27 de fevereiro de 2011

QUEM NÃO VAI A DEUS PELO AMOR, VAI PELA DOR?




por George Gonsalves

        Muito do que se diz nas igrejas evangélicas, e tido como verdade revelada, não passa no crivo das Escrituras Sagradas. Um desses dizeres é: “Quem não vem pelo amor, vem pela dor”. Por trás desta frase está a idéia de que Deus tenta salvar os homens pelo amor. Se o homem não atender esse primeiro chamado, então o Todo-Poderoso levará a pessoa a passar por situações difíceis como, por exemplo, acidentes, enfermidades ou empobrecimento, com a finalidade de salvá-lo.

         Tal pensamento, no entanto, é contrário ao ensino bíblico. Na verdade, ele está “fundamentado” em uma análise superficial de experiências de vida, como por exemplo, histórias de pessoas que confessaram a Cristo no leito de enfermidade ou mesmo de morte. Qual o erro? Simplesmente a dor não converte ninguém, só o amor faz isso.

         C.S. Lewis disse certa vez que o sofrimento é a trombeta de Deus para um mundo surdo. Não discordo, mas a função do trombeta é alertar, chamar a atenção. A dor pode levar alguém a reconhecer sua pequenez e transitoriedade. Pode destruir o orgulho de alguém que se acha auto-suficiente. Mas isto não acontece com todos. Ante o sofrimento alguns se revoltam ou perdem a fé. Em Apocalipse, temos a descrição da reação de homens ante o juízo divino: “Derramou o quinto a sua taça sobre o trono da besta, cujo reino se tornou em trevas, e os homens remordiam a língua por causa da dor que sentiam e blasfemaram o Deus do céu por causa das angústias e das úlceras que sofriam; e não se arrependeram de suas obras.” (16:10-11).

        Elie Wiesel, intelectual judeu de renome e ganhador do Nobel da paz, conta em um de seus livros como perdeu a fé. Separado da mãe e das irmãs pelos nazistas, foi parar no campo de concentração em Birkenau, sul da Polônia. Certo dia foi obrigado a assistir o enforcamento de uma criança, um “anjo de olhos tristes”. Ao passar por ela dependurada, mas ainda viva alguém lhe pergunta:

         - E então, onde está Deus?

         Ele conta que sentiu uma voz que lhe dizia:

         - Onde ele está? Ei-lo – está aqui nesta forca.

      Não nego que o Senhor possa no momento da dor falar ao coração humano sobre a necessidade urgente do homem se voltar para Ele. Mas, no final de tudo só poderemos fazê-lo se formos atraídos pelo seu amor. Paulo cita um salmo para falar da situação em que vivia: “Por amor de ti, somos entregue à morte o dia todo...” (Rm. 8:36). Ele deseja partir desta terra, mas para estar com o seu Salvador (Fp. 1:23). Ou seja, mesmo que alguém tenha se despertado para fé em meio a sofrimento, ele só chegará à salvação se este despertar se converter em amor a Deus.

      O escritor russo Dostoievski havia estado em frente a um pelotão de fuzilamento, e passado por terríveis provações em uma prisão na Sibéria. Mas em uma carta a um amigo, ele falou sobre a natureza de sua fé: “Amo tanto a Cristo, que se me provarem que Cristo está contra a Verdade, fico com Cristo”. A fé bíblica, pois, não é aquela que nos faz apenas desejar sair de uma situação difícil ou nos livrar de uma condenação no porvir. Ela se traduz inevitavelmente em amor pelo nosso Senhor. Não poderia ser diferente, visto que o amor de Deus foi derramado em nossos corações (Rm. 5:5).

      Em resposta a um escriba, Jesus falou sobre o maior mandamento: “Ouve, ó Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor! Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força.” (Mc. 12:29-30). Por isso, a pergunta mais inquietante que Jesus fez na terra foi àquela que ele dirigiu a Pedro e continua a fazer a nós: “Tu me amas?”.



