8 de janeiro de 2012

QUAL LIVRO VOCÊ LEVARIA PARA UMA ILHA DESERTA?


        Philip Yancey narrou que um certo jornalista perguntou a Gilbert Keith Chesterton, o famoso escritor e jornalista inglês, qual o único livro que gostaria de ter caso fosse parar numa ilha deserta. Por certo, esperava que ele citasse uma das grandes obras da literatura universal (conta-se que durante os anos de trabalho de revisor em editoras londrinas, Chesterton chegou a ler mais de 10.000 originais de romances e ensaios). Depois de uma pequena pausa, ele respondeu de forma irônica: "Já sei: Guia prático para a construção de navios" (Ortodoxia, Mundo Cristão, p. 7).

        Já Yancey, que já vendeu mais de 14 milhões de seus livros, declarou que se tivesse que escolher um único livro em situação semelhante, é bem provável que, fora a Bíblia, escolheria Ortodoxia, uma autobiografia espiritual do próprio Chesterton.

       Por outro lado, o filósofo francês Luc Ferry (que não é cristão) declarou que escolheria sem hesitar o Evangelho de João, constante no Novo Testamento (A Tentação do Cristianismo - de seita a civilização, Ed. Objetiva, p. 102).

       Pensei, então, que livro eu próprio levaria para uma ilha deserta. Teria que ser um "clássico". Para Italo Calvino, um dos grandes escritores italianos do século XX, o clássico seria aquele livro que constitui uma riqueza para quem o tenha lido e amado e que "nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer".     

       Como sou cristão, gostaria de levar o Antigo e Novo Testamento completos. Para mim, são clássicos na real acepção da palavra. Nunca a sua leitura se esgota. Sempre há algo novo a ser percebido, mesmo que sejam lidos várias vezes. Mas, partindo da ideia de Luc Ferry de levar só um livro da Bíblia, qual escolheria? A resposta não é fácil, mas talvez escolhesse o Evangelho de Lucas. Há passagens maravilhosas do Novo Testamento que só encontramos lá, como por exemplo a narrativa fascinante do anúncio do nascimento de Jesus aos pastores e a parábola que ficou conhecida como a do "filho pródigo". Em Lucas posso escontrar conhecimento, beleza, espanto, fé, esperança e amor por tempo indeterminado.   

       É claro que aquilo que lemos revela um pouco sobre o que somos. Por isso, cada um deve escolher o "seu" clássico. Ainda para Calvino, este "é aquele que não pode ser-lhe indiferente e que serve para definir a você próprio em relação e talvez em contraste com ele". Por fim, ele afirma que "toda releitura de um clássico é uma leitura de descoberta como a primeira".

       Com o que foi dito acima, o que faria você? Se pudesse escolher um só livro para levar para uma ilha deserta, qual escolheria?

George Gonsalves






8 comentários:

Roberto Pereira disse...

Ótimo artigo mas a pergunta não é fácil. Porém se eu tivesse que levar apenas um livro da Bíblia levaria o Evangelho de João. A razão de minha escolha está no fato de que Jesus encarnado está presente no livro e por algumas passagens que só encontramos nesse livro como a cura do cego de nascença (cap. 9), a ressurreição de Lázaro (cap. 11), a oração sacerdotal (cap. 17) dentre outras que me tocam bastante.
Deus o abençoe!

Orlando disse...

Olá George, satisfação em conhecê-lo. Também estarei de olho em sua página a parir de agora.

A respeito do tema, concordo com o Roberto; não é fácil para mim respondê-la pois gosto de muita coisa! Aliás, existem muitas coisas boas, mas boa parte dos crentes desconhecem!

Mas para não ficarmos em cima del muro, o livro Bíblico que eu levaria é Romanos - passaria tempo quebrando a cabeça, até mais que o Apocalipse.

Apesar de muitos irmãos pensarem logo na Bíblia nessas ocasiões, eu optaria mesmo por "Fundamentos Inabaláveis" do estupendo Norman Geisler - uma lição de lógica para uma geração de mente corrupta/desonesta, este ensina a pensar corretamente! Depois da Santa Palavra (essa é o pelé das literaturas e não conta) é o meu livro favorito - o meu clássico!

Menções honrosas a Mario Ferreira dos Santos e Olavo de Carvalho - acho que não conseguiria ficar sem eles também!

