25 de novembro de 2011

DAVID BRAINERD: CONSUMIDO PARA DEUS

David Brainerd prega aos índios
     Os cristãos que tentavam ocupar as terras norte-americanas no século XVIII não gostavam, em sua grande maioria, dos nativos. Os índios não eram vistos como pessoas a serem conquistadas para o reino de Deus, mas inimigos da fé que deveriam ser eliminados. Para se ter uma ideia do sentimento na época, um honrado cristão escreveu o texto que deveria estar na sua lápide:
 Consagrado à Memória
  de
      Lynn S. Love   
    que, durante sua vida, matou 98 índios que foram entregues em sua mãos para o Senhor.
Esperava completar 100 antes do final do ano, mas adormeceu nos barços de Jesus em sua casa, no Estado de N.Y. 
      Felizmente, havia um grupo de crentes que queriam evangelizar os índios. Um destes cristãos era David Brainerd, nascido no Estado de Connecticut, em 20 de abril 1718. Ele possuía intensos desejos espirituais. Ele relata uma experiência que teve quando possuía 22 anos de idade: "Certo dia, penso que foi em junho de 1740, caminhei até uma considerável distância da universidade, ficando sozinho nos campos e, em oração, encontrei tão indizível doçura e deleite em Deus que pensei que se tivesse de continuar neste mundo maligno, eu gostaria de estar sempre ali, para contemplar a glória de Deus {...} Parecia ser uma pequena semelhança do céu."
     Em junho de 1745, com 27 anos de idade, ele fez sua primeira viagem missionária aos índios em Crossweeksung, New Jersey. Nada seria como antes. Dentro de um ano havia cerca de cento e trinta pessoas na assembleia. Muitos índios foram tocados pela mensagem do evangelho e houve grande manifestação do poder de Deus. Alguns se convertiam em meio a lágrimas, soluços e gemidos. Ele registrou em seu diário em 7 de agosto de 1745: "Preguei aos índios, usando o texto de Isaías 53:3-10. A Palavra exerceu um tremendo efeito entre eles, mas nada comparável ao que sucedera no dia anterior, quando todos os presentes tinham sido afetados. Todavia, muitos ficaram comovidos, e outros sentiram grande aflição por causa de suas almas. Alguns não podiam ao menos ficar de pé, mas prostaram-se de bruços sobre o solo, como se os seus corações tivessem sido traspassados, rogando incessantemente por misericódia".   
      Gravemente enfermo por tuberculose, Brainerd se deixou consumir de forma apaixonada na obra que Deus lhe confiara. Não retrocedeu. Não murmurou. Apenas seguiu em frente... até quando pôde. Seu último registro no seu diário, em 2 de outubro de 1747, é comovente e nos dá uma percepção de quem ele era e o que sentia: "Hoje, por várias vezes, minha alma se sentiu docemente ligada a Deus, e anelei estar com Ele, a fim de poder contemplar a sua glória. Sentia-me docemente disposto a entregar tudo a Ele, incluindo os meus mais queridos amigos, o meu amado rebanho, o meu irmão ausente e todos os meus interesse, agora e para a eternidade. Quisera que o seu reino viesse a este mundo, para que todos pudessem amá-Lo e glorificá-Lo por aquilo que Ele é em Si mesmo, e para que o bendito Redentor pudesse 'ver o trabalho de sua alma, e ficasse satisfeito'. Oh, Senhor Jesus, vem prontamente! Amém."
    Seu diário, publicado postumamente, exerceu influência sobre homens como Jonathan Edwards, John Wesley, Jim Elliot e John Piper. Sua vida de consagração e renúncia desconcerta a nós que vivemos em um mundo cercado de entretenimento e futilidades. Ele nos dá a convicção de que quanto mais o homem é tomado por desejos celestiais, mais ele faz pelo mundo.
        George Gonsalves
Fonte:
A vida de David Brainerd: Jonathan Edwards - Ed. Fiel, 1993.
O sorriso escondido de Deus: John Piper - Shedd Publicações, 2005.

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