28 de setembro de 2012

NEYMAR NA PLACAR: BANALIZAÇÃO DO SAGRADO

Neymar na Seleção Brasileira

A capa da revista Placar do mês de outubro traz o jogador Neymar crucificado, com os braços estendidos, sem camisa e com um lenço amarrado na cintura com o emblema do Santos. A chamada de capa diz: “A crucificação de Neymar- chamado de ‘cai-cai’ o craque brasileiro vira bode expiatório em um esporte onde todos jogam sujo”. O diretor da revista, Maurício Barros, explicou que não pretendia fazer nenhuma provocação de cunho religioso. Talvez esteja falando a verdade.
Em primeiro lugar, fico feliz que uma imagem deste tipo cause uma indignação não violenta aos cristãos. Enquanto escrevo estas linhas não sei se algum líder evangélico se pronunciou sobre a referida capa. A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) publicou nota nesta sexta-feira em repúdio à capa da revista. Um trecho diz: "Reconhecemos a liberdade de expressão como princípio fundamental do estado e da convivência democrática, entretanto, que há limites objetivos no seu exercício. A ridicularização da fé e o desdém pelo sentimento religioso do povo por meio do uso desrespeitoso da imagem da pessoa de Jesus Cristo sugerem a manipulação e instrumentalização de um recurso editorial com mera finalidade comercial".
Nestes dias, pessoas foram mortas por extremistas muçulmanos por causa de um vídeo em que Maomé é ridicularizado. Entretanto, para os cristãos a violência não é um meio lícito para defender sua fé ou sua causa. Pressionado a apelar para luta armada durante os protestos pelos direitos civis dos negros, Martin Luther King afirmou: “Não podemos permitir que nosso protesto criativo degenere em violência física. A cada momento, precisamos alçar às alturas majestosas para defrontar a força física com a força da alma.”   
No entanto, há uma indignação justa contra a profanação, a banalização do que é puro. Há coisas tão sagradas que temos que “tirar nossas sandálias” para mencioná-las. Quando Jesus expulsou os vendilhões do templo ele disse: “A minha casa será chamada casa de oração; vós, porém, a transformais em covil de salteadores” (Mt. 21:13). Ou seja, eles mancharam a pureza daquele local, que era reservado para a adoração.
Colocar Neymar crucificado, assim como esteve Cristo, é banalizar uma imagem indizivelmente sagrada e deve ser repudiada com veemência, mas de forma pacífica.
     George Gonsalves

26 de setembro de 2012

PENSAMENTOS SOBRE SILÊNCIO




“Façamos silêncio a fim de que possamos ouvir o sussurro de Deus”.
 RALPH W. EMERSON

“Se os homens só falassem do que entendem, o silêncio seria insuportável.”
 MAX LERNER

“A virtude do silêncio consiste não em cessar o ofício da língua, mas em calar e falar a seu tempo”.
 MANUEL BERNARDES

“Mantenha-se em silêncio por um dia, e falarás com sabedoria para sempre.”
PENSAMENTO HINDU

“Duas coisas indicam fraquezas: calar-se quando é preciso falar, e falar quando é preciso calar-se.”
 PROVÉRBIO PERSA

“Use o silêncio para agradar, nunca para punir.”
E. C. McKENZIE

“Nem sempre o silêncio é de ouro. Algumas vezes é amarelo.”
 DAGOBERTO D. RUNES

“O homem que cala e ouve não dissipa o que sabe, e aprende o que ignora”.
 MARQUÊS DE MARICÁ

   “Mais vale um silêncio prudente do que uma verdade pouco caridosa.”
FRANCISCO DE SALES

“A resposta mais eficaz para um insulto é o silêncio.”
 HERBERT V. PROCHNOW

“O silêncio nos momentos adequados tem mais eloquência que o discurso.”
 MARTIN F. TUPPER

“Fique calado, ou diga alguma coisa melhor que o silêncio.”
 OLIVER HERFORD

“Pense tudo que você falar, mas não fale tudo o que você pensar.”
 HENRY W. SHAW

“Pecar pelo silêncio, quando se deve protestar, torna o homem covarde.”
ABRAHAM LINCOLN

“Alguns cristãos ficam em silêncio porque não têm nada a dizer; outros, porque o que têm a dizer não pode ser expresso por línguas humanas.”
A. W. TOZER

“Se desejarmos estar com os outros de modo significativo, devemos buscar o silêncio recriador da solitude.”
RICHARD FOSTER 

23 de setembro de 2012

O ERRO DE PREGAR APENAS O QUE SE VIVE



por George Gonsalves 

"Não é de estranhar se não consegue atingir o cume quem tenta uma escalada difícil.”                                                                                                                   Sêneca

