28 de abril de 2011

O ADEUS A DAVID WILKERSON


Com pesar recebi a notícia do falecimento do pastor David Wilkerson, 79 anos, que sofreu um acidente de carro no Texas na tarde desta quarta-feira, 27 de Abril. Ele estava acompanhado de sua esposa, Gwen, que foi levada para o hospital. Wilkerson foi o fundador da Igreja de Times Square, em Nova Iorque, mas ficou conhecido mundialmente pelo trabalho com dependentes químicos.

Em 1957, ele leu na revista Times sobre uma criança acometida pela poliomielite, que foi morta por membros de gangues em Nova Iorque. Em fevereiro de 1958, ele decidiu se mudar para esta cidade para pregar o evangelho a membros de grupos criminosos e viciados em drogas. Líderes de gangues, como Nick Cruz, se converteram e ele fundou anos depois a organização Desafio Jovem, referência mundial para recuperação de dependentes químicos.

Conheci a obra de David, inicialmente, através do filme A cruz e o punhal, um comovente relato de sua evangelização aos integrantes de gangues em Nova Iorque, no final da década de 50. Depois li um seu livro sobre esta experiência, o ótimo: Foge, Nick, foge, de Nick Cruz, os outros, de sua autoria, são A cruz e o punhal e Depois de A cruz e o punhal. Anos depois ganhei de presente David Wilkerson exorta a igreja, publicado pela editora Vida, obra de cunho profético ao estilo de A.W. Tozer e de Leonard Ravenhil.

Louvo a Deus por homens como ele, que mostram como servir a Deus de modo sacrificial e comprometido. Não o conheci pessoalmente, mas sinto saudades. Deixo para os leitores o trecho final do seu artigo Jesus está chegando!, que encerra o livro David Wilkerson exorta a igreja, e que dá uma pequena amostra do seu perfil como escritor:

"Não se ire com os fixadores de data que pensam ter a vinda de Cristo toda calculada. Talvez seja feita com zelo, mas sem sabedoria. Haverá mais livros, cartas, e profecias reivindicando ter uma revelação especial. Não se deixe levar por nenhuma destas coisas. Deixe os tempos e as épocas nas mãos do Pai - e viva cada dia de sua vida como se Cristo viesse dentro daquela hora. Até que ele venha, há muito trabalho a ser feito reconstruindo os muros de Sião" (p.223).        

No devocional publicado no site do seu ministério no mesmo dia de sua morte, ele nos deixou estas palavras consoladoras:"Para aqueles que passam pelo vale da sombra da morte, ouçam essas palavras: 'O pranto durará algumas tenebrosas e terríveis noites, mas em meio a essa escuridão logo se ouvirá o sussurro do Pai: "Eu estou contigo. Nesse momento não posso lhe dizer por que, mas um dia tudo terá sentido. Verás que tudo era parte de meu plano. Não foi um acidente. Não foi um fracasso da tua parte. Agarre-se com força. Deixe Eu te abraçar nessa hora de dor'".
George Gonsalves




27 de abril de 2011

JOHN STOTT COMPLETA 90 ANOS


A revista Time o colocou na lista das 100 pessoas mais influentes do século XX. Ele escreveu mais de 30 livros, e seu impacto como um líder cristão tem sido visto em muitas áreas, desde o movimento global de Lausanne para a revista Christianity Today, através do London Institute for Contemporary Christianity. Nós olhamos para a vida de John Stott, inglês anglicano, através das opiniões do Dr. Pablo Martinez Vila.

John Stott é "um homem que nunca buscou seus próprios interesses, foi além dos interesses denominacionais e sempre olhou para a causa de Cristo e para a expansão do evangelho". Assim é como o resumiria o psiquiatra e conferecista Pablo Martínez Vila.

"Sua influência ultrapassou o mundo evangélico e da Inglaterra, para ter impacto realmente global" e isso o levou a um reconhecimento importante. "A razão pela qual é considerado um personagem fundamental é porque ele tem sido um estadista", alguém não só reconhecido no âmbito da igreja, mas também na sociedade como um todo.

