28 de novembro de 2012

EVANGELHO TIPO FACEBOOK



                                                                                                                             por George Gonsalves

       Alguém coloca na internet um texto (pequeno, é claro) ou uma foto. Em poucos segundos outra pessoa vê esta imagem e clica em um botão: “curtir”. Pronto. Assim se dá o tipo mais comum de compartilhamento de mensagens e imagens da maior rede social do mundo: o facebook. A própria rede anunciou que o número de usuários chegou a um bilhão de pessoas! Ou seja, mais de 10% dos habitantes do planeta estão conectados no “face”.
O facebook é perfeito para o mundo moderno. É um autêntico fast food virtual. Ninguém pode negar a sua utilidade. Às vezes, precisamos de mensagens curtas. John Piper escreveu que não lembramos de um livro inteiro após sua leitura, mas de algumas frases que nos marcaram. Ocorre que este tipo de linguagem nem sempre é adequada. Podemos nos acostumar a ler pouco, escrever pouco e nos tornarmos pobres para exprimir sentimentos. Ao invés de estar com um amigo no seu aniversário, podemos mandar um “bolo virtual”. Há pessoas que colocam mensagens que só poderiam ser ditas “olho no olho”, como por exemplo, pedidos de perdão ou de casamento.
É natural que um cristão, que é usuário do facebook, utilize a rede social para postar mensagens de cunho evangelístico. Mas, é bom sabermos que o evangelho não são retalhos desconexos de auto-ajuda. Segundo pesquisa feita em 2008, pelo Instituto Pró Livro, apenas 2,5% da população brasileira leem a Bíblia regularmente. Se levarmos em consideração que mais de 20% dos brasileiros se dizem evangélicos, podemos constatar que boa parte dos membros das igrejas evangélicas simplesmente  não tem o costume de passar algum tempo em leitura e meditação das Sagradas Escrituras.
O público quer mensagens curtas que não exijam muita reflexão. Sermões que exigem raciocínio e concentração são tidos como entediantes. O que atrai são pregações e livros com títulos como: ”Quatro passos para uma vida feliz”, ou ainda,  “Sete maneiras de vencer o pecado”.
Devemos observar que frases retiradas da Bíblia (ou inspiradas nela), fora de seu contexto, podem, inclusive, levar pessoas a graves equívocos em relação à mensagem do evangelho. Um singelo “Jesus te ama” pode, por exemplo, induzir alguém a acreditar que Cristo não se importa com a vida que levamos, face ao seu grande amor; “Deus satisfará os desejos do teu coração” talvez incline ao pensamento que o Todo-poderoso realizará todos os nossos sonhos, assim como um gênio da lâmpada; “Somos mais do que vencedores” pode levar cristãos a crerem que o Senhor sempre lhes dará o sucesso em seus projetos pessoais.
Deste modo, percebemos que o evangelho é mais profundo que mensagens curtas aleatórias e nossa aceitação a ele deve ir além de clicar no botão “curtir”.      


              

26 de novembro de 2012

LIVRO SOBRE O REFORMADOR JOHN KNOX


JOHN KNOX – O PATRIARCA DO PRESBITERIANISMO
AUTOR: WALDYR DE CARVALHO LUZ.
ED. CULTURA CRISTÃ, 2001, 224p.

   Livro importante, pois, em comparação com outros reformadores, há pouco material no Brasil sobre John Knox, que liderou a reforma na Escócia no século XVI. Só recentemente foi lançada a obra A poderosa fraqueza de John Knox, pela Editora Fiel.   
    O autor do livro, o Dr. Waldyr de Carvalho Luz, é pastor jubilado da Igreja Presbiteriana e um dos grandes intelectuais do meio evangélico. Seu maior trabalho foi a primeira tradução(do latim) de As Institutas da Religião Cristã, de Calvino, para o português. Contudo, a sua erudição torna a leitura de John Knox pouco prazerosa. O texto é excessivamente rebuscado e adjetivado. Cito um trecho em que ele descreve o biografado: “Graças a sua poderosa dialética, a sua eloquência fremente, a sua privilegiada inteligência, a sua notável presença de espírito [...] Estava ele no auge de seus poderes intelectuais, ardoroso como sempre, diligente e operoso, dinâmico e incansável...” (p. 205).  
     Knox aparece ao longo do livro mais como uma hábil figura política que um pregador incansável do evangelho. Não é dada muito importância a teologia que adotava. Contudo, é recomendável para quem deseja se aprofundar na riquíssima história da Reforma Protestante do século XVI.   
  George Gonsalves

