I-Coríntios 12:22).
George Gonsalves

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