31 de julho de 2011

O PASTOR QUE SALVOU JUDEUS

Trocmé e sua esposa Magda
                                                por George Gonsalves

Diante do horror nazista na 2ª Guerra Mundial a cristandade se comportou de maneira geral de forma apática. É conhecida a inércia do Papa Pio XII quanto ao genocídio dos judeus nos campos de concentração, fato narrado em detalhes por John Cornwell em O Papa de Hitler - a Historia Secreta de Pio XII (Editora Imago). Em 2002 um filme do vencedor do Oscar®, o francês Costa-Gravas, provocou protestos e processos na justiça por católicos: Amém narra a história de Kurt Gerstein. Ele é um oficial do Terceiro Reich que tenta informar os aliados sobre as atrocidades nos campos de concentração. Católico, busca chamar a atenção do Vaticano, mas suas denúncias são ignoradas pelo alto clero. Ocorre, que Amém também retrata a subserviência da maior parte dos pastores protestantes com o regime nazista. Apesar dos protestos de homens como Martin Niemöller, Karl Barth e Bonhoeffer, uma grande parte da igreja optou pelo silêncio. 

Conta-se, inclusive, que na época da guerra havia uma capela perto de uma linha de trem na Alemanha. De vez em quando, algum trem abarrotado de judeus passava por ali, e se podia ouvir os gritos desesperados dos homens que rumavam para a morte. Quando isto ocorria na hora do culto, o pastor pedia aos fiéis que cantassem mais alto, a fim de não serem ouvidos os gritos dos judeus.

Mas, houve também corajosos homens de fé. Um deles foi o pastor André Trocmé (1901 – 1971). Ele foi o líder espiritual da Congregação Protestante da vila de Le Chambon-sur-Lignon no Sudeste da França.

Em 1942, ele pediu a sua congregação, junto com sua esposa Magda, para dar abrigo e ajuda a qualquer judeu que pedisse, a quem ele chamava do “povo da Bíblia”. A vila e seus arredores logo ficaram cheios de centenas de judeus. Alguns se refugiaram na região das montanhas de Le Chambon, até a liberação da França, outros receberam abrigo temporário até conseguirem escapar pela fronteira Suíça.

Estima-se que por volta de 5.000 judeus passaram por Le Chambon e outras vilas da região durante os três anos que a vila abrigou os judeus do sul da França. As autoridades do governo de Vichy ordenaram que o pastor parasse com aquela atividade. Sua resposta foi curta: “Estas pessoas vieram pedindo ajuda e abrigo. Eu sou seu pastor. Um pastor não abandona seu rebanho. Eu não sei o que é um judeu só sei o que é um ser humano.”

Trocmé foi preso com vários de seus amigos e colaboradores, mas foram soltos após algumas semanas, não sendo persuadidos pelas autoridades a assinar um compromisso de seguir as ordens do governo com relação aos judeus. Os alemães prenderam seu primo, Daniel Trocmé, que cuidava de crianças judias e mandaram a todos para Maidanek, onde todos foram assassinados. O próprio André Trocmé foi forçado a se esconder dos nazistas. Os residentes de Le Chambon continuaram com a missão de seu pastor e deram abrigo para judeus em centenas de residências da vila.

André Trocmé foi reconhecido como "justo entre as nações", prêmio dado pelo governo de Israel como reconhecimento a todos os não judeus que durante a II Guerra Mundial salvaram vidas de judeus perseguidos pelo regime nazista.

No seu livro Jesus Cristo e a revolução não-violenta (Vozes, 1973), Trocmé expõe um resumo da mensagem evangélica, que norteou o seu comportamento como cristão: "A graça anunciada por São Paulo é concedida àqueles que, como ele, se esforçam por obedecer a Deus em todas as coisas, imitando a Cristo" (p. 239).