22 de novembro de 2012

MILHARES PROTESTAM CONTRA O "CASAMENTO" GAY NA FRANÇA


CENTENAS DE MILHARES PARTICIPAM DE COMÍCIOS CONTRA O

Centenas de milhares de simpatizantes do casamento tradicional se manifestaram contra o "casamento" de pessoas do mesmo sexo na França no fim de semana.
No sábado, uma manifestação de âmbito nacional atraiu cerca de 200 mil manifestantes em Paris, segundo os organizadores, além de outras dezenas de milhares que participaram de comícios em todo o país. Quase 30.000 simpatizantes do casamento tradicional se manifestaram na cidade de Lyon, de acordo com um relatório da Reuters. A Polícia informou que 40 opositores aos protestos foram presos, depois que tentaram interromper o comício. Já a Polícia em Toulouse informou que gás lacrimogêneo foi usado para dispersar um grupo de ativistas homossexuais que tentaram interferir no ajuntamento de cinco mil defensores do casamento tradicional. O jornal Le Parisien informou que entre 6.000 e 8.000 pessoas manifestaram-se em Marselha, provando que, como um brincou blogueiro "existe mais do que traficantes de drogas nessa cidade sitiada”. A polícia da cidade informou que usou gás lacrimogêneo contra oponentes às manifestações, que desfraldaram uma bandeira que dizia: "O seu modelo de sociedade está morto, bem-vindos a Sodoma e Gomorra", além de insultos contra os defensores do casamento tradicional.
As manifestações do último sábado foram endossados ​​por líderes católicos, comunidades muçulmanas, protestantes e judeus, que exigiam o governo do presidente François Hollande reconsiderasse o impacto da mudança de "um dos pilares da sociedade".
Hollande fez do “casamento” homossexual uma de suas promessas de campanha presidencial, dizendo que seu governo pretende legalizá-lo em meados de 2013. Ele também prometeu direitos de adoção para casais homossexuais, e disse que os casais de lésbicas teriam acesso à inseminação artificial e fertilização in vitro.
Os Bispos católicos franceses lideraram a luta contra a legislação proposta, com o cardeal arcebispo de Paris dizendo que o “casamento” de pessoas do mesmo sexo prejudicaria o equilíbrio da sociedade francesa e das crianças. "Não vai ser o 'casamento para todos'", disse o cardeal André Vingt-Trois, citando o slogan do governo, "vai ser o casamento de alguns imposto a todos."
"Quando defendemos o direito das crianças a construir a sua personalidade tendo como referência ao homem e à mulher que lhes deram a vida, não estamos defendendo uma posição particular", o cardeal arcebispo disse: "Estamos reconhecendo o que é expresso pelas práticas e a sabedoria de todos os povos desde o início dos tempos, e que é confirmado pelos especialistas modernos. "
Uma segunda manifestação, organizada pela organização católica conservadora Civitas, aconteceu em Paris no domingo. A TV Gloria relata de que cerca de 9.000 partidários do casamento tradicional, incluindo muitos clérigos, marcharam com bandeiras dizendo "A França precisa de filhos, não de homossexuais", e "O casamento = um homem + uma mulher."
O oficial da Civitas, Alain Escada, disse aos manifestantes que o casamento homossexual é "uma caixa de Pandora", que deixaria que os outros estendessem os direitos de casamento, incluindo os polígamos e incestuosos.
"Nosso objetivo é travar uma verdadeira batalha para proteger a família e a criança", disse Escada, cujo grupo tem 1.200 membros e uma rede de cerca de 100 mil simpatizantes.
A AFP relata que o comício foi marcado pelo aparecimento de membros do grupo Femen, da Ucrânia, de topless, que se opuseram à manifestação, vestindo véus freiras e cantando, "nós cremos nos gays”.
Um repórter da AFP disse que quando as feministas seminuas foram em direção a manifestantes, "alguns (dos manifestantes) correram atrás deles." As mulheres do Femen foram detidas pela polícia, supostamente para sua própria proteção, disse o repórter.
Os manifestantes do último fim de semana foram incentivados pelas palavras do Papa Bento XVI, que exortou os bispos franceses que foram visitá-lo no Vaticano a se opor à legislação proposta, dizendo: "A voz da Igreja deve fazer-se ouvir incansavelmente e com determinação."
Fonte: VINACC