BIOGRAFIA recentemente publicada
Coincidindo com os seus 90 anos (completados em 27 de abril), foi finalmente publicado na Espanha, uma biografia de sua vida: "John Stott, um excepcional homem de Deus" (Andamio, 2011), escrito por Roger Steer. Pablo Martínez, esteve presente à apresentação do livro quando ele saiu primeiro em Inglês. Em comparação com outras obras biográficas sobre o autor, esta é uma "pequena biografia, um resumo" de sua vida. Martínez acredita que é "um livro inspirador, um daqueles livros que você tem prazer em lê-lo ", e observa que é especialmente melhor se "se busca encorajamento para a vida cristã".

O QUE SIGNIFICA ser evangélico?
A "identidade evangélica" tem sido uma das bandeiras de Stott. Sua defesa deste conceito surgiu em meio a uma "batalha ideológica e teológica que havia na Inglaterra na década de 40 e 50, entre conservadores e liberais". Stott foi o "defensor de um despertamento do movimento evangélico como nós o entendemos", diz Martinez. Foi neste "contexto de liberalismo teológico", no qual o autor enfatizou a necessidade de identidade com os evangélicos, por exemplo, a "importância de enfatizar o novo nascimento na linha de João 3." Somado a isso está também a centralidade da cruz no Evangelho, um outro aspecto que Stott defendeu com unhas e dentes.

Pablo Martínez Vila, acredita que a vida e obra do Inglês têm mostrado que se pode ser um erudito, um estudioso, uma pessoa educada e totalmente evangélica. "Isso contradiz a opinião corrente de que os estudiosos cristãos são liberais. Stott é responsável por desmentir este mito."

TRÊS LIVROS que se destacam
O melhor aspecto de Stott é claramente conhecido pela sua facilidade ao escrever. As homenagens que ele recebe agora em muitas partes do mundo demonstram o impacto que os seus livros têm desempenhado em muitos lugares. Mas se você quiser ler o autor por onde começar?

Cristianismo Básico é o livro mais lido (3 milhões de cópias vendidas e traduzido para 50 idiomas.) É uma "obra formidável do ponto de vista da evangelização", acredita Paulo Martinez, um livro de referência para explicar a alguém o que é evangelho". É ideal porque "tem um equilíbrio entre erudição e clareza", marca do autor.

Uma recomendação pessoal de Martínez seria Os problemas que os cristãos enfrentam hoje sobre "os conflitos sociais" que o autor trata com um "dom especial para harmonizar as contradições aparentes e chegar a conclusões estritamente bíblicas."

Entretanto, sua maior obra é A Cruz de Cristo, em que são resumidas "os pilares do seu pensamento teológico: a suprema autoridade da Palavra de Deus, a centralidade da cruz de Cristo e as implicações globais da salvação não apenas no âmbito pessoal, mas também público, comunitário e de igreja ".

CELIBATO
Martinez explica que "é relativamente comum no mundo evangélico da Inglaterra, que pastores notáveis, pastores influentes permaneçam solteiro toda a vida." Uma das grandes vantagens que Stott tem tido como líder por "ter permanecido solteiro tem sido sua capacidade de dedicação completa à obra do evangelho. "De fato," ser casado dá outras vantagem como um conhecimento de primeira mão do mundo famíliar ", diz o psiquiatra," mas o fato de Stott ter se mantido solteiro tem permitido uma concentração de talento, esforço e tempo que têm lhe permitido realizar uma obra grandiosa. "

SAÚDE FRÁGIL
Aos 90 anos, John Stott tem deixado sua caneta e seus hobbies. "Sua saúde é muito frágil" , tem "consideráveis ​​dificuldades de visão." "Ao mesmo tempo, que com seu aniversário agradecemos a Deus por nos ter dado este homem inspirador, é bom que lembremos de sua atual situação, de sua grande fragilidade. É importante sentir de perto a provisão de Deus que tem caracterizado toda sua vida e que se necessita especialmente nestes tempos de inverno, no final da vida."