Fonte: Wikipédia

28 de julho de 2011

MORRE O PASTOR JOHN STOTT

Faleceu na tarde desta quarta-feira, 27, o líder e evangelista londrino John Stott. Segundo informações do presidente do ministério que carrega o nome do líder, Benjamin Homam, a morte aconteceu às 3:15 (horário de Londres) por complicações relacionadas à sua idade avançada -Stott tinha 90 anos-. Nas últimas semanas, Stott já não vinha se sentindo bem.
Família e amigos haviam se reunido recentemente com Stott. Homam frisou ainda que o ministério já se preparava para o pior. “Stott deixou um exemplo impecável para lideres de ministérios em todo o mundo. Deixou para muitos um amor pela igreja global, e uma paixão pela fidelidade bíblica e amor pelo Salvador”.
Considerado uma das mais expressivas vozes da Igreja Evangélica contemporânea, o inglês Jonh Stott nasceu em 27 de abril de 1921. Foi um agnóstico até 1939, quando ouviu uma mensagem do reverendo Eric Nash e se converteu ao cristianismo evangélico.
Estudou Línguas Modernas na Faculdade Trinity, de Cambridge. Foi ordenado pela Igreja Anglicana em 1945, e iniciou suas atividades como sacerdote na Igreja All Souls, em Langham Place. Lá continuou até se tornar pastor emérito, em 1975. Foi capelão da coroa britânica de 1959 a 1991.
Stott tornou-se ainda mais conhecido depois do Congresso de Lausanne, em 1974, quando se destacou na defesa do conceito de Evangelho Integral – uma abordagem cristã mais ampla, abrangendo a promoção do Reino de Deus não apenas na dimensão espiritual, mas também na transformação da sociedade a partir da ética e dos valores cristãos.
Em 1982, fundou o London Institute for Contemporary Christianity, do qual hoje é presidente honorário. Escreveu cerca de 40 livros, entre os quais “Cristianismo Básico” (Ultimato), ”Porque Sou Cristão” (Betrand Russell) "Ouça o Espírito, ouça o mundo" (ABU), A cruz de Cristo (Vida) e Por que sou cristão (Ultimato) e outros. Este primeiro vendeu mais de 2 milhões de cópias e foi traduzido em mais de 60 línguas.
Billy Graham chamou John Stott de “o mais respeitável clérigo no mundo hoje”. Sua influência fez com que a revista Time o colocasse na lista das 100 pessoas mais influentes do século XX.
Para Jaume Llenas, Coordenador do Comitê Nacional na Espanha do Movimento de Lausanne e secretário geral da Aliança Evangélica Espanhola, “John Stott foi um dos cristãos mais influentes dos últimos 60 anos”.

Fontes: Creio, Gospel Prime e Protestante Digital.


ÓTIMO LIVRO DE ECLESIOLOGIA

LIVRO: VINHO NOVO ODRES NOVOS -VIDA NOVA PARA A IGREJA
AUTOR: HOWARD SNYDER
EDITORA: ABU, 2001, 252p.

          Howard Snyder toma por base os versículos 37 e 38 do capítulo 5 do evangelho de Lucas que diz: “E ninguém põe vinho novo em odres velhos, pois o vinho novo rebenta os odres velhos, estragando-se os odres e derramando-se o vinho. Vinho novo deve ser posto em odres novos.” O autor interpreta os odres como as estruturas funcionais da igreja e o vinho novo como o evangelho do reino, como podemos ler: “Jesus faz distinção aqui entre algo essencial e primário (o vinho) e algo secundário mas também necessário e útil (os odres). Os odres seriam supérfluos sem o vinho. Essa distinção é fundamental para a vida da igreja. Existe aquilo que é novo, poderoso e essencial - o evangelho de Jesus Cristo. E existe aquilo que é secundário, subsidiário, feito por mãos humanas. São os odres – tradições, estruturas e padrões de conduta e ação, que se desenvolveram ao redor do evangelho” (pág. 14).
         Toda a preocupação do autor é na relação entre esses odres e o vinho do evangelho. O livro foi escrito numa linguagem clara e acessível, e eu recomendo a todos os irmãos, seja líder ou não. A obra é dividida em quatro partes com quinze capítulos dos quais eu destaco: O evangelho aos pobres (cap. 3), assunto quase esquecido em nossos dias, Igrejas, Templos e Tabernáculos (cap. 4),  em que ele destaca que o nosso Deus não é estático mas um Deus que se move, bem como, o sacerdócio de todos os crentes, Os edifícios das igrejas são supérfluos ? (cap. 5), O lugar dos dons espirituais (cap. 11) capítulo este subdividido em cinco tópicos: A tendência de negar ou desacreditar os dons espirituais, A tendência de superindividualizar os dons espirituais, A tendência de confundir dons espirituais com capacidades inatas, A tendência de exagerar alguns dons e desprezar outros e A tendência de separar os dons espirituais da cruz.
        Vinho Novo Odres Novos rompe com o paradigma de igreja vigente apontando para uma estrutura não institucional mas para uma estrutura em que o vinho novo do evangelho pode ser vivido.
Roberto Pereira

25 de julho de 2011

MUITOS CRISTÃOS LATINOS ESTÃO INDO PARA AS CHAMADAS "IGREJAS ORGÂNICAS".

