17 de novembro de 2012

A MAIS BELA HISTÓRIA DA FELICIDADE


A MAIS BELA HISTÓRIA DA FELICIDADE
AUTORES: ANDRÉ COMTE-SPONVILLE, JEAN DELUMEAU e ARLETTE FARGE
ED. DIFEL, 2006, 169p.

     A obra faz parte de uma série que inclui títulos como: A mais bela história de Deus, A mais bela história do homem, A mais bela história da Terra e A mais bela história do amor. Nos livros os autores de diversas correntes de pensamento respondem a questões relativas ao tema em foco.   
       A mais bela história da felicidade traz renomados intelectuais (todos franceses) para o debate de um assunto que permeia a filosofia e a teologia: a possibilidade de ser feliz. A primeira parte do livro é dedicada a André Comte-Sponville, filósofo ateu, autor de diversas obras que abordam a questão da ética no mundo contemporâneo como, por exemplo, o grande sucesso Pequeno tratado das grandes virtudes.  No seu texto, procura situar o tema da felicidade na perspectiva de vários filósofos ocidentais como Aristóteles, Epicuro, Espinosa e Kant. Na última parte, ele fala de sua própria ideia: “Só podemos usar duas coisas contra o sofrimento e infelicidade: a aceitação e o combate [...] lutar contra a infelicidade já é uma felicidade” e “Amar verdadeiramente a vida, não é amá-la apenas quando ela é feliz, mas amá-la em sua totalidade, seja ela constituída de felicidade ou infelicidade, de prazer, sofrimento, tristeza ou alegria” (p. 67).
     A segunda parte ficou a cargo do historiador cristão Jean Delumeau. Nela, afirma que o Paraíso descrito na Bíblia é mais do que um lugar, mas um estado alcançado com a “visão beatífica”. Para ele: “Ver Deus nos torna felizes, pois equivale a encontrar-nos face a face com o amor [...] A ‘utopia’ cristã, que não se localiza nem no tempo e nem no espaço, é, e sempre será, um face a face com Deus” (p. 107). Deste modo, a felicidade plena só é possível estando na presença de Deus, no pós-morte.
       O último trecho do livro ficou reservado para a historiadora Arlette Farge. Ela procura descrever como o tema da felicidade foi tratado no século XVIII (considerado o século das Luzes) na França, nas diversas camadas sociais. Arlette crê em uma felicidade relativa: “existem várias formas de felicidade quanto o número de indivíduos e momentos felizes”. No fim, ela afirma de maneira bela: “A felicidade não é o objetivo final do caminho, mas o próprio caminho [...] não está nem no ser nem no ter. Ela reside na ação, no prazer e no amor” (p. 169).
     Aprendi com todos os autores, apesar de me identificar com a posição de Jean Delumeau. Os textos são ricos em informações históricas e argumentações filosóficas, mas escritas de modo acessível a um público não especializado. Excelente!   
  George Gonsalves

Nenhum comentário:

Você pode também gostar

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...