21 de fevereiro de 2011

A IGREJA É INDESTRUTÍVEL


     Há muitos anos eu li ou ouvi sobre uma história ocorrida na China.
    Corria os turbulentos anos da "Revolução Cultural" implementada por Mao-Tse Tung.  Um grupo de cristãos se reunia clandestinamente para adorar ao seu Senhor e compartilhar a sua fé. De repente, o culto foi interrompido por soldados chineses.  De modo truculento, eles retiram as bíblias das mãos dos crentes ali presentes, amontoando-as no chão. Um dos soldados, então, ateou fogo naquele punhado de bíblias. Os soldados fizeram um círculo ao redor da fogueira para impedir que alguém chegasse aos livros.
    Uma triste expressão havia no rosto daqueles irmãos, que se recusavam a aceitar às pressões do governo para negar a própria fé. O som do crepitar da fogueira se misturava aos gemidos incontidos de alguns. Aquelas folhas que continham palavras de vida eterna Be perdão, agora viravam cinzas diante dos olhos pesarosos dos irmãos.
    Foi então que um jovem cristão ali presente tomou uma ousada e arriscada decisão.  Ele se esgueirou por entre os soldados e corajosamente enfiou a mão na fogueira para ver se conseguia salvar algum exemplar do livro sagrado. Só conseguiu pegar uma única página. Os soldados tentaram prendê-lo, mas ele conseguiu se desviar de todos e despareceu na noite.
    Dias depois, o jovem reapareceu com o troféu: uma única página chamuscada das Escrituras Sagradas. A igreja se reuniu novamente e só um texto poderia ser lido, àquele contido na página trazida pelo jovem crente. Um líder da comunidade, então, tomou a página em suas mãos e fez a leitura do texto que ainda podia ser lido: "Mas vós, contiunou ele, quem dizeis que eu sou? Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.  Então,  Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus. Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela." (Mateus 16:15-18).
    No decorrer do século XX centenas de missionários foram expulsos da China. Outras centenas de líderes, como Watchman Nee, foram presos. Jiang Qing, esposa de Mao, chegou a declarar: "O Cristianismo na China foi colocado num museu. Não existem mais cristãos na China". Mas, apesar disto a igreja continuou firme. Na metade do século estimava-se em 750 mil o númeo de cristãos na China. Em 1983, eram cerca de 50 milhões. 
    As denominações passam ou mudam com o tempo. Os locais das comunidades estabelecidas pelos próprios apóstolos não mais subsistem como espaços de adoração. Mas, a promessa de Cristo continua de pé. Ele não permitirá que a igreja seja destruída, mas ela continuará avançando pelo território do inimigo. 
        
George Gonsalves

16 de fevereiro de 2011

MISSÕES NO SENEGAL

Senegal - África 




Deus só teve um filho, e ele foi um missionário.
                                                  David Livingstone

No dia 1º de fevereiro deste ano esteve no Programa Palavra Viva (FM Vida - Fortaleza), Renê Moreira. Membro da Igreja Betesda em Fortaleza, ele falou sobre suas experiências no Senegal, país no oeste do continente africano, quando lá esteve em 2007.

Perguntado sobre as dificuldades de se evangelizar em um país em que aproximadamente 94% da população é islâmica, ele falou que é preciso paciência e criatividade.

Durante os seis meses em que lá esteve, seja na capital Dakar ou nas aldeias próximas, poucas vezes ele teve a oportunidade de falar claramente sobre Jesus. Em uma reunião com crianças, contou sobre "um amigo do Brasil", que era muito bom. Depois de uma grande suspense, ele revelou o nome do seu "amigo": Jesus. Foi, então, que teve uma desagradável visão: várias crianças levaram as mãos aos ouvidos. Não queriam sequer ouvir o nome do nosso Salvador. Perguntadas sobre esta reação, elas falaram que aquele nome era maldito e parte delas se retiraram do local da reunião.

Renê também divulgou o Projeto Elim. Elaborado pela missionária Salete P. de Andrade e seu esposo Erasmo Santos de Andrade, ele está sendo desenvolvido na aldeia de Mbissao, na região de Thiès, distante aproximadamente 70 Km de Dakar. Lá vivem cerca de mil pessoas, todas adeptas do islamismo. O objetivo é levar assistência social e espiritual aos moradores. Os missionários são comprometidos com o Projeto África, da Secretaria de Missões da Assembléia de Deus-CE (SEMADEC).