Nos Estados Unidos haveria pelo menos 30.000 grupos, e o número chegaria a um milhão na América Latina.
 Tendência em crescimento.

Segundo Frank Viola, autor de vários livros (Cristianismo Pagão?, Reimaginando a igreja, dentre outros) sobre o que tem sido denominado "a reforma radical" da igreja, "uma alta porcentagem de latinos e de afroamericanos se sentem atraídos às igrejas orgânicas não somente nos Estados Unidos mas também na América Latina".

As estatísticas confirmam que um significativo número de hispanos tem abandonado suas congregacões tradicionais para se unir às chamadas "igrejas orgânicas", que se reúnem geralmente em casas de familia e naquelas que não tem liderança formal.

Viola, que tem trabalhado com grupos na América do Sul, define a igreja orgânica como "um grupo de gente que aprende junta a viver a vida divina, é uma comunidade em que todos se conhecem e todos participam".

Neste sentido, o fundador do "Present Testimony Ministry", com escritórios centrais em Gainesville, Flórida, faz uma diferença entre igreja orgânica e igreja em casas: "A igreja orgânica é a igreja que encontramos nas páginas do Novo Testamento. A igreja nas casas é simplemente um grupo de cristãos que se reúnem em alguma casa. Não são a mesma coisa. A maior parte destes grupos em casas não são orgânicos em absoluto", sustenta.

NADA NOVO DEBAIXO DO SOL
 A "igreja orgânica" também é conhecida como igreja simples, igreja livre, igreja da sala de estar, irmandade, ou comunidades eclesiais de base, entre outros nomes.

Se trata de uma "volta às origens", afirma Viola, o qual significa que "a igreja orgânica não é nova nem é uma novidade, já que sempre houve cristãos que se reuníam fora das estruturas eclesiásticas institucionais".

 Para Viola, as igreja orgânica oferecem uma alternativa para um milhão de cristãos que a cada ano deixam as congregações tradicionais nos Estados Unidos e para os 1.700 pastores deste país que a cada mês abandonam seus  ministérios.

TENDÊNCIA EM EXPANSÃO 
Segundo estatísticas do Grupo Barna,  nos Estados Unidos haveria pelo menos 30.000 grupos de igrejas orgânicas, e o  número chegaria talvez a um milhão na América Latina.

Stan Perea, membro da mesa diretora da Asociación para la Educación Teológica Hispana (AETH), que agrupa mais de 1.200 teólogos latinos nos Estados Unidos, opinou que os latinos se sentem atraídos às "igrejas orgânicas" porque estas pequenas congregacões "restauram o sentido de pertença e de orientação".

 "É triste que as igrejas tradicionais já não ajudem às pessoas a se conectar com a vida. E é ainda mais triste que nos Estados Unidos as igrejas se dediquem a ensinar aos imigrantes a serem individualistas, ao ponto que ficamos totalmente desconectados", indicou Perea, que desde 1986 dirige um ministerio cristão em Denver.

EXPERIÊNCIA PESSOAL
Justamente em Denver, Blanca Ortiz, uma imigrante mexicana que se descreve como "uma cristã desde sempre", frequenta desde o ano passado a uma congregação orgânica que se reúne na casa de uma amiga.

"Não há líderes. É bem informal. Todos falamos face a face com todos. Todos participamos, apesar de virmos de países e de igrejas distintas. Nos reunimos para celebrar. É verdade que deixamos as igrejas tradicionais, mais não deixamos nossa fé", comentou.

Estes encontros são sinceros e permitem compartilhar tanto uma refeição como "as bençãos materiais e espirituais". Também, as crianças estão presentes em casa em todas as atividades "para mostrar-lhes quanto  são importantes para todos".