Certa vez o escritor russo Tolstoi disse que uma pergunta sempre lhe era feita: “você prega muito bem, mas faz aquilo que prega?”. Esta indagação muitas vezes é dirigida aos cristãos. O que devemos fazer? Alguns caminhos devem ser evitados.
      Em primeiro lugar, o caminho do cinismo. Aqueles que o usam admitem que não vivem o que pregam, mas tampouco estão preocupados em “prosseguirem para o alvo”, em “crescerem na graça e conhecimento do Senhor”. São acomodados nos seus pecados. Admitem que o evangelho tem um patamar ético elevadíssimo, mas não buscam meios para se santificarem e se aproximarem do Senhor. Quando confrontados com seus pecados, se utilizam de frases como: “todos são pecadores” ou “atire a primeira pedra quem não tem pecado.”
      Outro caminho que devemos evitar é o da arrogância. É trilhado por quem acha que vive a plenitude dos ensinamentos bíblicos. Ele rebaixa a doutrina cristã para que se adapte ao seu modo de vida. O seu credo é cuidadosamente selecionado, com textos bíblicos que não incomodem sua consciência. Se apega a promessas estampadas nas Escrituras, que acalentam sua alma, ou a aspectos teológicos profundos do evangelho, que exigem mais de sua mente do que do seus braços, pernas e...bens.
     Para não trilharmos o caminho do cinismo nem da arrogância, precisamos admitir: “não podemos pregar apenas o que vivemos”. Não estou fazendo uma defesa da hipocrisia, tão combatida por Jesus. O hipócrita finge uma santidade que não tem, encena piedade para sobrepor-se a outros. Ocorre que, se pregarmos apenas o que vivemos estaremos ocultando a grandeza do evangelho. Nossa debilidade não deve impedir que o anunciemos em sua inteireza. Ele é digno que falemos dele, apesar de nossa incompetência para vivermos à sua altura.
       Tolstoi reconhecia que o evangelho era superior à sua capacidade de vivê-lo. Em uma carta, ele procurou responder à pergunta que coloquei no início: “Posso pregar apenas através de minhas ações, e minhas ações são vis (...) E respondo que sou culpado, e vil e digno de receber as críticas por meu fracasso em cumpri-las (...) Ataque-me – eu mesmo faço isto -, mas ataque a mim mesmo, em vez de culpar o caminho que sigo”.    
       Precisamos, pois, anunciar que sempre devemos perdoar o próximo, mesmo que nosso coração não esteja pleno de amor, ou ainda, que Cristo exige de nós renúncia, ainda que estejamos negligentes quanto a isto. Contudo, mesmo que admitamos a distância entre nós e o padrão de vida neotestamentário, é preciso que desejemos alcançá-lo. Fomos feitos para Deus e para Ele devemos dirigir nossa vida. Às vezes, sinto-me esmagado pela percepção do quão distante estou do padrão bíblico para minha vida. Mas, não posso ficar imóvel. O apóstolo Paulo se declarou como “o principal dos pecadores” e o “mínimo de todos os santos”. No entanto, revelou um desejo intenso que o impulsionava para uma vida mais piedosa, que se conformasse com Cristo: “Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus” (Fp. 3:12). Que o reconhecimento de nossa miserabilidade seja proporcional ao anseio de nos assemelharmos a Cristo.


18 de setembro de 2012

DESPERTANDO O NOSSO MELHOR



  

Existe um texto bíblico que nos adverte dessa maneira: “o que anda com os sábios ficará sábio, mas o companheiro dos tolos será destruído”.  (Provérbios 13:20).
O homem é mal. Mesmo os cristãos mais castos, mais dedicados e mais temerosos a Deus não fogem dessa dura realidade. Foi aos discípulos que o Mestre dirigiu essas palavras: “se vós sendo maus, sabeis dar boas dádivas a vossos filhos...” (Mateus 7:11). Uma revelação divina da essência humana: somos maus!
Partindo então desse principio, o melhor que temos a fazer é nos juntarmos aos sábios. Procurar amizades que nos edifiquem, que nos tornem melhores do que somos e extrair dessa companhia o nosso melhor.
Acredito firmemente que somos seres altamente influenciáveis. Nenhuma pessoa é absolutamente neutra. Somos tendenciosos a partidos, a posições, a decisões sejam elas quais forem, mesmo que não percebamos.
Então, porque não escolher melhor com quem devemos estar? Não me refiro à acepção de pessoas, coisa absolutamente condenável por Deus.
Jesus esteve com todos, a fim de anunciar seu reino. Os leprosos que ninguém ousava sequer chegar perto, ele tocou; à mulher adúltera defendeu com seu perdão; certo Zaqueu, publicano, o teve como hóspede. Surpreendeu seus discípulos ao conversar longamente com uma mulher e como se não bastasse, samaritana. Dispensou seu tempo e sua atenção a um Nicodemos cheio de dúvidas. Mas apesar de tudo isso, teve amigos íntimos aos quais influenciou poderosamente.
À semelhança do Mestre, podemos ter proximidade com todos ao mesmo tempo em que temos nossos amigos íntimos. Lembrando: tais pessoas podem sim nos influenciar positiva ou negativamente, isso depende unicamente  com quem escolhemos caminhar.
Que esses amigos possam por seu caráter e maturidade, despertar em nós o nosso melhor.
                                                     Silvana Sales