Abraços
Orlando

silvana sales disse...

Apesar de ser uma escolha difícil, levaria o livro de salmos, principalmente pela mensagem entusiasta no relacionamento do crente com Deus. Como o próprio termo sugere, não dá para pensar em vida cristã, sem esse arrebatamento da alma, sem essa paixão viva pelo Senhor que por tantas vezes, me transmite o salmista.

Pr Waldyr disse...

Olá Pr. George,

Texto profundo e que nos coloca num beco sem saída, exigindo-nos uma resposta. Confesso que ainda não havia pensado em tal situação. Acho interessante a forma como conduziu o texto, nos envolvendo e levando-nos à responsabilidade de ter de fazer uma escolha. Bom, uma vez que já sou lavado e remido pelo Sangue do Cordeiro, e na condição de levar apenas um livro, levaria o livro de Jó. A literatura é forte e nos reme te a uma entrega total ao Senhor. Estando numa ilha deserta, certamente enfrentaria muitas dificuldades e Jó seria um grande fomentador de Fé nesses momentos difíceis que passaria numa ilha deserta.

Grande abraço,

ótimo texto e agradeço à sua ovelha Silvana Salles pelo belo convite que me levou a conhecer essa pérola rara que foi esse lindo texto.

Em Cristo,

Pr. Waldyr do Carmo
http://casadeoracaocehab.com.br

Anônimo disse...

É um grande dilema escolher um livro só. Faria a opção por Salmos. Talvez por encontrar nele profecia, consolo, louvor e adoração, cura e repreensão.
Deus os abençõe!
Sandra Gonsalves.

josue morais bulcao disse...

Olá Amados,concerteza levaria comigo o livro de Joao,em especial o capitlo 15,que fala da ligaçao entre o critao e o Senhor Jesus. Eu sou a videira,vós,os ramos.Quem permanece em mim,e eu,nele,essedá muito fruto,porque sem mim nada podeis fazer!

Mirian macario disse...

Como e so um livro levaria Romanos pois descreve bem a condiçao do pecado ,a Lei que revela essa condiçao e queridos a Graça que reina pela justiça para a vida eterna!!E um livro para mim muito particular.

Observatório Teológico disse...

George, graça e paz, abrindo meu blog hoje e olhando o mural de recados foi que deparei com sua mensagem ali datada de 15 de janeiro, mas ainda em tempo de ler seu ótimo texto "Qual livro você levaria para uma ilha deserta?" Respondo sem pestanejar de que seria a Bíblia, considerando ela como um só livro, um só volume. Interessante que Paulo pedira a Timóteo quando fosse visitá-lo, que além de sua capa, levasse seus livros e também a sua Bíblia - os pergaminhos: "Quando vieres , traze a capa que deixei em Trôade , em casa de Carpo , e os livros , principalmente os pergaminhos." (2Tm 4.13), ou seja meu nobre amigo, eles são realmente indispensáveis, primeiramente a Bíblia e depois outros livros que nos acrescentem, que nos façam pensar e crescer. Fora a Bíblia, são inúmeras as obras, na área teológica que é meu gênero preferido (sem menosprezar, filosofia, romance, história, biografias, etc) gostaria de ter um belo compêndio de Teologia Sistemática - podendo ser "Teologia Sistemática - Franklin e Myatt ou "Teologia Sistemática" de Grudem ou as obras clássicas de Charles Hodge ou Augustus Strong. Na área apologética, que é a segunda área que mais gosto, levaria um dos livros de Norman Geiler (são vários, teria trabalho para escolher somente um) Nancy Pearcey, Francis Schaeffer (do qual Nancy Pearcey é discípula) William Lane, etc. A terceira área que mais gosto é a de História da Igreja e o Justo Gonzalez seria um de meus autores preferidos. Enfim George, a tarefa que vc nos incumbiu é trabalhosa. Prefiro não pensar em ir para alguma retirada e paradisíaca ilha mas imaginar que estar rodeado de tão maravilhosos compêndios em meu lar tendo a Bíblia como o astro-rei, só isso já me faz sentir no paraíso, rsrsrsrsrs. Meu amado, que Deus te enriqueça muito com toda sorte de bençãos espirituais em Cristo Jesus, um abraço!

Cicero Ramos

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