Para Ortiz, A igreja orgânica tem outra grande vantagem: "Já não recebo constantes chamados me lembrando que tenho que ir à igreja. Ninguém chama niguém, mas ali sempre estamos todos, porque aa igreja não é um edifício senão um grupo de pessoas com uma fé em comum", concluiu.

21 de julho de 2011, ESTADOS UNIDOS.

Fonte: Efe

© Protestante Digital 2011
Tradução: Sandra Gonsalves.

21 de julho de 2011

LAVANDO OS PÉS

“[Jesus] levantou-se da ceia, tirou as vestes e, tomando uma toalha, cingiu-se. Depois, pôs água numa bacia e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugá-los com a toalha com que estava cingido. Aproximou-se, pois de Simão Pedro, que lhe disse: Senhor, tu lava-me os pés a mim?... Disse-lhe Pedro: Nunca me lavarás os pés” (João 13: 4-6,8).

    Há quem use essa passagem bíblica para mostrar, entre tantas coisas, um dos traços marcantes do temperamento de Pedro: a precipitação. No entanto, estive pensando cuidadosamente nesta cena e concluí: muito dificilmente um cristão sincero e fiel poderia agir de modo diferente naquele instante.

    Imaginemos o cenário e o momento. Já havia passado bastante tempo desde que Jesus se revelara àqueles homens. Não somente suas palavras, mas seus atos, milagres e feitos poderosos demonstravam quem Ele era.

    Como o próprio texto anuncia, já estava bem próximo de sua partida de modo que aqueles discípulos tiveram tempo suficiente para saber que estava ali, diante deles, o Autor da vida e Salvador do mundo. Logo, não é de se estranhar a maneira como Pedro reagiu.

    Quem de nós não teria reação semelhante? Afinal de contas, era o Senhor do universo, o eterno Criador curvando-se e lavando os pés de suas humildes criaturas.

    Jesus ensinava com esse gesto uma lição superior: somos servos uns dos outros. Mas Pedro, embora zeloso, não havia tido essa compreensão. Bastou uma clara exposição, e não só os pés, mas todo o corpo era entregue a Jesus.

    Poderia eu chamar isso de precipitação? Não! Para mim é muito mais, eu diria que um zelo apaixonado...

    Antes sejamos admoestados por essa falta de entendimento que por nossas negligências.

    Pensemos nisso.
Silvana Sales

LIVRO SOBRE HISTÓRIA DO CRISTIANISMO

LIVRO: QUANDO NOSSO MUNDO SE TORNOU CRISTÃO (312-394)
AUTOR: PAUL VEYNE
EDITORA CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA, 2010, 285p.



   O francês Paul Veyne é arqueólogo e historiador, especialista em Roma antiga. Aqui ele faz uma excelente análise de um período importantíssimo, não só para a igreja cristã, como para todo o mundo ocidental: 312-394, ou seja, do anúncio da conversão do imperador romano Constantino ao cristianismo até a vitória de Teodósio sobre o partido pagão.      
  Logo nas primeiras páginas ele coloca sua opinião sobre a controvertida conversão de Constantino: "Longe de ser o calculista cínico ou o supersticioso de que se falava ainda recentemente, ele foi, na minha opinião, um homem de larga visão: sua conversão permitiu-lhe participar daquilo que ele considerava uma epopeia sobrenatural, de assumir a direção desse movimento e, com isso, a salvação da humanidade..." (p. 12/13). Ou seja, para Veyne o imperador romano foi sincero em sua disposição de abraçar a fé cristã, afirmando que a religião, a qual se misturam sempre interesses fortemente temporais, não deixa de ser por isso uma paixão específica" (p. 84). Seus argumentos ao longo do livro me parecem convincentes.
   No capítulo 2, "Uma obra-prima: o cristianismo", o autor faz declarações ousadas como: "Poucas religiões - talvez nenhuma - conheceram no correr dos séculos um enriquecimento espiritual e intelectual igual ao do cristianismo" (p. 35). Para ele, a originalidade da fé cristã consiste mais na relação mútua apaixonada entre Deus e a humanidade, do que no monoteísmo. Esta mensagem seduziu os povos que habitavam no império romano.   
   Veyne também atribui o sucesso da fé cristã ao estabelecimento de um organismo completo, que dava abrigo aos fiéis: a igreja, que conseguia atrair pessoas de todas as classes da sociedade.
   O livro também traz um interessante apêndice com o título: "Politeísmos ou monolatria no judaísmo antigo".
                                     George Gonsalves  
   