20 de novembro de 2012

PENSAMENTOS SOBRE PROVIDÊNCIA


“Deus se move de forma misteriosa
Para realizar suas maravilhas;
Ele imprime suas pegadas no mar,
E cavalga sobre a tempestade.

Fundo, em minas imensuráveis
De habilidade que nuca falha,
Ele entesoura seus desígnios brilhantes
E opera sua vontade soberana”
WILLIAM COWPER

“No coração do homem, um grito. No coração de Deus, a provisão.”
                                                                                      STANLEY JONES

“Quando Deus fecha e aferrolha uma porta, não tente entrar pela janela.”
                                                                                  ELEANOR L. DOAN

“Não conheço o caminho por onde Deus me conduz, mas conheço muito bem o meu Guia.”
                                                                                  MARTINHO LUTERO

“Os acasos do homem são desígnios de Deus.”
SOPHIA HAWTHORNE

“Não julgue o Senhor com débil entendimento,
Mas confie nele para sua graça.
Por trás de uma providência carrancuda,
Ele oculta uma face sorridente.

Seus propósitos amadurecerão rapidamente,
Desvendando-se a cada hora;
O botão pode ter um gosto amargo,
Mas a flor será doce.

A incredulidade cega certamente errará
E esquadrinha sua obra em vão:
Deus é seu próprio intérprete
E Ele o tornará claro.”
WILLIAM COWPER

“Nada neste mundo se oculta aos olhos de Deus: a sua providência estende-se a tudo e por tudo.”
                                                                                       PINDARO

 “Deus muitas vezes, conduz as suas ovelhas por caminhos desconhecidos.”
A. B. SIMPSON

“Nosso dever? Viver cada dia para Deus. Os resultados? Estão nas mãos de Deus.”
GEIKIE & COWPER

“Deus vê o amanhã mais claramente do que nós vemos o ontem. Deixem que ele nos dirija.”
EDWARD YOUNG

“Se alguém é uma parte no plano de Deus para o mundo, cada acontecimento na sua vida passa a ser importante.”
H. C. GOENER

“Providência é a atenção de Deus concentrada em toda a parte.”
AUGUSTUS H. STRONG

“Parece não haver nenhuma ordem nos movimentos das abelhas do enxame, mas o favo mostra que há um plano entre todas elas.”
HENRY W. BEECHER

“A ignorância da Providência é a maior de todas as infelicidades e seu conhecimento é a maior de todas as venturas.”
JOÃO CALVINO



Foto: paperdreamblog.com

17 de novembro de 2012

A MAIS BELA HISTÓRIA DA FELICIDADE


A MAIS BELA HISTÓRIA DA FELICIDADE
AUTORES: ANDRÉ COMTE-SPONVILLE, JEAN DELUMEAU e ARLETTE FARGE
ED. DIFEL, 2006, 169p.