15 de setembro de 2012

AIRTON MONTE: HOMENAGEM A UM ATEU


Na última segunda-feira (10), morreu, vítima de câncer, o cronista, poeta, ficcionista e médico cearense Airton Monte. O escritor nasceu em Fortaleza, em 1949, e se destacou pela obra constituída de poesias, contos e crônicas.
Dostoiévski dizia que só o crente pode ter dúvidas, pois só ele tem no que acreditar. Pois bem, Airton Monte se dizia ateu, mas afirmava que seu ateísmo às vezes balançava. 
Em uma de suas últimas crônicas, "Feitio de Oração", publicada no Jornal O Povo, em 7 de agosto deste ano, ele fala de como orava a Deus, ao seu Deus. 
Não preciso concordar plenamente com ninguém para reconhecer o seu talento. Assim, publico esta sua crônica e presto homenagem a este grande escritor.
De há muito meus lábios não se abrem para fazer, contrito, uma oração ajoelhado em um banco de igreja ou mesmo quando me encontro em casa, sozinho, de braço dado com as minhas angústias e minhas aflições. Faz tanto tempo que não entabulo uma conversazinha com Deus, a sós, pedindo ajuda, tirando minhas dúvidas, que são muitas, ou mesmo para agradecer, genuflexo, as pequenas e grandes graças que tenho recebido pela vida afora. Sim, há vários momentos em que meu ateísmo vacila e como a Torre de Pisa no meio de um terremoto, balança, balança, balança, mas não cai de todo. O Deus, no qual por muitas vezes creio e socorro suplico, é bastante diferente Daquele ou Daqueles em que as outras pessoas costumam acreditar. Ai de mim, que não perco essa tola mania de querer ser sempre original. Do meu Deus não tenho um pingo de medo sequer, mas um amoroso respeito e com todo o respeito, Senhor, igual ao que eu sentia por meu pai. O meu Deus também não me ameaça com os mais terríveis castigos nem me tiraniza com ordens de um cruento ditador. Deixa que eu cultive as minhas opiniões, embora eu pense que Ele considere algumas delas estapafúrdias. Sempre que converso com Ele, parece até que estou batendo um papo descontraído com um velho e querido amigo, como creio que devem ser O Criador e sua criatura.
E quando conversamos, meu Deus e eu, jamais Ele me fala em céu ou inferno, em graças e castigos, em fieis e infiéis, em hereges e santos, inocentes e culpados. Nosso assunto preferido é sempre a bondade que reside no fundo da alma de cada ser humano e que nos faz ser verdadeiramente humanos. O meu Deus, além disso, é dotado de um incomensurável senso de humor e dá divinas gargalhadas com o que se comenta a respeito Dele. Todos estão certos e todos estão errados, já que sou, por definição, o Indefinível. Assim Ele me fala, me piscando o olho e com um sorriso maroto no rosto divinal. Por vezes, Ele assume a aparência de um velho. Por vezes, a de um garoto, numa espécie de brincadeira somente permitida aos seres onipotentes e oniscientes, se desenhando em novas formas no esculpir das nuvens. E aproveitando dessa intimidade que Ele me concede, como sei que concederia a qualquer outro, fiz ao Senhor alguns poucos pedidos, na ansiosa espera de me serem concedidos e que tornarão a minha existência mais leve e mais aliviada das chatices do dia a dia e às quais todos nós estamos indefesamente sujeitos, seja lá quem formos ou deixemos de ser.
Livrai-me, Senhor, dos que ferem a espontaneidade anárquica do botequim, querendo impor regras e limites burocráticos aos seus frequentadores, insistindo em filosofar a sério sobre mulher, futebol e vida alheia. Pois o botequim é sinônimo de espontaneidade, do imprevisível, do inusitado, do quando menos se espera é que acontece. Livrai-me, Senhor, dos que, ao invés de contarem piadas, “causos” e lérias, teimam em discutir política com acirrado fanatismo ideológico. Livrai-me, Senhor, da presença dos falsos amigos, esses Judas do afeto, esses fariseus do bem-querer. Livrai-me, Senhor, dos falsos pastores, que falam Teu Santo Nome em vão e cujo rebanho nada mais é do que a salvação da lavoura. Do pastor, é claro. A todos eles, os que enganam e traem a boa fé do semelhante, castigai-os, Senhor, com uma mulher estabanada, que fale mais que o locutor do Jóquei Clube. E, ao mesmo tempo, Senhor, perdoai-me por pedir o sofrimento para meu semelhante. Livrai-me, Senhor, do imposto de renda, do bolso vazio, do emprego perdido, da firma reconhecida, dos credores inoportunos que tocam a campainha pela madrugada, nos roubando o sono e a esperança. Livrai-me, Senhor, da fila dos bancos, dos juros do cheque especial e do cartão de crédito, da promissória vencida, do salário atrasado, das saidinhas bancárias, que os bandidos não dão trégua, Senhor. Por via das dúvidas, Senhor, livrai-me precipuamente das pragas de ex-mulher rancorosa, que são piores do que praga de mãe e atormentam os infelizes pela vida afora.
Dos maus poetas, Senhor, livrai-me urgentemente, que deles a poesia quer distância por uma questão de sobrevivência. Livrai-me, Senhor, do sexo feito às pressas, num simulacro de paixão. Livrai-me, Senhor, das pobres e tristes criaturas castas, que odeiam o próprio corpo e seus desejos e para quem Deus tornou-se sinônimo perfeito de mortificação e de martírio, livrai-me, Senhor, para todo o sempre. Fazei com que eles recuperem a alegria de viver. Livrai-me, Senhor, dos assassinos de árvores, que trucidam o verde cinturão de Fortaleza e a transformam num deserto de cimento armado por onde os hunos contemporâneos passeiam as suas patas. Livrai-me, Senhor, dos políticos safados, dos padres de passarela, dos juízes marreteiros, das baratas, das traças, dos cupins que infernizam o existir daqueles que amam os livros. Livrai-me, Senhor, das desilusões paternas e da ideia besta de que os filhos nunca crescem. Das mulheres que não sabem cozinhar, nem fazer cafuné e caldo de caridade, Livrai-me, Senhor, pelo amor de Deus. Livrai-me, Senhor, de todos os relógios que me escravizam ao tempo. E se não for pedir muito, Senhor, livrai-me jamais dessa capacidade infinita de sonhar e que me faz sublimemente humano, à Vossa imagem e semelhança...