No final do programa falei sobre o dever que temos de apoiar o trabalho missionário (transcultural). Se nossa congregação não enviou ninguém ao campo, podemos ajudar missionários de outras igrejas com nossas orações e apoio financeiro.

Maiores informações:
saleterasmo.webs.com
George Gonsalves

12 de fevereiro de 2011

PASTOR CONTEMPLATIVO

LIVRO: O PASTOR CONTEMPLATIVO
AUTOR: EUGENE PETERSON
MUNDO CRISTÃO, 2008, 175p.


         O pastor presbiteriano Eugene Peterson já tem quase 80 anos de idade e cerca de 50 anos de trabalho pastoral, mas desde o início de seu serviço tomou uma decisão: nunca pastorear uma igreja com mais membros do que pudesse chamar pelo nome. Assim, apesar de seu enorme prestígio, ele pastoreia uma igreja de cerca de trezentos membros há mais de 26 anos, em Maryland, Estados Unidos.

          Neste livro ele faz valer o honroso título que alguns lhe deram: "pastor de pastores". Ele propõe um modelo de ministério pastoral centrado nos princípios bíblicos, e não nos desejos do povo: "Muitos pastores, compreendendo que as pesquisas de opinião repudiam inteiramente o conceito que têm de si, submetem-se ao veredicto sociall e tornam capelães para a cultura" (p. 39).

         Para ele o mais importante não é o número de membros arrolados ou a quantidade de tarefas executadas pelo pastor, mas sua capacidade de permanecer fiel ao trabalho que lhe foi confiado por Deus. Ele escreve em uma bela passagem: "Como é natural, temos muito a ensinar e muito a fazer, mas nossa tarefa principal é ser" (p. 72).

          No livro, Peterson narra várias experiências pessoais, como o retiro de um ano que fez ao lado de sua esposa. O último capítulo traz vários poemas escritos pelo pastor.

          Sua escrita é poética, clara e sincera. Excelente texto para todos, não só para pastores.

George Gonsalves

9 de fevereiro de 2011

Rebeldes muçulmanos destroem igrejas cristãs


Um policial indonésio faz vistoria em uma igreja que foi saqueada na cidade de Temanggung

FOTO: REUTERS

9/2/2011

Templos foram saqueados e incendiados como forma de exigência de pena de morte a um cristão.

Jacarta. Um grupo de muçulmanos indonésios incendiou e depredou igrejas cristãs e enfrentou a Polícia, ontem, em meio a uma onda de violência religiosa no maior país islâmico do mundo.

Dois dias depois de um grupo de muçulmanos ter linchado até a morte três membros de uma pequena seita islâmica, uma multidão de muçulmanos furiosos atearam fogo a dois templos cristãos e saquearam um terceiro na cidade de Temanggung, no centro da ilha de Java, segundo a Polícia.

Os fatos ocorreram durante confrontos com a Polícia quando o grupo reclamava a pena de morte para um cristão condenado por blasfêmia contra o islã.

Eles exigem a pena de morte para Antonius Bawengan, 58, cristão condenado a cinco anos de prisão por distribuir panfletos considerados ofensivos ao islamismo.

"Hoje (ontem) foi o auge do julgamento. A multidão gritava que ele deveria ser condenado à morte ou ser entregue ao público", afirmou Djihartono, porta-voz da Polícia de Java Central.

Os manifestantes gritavam "morra, morra" do lado de fora do tribunal, e "queimem, queimem" ao seguirem em direção às igrejas, em uma região de Java onde muçulmanos e cristãos convivem pacificamente. Uma escola católica também foi vandalizada.

Os cerca de 1.500 manifestantes também atiraram pedras contra a Polícia, que respondeu com gás lacrimogêneo e tiros de advertência para o alto. Uma viatura policial foi queimada em meio à confusão, que começou em frente à corte e se espalhou pelas ruas do bairro.

O mais recente ato de violência religiosa na Indonésia, geralmente citada como exemplo de país pluralista, coincide com um aumento da pressão sobre o governo para que combata o extremismo e reforce seu compromisso com a diversidade.

(Fonte: Diário do Nordeste, 09.02.2011)



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