   

14 de julho de 2011

CENTENÁRIO DA ASSEMBLEIA DE DEUS: LEMBRANÇAS JUSTAS E APROPRIAÇÕES INDEVIDAS

    
    No ano de 1999, a revista norte-americana Time selecionou os 100 acontecimentos mais importantes do milênio. Um dos escolhidos foi o avivamento pentecostal ocorido na rua Azusa, em Los Angeles, em 1906. Ali, William Seymour, um pastor negro, filho de escravos, alugou um imóvel. Ali ele basicamente orava, orava e orava com sua pequena comunidade. Em breve, a igreja cristã não seria mais a mesma. Fervor evangelístico, desejo de santidade, e curas se intensificaram entre os cristãos de várias partes do mundo. Mas, atenção! Não confundamos os pioneiros pentecostais com muitos mercenários neopentecostais de nossos dias.
    Apenas cinco anos mais tarde, em 1911, houve uma reunião de cerca de vinte pessoas na tórrida cidade de Belém, no Estado do Pará. Lá estavam dois missionários suecos: Daniel Berg e  Gunnar Vingren, e mais alguns brasileiros. Tinha início ali um dos maiores movimentos da história da igreja. Em 1930, apenas menos de duas décadas após a primeira reunião, a denominação já possuía 14.000 membros. Vinte anos depois os fiéis já eram 120.000. Ou seja, mais de 600.000% de crescimento nas primeiras quatro décadas! Na época áurea de expansão (1950-1971) as congregações se multiplicaram de forma exponencial. Em 1980 já haviam 6 milhões de membros nas Asssembleias de Deus, um crescimento espetacular (Por que crescem os pentecostais? Peter Wagner: Ed. Vida, p. 23). Em junho do corrente ano, completaram-se 100 anos do início de um movimento que veio a institucionalizar-se (ver a análise de Emílio Conde em O testemunho dos séculos, CPAD, 1982, p. 13/17). Muitas celebrações foram realizadas no Brasil para lembrar o centenário da Assembleia de Deus.
   Lembrar os homens e mulheres que estiveram no início deste movimento é praticamente um dever dos que fazem parte da igreja (mesmo que não comunguem com a doutrina pentecostal). Não que esta obra fosse perfeita, é óbvio. Mas, guardadas as proporções, também não houve perfeição na Reforma Protestante, Movimento Puritano ou Avivamentos dos séculos XVIII e XIX, por exemplo. Todavia, reconheço a mão de Deus nestes movimentos. 
     Portanto, deixo claro minha satisfação em que se recorde e se conte as histórias de crentes como Paulo Macalão, Frida Vingren, Adriano Nobre, Emílio Conde, Lewi Pethrus, Samuel Nyström, Otto Nelson, Lawrence Olson, dentre outros, todos participantes ativos do início do movimento pentecostal no Brasil. A fé, coragem e abnegação, que os fizeram passar por grandes provações, são inspiradoras.
    Mas, devemos traçar limites entre a justa lembrança e a apropriação indevida. Nestes dias, muitos pastores não somente lembraram os pioneiros pentecostais, eles se apropriaram da história deles. Falaram deles como se seguissem o que eles pregavam. Sem medo de fazer um julgamento precipitado, afirmo que a esmagadora maioria dos primeiros líderes pentecostais no Brasil simplesmente não seriam aceitos nas atuais igrejas que ostentam o nome de Assembléia de Deus. Seriam tachados de fanáticos, radicais, legalistas. Para muitos, o nome Assembléia de Deus virou apenas uma marca. Não há identificação com os postulados doutrinários, muito menos com o padrão de vida dos pioneiros. Tal fato ocorre, evidentemente, com outras denominações. Há batistas que não se identificam com Roger Williams, presbiterianos que não crêem como Calvino e metodistas que não aceitam o pensamento de John Wesley. Mas mesmo assim, se mantém o nome da denominação. É como um marketing. O nome lembra um passado glorioso, tem tradição.            
    Há pelo menos duas doutrinas que são ensinadas hoje em muitos templos assembleianos que não se coadunam com a mensagem dos pioneiros. A primeira é a "teologia" da prosperidade. Com absoluta certeza, este ensino era estranho às primeiras congregações da Assembleia de Deus. A mensagem dos primeiros líderes tinha como um dos focos a busca pelos dons espirituais, e não por bens terrenos. A pobreza não era vista como maldição. Esta diferença foi assim percebida pelo sociólogo Gedeon Alencar: "Aqui não há a 'barganha cósmica', ou o 'é dando que se recebe', típico da teologia da prosperidade que atualmente é marca nas chamadas igrejas neopentecostais. Os adeptos não estão esperando enriquecer, ter saúde e assumir o poder político..." (Assembleias de Deus - origem, implantação e militância (1911-1946). Arte Editorial, p. 84/85).
    Outro ensino atual que está bastante distante do anunciado no início do século XX, é o relativo à maneira de como o cristão deve se vestir. Seguindo a tradição de Calvino, Richard Baxter, Wesley e outros, os líderes da antiga  Assembleia de Deus pregavam a necessidade do crente se vestir de modo simples, sem o uso de jóias ou maquiagens, e de forma não sensual. Tal comportamento seria o reflexo de uma vida santificada, não uma obra meritória. Esta linha, que se tornou uma característica distintiva da denominação, foi reafirmada em diversas convenções gerais, como em 1975 (Santo André-SP) e 1999 (Rio de Janeiro-RJ)(ver tópico "usos e costumes" - Dicionário do Movimento Pentecostal, Isael de Araújo, CPAD, 2007). Hoje, muitos pastores "modernos" tacham esta tradição de legalista, mas mesmo assim se dizem herdeiros de Berg e Vingren.   
   Portanto, devemos separar as coisas: lembrar nomes e momentos de um movimento espiritual é justo, mas apropriar-se de uma obra da qual se discorda é simplesmente desonesto.
George Gonsalves

