11 de fevereiro de 2013

BENTO XVI: AUTÊNTICO, MAS ERRADO.




    Joseph Ratzinger, o papa Bento XVI, surpreendeu o mundo católico ao anunciar que vai renunciar ao pontificado em 28 de fevereiro deste ano. Não o reconheço como um verdadeiro líder da igreja de Cristo, mas devo reconhecer que ele se mostrou autêntico nos anos em que ficou a frente do Vaticano.
     Diferentemente de seu antecessor, João Paulo II, Bento não procurou ser popular. Com certeza, em relação a ele não cantaríamos “este papa é pop”. Ele se manteve firme (e nisto concordamos) em combater o aborto e o homossexualismo como pecados diante de Deus. Não transigiu ante às pressões do politicamente correto e do intelectualismo permissivo. Se comportou como um ardoroso defensor da doutrina católica.
     Contudo, a autenticidade não nos livra do erro. A igreja de Roma, como todas as outras, são formadas de pecadores, e por isso seus fieis cometeram inúmeros erros no passado, e ainda o cometem hoje. Ocorre, que há erros institucionalizados na igreja católica, doutrinas que carregam o ranço da intolerância e da violência. Estes ensinos não foram revistos nem por João Paulo II, nem por Bento XVI.
      Cito como exemplo, a inquisição e a violenta colonização colocadas em ação pela igreja romana em tempos passados. Milhares de pessoas foram mortas em nome da fé católica. Isto não foi um acidente de percurso, ou falhas de alguns fieis. Antes, foi o cumprimento da própria doutrina da igreja. Ensino que foi ratificado no texto da encíclica Quanta cura, promulgada em 1864 pelo papa Pio IX. Este documento trazia um silabo de erros, uma lista de oitenta proposições modernas que os católicos não deviam aceitar[1]. Cito alguns itens:
     18 – Que o protestantismo é nada mais do que uma forma diferente da mesma religião cristã, em que é possível se agradar a Deus tanto como na verdadeira Igreja Católica;
     24 – Que a igreja não tem autoridade para usar de força, nem tem nenhum poder temporal, seja direto ou indireto;
       55 – Que a igreja deve ser separada do Estado e o Estado da igreja;
     77 – Que em nossos tempos já não é mais conveniente que a religião católica seja a única do Estado, nem que se excluam todos os outros cultos.[2]
     Deste modo, constato que Bento XVI foi autêntico, mas ainda errado, porquanto não ousou confrontar as doutrinas católicas com os mandamentos bíblicos. Isto serve de lição para qualquer cristão. Seguimos com ardor o credo de nossa igreja, mas este resiste à luz da Palavra de Deus? Devemos, pois, observar o pensamento do escritor americano Joseph Campbell: “Talvez não exista nada pior que alcançar o topo da escada e descobrir que você está na parede errada”.
               George Gonsalves




[1] WALKER. Wiliston. História da igreja cristã. Aste, 3ª Ed. 2006, p. 786.
[2] GONZALEZ. Justo L. A era dos novos horizontes. Vida Nova. 1988, p. 110/111.

Um comentário:

Álvaro Rodrigues disse...

Irmão George ,

Peço permissão para reproduzir o artigo(citando a fonte do mesmo) em meu blog. Desde já agradeço!

Em Cristo

Você pode também gostar

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...