Em tempo: o último livro de John Stott publicado no Brasil foi O discípulo radical, pela Editora Ultimato.

27 de abril de 2011, BARCELONA

Fonte: http://www.protestantedigital.com/ES/Cultura/articulo/12779/John-stott-cumple-90-anos
Adaptação: George e Sandra Gonsalves

25 de abril de 2011

MILAGRE DE AMOR NA SELVA

                                                                                                                      por George Gonsalves

    Na Amazônia equatoriana se passou uma das mais belas histórias de missões do século XX que se tem notícia. Jim Elliot, colega de faculdade do futuro teólogo Russel Shedd no Wheaton College, sentiu um ardoroso desejo de evangelizar os índios aucas (hoje huaoranis) no Equador. Seu casamento com Elizabeth Howard se deu, inclusive em Quito, capital deste país, no ano de 1953. Dois anos depois nasceu sua filha, Valerie.
    O desafio era grande, pois os aucas eram tidos como violentos. Quatro amigos se juntaram a ele nesta arriscada empreitada: Edward McCully, Peter Fleming, Roger Youderian e o piloto Nate Saint.
    Depois de vários sobrevôos pela aldeia e alguns contatos, os missionários decidiram descer com o pequeno avião às margens do rio Curaray. No dia 3 de janeiro de 1956, eles, fizeram uma cabana, colocaram presentes à vista e esperaram o contato com os índios. Diariamente falavam pelo rádio do avião com as suas esposas, comentando a expectativa de a qualquer momento receberem a visita dos aucas. Durante três dias gritaram na língua dos aucas: Biti miti puni-mupa! (Eu gosto de você e quero ser seu amigo!).
   No dia 8 de janeiro suas esposas perderam o contato com eles. Comunicaram às autoridades e buscas foram feitas no local. Foram, então, localizados perto do avião os corpos de quatro missionários (Edward McCully nunca foi encontrado). Todos tinham idade entre 28 e 32 anos.
     Marj, esposa de Nate Saint, proferiu a seguinte oração: "Senhor, tiraste de mim o tesouro mais precioso que eu tinha na terra. Usa a sua morte ainda mais do que usaste a sua curta vida". Sua petição foi ouvida. Em 1958, Betty Elliot, a viúva de Jim, e Raquel, a irmã de Nate se estabeleceram na aldeia dos aucas com a finalidade de pregar o evangelho.
      Muitos da tribo foram convertidos, incluindo Kimo, um dos assassinos dos missionários. Em 1965 ele se tornou pastor e depois batizou Kathy, filha de Nate, na praia onde eles foram mortos.
    Em 2005, foi lançado o emocionante filme Terra Selvagem (End of the Spears), dirigido por Steve, filho do piloto Nate Saint, que conta um pouco sobre essa maravilhosa história de devoção e perdão.
     Os jovens que deram suas vidas para pregar o evangelho a um povo hostil sabiam o que faziam. Eles não tinham suas vidas por preciosas, contanto que cumprissem o propósito de Deus para eles. Uma frase de Nate revela isso. Certa vez, conversando com um colega na faculdade ele disse: "Minha vida chegou a um ponto sem retorno".
                      
Fontes:
www.cristoevida.org.br/ibfcv.asp?url=mensagem&codigo=49

20 de abril de 2011

DEIXAR SAUDADES


"Aqui jaz alguém
Cujo Nome foi escrito na Água"
(escrito na lápide de John Keats)

"Dou graças ao meu Deus por tudo que recordo de vós."
(Filipenses 1:3)


           Assisti esses dias ao belo filme Brilho de uma paixão. Ele retrata a vida de John Keats, morto com 25 anos de idade. Segundo Harold Bloom, um dos maiores críticos literários do mundo, Keats se tornou em vários aspectos, o poeta inglês mais admirado desde Shakespeare. Fui levado a pensar em como ele explorou sua genialidade nos poucos anos de vida que teve. Quando escreveu a frase que ficaria em sua lápide, Keats pensava que seria esquecido em breve, mas seus belos versos permanecem encantando a muitos, quase 200 anos após sua morte, como este:

"No mesmo templo do deleite
A velada Melancolia tem o seu santuário".
          Vivemos uma época estranha. As pessoas querem prolongar a sua vida, mas não conseguem dar uma boa razão para isso. Há uma "religião" da vida saudável: exercícios físicos, alimentos frescos e medicamentos poderosos. Há até a vã tentativa de falsear a idade: cirurgias estéticas e tinturas de cabelo, por exemplo, fomentam uma indústria bilionária. Mas, o que deixarão quando partirem deste mundo? Muitos serão como o rei Jeorão que viveu uma vida tão egoísta que a Bíblia diz que ele se "foi sem deixar de si saudades" (II-Crônicas 21:20).

          Mozart, um dos gigantes da música, morreu com 35 anos, mas sua obra continua como um dos grandes marcos da cultura ocidental. O filósofo dinamarquês Kierkegaard viveu 42 anos e se tornou uma referência obrigatória na filosofia moderna. Todos partiram cedo, mas deixaram marcas de sua obra.

          O cristão também deve deixar marcas neste mundo. Não importa quanto tempo vivamos, precisamos trazer glória ao nome de Deus. Na história da igreja há exemplos de alguns que se foram cedo, mas deixaram um legado incalculável. Samuel Morris veio da África com uma fé simples e sacudiu uma universidade cristã nos Estados Unidos. Após sua morte, aos 21 anos de idade, vários estudantes americanos se apresentaram para serem missionários na África. David Brainerd viveu uma parte dos seus 29 anos para anunciar po evangelho aos índios norte-americanos. Sua intensa devoção e amor aos nativos impactaram homens como John Wesley e Jonathan Edwards, e ainda continuam inspirando missionários.

          O maior exemplo, no entanto, de uma vida voltada para a glória de Deus é daquele que, vivendo apenas 33 anos em uma área relativamente pequena, demonstrou amor ao próximo de maneira tão sacrificial que após sua morte o mundo não foi mais o mesmo. Vivamos pouco ou muito tempo, devemos deixar marcas de amor no mundo: palavras, gestos, obras que reflitam o caráter de Deus.
George Gonsalves

15 de abril de 2011

Savonarola: novo livro retrata a vida do pregador de Florença


          O título do livro do historiador americano Lauro Martines sobre a Florença do século XV é apropriado: Fogo na cidade. Quem "incendiou" o lugar foi o frei católico Girolamo (ou Jerônimo) Savonarola (1452-1498), tido por alguns como precursor da Reforma Protestante. Sua arma principal: a pregação.

          Os discursos inflamados contra a corrupção moral religiosa e política moveram muitos corações. Em um sermão, certa vez ele bradou: "Vem cá igreja infamada! Ouve o que te diz o Senhor. Dei-te formosas vestimentas, e tu exercestes com elas a idolatria. Com os vasos preciosos tens alimentado o teu orgulho, tens profanado o que antes era sagrado". Como resultado de sua mensagem, pessoas se desfaziam de obras de arte, jóias e outros objetos, e eram colocadas sobre imensas fogueiras, chamadas de "fogueiras da vaidade".

          Alguns se tornaram seus discípulos, mas o incômodo causado nos poderosos o levaram a ser perseguido. Em 1497 ele foi excomungado pelo papa Alexandre VI. No ano seguinte foi levado à forca, juntamente com dois freis: Silvestre e Domingos. Conta-se que pouco antes da execução, um sacerdote se aproximou dele e falou: "Vês agora qual será o resultado de tua rebeldia?". Ele teria respondido: "Muito mais sofreu Jesus por mim".

A obra foi lançada neste ano pela editora Record e tem 364 páginas.
Para saber mais:
Eles andaram com Deus - Jefferson Magno Costa, CPAD, 1985.
Savonarola - Luis María Lojendio, Editorial Aster/Ed. Flamboyant, 1958.
Jerônimo Savonarola: reformador teológico ou contestador político? - F. Solano Portela Neto, Fides Reformata 2/1, 1997.
George Gonsalves


12 de abril de 2011

EUA aprovam projetos que eliminam incentivo ao aborto


Os conservadores americanos aplaudiram o Comitê House Ways and Means por aprovar um projeto de lei que eliminaria os benefícios fiscais relativos ao aborto.

