12 de dezembro de 2013

A HISTÓRIA DO HINO "NOITE FELIZ"


por George Gonsalves

Na véspera de natal de 1818 na pequena cidade de Oberndorf bei Salzburg, na Áustria, foi cantado publicamente um dos hinos natalinos mais conhecidos no mundo: “Stille Nacht, Heilige Nacht” (“Noite quieta, Noite Santa”), que no Brasil ficou mais conhecida como “Noite Feliz”.
        Na tarde daquele dia, o padre Joseph Mohr (1792-1848) tinha um problema: o órgão da Igreja de São Nicolau estava quebrado. Foi, então, que Mohr chamou seu amigo Franz Xaver Gruber (1787-1863), organista e regente da igreja para tentar resolver o problema.
       Após uma visita a uma família, o padre Joseph voltou contemplando a gelada paisagem rural austríaca com neve cobrindo as ruas. Ao chegar em casa, começou a compor os versos de "Noite Feliz"[1]. Como o órgão não foi consertado a tempo, Joseph entregou a letra a Gruber para que ele a musicasse com o seu violão, o que ele fez em apenas algumas horas. Após algum tempo, Franz disse-lhe: "Este hino canta por si mesmo. As suas palavras tornam-se uma linda melodia".
    À noite, os dois apresentaram o novo hino na Igreja de São Nicolau, acompanhados por um violão. Isso foi há quase duzentos anos. Mas, o hino só ganharia maior popularidade quando foi apresentada em uma festa em Leipzig, Alemanha, terra de um dos maiores compositores de todos os tempos, John Sebastian Bach. Na Áustria "Stille Nacht" é considerado um tesouro nacional. Tradicionalmente, a música não pode ser tocada publicamente antes da véspera de Natal. Em março de 2011 foi declarado um patrimônio cultural imaterial da humanidade pela UNESCO.
     No Brasil, a música consta em alguns hinários evangélicos com algumas variações. No Cantor Cristão há a versão do missionário batista norte-americano William E. Entzminger (1859-1930), nº 33, e na Harpa Cristã, sob o nº 120, a do compositor José Teixeira Lima, membro da Assembleia de Deus, ambas intituladas “Noite de paz”. 
Soldados se agrupam na "Trégua de Natal", em 1941
       O hino “Stille Nacht” foi cantado em um marcante episódio na Primeira Guerra Mundial, que ficou conhecido como “Trégua de Natal”A trégua começou na véspera de Natal, 24 de dezembro de 1914, quando as tropas alemãs colocaram velas nas trincheiras e decoraram árvores de Natal, continuando em seguida a celebração ao cantar músicas de Natal. Os britânicos responderam cantando as suas próprias canções. Os dois lados continuaram gritando saudações de Natal um para o outro. Pouco depois, começaram a se fazer travessias através da "Terra de Ninguém", onde eram trocados alguns presentes. A artilharia nesta região permaneceu em silêncio. A trégua também permitiu que os soldados mortos recentemente pudessem ser trazidos de volta para suas linhas para poderem ser enterrados. Foram realizados vários funerais em conjunto. Muitos soldados de ambos os lados - bem como, unidades francesas, trocaram alimentos e presentes, e entoaram cantos natalinos, dentre eles “Stille Nacht” ao longo de diversos encontros.      

Clique aqui e veja uma versão da música na voz de Andrea Bocelli.


Fontes:

A história dos hinos que amamos. Silas Daniel. CPAD, 2012.





[1] Outra versão afirma que Mohr havia escrito a letra há cerca de dois anos.

Um comentário:

Wellykem Marinho disse...

Muito interessante! Que saber a origem das músicas que cantamos....

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