11 de novembro de 2013

HÁ DEZ ANOS ENTREVISTEI PAULO CEZAR DO GRUPO LOGOS

     


por George Gonsalves

     Há dez anos, eu e Roberto Pereira entrevistamos o pastor Paulo Cezar, vocalista do Grupo Logos, e publicamos em um jornal evangélico. O conjunto estava em Fortaleza, dando continuidade a uma viagem pelo Brasil.
      As questões colocadas pelo pastor ainda permanecem bastante atuais em nossos dias. Reproduzo, portanto, um trecho:

Qual a diferença que o senhor percebe entre a música evangélica da época em que havia o grupo ELO para a que ouvimos hoje?
Paulo Cezar: Naquela época nós tínhamos um desafio, tínhamos um sonho, uma visão com relação à música e, obviamente, este sonho tinha uma sustentação sempre de ministério, sempre de fazer alguma coisa que realmente fosse marcante para a alma das pessoas. Eu acho que essa é uma diferença muito grande, naquela época como nos nossos dias também. Há uma grande diferença entre a música objetivamente evangélica e a música rotulada de evangélica: é a questão da objetividade. Deixa-me explicar: quando a gente começou o ministério com o ELO nós sentimos que a música evangélica precisava ter uma melhora na sua qualidade técnica, e que ela deveria também ter conteúdo bíblico, uma coisa que de fato pudesse tocar os corações das pessoas com uma qualidade melhor. Então, a gente começou com este objetivo. Continuamos durante todo o tempo fazendo isso. O que eu vejo é que naquela época havia uma dificuldade muito grande por causa da discriminação. A música evangélica era rotulada como sendo de pouca qualidade técnica. Os estúdios eram para músicos seculares. A gente enfrentou barreiras neste sentido que já não temos hoje. Hoje, por exemplo, você pode gravar em qualquer estúdio, as igrejas têm aparelhos importados, têm instrumentos de primeira linha [...] Creio que a mesma dificuldade do começo continua: é a questão da identidade da música. Se ela é de fato evangélica, se diz de fato realmente alguma coisa ou se é uma música de distração para o povo, se é uma música simplesmente para mexer, entreter. Eu acho que Deus chamou cada um para fazer seu trabalho. O nosso é realmente atingir o coração das pessoas com a música consolando, exortando, incentivando, desafiando, chamando.

O que pensa da “teologia” da prosperidade?
Paulo Cezar: “Se não sou abençoado financeiramente, estou em pecado”, “Se estiver doente, estou em pecado”. Isso não tem nada a ver. [Esse ensino] leva o povo a uma cegueira espiritual, então escrevi contra isso. O evangelho humanista não prega que o homem precisa se quebrantar na presença [de Deus], na santidade de Deus, clamar por socorro, pela graça de Deus. Hoje é diferente, não se prega mais o evangelho falando do sangue e da cruz. Agora o pessoal diz: “vem pra cá e você vai ser abençoado, sua vida vai melhorar, você vai parar de sofrer, vai ser curado”. Um evangelho totalmente distorcido. Aí a indignação! As pessoas ouviram isso. Elas têm ouvido, e isso tem mexido mesmo. E eu creio que essa é uma grande arma que Deus nos tem dado como ministros de música. É fazer diferença mesmo. Por isso vamos gravando estas músicas [...] A gente tem uma sociedade, até evangélica, com medo. Hoje você toda hora vê pessoas com traumas dentro da igreja. Pessoas com stress dentro da igreja; é uma palavra nova. Você tem pessoas à beça dentro da igreja que quando vai se aconselhar com o pastor ele manda para o psicólogo, quando podia ministrar a palavra. Dizer: “olha, entrega tua ansiedade para o Senhor, não precisa ir para o psicólogo coisa nenhuma”. Mas a igreja tem vivido esse problema. A gente tem visto isso e precisamos pregar contra. Esse é o sentimento.

Qual o objetivo das viagens que vocês têm feito?

Paulo Cezar: Estou com 53 anos, o tempo vai passando, e eu fiquei pensando: eu tenho que aproveitar, correr enquanto dá, sair com esses moços [os integrantes da banda] que Deus me deu. Quer dizer, eles precisam também experimentar o que o eu experimentei na minha juventude, indo em escolas, presídios e cadeias. Hoje música é fazer show. É cantar, receber cachê e ir embora. Mas cantar para os presos, nas cadeias, isto é para o careta da igreja que prega com um acordeom, algo assim. Esse é o sentido da gente sair. Por isso nós visitamos igrejas. A gente quer mostrar para os jovens das igrejas que é possível fazer isso. Existe um ministério atrás da música.  

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