31 de janeiro de 2011

HÁ COISAS INADIÁVEIS

                                                                    
                                                                                                                      por George Gonsalves

Esta vida é uma estranha hospedaria,
De onde se parte quase sempre às tontas,
Pois nunca as nossas malas estão prontas,
E a nossa conta nunca está em dia...
                                           Mário Quintana

    Aconteceu há cerca de quatro anos. Havia na pequena congregação uma senhora que  eu estimava muito. Era gentil, amável e raramente faltava às reuniões. De repente, apresentou sintomas de que não estava bem. O diagnóstico foi duro: ela tinha câncer em estado avançado.

    Nunca deixei de orar por ela, nem de visitá-la. Ela se mostrava confiante em uma recuperação que, infelizmente, não aparecia. Aos poucos seu estado de saúde foi se deteriorando. Ela foi perdendo a capacidade de falar. Em uma das últimas visitas que a fiz, ela praticamente não estava mais pronunciando palavras.

   Liguei para uma jovem que não estava mais se congregando conosco. Avisei-a que o estado de saúde da referida senhora estava piorando muito, e que ela praticamente não falava mais. Semanas depois, esta jovem telefonou para alguém que se congregava conosco perguntando sobre a senhora:

- Ela está bem?

- Sim, ela está muito bem ... no céu, respondeu a outra pessoa.

     Um silêncio se fez do outro lado da linha.

    Há inúmeras coisas que planejamos fazer em nossas vidas que talvez não tenham tanta importância. Elas podem ser adiadas indefinidamente. Outras, no entanto, devem ser realizadas imediatamente. A demora pode fazer com que percamos para sempre a oportunidade de realizá-las.

    Jesus ordenou várias vezes a seus discípulos que estivessem preparados para deixar este mundo: "Vigiai!". Em outras palavras, devemos resolver pendências que estão ao nosso alcance. Por isso, se há alguém que precise ver, visite-a. Se há dívidas a serem pagas, quite-as. Se há alguma reconciliação a fazer, faça-a. Não adiemos aquilo que é inadiável: "Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz nisso está pecando" (Tiago 4:17).


29 de janeiro de 2011

NOVO LIVRO DE PHILIP YANCEY


LIVRO: PARA QUE SERVE DEUS - Em busca da verdadeira fé
AUTOR: PHILIP YANCEY
Editora Mundo Cristão, São Paulo-SP, 2010, 279p.


Este livro teve lançamento mundial no Brasil, o que comprova a receptividade da obra do jornalista Philip Yancey no país.

São dez capítulos. Em cada um deles, o autor narra experiências vividas em vários lugares, tão diferentes como Estados Unidos, Inglaterra, Índia, China e África do Sul. Após as narrativas há transcrição de palestras proferidas nestes lugares.

Alguns capítulos narram situações dramáticas. Em abril de 2007, após ter sobrevivido a um grave acidente, Yancey esteve na Virginia Tech. Ali, poucos dias antes um jovem estudante havia matado 32 pessoas antes de atirar contra a prórpia vida. Em novembro de 2008, ele estava em Mumbai, na Índia, quando terroristas paquistaneses mataram 165 pessoas, sendo vários estrangeiros.

A narração de Yancey é vívida e suas palestras são carregadas de emoção e cheias de referências a um de seus temas prediletos: a graça de Deus. Para mim, uma das coisas que me moveu durante a leitura do livro, foi a percepção de como a igreja de Cristo, apesar dos percalços, continua atuante e relevante para um mundo decaído.
George Gonsalves

DEVOCIONAL DE AGOSTINHO

LIVRO: FLORES DO JARDIM DE AGOSTINHO - A voz de um pai da igreja
AUTOR: LINDOLFO WEINGÄRTNER (editor)
Encontro Publicações, Curitiba-PR, 2005, 111p.


Diz-se de Agostinho (354-430) que ele foi filósofo quando pretendia ser teólogo, e fez teologia quando pretendia fazer filosofia. Seja como for ele é uma figura central na história do pensamento do ocidente.