13 de julho de 2011

PROMETER É DESONESTO

    Acredito que, sem um menor esforço, você vai se lembrar de promessas que lhe foram feitas e que nunca foram cumpridas. E, talvez, você mesmo já caiu e ainda vai cair na armadilha de prometer e não cumprir: uma ligação que você não fez, uma visita que nunca aconteceu, um encontro que você marcou mas não compareceu. Nós adoramos fazer promessas mas simplesmente nos esquecemos delas, muitas vezes porque não estamos de fato comprometidos com essas promessas. Já virou um vício de linguagem e não sentimos mais o peso de nossas palavras.
   Prometer é desonesto, falou certa vez Kierkegaard, filósofo cristão do século XIX: “..não percas tempo com promessas, pois o cumprimento, que é honesto, já é bastante difícil. Porém, antes temos de nos esforçar por concentrar a atenção única e exclusivamente sobre o cumprir”. Em seu livro As Obras do Amor, ele especifica três razões porque é desonesto prometer. Em primeiro lugar, "não temos nenhuma garantia de que cumpriremos o que prometemos". Ou seja, o dia de amanhã pertence a Deus como está escrito: “Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa. Em vez disso, devíeis dizer: Se o Senhor quiser, não só viveremos, como também faremos isto ou aquilo” (Tg 4:13-15). Em segundo lugar, o que promete pode cair na tentação de achar que a simples promessa já é grande coisa. Muitos se sentem lisonjeados simplesmente em prometer sem a menor preocupação em cumprir o que prometeram. E em último lugar, Kierkegaard afirma que "o que prometeu exige um duplo pagamento", primeiro porque prometeu e logo depois pelo cumprimento da promessa.  Sente-se, portanto, duas vezes merecedor de honrarias e assim o favor perderia a força uma vez que a finalidade é o reconhecimento próprio.
     Portanto, não façamos promessas desonestas, que não poderemos cumprir, antes esforcemo-nos por cumprir com os nossos deveres e que toda a honra e toda glória seja exclusivamente a Deus.
Roberto Pereira

9 de julho de 2011

NUNCA ACEITE QUALQUER GLÓRIA

                                                                      
                                                                                         
