11 de abril de 2013

OS CRISTÃOS E A HOMOFOBIA


        
Santo Agostinho
por George Gonsalves
   Em primeiro lugar, devo dizer que é preciso baixar as armas quando tratamos deste delicado tema. Homossexuais precisam entender que muitas pessoas têm princípios religiosos e filosóficos diferentes dos seus. Por outro lado, cristãos devem perceber que há sim uma luta em curso. Mas, ela não é contra qualquer homem, mas sim no campo das ideias. Não devemos nos omitir de dizer o que pensamos e cremos, mas direcionar nossa palavra com amor, verdade e sabedoria.    
     O que é homofobia? De modo geral, se entende assim: “repulsa, ódio ou preconceito contra a homossexualidade ou os homossexuais”. Esta atitude poderia ser patológica ou comportamental.
    Ora, a fé cristã rejeita completamente uma atitude de ódio ou repulsa contra quaisquer pessoas. Cristo nos ensinou a amar a todos, inclusive os inimigos (Mt. 5:44), ensino ratificado pelo apóstolo Paulo (Rm. 12:17-20). Ocorre, que esta mesma fé têm princípios morais estabelecidos pelas Sagradas Escrituras. É um chavão, mas repito: ”O cristão deve amar o pecador, mas aborrecer o pecado”. 
    A cristandade interpretou no decorrer da história a prática homossexual como um pecado diante de Deus. As tentativas de dizer o contrário são manobras histórico-teológicas não convincentes. Textos bíblicos como Levítico 18:22; 20:13, Romanos 1:24-27 e I-Coríntios 6:9:11 foram interpretados sistematicamente como uma reprovação de Deus a atos homossexuais.  Grandes mestres cristãos se manifestaram sobre este assunto: Agostinho (354-430), nas Confissões, Anselmo de Canterbury (1033/1034-1109) e Alberto Magno (1206-1280). Tomás de Aquino (1225-1274), por exemplo, sustentou na sua maior obra, Suma Teológica, a gravidade deste ato.[1] 
   Jeffrey Richards, professor de história da cultura na Universidade de Lancaster, na Inglaterra, confirma que durante a Idade Média a igreja não mudou sua posição em relação à homossexualidade. Para ele, “o cristianismo era fundamentalmente hostil à homossexualidade”[2].
     Concluo afirmando que a igreja não pode alterar a revelação que recebeu de Deus. A palavra sagrada não pode se amoldar a cada tempo. Podemos crer nela ou rejeitá-la, mas não mudá-la. Contudo, cada cristão deve sondar o seu coração e não permitir que nenhum sentimento negativo a quaisquer pessoas sejam abrigados. Como disse Richard Foster, falando sobre a homossexualidade e o cristão: “a primeira palavra a ser dita precisa ser de compaixão e restauração”[3]


[1] Ranke. Uta. Eunucos pelo reino de Deus – mulheres, sexualidade e a igreja católica, 3ª ed. Rio de Janeiro-RJ. Rosa dos ventos, 1996, p. 212 
[2] em Sexo, desvio e danação – as minorias da Idade Média. Rio de Janeiro-RJ. Jorge Zahar Editor, 1993, p. 152.
[3] em Dinheiro, sexo e poder – um chamado à renovação ética. São Paulo-SP. Mundo Cristão, 2005, p. 113.

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