13 de setembro de 2012

MARTINHO LUTERO, UM DESTINO


MARTINHO LUTERO, UM DESTINO
AUTOR: LUCIEN FEBVRE
ED. TRÊS ESTRELAS, 2012, 360p.
         Finalmente publicado no Brasil a obra clássica do historiador Lucien Febvre (1878-1956), 84 anos depois da edição francesa e 48 anos após a portuguesa. Já havia comentado uma edição portuguesa (Edições Asa, 1994) neste blog. Ver postagem.
O livro foca no Lutero “expansivo” que, segundo o autor, “de 1517 a 1525 desempenha na cena do mundo, com tanta força, o seu papel de profeta inspirado.” Febvre, um dos fundadores da Escola dos Annales, estuda Lutero dentro de meio social para perceber suas escolhas e limites de atuação.
No prefácio à segunda edição do livro, em 1951, Febvre descreveu sua obra: “Expliquei, o melhor que pude, o jovem Lutero, a sua força e o seu entusiasmo, e tudo o que ele trazia de novo ao mundo, sendo ele quem era. Ele, obstinadamente. Nada mais que ele. Tudo o que ele trazia? Uma nova maneira de pensar, de sentir e de praticar o cristianismo, que, não podendo ter sido esmagada no ovo, nem avalizada tal qual, nem digerida amigavelmente pelos chefes da Igreja, se tornou, por si mesma e muito naturalmente, numa religião nova, num ramo novo do velho cristianismo.”          
                Lucien Febvre é um historiador que escreve com paixão e com grande habilidade narrativa. Coloca o leitor na cena do evento. Pode-se discordar da sua opinião, mas seu texto cativa os que o leem. Livro excelente!
                               George Gonsalves

                 
               


10 de setembro de 2012

11/09: "DEUS INCLINOU O AVIÃO DE ONDE EU ESTAVA"