Segundo o projeto, os contribuintes se veriam impedidos de deduzir o custo de um aborto de seus rendimentos tributáveis e não seria permitido utilizar os créditos de impostos para pagar os planos de saúde que cobrem o procedimento. As mulheres também seriam impedidas de usar dinheiro livre de impostos em suas contas de poupança para saúde nos abortos.

A medida é um projeto de lei que acompanha a "Lei de Não Fundos dos Contribuintes para o Aborto", que foi patrocinada pelo deputado Chris Smith (R-NJ) e o representante democrata (Illinois) Dan Lipinski, num esforço para previnir com eficácia os fundos federais de aborto.

Mesmo que a lei atual proíba que fundos federais sejam utilizados para os abortos, os republicanos não estão convencidos de que o dinheiro de impostos não se destinará a subsidiar abortos conforme a lei nova de saúde.

por Nathan Black - The Christian Post - 04/04/2011
Fonte: www.lasteologias.wordpress.com




8 de abril de 2011

PARA OS MENINOS DO RIO


Se nos colocássemos diante de vocês
nada poderíamos falar, nada deveríamos explicar
O silêncio colocaria sua pesada mão sobre nós
e nos curvaria a todos.


Muitos já tiveram sua chance
Sonharam, amaram, sentiram e também erraram
Por que não vocês?


Não há vencedores, nem vencidos
Apenas estamos menores hoje,
no reino dos homens.


No reino de Deus dizemos:
"Corre, corre, o Mestre te chama
Abraça-o e dize o que queres
Sente seus ternos braços a envolver-te
e ouve que o seu reino não é dado aos grandes,
mas aos pequeninos"


Com a alma ferida e olhos marejados seguiremos
lutando o bom combate
Até o dia em que as lágrimas serão enxugadas
e descobrirmos que tudo foi só um sonho mau que já passou.


(Em memória às crianças e adolescentes mortos em uma escola no Rio de Janeiro)

George Gonsalves

4 de abril de 2011

O MEDO QUE TODO CRENTE DEVERIA TER


Um ano antes de seu falecimento, em março de 2010, o então vice-presidente da República, José Alencar concedeu uma entrevista. Há mais de 12 anos lutando contra um câncer e depois de se submeter a mais de uma dezena de cirurgias a pergunta era inevitável:
- O senhor tem medo da morte? , perguntou o jornalista.
- Não.
- Não? insistiu o entrevistador.
- Não, eu tenho medo da desonra.

Este deve ser o medo de todos os cristãos. Está na contramão da "ideologia" hodierna, época sem sonhos altruístas, mas de pragmatismo egoísta. Hoje em dia não ouvimos tanto a pergunta: "o que é certo fazer?", mas sim "o que ganho com isto?".

São raros homens com a atitude como a do filósofo Sócrates. Condenado à morte por ter ensinado o que achava correto, disse que ninguém deve pesar as possibilidades de vida e morte, mas "considerar apenas este aspecto de seus atos: se o que faz é justo ou injusto, de homem de brio do de covarde."

No filme "As bruxas de Salém", que retrata um episódio verídico ocorrido em um lugar governado pelos puritanos que estavam na América, há uma cena marcante: o personagem interpretado por Daniel Day-Lewis, um pacato cristão, é acusado injustamente de praticar bruxaria. Os homens encarregados do processo, cientes de sua inocência, mas pressionados a dar uma resposta à sociedade lhe fazem uma proposta: ele ficaria livre da forca se assinasse um termo de arrependimento. Deste modo, ele confessaria um ato que não fez em troca de sua vida. Mas o homem rasga o documento diante das autoridades. Prefere morrer a ter seu nome marcado pelo resto de sua vida como alguém envolvido em uma prática satânica. Ou seja, prefere a morte à desonra.

