19 de agosto de 2012

A IGREJA EVANGÉLICA BRASILEIRA E SEUS LÍDERES “IRREPREENSÍVEIS”


             

         Outro dia estive lendo uma entrevista concedida por um líder evangélico que se encontra em grande evidência no momento, e espantei-me ao perceber que o mesmo se referia aos membros de sua congregação como “meus fiéis”. O pronome possessivo utilizado traz em si muitas implicações. Não é raro encontrar pastores que assumem a postura não de servos, mas de donos do rebanho que lhes foi confiado, contrariando a determinação das Escrituras (I Pedro 5:2-3).
        O problema parece afetar com maior frequência a seara pentecostal, com sua infinidade de igrejas independentes, cujo limite de reprodução parece esbarrar apenas na frequência do surgimento de líderes carismáticos ou persuasivos. Não é raro encontrar pastores pentecostais defendendo que ‘prestam contas apenas ao próprio Deus’ no que diz respeito à gestão financeira, decisões administrativas, disciplina de membros e quaisquer outros assuntos de suas congregações. Pensam eles: para quê dar satisfação a um rebanho que me é sujeito incondicionalmente, além de ser de minha propriedade?
          Acredito que os sistemas de governo das igrejas tradicionais sejam menos vulneráveis à ação de líderes autoritários e centralizadores, por serem construídos de forma democrática e transparente, colocando limites no poder exercido pelos pastores sobre a membresia, através de conselhos ou presbitérios. Por outro lado, mesmo ali ocasionalmente ocorrem distorções, com homens de Deus sendo afastados de seus púlpitos por grupos de crentes influentes, prejudicando assim o avanço da obra de Deus.
          Um sadio relacionamento entre pastor e ovelha tem como fundamentos o respeito e o amor recíproco, sem os quais fica comprometido. O que falta a muitos crentes entenderem é que seus pastores não são seus superiores hierarquicamente, e não possuem posição privilegiada diante de Deus, mas apenas desempenham uma função diferente no corpo de Cristo. São, como nós, pessoas falhas e limitadas, dependentes da Graça divina para se manterem de pé. Afinal de contas, eles precisam de nosso apoio e compreensão, e não de nossa adulação e adoração.

 Carlos Alberto Figueiredo Júnior

Nenhum comentário:

Você pode também gostar

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...