Avião choca-se com a Torre 2 do World Trade Center
         Há exatos 11 anos um atentado terrorista deu uma guinada no mundo e nos deixou perplexos ante a ferocidade e vileza humana. Contudo, por trás desta atrocidade há histórias de coragem e fé. Uma delas foi reproduzida pela Revista Impacto de novembro de 2001. Leia abaixo:   
       
Testemunho de um Sobrevivente do 81º andar do World Trade Center

       Terça, 11 de setembro de 2001, começou como qualquer outro dia para o diácono e superintendente da Escola Dominical da Assembleia de Deus Betel, Stanley Praimnath, de Elmont, Long Island, Nova York.
       “Por algum motivo, dediquei a Deus um pouco mais de mim mesmo naquela manhã (durante a oração)”, disse Stanley. “Eu disse: ‘Senhor, cobre-me e a todos os meus amados com o teu sangue precioso.’ E mesmo confiando na eficácia dessa oração, eu a repeti várias vezes ao Senhor.”
       Quando Stanley chegou à Torre 2 do World Trade Center, ele tomou o elevador para chegar ao seu escritório no Banco Fuji no 81º andar. A empresa ocupava os andares de 79 a 82.
       “Enquanto estava ali em pé ouvindo as mensagens gravadas da secretária eletrônica, olhei para o outro prédio, a Torre 1 do World Trade Center, e vi fogo caindo do topo do prédio”, afirmou Stanley. Ao ver “bolas de fogo” caindo, sua primeira reação foi ligar para seu chefe que trabalhava naquele outro prédio. Como o telefone não atendia, resolveu chamar a outra funcionária, Delise, que estava no escritório, e descer.
     Delise e Stanley pegaram o elevador e desceram até o 78º andar. Alguns outros executivos da empresa entraram também.
        “Assim que chegamos ao térreo, o guarda de segurança parou-nos e perguntou: ‘Para onde vão?’” Stanley explicou que tinha visto fogo na torre 1. De acordo com Stanley, o guarda disse: “Oh, isso foi só um acidente. A Torre 2 é segura. Voltem para  seus escritórios.”
Este conselho acabou sendo fatal. Além de Stanley, Delise foi a única do grupo que sobreviveu. “Começamos a brincar, e eu disse a Brian Thompson (Diretor de Recursos Humanos): ‘É uma boa hora para pensar em mudar de prédio – aqui não é mais seguro.’”
Stanley dirigiu-se para seu escritório, mas liberou a Delise para voltar para casa e descansar. Quando Stanley chegou ao escritório o telefone estava tocando. “Era alguém de Chicago querendo saber se eu estava vendo as notícias na TV.” Stanley disse à pessoa: “Está tudo bem.”
        Mas nem tudo estava bem – longe disso. Enquanto Stanley ainda falava, ele olhou para fora e viu o avião do vôo 175 da United Air Lines vindo bem na sua direção. “Tudo o que pude ver era um grande avião cinzento, com letras vermelhas nas asas, vindo em minha direção”, disse Stanley.
        “Mas, tudo isso parecia estar acontecendo em câmara lenta. O avião parecia estar a 100 metros de distância. Eu disse: ‘Senhor, toma o controle, não posso fazer nada aqui.’”
Stanley então mergulhou em baixo de sua mesa. “Minha Bíblia estava em cima desta mesa”, explicou Stanley. “Eu sabia, sem sombra de dúvida, que o Senhor tomaria conta de mim.” Assim que ele se colocou em posição fetal embaixo da mesa, o avião entrou rasgando o prédio e explodiu.
         Milagrosamente, Stanley não estava ferido. No entanto, ele podia ver uma asa do avião em chamas na porta do seu departamento. Sabia que precisava sair do seu escritório, e do prédio, o mais rápido possível. Mas estava preso embaixo de escombros até a altura de seus ombros.
        “Senhor, toma conta. Este problema é seu agora”, ele lembra de ter orado. “Não sei de onde veio esta força, mas o bom Deus me deu um poder físico tão grande que consegui me livrar de tudo que me prendia. Eu me senti o homem mais forte da terra.”
Ao mesmo tempo que isso estava acontecendo, Stanley pedia ao Senhor para preservar sua vida. “Eu estava chorando e orando: ‘Senhor, tenho coisas para fazer. Quero ver minha família. Senhor, ajuda-me a passar por tudo!”
       O escritório de Stanley parecia uma zona de batalha – paredes caídas, equipamentos destruídos e espalhados violentamente e chamas começando no meio dos entulhos por toda parte.
        Machucado, sangrando, e fracassando em todas as tentativas de sair, ele finalmente viu a luz de lanterna de um outro sobrevivente do outro lado da parede. Quase sufocando por causa dos gases e combustíveis queimando, ele caiu de joelhos e disse: “Senhor, ajuda-me! Trouxeste-me até aqui, agora ajuda-me a chegar às escadas.”
       Então Stanley fez algo surpreendente. Enquanto orava de joelhos, gritou ao homem que estava atrás da parede: “Há uma coisa que eu gostaria de saber, você conhece a Jesus?” O homem respondeu que ia à igreja todos os domingos. Então eles oraram juntos para conseguirem quebrar a parede.
     “Eu me levantei e senti um poder vir sobre mim”, diz Stanley. Momentos depois ele conseguiu abrir um buraco na parede e com a ajuda do outro homem conseguiu passar para o outro lado da parede. “O homem me abraçou, me deu um beijo e disse: ‘De hoje em diante você é meu irmão para toda a vida.”
        Mas o perigo não tinha acabado. O homem do outro lado da parede, que se apresentou como Brian, era um homem de idade e eles ainda tinham 81 andares para descer, com o prédio em chamas e, embora não o soubessem, prestes a desabar. Desceram com dificuldades para andar, parando em cada andar, mas finalmente chegaram.
      Stanley e Brian teriam corrido imediatamente do prédio, mas agora a área estava cercada por fogo. Depois de se encharcarem nos jatos de água dos sistemas antiincêndio do prédio, eles se deram as mãos e correram através das chamas para a segurança da Igreja da Trindade, a duas quadras de distância. “Eu queria entrar na igreja para agradecer a Deus”, Stanley explicou, “mas, logo que nós chegamos ao portão da igreja, o prédio (World Trade Center Torre 2) desabou.”
     Stanley e Brian afastaram-se da área de perigo. Antes de se separarem, Stanley deu a Brian seu cartão na esperança de se reencontrarem depois e disse-lhe: “Se eu não o vir mais, nos veremos no céu.” Machucado e sangrando, com as roupas esfarrapadas e uma camiseta emprestada, Stanley finalmente chegou em casa horas depois. “Abracei minha esposa e minhas duas filhas e nós choramos”, disse Stanley. Depois de agradecer a Deus por preservar sua vida, Stanley disse a Deus que tudo o que fizer, fará para a sua glória. “Eu fiquei traumatizado, mas em cada momento de consciência digo: ‘Senhor, se não estivesses no controle, eu não teria escapado.”
       “Por alguma razão divina, eu sei, sem sombra de dúvida, que o bom Deus inclinou o avião uma fração de onde estava”, disse Stanley. “Porque, quando o avião parou, estava a apenas 6 metros de mim. Não me importo com possíveis explicações, ou o que dirão daqui a alguns anos – eu sei que foi a mão de Deus que inclinou o avião. Meu Senhor Jesus é maior que o World Trade Center e seu dedo pode perfeitamente empurrar um avião!”

