19 de agosto de 2013

LA REFORMA RADICAL - 30 ANOS



por George Gonsalves

Há trinta anos era lançado em espanhol um clássico estudo sobre a Reforma  Radical, que incluiu vários movimentos espirituais do século XVI, em especial os anabatistas: trata-se de La Reforma Radical, de George Huntston Williams (1914-2000).
      Trata-se da 2ª edição (ampliada) da obra Radical Reformation, que havia sido lançada em 1962, em inglês, pela Westminster Press. Uma outra edição foi lançada em 2000, ano da morte de Williams, pela Truman State University Press, com um acréscimo de quase trezentas páginas.
     Desde o lançamento da primeira edição, a obra de George Williams se tornou uma das principais referências sobre a “terceira força” da Reforma Protestante[1]. Para ele a Reforma Radical “foi um movimento formado por três tendências principais, não muito estreitamente vinculadas no começo: o anabatismo, o espiritualismo e o racionalismo evangélico”[2]. No entanto, ele descreve os anabatistas (que tinha entre seus líderes Hans Denck, Michael Sattler, Menno Simons, dentre outros) como o grupo mais importante da Reforma Radical.
    Quase todos os livros de história da igreja publicados em português que tratam do tema citam o livro de Williams. Para Timothy George, por exemplo, trata-se de um “levantamento abrangente da dissenção religiosa no século XVI. Embora superado em alguns detalhes, é ainda o estudo padrão na área”.[3] Já Carter Lindberg, professor emérito de História Eclesiástica na Faculdade de Teologia da Universidade de Boston (EUA), considera Radical Reformation (La Reforma Radical) simplesmente um “estudo magistral”.[4]
      Por sua vez, o teólogo batista Roger Olson, confessa em sua obra História da Teologia Cristã que retirou boa parte da descrição dos anabatistas da obra de George Williams.[5] Ainda, em um livro recentemente lançado no Brasil, A revolução protestante, o teólogo de Oxford, Alister McGrath, afirmou que esse estudo continua como o melhor sobre os anabatistas. [6]
   Outros autores de convicções teológicas diversas fizeram menção do livro de Williams em seus livros como: Robert G. Clouse, Wiliston Walker, John Driver, A.G. Dickens e Donald F. Durnbaugh.
    Por tudo isso, La Reforma Radical (Radical Reformation) pode ser chamado de um autêntico clássico da historiografia da igreja cristã e da Reforma. Não que a obra seja definitiva sobre os anabatistas. Mesmo porque, como disse Italo Calvino: “um clássico é um livro que nunca acaba de dizer o que tem para dizer”.




[1] As duas forças mais conhecidas da Reforma seriam: o catolicismo e o protestantismo. Ver A terceira opção, de Paul M. Lederach. Campinas-SP, Ed. Cristã Unida, 1993.   
[2] La Reforma Radical. México, Fondo de Cultura Económica, 1983, p. IX.
[3] Teologia dos Reformadores. São Paulo-SP, Vida Nova, 1993, p. 304. 
[4] As reformas na Europa. São Leopoldo-RS, Sinodal, 2001, p. 238. 
[5] História da Teologia Cristã. São Paulo-SP, Vida, 2001, p. 649. 
[6] A revolução protestante. Brasília-DF, Ed. Palavra, 2012, p.482. 

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