Deus é zeloso de Sua glória e não a dará a ninguém.
Ele não irá nem mesmo compartilhar Sua glória com quem quer que seja. É muito natural, diria eu, que as pessoas esperem que talvez seu serviço cristão lhes dê uma oportunidade de demonstrar seus talentos. Verdadeiramente querem servir ao Senhor, mas também querem que os demais saibam que estão servindo ao Senhor. Elas querem ter reputação entre os santos.
Este é um terreno muito perigoso: buscar reputação entre os santos. Já é ruim o bastante procurar reputação no mundo, mas é pior procurar reputação entre o povo de Deus.
Nosso Senhor desistiu de Sua reputação, e devemos fazer isso também.
Meister Eckhart certa ocasião pregou um sermão sobre a purificação que Cristo fez no templo. Disse ele: "Ora, nada havia de errado com aqueles homens que vendiam e  compravam ali. Nada havia de errado em trocar dinheiro ali; aquilo tinha de ser feito. O pecado deles se resumia no fato de fazerem isso para ter lucro. Eles ganhavam certa porcentagem ao servirem ao Senhor". E então Eckhart fez a seguinte conclusão: "Quem quer que sirva por uma comissão, por um pouquinho de glória que possa tirar desse serviço, é um comerciante, e deve ser expulso do templo".
Concordo plenamente com isso. Se você está servindo ao Senhor e, quase sem perceber - talvez inconscientemente mesmo - espera obter uma pequena comissão de cinco por cento, cuidado! Isso irá espantar o poder de Deus de seu espírito. Você não deve aceitar qualquer glória, mas cuidar para que Deus a receba toda.
Amém.

Texto extraído do livro "Cinco votos para obter poder espiritual", de A.W.Tozer, São Paulo, Editora dos Clássicos, 2004.

7 de julho de 2011

LIVRO DEVOCIONAL

LIVRO: DISCIPLINAS ESPIRITUAIS PARA UMA VIDA CRISTÃ
AUTOR: DONALD S. WHITNEY
ED. BATISTA REGULAR, 2010, 336p.


    
      “Muitas vezes nos pegamos pensando: 'Quando minha vida ficar mais tranqüila eu vou...'. Mas, a esta altura, já era para termos aprendido que a vida nunca fica tranquila. Aquilo que desejamos realizar, devemos fazê-lo com a vida agitada. Da mesma forma, se pretendemos disciplinar a nós mesmos com vistas à piedade, temos de fazê-lo com a vida assim como ela se encontra no momento”.
        Esse trecho do livro Disciplinas espirituais para uma vida cristã revela a forma profunda e, no entanto, acessível com que o pastor batista Donald S. Whitney escreve. O livro foi escrito com o propósito de orientar os cristãos a praticarem uma série de disciplinas como: oração, adoração, evangelismo, mordomia, jejum, que servirão de incentivo a uma vida mais equilibrada e piedosa.
Roberto Pereira

