3 de fevereiro de 2012

CHESTERTON E OS HEREGES



HEREGES
AUTOR: G. K. CHESTERTON
ECCLESIAE, 2011, 294p.

   Trata-se da primeira obra que compõe a trilogia de Chesterton contra o espírito de ceticismo que pairava na Inglaterra do início do século XX. Hereges foi publicado em 1905. Os outros dois livros são: Ortodoxia (1908), publicado em 2001 pela Editora LTr e em 2010 pela Mundo Cristão e O homem eterno (1925), publicado também pela Mundo Cristão em 2010.   
       O livro tem uma edição caprichada. A apresentação coube a Ives Gandra da Silva Martins Filho, a tradução e notas (excelentes) ficaram a cargo de Antônio Emílio Angueth de Araújo e Márcia Xavier de Brito e ainda há o posfácio de James V. Schall. 
Com bom humor, Chesterton define herege como "um homem cuja visão das coisas tem a audácia de diferir da minha". Ao longo do livro ele dialoga como inúmeros "hereges", intelectuais como Bernard Shaw e H.G. Wells, que combatiam princípios da fé cristã. 
       Alguns capítulos são apologéticos em relação ao cristianismo, outros são opiniões sobre aspectos da política e da sociedade inglesa do seu tempo. Podemos perceber seu conhecimento enciclopédico em cada parte do livro e sua imensa habilidade em criar frases impactantes.
       Gostei especialmente dos capítulos: dois (O espírito negativista); três (O Sr. Rudyard Kipling e a criação de um mundo melhor) e vinte (Observações finais sobre a importância da Ortodoxia). Cito alguns trechos: 


      "Caso uma das principais pretensões da religião seja falar francamente do mal, a maior de todas as pretensões é falar sinceramente do bem" (p. 40). 


"Não digo, portanto, que a palavra 'progresso' não tenha significado; digo que não tem significado sem a definição prévia de uma doutrina moral" (p. 47).
       
"No momento em que temos uma visão do universo, nós o possuímos" (p. 53).

 "O mundo moderno está repleto de homens que creem em dogmas de modo tão inflexível que nem mesmo sabem que são dogmas" (p. 269).

"Alguns acreditam no indemonstrável dogma da existência de Deus; outros, no igualmente indemonstrável dogma da existência do homem da casa ao lado" (p. 271).

     Ótima leitura, embora nem todos os capítulos mantenham o mesmo padrão de excelência.
George Gonsalves

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