Aqui, o pastor luterano Lindolfo Weingärtner editou uma pequena coletânea de citações do grande mestre da igreja cristã antiga feita por Eugenius Zeller, exatamente há cem anos, em 1911. São 365 citações, divididas de modo a que o leitor possa ler uma por dia, durante um ano.

Mesmo em poucas linhas podemos perceber várias características do gênio de Agostinho: profunda devoção, grande capacidade argumentativa e lirismo. Por exemplo: "Para mim, toda abundância que não é idêntica a meu Deus é pobreza" (p. 9); "Deus habita nas alturas, mas ele olha para as profundezas" (p. 18); "Pela graça de Deus sou o que sou; por minha culpa fui o que fui" (p. 40); "Se o mundo é belo, quem é o artista?" (p. 67).

O livro traz ainda um breve, mas útil resumo biográfico de Agostinho. Muito bom para se iniciar na monumental obra do bispo africano.
George Gonsalves

7 de janeiro de 2011

A ESQUECIDA DOUTRINA DA RESTITUIÇÃO

                                                                    
        Por George Gonsalves

        A Primeira Guerra Mundial finalmente acabou... em 2010. Explico: no dia 3 de outubro daquele ano Alemanha pagou a última parcela do ressarcimento aos aliados pelos danos causados naquele conflito, que terminou em 1919. Houve cerca de 15 milhões de mortos e grandes prejuízos materiais, principalmente em países como França e Bélgica. O valor da dívida foi acertado no Tratado de Versalhes, em 1919, e chegou ao valor de 24 bilhões de libras esterlinas.
       Nos Estados Unidos, depois de 150 anos, os batistas do sul pediram desculpas por seu apoio à escravidão. Em novembro de 2008, outro arrependimento se tornou público: Stephen Jones, presidente da conceituada universidade norte-americana Bob Jones, admitiu seu pecado na exclusão de estudantes negros até 1971. Ele declarou: “Nós nos conformamos à cultura em vez de lhe oferecer um contraponto cristão”.
        Por trás destes fatos podemos extrair um ensino bíblico negligenciado em nossas igrejas: a restituição. O cristão é chamado a fazer o bem a todos (Gálatas 6:10). Muitas vezes nossos pecados deixam marcas em outros e é nosso dever fazer o possível para que elas sejam apagadas, ou pelo menos minimizadas. Às vezes há necessidade de pedidos de perdão, outras de fazer pagamentos ou ainda reatar um casamento desfeito por egoísmo.
   Infelizmente, um texto bíblico tem sido cinicamente distorcido para favorecer a irresponsabilidade de alguns. Aos coríntios, Paulo escreveu: “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (II-Cor. 5:17). Obviamente, o apóstolo não está afirmando que compromissos firmados antes da conversão como, por exemplo, dívidas e casamento não tenham mais importância e, portanto, não devem mais ser honrados pelos cristãos. Se as coisas se fizeram novas, então o crente deve agir conforme sua nova orientação: honrando sua palavra, corrigindo erros. A Filemom Paulo manda de volta o seu servo Onésimo afirmando que restituiria algum dano ou pagaria alguma dívida em seu nome (Fm 18).
     Mas talvez o exemplo mais claro que temos desse dever cristão está registrado no evangelho de Lucas. Após, um encontro com Jesus o publicano Zaqueu declarou: “resolvo dar aos pobres a metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais” (Lc. 19:8). Não me admiro que o Senhor tenha dito logo após: “Hoje, houve salvação nesta casa, pois que também este é filho de Abraão. Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido” (Lc. 19:9-10). 
       O mundo precisa ver um testemunho marcante da igreja cristã. Ao contrário, muitas vezes tem visto espertalhões que se aproveitam de uma fachada religiosa para não cumprirem compromissos antes firmados. Restituamos, pois, o que é devido a quem de direito, para que o nome de Cristo seja glorificado nos seus.


  

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