4 de julho de 2011

A EXISTÊNCIA DE DEUS SEGUNDO AGOSTINHO

 A primeira condição para a busca do conhecimento de Deus é a boa fé, ou seja, alguém que com sinceridade busca se há fundamentos para tal coisa. Agostinho sabe que os dogmas não podem provar a existência de Deus e pressuposições morais, embora indispensáveis também não são suficientes. É importante assegurar um ponto de partida seguro e ele vai buscar esse ponto de partida na sua refutação ao ceticismo.
    Para chegar à prova da existência de Deus, Agostinho, em sua obra O Livre Arbítrio, começa com a  busca pelo que há de mais nobre no homem. Ele trabalha, em primeiro lugar, com as primeiras intuições do espírito, a saber: o existir, o viver, o entender. O diálogo acontece com a pessoa de Evódio. Não iremos tratar aqui de toda a discussão mas a conclusão dessa  primeira parte. O entendimento é o que há de mais excelente no homem como esclarece-nos bem Evódio: “É verdade que a pedra existe e o animal vive. Contudo, ao que me parece a pedra não vive nem o animal entende. Entretanto, estou certíssimo de que o ser que entende possui também a existência e a vida e por isso não hesito em dizer: o ser que possui essas três realidades é melhor que aquele que não possui senão uma ou duas delas” (Livro I, cap. III).
    Agostinho funda a evidência desta verdade na existência do próprio sujeito que duvida, abalando assim o ceticismo pela raiz, isto é, pelo mesmo ato que lhe serve de fundamento (o que mais tarde Descartes [séc XVII] vai defender como o cogito ergo sum – penso logo existo).
    Esta primeira certeza, segundo Gilson, indica três verdades: visto que o sujeito que pensa não pode pensar sem viver, nem viver sem existir. Ele sabe que pensa, que vive e que existe (História da Filosofia Cristã, p. 154, Vozes).
    Em resumo, Agostinho começa a busca pela verdade no próprio íntimo, como podemos ler em sua obra Confissões: “Em seguida aconselhado a voltar a mim mesmo, recolhi-me ao coração, conduzido por Vós. Pude fazê-lo, porque Vos tornastes meu auxílio.
    Entrei, e com aquela vista da minha alma vi, acima dos meus olhos interiores e acima do meu espírito, a Luz imutável. Esta não era o brilho vulgar que é visível a todo homem, nem era do mesmo gênero, embora fosse maior. Era como se brilhasse muito mais clara e abrangesse tudo com sua grandeza. Não era nada disso, mas outra coisa muito diferente de todas estas. Essa luz não permanecia sobre o meu espírito como o azeite em cima da água, ou como o céu sobre a terra, mais muito mais elevada, pois ela própria me criou e eu sou-lhe inferior, porque fui criado por ela. E isso não é outra coisa senão a imanência de Deus em nós associada a sua transcendência”. (Livro VII, cap. X) Como também diz: “Onde te encontrarei para conhecer-Te senão em Ti mesmo, acima de mim”. 
    Honras ao Rei!
 Roberto Pereira

3 de julho de 2011

A LIBERDADE DE AMAR


“Dê a quem ama asas para voar, raízes para voltar e motivos para ficar.”
                                                                               Antoine de Saint-Exupéry
          Quantas pessoas há que são extremamente inseguras nos seus relacionamentos? De maneira que essa afirmação lhes soaria como uma afronta. Infelizmente, vivemos a era do descartável, onde não só objetos, mas pessoas também acabam sendo facilmente substituídas. Relacionamentos aparentemente sólidos não resistem às “novidades” e às paixões avassaladoras, e talvez seja esse um dos motivos de tanta insegurança.
          Este artigo inicia-se com o sábio conselho: “Dê a quem ama asas para voar”. Isso é coisa do amor. Somente quem ama é capaz de deixar o outro livre porque amor e liberdade, se misturam, andam de mãos dadas. Um não sobrevive sem o outro. Um “amor” vigiado, preso, coagido, definha e logo morre. Exatamente porque a liberdade faz parte de sua essência. O amor é livre. Livre de temores, de preconceitos, de bajulações, de fingimentos e de coações.
          E ao mesmo tempo o amor também nos faz “cativos” do outro. Quando amamos, tudo na outra pessoa exerce sobre nós fascínio. Somos “presos” pelo sorriso, pelo olhar, por um toque, por um abraço acolhedor, pelo seu falar. Isto me faz lembrar uma declaração de amor de uma mulher pelo seu amado, descrita no livro de cantares: “o seu falar é muitíssimo suave; sim, ele é totalmente desejável...” (Cantares 5:14).
          Antoine de Saint-Exupéry, no clássico O Pequeno Príncipe, trata com perfeição desse assunto. Quando indagado sobre o que é cativar, a raposa responde ao principezinho “_ É algo quase sempre esquecido. Significa criar laços. Tu não és ainda para mim um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo.”
          É lamentável que hoje tantos relacionamentos tenham perdido isso, e esse é um dos grandes desafios: não permitir que as diferenças e as dificuldades do dia-a-dia roubem-lhes a beleza desse fascínio.
          Fujamos de relações superficiais. Que possamos nos envolver de fato, criar laços, cativar e nos deixar ser cativados. Que possamos passar no teste do tempo e que os anos, as rugas, os cabelos brancos não sejam razões para nos tirar do outro o encanto do princípio.
          Que possamos deixar aqueles que amamos suficientemente livres, e que além de nossos atos de amor, nossa dignidade seja o motivo suficiente para que ficar seja a sua escolha.
Silvana Sales

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