29 de novembro de 2011

BIOGRAFIA DE MARTIN LUTHER KING EM QUADRINHOS

Luta de Martin Luther King pelo fim da segregação racial nos Estados Unidos ganha adaptação em quadrinhos
       Transcrevo texto da repórter Ana Cecília Soares publicada no Diário do Nordeste em 29/11/2011. Após, faço um pequeno comentário.  

"Recém-lançado no país pela editora WMF Martins Fontes, "Vejo a terra prometida" traz uma reconstituição da história de Martin Luther King (1929-1968) e de sua luta contra a segregação dos negros nos Estados Unidos, durante a década de 1960.

Unindo as tradições indianas de contar histórias por meio de imagens, a obra aproxima a arte bengalesa de pintura de pergaminhos da narrativa dos quadrinhos. Uma fusão de linguagens que se serve como material didático interessante sobre alguns dos capítulos mais cruéis da história do mundo moderno.

Os responsáveis pelo livro são Arthur Flowers, artista performático com histórico de envolvimento com movimentos negros nos EUA; Manu Chitrakar, artista bengalês, mestre na tradicional arte patuá; e Guglielmo Rossi, designer italiano radicado em Londres.

A obra é composta por frases e diálogos soltos ou reunidos em boxes que dão uma estrutura ágil ao texto, em um processo que envolve o leitor o tempo todo. Além disso, a narrativa busca enfatizar um clima repleto de olhares, que o medo e as indecisões da época exigiram.

O livro também foca os momentos de derrota e de indecisão vividos por Luther King. Sobretudo, o clima de revolta e violência, a partir da presença de personagens negros, indianos e da Ku Klux Klaners. Esta última consistia em uma organização racista norte-americana que defendia a "supremacia ariana" e o cristianismo ultraconservador (padrão conhecido também como WASP) em detrimento de outras religiões.

O ativista e a luta
O pastor Martin Luther King Jr. tornou-se um dos principais símbolos progressistas dos anos 60. Foi uma figura-chave na luta contra a discriminação aos negros, a partir dos EUA. Em 1954, ele liderou um forte boicote contra a segregação racial, movimento que durou quase um ano.

Em 1963, Luther King conseguiu mobilizar mais de 200 mil pessoas para uma marcha civil pelo fim da segregação, em Washington. Nesta ocasião proferiu seu discurso mais conhecido, "Eu Tenho um Sonho". Dessas manifestações, nasceram as bases para uma nova Lei dos Direitos Civis, de 1964, e a lei dos Direitos de Voto, de 1965.

Em 1964, Martin Luther King recebeu o Prêmio Nobel da Paz. No início de 1967, Luther King uniu-se aos movimentos civis contra a Guerra do Vietnã. Em abril de 1968, foi assassinado a tiros por um opositor, num hotel na cidade de Memphis, onde apoiava uma greve de coletores de lixo."

         O pastor batista Martin Luther King não recebe pelas editoras evangélicas brasileiras a atenção que merece. Não há uma única biografia publicada por este segmento. Eu li algo sobre ele em um capítulo de Alma Sobrevivente, livro de Philip Yancey (Mundo Cristão, 2004).


      Há ainda uma obra que não li: Da violência à integridade publicada pela Editora Sinodal, de Ken Butigan e Patrícia Bruno, que aborda a questão da não-violência na vida de Jesus, Gandhi, Luther King e outros.


       Outro livro que trata sobre Luther King, mas de forma mais genérica, é o excelente Católico, protestante, cidadão - uma comparação entre Brasil e Estados Unidos (2003). Contudo, a obra da socióloga Angela Randolpho Paiva, prêmio IUPERJ, tese de doutorado em 2000, foi publicado pelas editoras UFMG e IUPERJ.    

        É só um palpite. Mas, talvez um dos motivos para esta ausência de publicações sobre o ativista norte-americano seja uma certa apatia da igreja brasileira ante às causas sociais. Luther King era um pastor. Pregou contra a discriminação racial sem uso de violência, baseado no evangelho. Mas, ele é visto mais como um ativista pelos direitos civis do que como um servo de Deus proclamando a justiça do evangelho. 

        Para mim, ele foi, a seu modo, um autêntico arauto de Deus, desafiando os poderes de seu tempo para fazer triunfar a mensagem igualitária cristã.     


George Gonsalves

QUADRINHOS
Vejo a terra prometida
Arthur Flowers, Manu Chitrakar e Guglielmo Rossi
2011; 144 páginas
Tradução: Marcelo Brandão Cipolla

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