     A obra faz parte de uma série que inclui títulos como: A mais bela história de Deus, A mais bela história do homem, A mais bela história da Terra e A mais bela história do amor. Nos livros os autores de diversas correntes de pensamento respondem a questões relativas ao tema em foco.   
       A mais bela história da felicidade traz renomados intelectuais (todos franceses) para o debate de um assunto que permeia a filosofia e a teologia: a possibilidade de ser feliz. A primeira parte do livro é dedicada a André Comte-Sponville, filósofo ateu, autor de diversas obras que abordam a questão da ética no mundo contemporâneo como, por exemplo, o grande sucesso Pequeno tratado das grandes virtudes.  No seu texto, procura situar o tema da felicidade na perspectiva de vários filósofos ocidentais como Aristóteles, Epicuro, Espinosa e Kant. Na última parte, ele fala de sua própria ideia: “Só podemos usar duas coisas contra o sofrimento e infelicidade: a aceitação e o combate [...] lutar contra a infelicidade já é uma felicidade” e “Amar verdadeiramente a vida, não é amá-la apenas quando ela é feliz, mas amá-la em sua totalidade, seja ela constituída de felicidade ou infelicidade, de prazer, sofrimento, tristeza ou alegria” (p. 67).
     A segunda parte ficou a cargo do historiador cristão Jean Delumeau. Nela, afirma que o Paraíso descrito na Bíblia é mais do que um lugar, mas um estado alcançado com a “visão beatífica”. Para ele: “Ver Deus nos torna felizes, pois equivale a encontrar-nos face a face com o amor [...] A ‘utopia’ cristã, que não se localiza nem no tempo e nem no espaço, é, e sempre será, um face a face com Deus” (p. 107). Deste modo, a felicidade plena só é possível estando na presença de Deus, no pós-morte.
       O último trecho do livro ficou reservado para a historiadora Arlette Farge. Ela procura descrever como o tema da felicidade foi tratado no século XVIII (considerado o século das Luzes) na França, nas diversas camadas sociais. Arlette crê em uma felicidade relativa: “existem várias formas de felicidade quanto o número de indivíduos e momentos felizes”. No fim, ela afirma de maneira bela: “A felicidade não é o objetivo final do caminho, mas o próprio caminho [...] não está nem no ser nem no ter. Ela reside na ação, no prazer e no amor” (p. 169).
     Aprendi com todos os autores, apesar de me identificar com a posição de Jean Delumeau. Os textos são ricos em informações históricas e argumentações filosóficas, mas escritas de modo acessível a um público não especializado. Excelente!   
  George Gonsalves

14 de novembro de 2012

5 MÚSICAS QUE NÃO CANSO DE OUVIR


   Muito se pode falar das músicas e hinos destacadas nas próximas linhas. No entanto, não é essa a proposta deste pequeno texto, mas apresentar algumas canções que creio estejam já esquecidas e apresentar outras que talvez sejam até desconhecidas do grande público.  
   A primeira canção que marcou e marca minha vida, até hoje, faz parte do Cantor Cristão e é uma verdadeira confissão de fé. Faz-me lembrar dos primeiros dias de minha preciosa fé no Senhor e do cuidado que Ele tem com os seus!

              
John H. Sammis
 Em Jesus confiar, Sua lei observar,
Oh que gozo, que benção, que paz!
Satisfeitos guardar, tudo quanto ordenar
Alegria perene nos traz.
Crer e observar tudo quanto ordenar
O fiel obedece ao que Cristo mandar!
Clique para ouvir: Crê e observar (Cantor Cristão n° 301)
Letra: John H. Sammis (1846-1919) 
Música: Daniel B.Towner (1850-1919) 
Daniel B. Towner
          A segunda canção fala do amor de Deus que enche céus e terra e de sua fidelidade, apesar de sermos imperfeitos.
Asaph Borba
O Teu amor, se estende além dos céus
Constantemente mostras que és fiel
Tua justiça é majestosa como os montes
Sabedoria mais profunda que o mar
Mas vem comigo estar
Clique para ouvir: O Teu amor - Asaph Borba

     Certamente, todos nós passamos por lutas e tribulações, por adversidades e tentações, mas quando nosso olhar está, firmemente, voltado a Jesus podemos louvar sem nenhum impedimento que Ele é o Senhor!
Adhemar de Campos
Ele é o Senhor, sua verdade vai sempre reinar
Terra e céus glorifiquem seu santo nome
Ele exaltado, o Rei exaltado nos céus!
Clique para ouvir: Ele é exaltado - Adhemar de Campos

     A próxima canção é muito bela e me alegra o coração todas as vezes que a escuto, porque me faz recordar que o Senhor Jesus, Autor e consumador da minha fé, vai voltar uma segunda vez, não para morrer novamente, mas para arrebatar sua igreja!
Paulo Cézar - Grupo Logos
Ó Pai eu, queria tanto, tanto ouvir
O som que vai abrir o encontro triunfal
Rever amigos que um dia em Cristo foram feitos meus irmãos
E agora sim podemos dar as mãos
Pois temos todos um, somente um, um só Senhor
E eis o consolo que envolve a minha vida
O meu Senhor Jesus que foi morto sim naquela cruz
Voltará, voltará enfim por isso eu canto glória
Clique para ouvir: Autor da minha fé - Grupo Logos