Quantos cristãos estão vivendo de acordo com a sua consciência, sem fazer acordos espúrios para se livrar de alguma dificuldade? Quantos podem dizer como o apóstlo Paulo, que diante do governador Félix disse: "também me esforço por ter sempre consciência pura diante de Deus e dos homens"? (Atos 24:16).

Vivemos em uma época em que o medo de tantas coisas ronda nossas mentes. Há os medos antigos: morte, violência, futuro. E há os novos: escassez de água, aquecimento global, radioatividade. Sem falar em doenças atuais que fazem o homem ter pânico de coisas inofensivas. Mas, o medo da desonra está em extinção. Por isso, a frase de José Alencar ganhou a mídia, pois parece anacrônico para uma época que parece querer enterrar a virtude. Devemos, pois, lembrar das palavras do Senhor: "Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo" (Mt. 10:28).
George Gonsalves

BIOGRAFIAS DE SPURGEON E MOODY

SPURGEON - UMA NOVA BIOGRAFIA
AUTOR: ARNOLD A. DALLIMORE

EDITORA PES, 2008, 309p.

Uma concisa, mas abrangente biografia de Charles Haddon Spurgeon, pastor inglês do século XIX, que sai no Brasil com um atraso de mais de vinte anos. A editora já havia publicado outra obra do mesmo autor, desta feita sobre a vida de George Whitefield.

Dallimore não se preocupou apenas em relatar a capacidade de Spurgeon em encantar os seus ouvintes, fato que o levou a ser chamado de "príncipe dos pregadores" e a pastorear a maior congregação batista do mundo, em sua época. Também não se limitou a descrever sua habilidade com a pena, que o fez publicar cento e quarenta obras.

O autor traz elementos que muitas vezes não são mencionados nas obras sobre o ministro inglês. Por exemplo, sua antipatia com o rito da ordenação. Exercendo o pastorado desde os dezesseis anos de idade, Spurgeon não acreditava que a prática era bíblica. Por isso, jamais foi ordenado ao ministério pastoral. Ele também não esconde que Spurgeon fumou charuto e bebeu bebida alcóolica por muito tempo, mesmo atuando como pastor. Estas duas práticas ele abandonou antes de morrer.

Há também interessantes notas sobre algumas das sessenta e seis instituições ligadas ao Tabernáculo Metropolitano, onde Spurgeon pastoreava: orfanato, asilo, colégio de pastores, associação de evangelistas, dentre outras. Ou seja, cai por terra a falsa noção (em moda atualmente) de que Spurgeon era apenas um pregador do templo. O último capítulo traz informações sobre o Tabernáculo Metropolitano após a morte do seu líder.

No final do livro constatei emocionado que Spurgeon foi sincero, com cerca de dezesseis anos de idade, quando disse: "Não posso me sentir feliz, se não estiver fazendo algo para Deus" (p. 43).

O livro deve estar na estante de todo os cristãos que almejam doar seus talentos ao reino de Deus.  

SEARA EM FOGO 
AUTOR: BOANERGES RIBEIRO
EDITORA: CPAD, 1994, 142p.

Suscinta e prazerosa biografia de D.L. Moody, escrita pelo pastor presbiteriano Boanerges Ribeiro, importante escritor evangélico, falecido em 2003. Como o próprio autor informa, a obra "não pretende originalidade", pois é tomada de episódios narrados em outras biografias do pregador.

Apesar disto trata-se de uma boa introdução à vida de D.L. Moody, um notável evangelista americano, que conseguiu se destacar em um século marcado por personalidades evangélicas como Spurgeon, Finney, Hudson Taylor, George Müller, David Livingstone, dentre outros.

O livro é dividido em pequenos capítulos, que incluem muitos diálogos. Isto dá um tom romanesco à obra. O último capítulo traz pequenos trechos de pregações de Moody, que chegou a ser ouvido pelo então imperador do Brasil D. Pedro II, e se tornou um dos maiores evangelistas de seu tempo.
George Gonsalves

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