Placa com nome de vítimas no memorial erguido no Marco Zero, NY




8 de setembro de 2012

PASTOR YOUCEF NADARKHANI É LIBERTADO!




Yousef Nadarkhani é liberto da prisão no IrãYousef Nadarkhani é liberto da prisão no Irã
Yousef Nadarkhani, o pastor iraniano que conquistou os corações de milhões de pessoas ao manter-se firme em sua fé, enquanto enfrentava a prisão, foi absolvido da acusação de apostasia.
Duas organizações que vinham acompanhando de perto o caso e tem fontes no Irã informaram neste sábado que Nadarkhani, que foi a julgamento no início do sábado, foi liberto da prisão e está em casa com sua família.
“Obrigado a todos que me apoiaram com as suas orações” disse Nadarkhani, de acordo com o Present Truth Ministries.
Embora absolvido da acusação de apostasia, o pastor iraniano foi considerado culpado de evangelizar muçulmanos. Ele foi condenado a três anos de prisão, mas foi liberado porque já cumpriu esta pena.
“Damos graças a Deus por sua libertação e a resposta às nossas orações”, disse Jason DeMars, fundador do Present Truth Ministries em um comunicado. A Christian Solidarity Worldwide também confirmou a libertação do pastor.
“Nós elogiamos o judiciário iraniano por este ato, que é um triunfo para a justiça e o Estado de Direito”, disse o presidente-executivo da CSW, Mervyn Thomas.
Pastor Yousef Nadarkhani recebido após ser liberto.
“Enquanto nós nos alegramos com esta notícia maravilhosa, nós não esquecemos de centenas de outros que são molestados ou injustamente detidos por conta de sua fé, a CSW está empenhada em continuar a campanha até que todas as minorias religiosas do Irã sejam capazes de desfrutar da liberdade religiosa garantida sob o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, do qual o Irã é signatário.”
Nadarkhani, pastor em uma rede de igrejas domésticas, foi preso em 13 de outubro de 2009, depois de protestar contra a decisão do governo de forçar todas as crianças, incluindo seus próprios filhos cristãos, ao lerem o Alcorão.
Ele foi inicialmente acusado por protestar, mas as acusações foram posteriormente alteradas para a apostasia e evangelismo aos muçulmanos. Em 2010, ele foi condenado a morte e a decisão foi confirmada pelo Tribunal Supremo do Irã no ano passado.
De acordo com a Sharia, um apóstata tem três dias para se retratar. O pastor cristão se recusou a negar sua fé.
Cristãos de todo o mundo têm orado pela liberação de Nadarkhani. A campanha no Twitter defendendo sua liberdade atingiu mais de 3 milhões de tuites.
por David de Gregório Neto
Traduzido de The Christian Post
Fonte: Gospel Prime