Alisson Ambrósio
     A última canção fala da grande e maravilhosa expressão de amor por nós, o sacrifício do Senhor Jesus no calvário. Essa canção é uma composição do pastor Alisson Ambrósio que partiu para o Senhor em 2010. Considero essa música como uma poesia em forma de canção e um verdadeiro convite a adoração!

No monte do calvário caminhou
Levava sobre si a minha cruz
E alguns se perguntavam quem é ele? Era Jesus!
Levava sobre si a minha dor
E todos os meus pecados também
Não entendo porque eu fazendo tanto mal
Sou merecedor, assim, de tanto bem.
Clique para ouvir: O calvário - Alisson Ambrósio
Roberto Pereira

9 de novembro de 2012

É PRECISO CORAGEM

Malala Yousafzai

A coragem é uma virtude exaltada pelos filósofos antigos. Aristóteles, por exemplo, disse que ela é a primeira das qualidades humanas, porque garantiria todas as outras.
Entre os cristãos, a coragem sempre foi reconhecida como virtude que nos assemelha a Cristo. Dos mártires do Coliseu Romano, passando por aqueles que enfrentaram as fogueiras da Inquisição, até os que hoje sofrem perseguição em países islâmicos, há milhares de exemplos daqueles que demonstraram coragem para seguir a Cristo.
Compartilho, pois, um pensamento sobre esta virtude que parece em declínio em nossos dias.

É PRECISO CORAGEM

É preciso coragem para:
disciplinar o filho em tempos de frouxidão educacional;
ser fiel a quem um dia fez votos eternos de amor;
amar alguém que não achamos que mereça este amor;
gastarmos nosso tempo com os problemas dos outros;
repartir os nossos bens com quem precisa;


É preciso coragem para:
não acatar as palavras anti-bíblicas pronunciadas pelo líder de nossa igreja;
crer nas Escrituras Sagradas, embora o mundo o julgue alienado;
fazer o que é correto, embora nos traga tribulações;
         seguir em frente, mesmo quando o próximo dia parece ser o mais difícil de nossa vida;
         cumprirmos a vocação que recebemos de Deus;

É preciso coragem para:
crer na Verdade em um mundo relativizado;
não ceder às pressões da maioria;
arrepender-se do mal cometido;
pedir perdão a quem ofendemos;
seguir a Cristo até as últimas consequências;


George Gonsalves


Em homenagem a Malala Yousafzai, menina paquistanesa que foi baleada há um mês por lutar pela educação de garotas em seu país. 

7 de novembro de 2012

QUANDO?

           Há muito tempo sou edificado com textos de Israel Belo de Azevedo,  filósofo e pastor da Igreja Batista Itacuruçá, no Rio de Janeiro. Geralmente são curtos, mas penetrantes. 
        Hoje tive o privilégio (e a responsabilidade) de ler mais uma mensagem sua. Resolvi, então, compartilhar no meu blog. Espero que instigue os leitores: 

Israel Belo de Azevedo

QUANDO?

Quando quem quer ser mãe adotiva visitará a vara judicial especializada em adoções?
Quando quem quer terminar um curso vai começá-lo?
Quando quem tem um vício decidirá abandoná-lo?
Quando quem tem um relacionamento inadequado, moral ou emocionalmente, vai transformá-lo em adequado ou sair dele?
Quando quem quer conhecer o mundo vai grudar a mochila às costas?
Quando quem fez do vale a sua habitação começará a imitar os cabritos e fazer da montanha a sua casa?
Quando quem sonha servir a Deus numa profissão de prestígio vai abrir mão das horas de ócio?
Quando quem tem um talento vai usá-lo para tornar melhor o mundo?
Quando quem quer ser um pastor ou missionário transcultural vai romper a inércia e se preparar para obedecer ao seu chamado?
Quando quem tem um tempo disponível (pouco que seja) vai sair de casa e gastar este tempo em gestos que abraçam os necessitados?
Quando quem adora ídolos tomará a iniciativa de despedaçá-los?
Quando quem quer ser um exemplo vai se olhar no espelho e ver quem realmente é, para a arrancada em direção à vida desejada?
Quando quem quer realizar algo na vida vai se dispor a pagar o preço?


