30 de abril de 2013

PRECISAMOS DE UMA BÍBLIA GAY?


Queen James Bible
por George Gonsalves

Há cerca de vinte anos escrevi um texto para um jornal local denunciando a incoerência de uma obra que estava sendo lançada nos Estados Unidos. A obra era: “Novo Testamento e Salmos: uma versão não excludente”. Os autores pretendiam adequar os textos sagrados ao “politicamente correto”. Deste modo, vícios como machismo e autoritarismo, seriam revisados dos livros.    
Nesta “versão”, Deus não seria chamado apenas de “Pai”, mas de “Pai e Mãe”. Esposas não seriam admoestadas pelo apóstolo Paulo a serem submissas aos seus maridos, mas apenas “compromissadas”. E os filhos não deveriam obedecer a seus pais, e sim, “prestar atenção” a eles.  
Ora, no final do ano passado uma obra semelhante foi lançada também nos Estados Unidos: “Queen James Bible” (Bíblia Rainha James). O nome faz alusão à “King James Bible” (Bíblia Rei James), batizada originalmente em referência ao rei James da Inglaterra, que autorizou a primeira tradução para o inglês mais de 400 anos atrás.
Trata-se, no entanto, de uma “versão” gay da Bíblia. Os autores defendem que o foco é fazer a “correta” interpretação de termos tais como abominação e sodomia. Assim, os versos que condenam a prática homossexual foram “reeditados” para mostrar às pessoas que não existe condenação alguma da parte de Deus à prática homossexual. O site da Queen James Bible trazia o seguinte texto à época do lançamento:

“Você não pode escolher a sua sexualidade, mas você pode escolher Jesus. Agora, você também pode escolher sua Bíblia”. 

Dito isto, faço a mesma pergunta de vinte anos atrás: “Quem pode mudar a mente do Senhor?”. As ideias do homem sobre a política, o pecado e sobre o próprio Deus podem mudar. Mas, a Palavra de Deus não pode mudar: “Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão” (Mateus 24:35). O que Deus falou, está falado; o que escreveu, está escrito. Não podemos alterar sua palavra para que ela se enquadre em nossa visão de mundo. Questionado sobre sua firme posição a respeito do divórcio, Jesus respondeu: “Nem todos são aptos para receber este conceito, mas apenas a quem é dado” (Mateus 19:11). Em outra ocasião, após um discurso considerado duro, alguns discípulos o abandonaram. Cristo, então, perguntou aos doze: “Porventura, quereis também vós outros retirar-vos?” (João 6:67).
Para aqueles que não creem na inspiração divina da Bíblia, o meu argumento é semelhante. Não conheço ninguém disposto a alterar a obra de Shakespeare, Platão ou qualquer outro pensador, simplesmente por discordar de alguma abordagem feita por eles. Não podemos mudar o pensamento de ninguém. Podemos, sim, segui-lo ou rejeitá-lo.
Não precisamos, portanto, de uma Bíblia gay, como também não necessitamos de uma Bíblia feminista, negra, indígena ou punk. Há um enorme esforço de estudiosos para que as Escrituras Sagradas sejam traduzidas da maneira mais fiel possível aos manuscritos existentes. Isto é uma questão não apenas de fé, mas de honestidade.

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