7 de setembro de 2012

CADA UM TOME A SUA CRUZ




“... Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo e tome a cada dia sua cruz e siga-me...” (Lucas 9:23).

        Eis um texto que muitos de nós parecemos tantas vezes não compreender ou até mesmo ignorar.
        Se alguém quiser vir após mim...
     Passei parte de minha vida cristã ouvindo mensagens de renuncias e negação de si mesmo. Longas exposições seguidas de termos bíblicos, exemplos e testemunhos. No entanto, o que sempre aguçou minha curiosidade foi o desejo de saber o que seria na prática essa cruz. Afinal, falavam-se muito em negação da vontade própria, do ego, mas nunca as consequências reais dessa abnegação.
   Passei muito tempo pensando nessa afirmação, não muito agradável para nós, principalmente nos dias de hoje, em que reina a teologia das bênçãos, da prosperidade que parece não combinar nada com a doutrina da cruz.
      Então eu pensei no meu Mestre mais uma vez e lembrei porque devemos ir após Ele também. Recordei o sofrido e humilhante caminho do Gólgota e confesso que dois sentimentos invadiram meu coração nesse momento: comoção e vergonha.
        Comoção por tanto sofrimento, tanta dor. Mesmo sem merecer, Ele suportou tudo aquilo por amor de nós, ele levou a sua e a minha cruz.
       Vergonha porque aparentando fraqueza mostrou-se forte, e mesmo em meio à dor, não se esquivou da missão de pregar e falou àquelas mulheres que choravam por Ele.
        Finalmente meu maior conflito: O que seria essa cruz? Para Jesus, um lenho onde seria efetuada a sua sentença, e para nós?
     Conclui que muitas podem ser as nossas cruzes: um filho nas drogas, um parente que nos causa dor e problemas, uma enfermidade, opositores e perseguidores... Enfim, entendi que a questão mais importante não é saber o que é a cruz, mas se estamos como verdadeiros cristãos dispostos a levá-la. Entendendo que se fomos inseridos nessa realidade é responsabilidade nossa e de mais ninguém...
         Jesus deu o exemplo: Ele carregou a sua cruz... E nós? Estamos fazendo o mesmo?


            Silvana Sales

5 de setembro de 2012

4 FATOS HISTÓRICOS QUE GOSTARIA DE TER PRESENCIADO


http://www.cafeentreamigos.com/

                Os acontecimentos que citarei me trazem inspiração para uma vida mais virtuosa e plena. Fazem-me lembrar que, em meio a um mundo em que prevalece o pecado (incluindo a omissão), podemos fazer opções em direção à verdade, à santidade e a Deus.  

                 Obs.: Não citei nenhum evento bíblico (que ocupariam todas as posições), pois para mim são hours concours. Não posso comparar, por exemplo, estar um momento com Cristo com nenhum outro evento histórico. 

Lutero em Worms
Martinho Lutero havia sido convocado para comparecer perante o imperador Carlos V da Alemanha, na Dieta em Worms. Lá seria pressionado a renegar sua fé e seus escritos, considerados heréticos pela então poderosa igreja católica. Para muitos, sua ida à Dieta era sua estada antes de parar na fogueira da inquisição.  
Seus amigos tentaram convencê-lo a não ir. Ele escreveu a um deles: “Cristo está vivo e nós entraremos em Worms a despeito de todas as portas infernais e de todas as potências do ar”.
Gostaria de ter estado em Worms no dia 18 de abril de 1521. Perante todos, Lutero foi perguntado se se retratava ou não de seus escritos. Ele, então, pronunciou estas palavras: “A minha consciência está cativa nas palavras de Deus. Revogar o que quer que seja, não posso nem quero. Porque agir contra a sua própria consciência não deixa de ser perigoso e não é honesto. Que Deus me ajude. Amém!”.

