28 de janeiro de 2013

É TEMPO DE CHORAR



No início da minha fé, vi um pastor comentar com desdém sobre um crente que havia chorado “demasiadamente” no velório do próprio pai. Segundo ele, foi um “mau testemunho” para os não convertidos.
Interessante é notar que a Bíblia relata que Jesus chorou, mas não que tenha sorrido (embora isto possa ter ocorrido). No entanto, as lágrimas de Cristo evidenciaram de maneira categórica o quanto ele se importava com o próximo. Ele não somente viveu entre nós, mas sentiu a nossa dor.
O fato mais emblemático talvez tenha sido quando Cristo chega em uma casa tomada pelo luto. Maria, que um dia esteve aos pés do Mestre, ficou sentada em casa, desolada. Marta vai ao seu encontro, aparentemente inconformada: “se estiveras aqui, não teria morrido meu irmão“ (João 11:21). Minha mente não consegue alcançar a profundidade deste momento. Jesus, o Verbo de Deus, aquele que tinha toda autoridade nos céus e na terra, chorou (João 11:35). Ele não sabia que ressuscitaria Lázaro? Ele não tinha domínio sobre a situação, inclusive sobre suas emoções? Jesus chorou, não de desespero, mas de empatia, de amor. Tendo se feito carne, o Filho de Deus assumiu a maneira mais humana de “sentir com”. Era tempo de chorar.
Muitas vezes, os crentes querem sempre dizer algo sobre tudo. Mas, há o tempo de calar e o tempo de chorar. E não será esta hora? Em Santa Maria (RS), centenas de pais não mais poderão beijar os rostos de seus filhos. Alguns eram filhos únicos (mas qual filho não é?). Avós não contarão mais com orgulho sobre os feitos de seus netos. Moças não esperarão mais ansiosas a vinda de seu amor. Rapazes não farão mais planos para suas futuras famílias. Se a Bíblia nos fala que há um tempo para chorar (Eclesiastes 3:1 e 4), que outro momento haveria?
George Gonsalves


  

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