1 de novembro de 2012

MENNO SIMONS, REFORMADOR RADICAL

Menno Simons

O filósofo alemão Hegel exagerou ao referir-se à Reforma Protestante como “o sol que a tudo ilumina e que sucede aquela aurora do final da Idade Média”. Contudo, a Reforma revelou ao mundo homens e mulheres valorosos que, apesar de seus equívocos, estavam dispostos a selar com o próprio sangue a fé que tinham em Cristo.
Um destes homens foi Menno Simons. Ele não é tão lembrado pelos historiadores como Lutero, Calvino, Zuínglio ou mesmo John Knox, mas foi importantíssimo para a consolidação de um dos mais importantes movimentos espirituais do século XVI: o anabatismo ou reforma radical.
Menno nasceu em 1496 em Witmarsum, na Holanda, tornando-se sacerdote católico em março de 1524, aos 28 anos de idade. Depois de acumular dúvidas sobre o dogma da transubstanciação e o batismo infantil, ele decidiu romper oficialmente com a igreja de Roma em 1536, unindo-se aos anabatistas. Ele narrou sua conversão: “Meu coração tremia dentro de mim e orei a Deus com gemidos e lágrimas, pedindo que me desse – a mim um pecador entristecido – o dom da sua graça, que criasse em mim um coração puro e misericordiosamente perdoasse meus caminhos impuros e vida luxuosa inútil pelo sangue carmesim de Cristo...”.[1]
Depois de alguns anos na Holanda, Menno foi para a Alemanha, onde foi perseguido. O imperador Carlos V publicou um edito contra Menno em 1542, no qual era oferecida uma recompensa pela sua cabeça, e além disso proibia prestar-lhe ajuda ou hospedá-lo de qualquer forma e ler seus livros. Assim, o reformador podia afirmar: “renunciei ao nome e à fama, à honra e ao conforto, e tudo o mais, assumi voluntariamente a pesada cruz de meu Senhor Jesus Cristo.“[2]                 
Menno divergiu seriamente dos reformadores mais conhecidos de seu tempo, por não aceitar que um cristão pegasse em armas, mesmo que fosse para se defender. Lutero, Calvino e Zuínglio (que morreu em um campo de batalha) tinham as mãos sujas de sangue, o que Menno não aceitava. Contudo, algo os aproximava: a suficiência das Escrituras Sagradas como regra de fé, por exemplo. Certa vez, ele disse: “não sou profeta que possa ensinar e profetizar algo além do que esteja escrito na Palavra de Deus e seja compreendido no Espírito. [...] Mais uma vez, não tenho visões nem inspirações angélicas. Nem as desejo, para não ser enganado. A Palavra de Cristo, por si só, é suficiente para mim. “[3] 
Um dos projetos de vida de Menno era formar uma comunidade realmente comprometida com o evangelho. Deixou sua paixão em um escrito: “não há nada sobre a terra que eu ame mais do que a Igreja“. [4]A liderança de Menno salvou o anabatismo holandês do fanatismo e de uma possível desintegração.[5]
O líder holandês faleceu em 31 de janeiro 1561, em Wüstenfelde, e deixou um grupo de discípulos que passaram a ser chamados pelo seu nome: menonitas.
George Gonsalves


[1] “Confissão” e O Novo Nascimento. Menno Simons. Publicadora Menonita, 2005, p. 15.
[2]Teologia dos Reformadores. Timothy George. Ed, Vida Nova, 1994, p. 301. 
[3] Idem, p. 278.
[4]Menno Simons–sua vida e escritos. s/d (disponível em  http://www.elcristianismoprimitivo.com/)
[5] Uma Introdução à História Menonita. Cornelius J. Dyck. Ed, Cristã Unida, 1992, p. 100.

Um comentário:

Patricia Galis disse...

Não conhecia a historia de Menno, achei interessante, quanto ao cristão pegar em armas para se defender é complicado, acho que se alguém entra na sua casa para te fazer mal e vc pode se defender isso não é errado, é bem diferente de sair por ai armado e fazer besteiras e nossos irmãos que são militares como ficam? É só Deus para livra de ter que fazer algo contra alguém...

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