Israel Belo de Azevedo

1 de novembro de 2012

MENNO SIMONS, REFORMADOR RADICAL

Menno Simons

O filósofo alemão Hegel exagerou ao referir-se à Reforma Protestante como “o sol que a tudo ilumina e que sucede aquela aurora do final da Idade Média”. Contudo, a Reforma revelou ao mundo homens e mulheres valorosos que, apesar de seus equívocos, estavam dispostos a selar com o próprio sangue a fé que tinham em Cristo.
Um destes homens foi Menno Simons. Ele não é tão lembrado pelos historiadores como Lutero, Calvino, Zuínglio ou mesmo John Knox, mas foi importantíssimo para a consolidação de um dos mais importantes movimentos espirituais do século XVI: o anabatismo ou reforma radical.
Menno nasceu em 1496 em Witmarsum, na Holanda, tornando-se sacerdote católico em março de 1524, aos 28 anos de idade. Depois de acumular dúvidas sobre o dogma da transubstanciação e o batismo infantil, ele decidiu romper oficialmente com a igreja de Roma em 1536, unindo-se aos anabatistas. Ele narrou sua conversão: “Meu coração tremia dentro de mim e orei a Deus com gemidos e lágrimas, pedindo que me desse – a mim um pecador entristecido – o dom da sua graça, que criasse em mim um coração puro e misericordiosamente perdoasse meus caminhos impuros e vida luxuosa inútil pelo sangue carmesim de Cristo...”.[1]
Depois de alguns anos na Holanda, Menno foi para a Alemanha, onde foi perseguido. O imperador Carlos V publicou um edito contra Menno em 1542, no qual era oferecida uma recompensa pela sua cabeça, e além disso proibia prestar-lhe ajuda ou hospedá-lo de qualquer forma e ler seus livros. Assim, o reformador podia afirmar: “renunciei ao nome e à fama, à honra e ao conforto, e tudo o mais, assumi voluntariamente a pesada cruz de meu Senhor Jesus Cristo.“[2]                 
Menno divergiu seriamente dos reformadores mais conhecidos de seu tempo, por não aceitar que um cristão pegasse em armas, mesmo que fosse para se defender. Lutero, Calvino e Zuínglio (que morreu em um campo de batalha) tinham as mãos sujas de sangue, o que Menno não aceitava. Contudo, algo os aproximava: a suficiência das Escrituras Sagradas como regra de fé, por exemplo. Certa vez, ele disse: “não sou profeta que possa ensinar e profetizar algo além do que esteja escrito na Palavra de Deus e seja compreendido no Espírito. [...] Mais uma vez, não tenho visões nem inspirações angélicas. Nem as desejo, para não ser enganado. A Palavra de Cristo, por si só, é suficiente para mim. “[3] 
Um dos projetos de vida de Menno era formar uma comunidade realmente comprometida com o evangelho. Deixou sua paixão em um escrito: “não há nada sobre a terra que eu ame mais do que a Igreja“. [4]A liderança de Menno salvou o anabatismo holandês do fanatismo e de uma possível desintegração.[5]
O líder holandês faleceu em 31 de janeiro 1561, em Wüstenfelde, e deixou um grupo de discípulos que passaram a ser chamados pelo seu nome: menonitas.
George Gonsalves


[1] “Confissão” e O Novo Nascimento. Menno Simons. Publicadora Menonita, 2005, p. 15.
[2]Teologia dos Reformadores. Timothy George. Ed, Vida Nova, 1994, p. 301. 
[3] Idem, p. 278.
[4]Menno Simons–sua vida e escritos. s/d (disponível em  http://www.elcristianismoprimitivo.com/)
[5] Uma Introdução à História Menonita. Cornelius J. Dyck. Ed, Cristã Unida, 1992, p. 100.

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