Whitefield pregando

George Whitefield (1714-1770) chegou para anunciar o evangelho. Não havia teto sob sua cabeça. A pregação ao ar livre era considerada um escândalo para muitos. Diante de milhares de mineiros do violento distrito de Kingswood, que estavam com os rostos negros de carvão, ele falou sobre o milagre do amor de Deus. Durante a mensagem, a dureza de muitos corações é quebrada. Ele descreve: “Quando eu lhes estava pregando, de repente comecei a observar sulcos brancos em seus rostos enegrecidos”. Lágrimas de contrição escorriam pelos olhos de homens antes endurecidos.  
Gostaria de ter ouvido a voz do pregador que, sem aparelho de som, pregava para mais de trinta mil pessoas, e impactava os que o ouviam.     

Martin Luther King: "Eu tenho um sonho" 
Queria estar em Washington, capital dos Estados Unidos, no dia 28 de agosto de 1963, quando o pastor Martin Luther King pronunciou o discurso: "Eu Tenho um Sonho" (em inglês: "I Have a Dream"), no qual falava da necessidade de união e coexistência harmoniosa entre negros e brancos no futuro. King falou nos degraus do  Lincoln Memorial para mais de duzentas mil pessoas.
Em um trecho ele disse: “Eu tenho um sonho que um dia todo vale será exaltado, e todas as colinas e montanhas virão abaixo, os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão endireitados e a glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta”. 


Jovem pára fileira de tanques em Pequim 

Mesmo que de longe, queria ter visto o momento em que um jovem solitário e desarmado fez parar uma fileira de tanques de guerra do maior exército do mundo, o chinês. O fato se deu em 4 de junho de 1989 e marcou o fim de uma série de manifestações ocorridas desde o dia 15 de abril daquele ano em Pequim, capital chinesa. Neste período, manifestantes, sobretudo estudantes universitários, intelectuais e trabalhadores acamparam na Praça da Paz Celestial (Tian An Men) com o objetivo de reivindicar maior liberdade política.
O governo chinês enviou tropas para a praça e promoveu aquilo que ficou conhecido como Massacre da Praça da Paz Celestial.
O rapaz, que ficou conhecido como "o rebelde desconhecido" ou “o homem dos tanques" foi eleito pela revista Time como uma das pessoas mais influentes do século XX. Sua identidade e seu paradeiro são desconhecidos até hoje.
George Gonsalves

3 de setembro de 2012

SUJESTÕES DE LEITURA

LIVRO: JUSTIÇA – O que é fazer a coisa certa
AUTOR: Sandel, Michel J. – Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2011, 352p.




“Quais são as nossas obrigações uns com os outros em uma sociedade democrática? O governo deveria taxar os ricos para ajudar os pobres? O mercado livre é justo? Às vezes é errado dizer a verdade? Matar é, em alguns casos, moralmente justificável? É possível, ou desejável, legislar sobre a moral? Os direitos individuais e o bem comum estão necessariamente em conflito?” Essas e outras indagações fazem parte dessa reflexiva e provocativa obra de Michael J. Sandel, filósofo e professor da Universidade de Harvard.

Justiça tem 10 capítulos escritos de uma forma clara e prazerosa de ler. Uma obra importante em uma sociedade consumista e pouco preocupada com a coisa certa a fazer.




LIVRO: O Homem e o dinheiro: Aprenda a lidar com a origem de todos os males.
AUTOR: Jacques Ellul – Brasília, DF. Editora Palavra, 2008, 184p.



A obra de Jacques Ellul segue na contramão do pensamento contemporâneo que enfatiza o ter em detrimento do ser, um forte apelo ao consumismo e uma errônea conclusão de que dinheiro é igual a benção. Segundo ele, o dinheiro não é neutro mas, traz consigo a tentação e, o equivocado e perverso, pensamento de poder. Ellul nos recorda que Jesus chamou o dinheiro de deus (Mamon) e que seu sentido original, no hebraico, significa desejo, nos lembra que somos mordomos, ou seja, gerenciamos bens que não nos pertence. Nos exorta também, à assistência aos necessitados e aborda no capítulo quatro, Ensaio para uma pedagogia do dinheiro, a necessidade de ensinarmos as nossas crianças a administração do uso e os perigos do dinheiro ocupar o lugar de Deus em seus corações. Apesar dos muitos erros de digitação, na referida edição, a mensagem de Ellul não chega a ser afetada e é um convite a uma vida de desapego aos bens materiais, de confiança e fidelidade ao Senhor.  

Roberto Pereira

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