10 de outubro de 2011

STEVE JOBS: GENIALIDADE, MEIOS E FINS


"Se você deseja uma descrição de nossa era, eis aqui uma: a civilização dos meios sem os fins".
         R.W. Livingstone (1880-1960) - escritor inglês

        Em um lugar onde se rendiam homenagens a Steve Jobs, fundador da Apple, que morreu na semana passada, alguém colocou um bilhete que dizia: "God is dead" (Deus está morto). Não sabemos qual a sua intenção ao escrever estas linhas. Talvez, ele não tivesse em mente a mesma visão de Nietzsche, que popularizou esta frase no século XIX. Nietzsche era declaradamente avesso à religião, e em especial, ao cristianismo. Para ele, Deus tinha que morrer para que um novo (super) homem surgisse. Talvez, o suposto fã de Jobs queria apenas mostrar o que estes gênios modernos representam para o mundo.

        Sem pessoas como Steve Jobs o mundo moderno simplesmente não existiria (pelo menos não como o temos hoje). Ele trouxe uma enorme tecnologia para o alcance de nossas mãos. Podemos ter acesso a bilhões de páginas virtuais em alguns segundos, conhecer detalhes de lugares em que jamais colocaremos os pés, tudo muito rápido. Mas...fica a pergunta: "Para quê serve tudo isso?".

       Na década de 70, uma frase inscrita num button que se tornou popular, e que foi elaborada pelo arquiteto inglês Cedric Price, colocava a perspicaz indagação: "Tecnologia é a resposta, mas qual era a questão?". Até Albert Einstein observou que vivemos em tempos de "meios perfeitos e objetivos confusos". Computadores, ipads e a própria internet são ferramentas. São meios, não fins. Elas são úteis se nos levarem a algo bom. Se não, apenas nos distrairão daquilo que realmente importa.

        Hoje qualquer um tem acesso a mais informações em um dia do que Leonardo da Vinci ou Shakespeare teve em toda a sua vida. Mas, infelizmente, parece que esta quantidade astronômica de conhecimento não tem sido potencializada no nosso mundo. Não sei se foi Carlos Heitor Cony ou João Ubaldo que disse mais ou menos assim: "Eu sempre acreditei que no mundo havia muitos idiotas. A internet veio para provar que eu tinha razão". Temos as ferramentas e as informações, mas não temos um bom fim em vista.

        Obviamente, não estou diminuindo a importância de homens criativos e ousados como Steve Jobs. A criatividade é um dom de Deus. O Senhor é o maior artista do universo. Olhemos para a exuberância da flora, por exemplo, e constataremos isso facilmente. Mas, quero dizer que precisamos utilizar talentos de homens como ele para um benefício amplo.

        Gênios da ciência do passado como Isaac Newton e Faraday, usaram seus talentos para glorificar a Deus e na atualidade o geneticista Francis Collins. A ciência e a tecnologia nos são cada vez mais necessárias, mas precisamos lembrar que elas não se esgotam em si mesmas. Elas devem servir a propósitos elevados. Por isso, uma regra observada na faculdade de Harvard, fundada por puritanos, era: "Que todo estudante seja claramente instruído e seriamente forçado a considerar bem que o principal fim da sua vida e de seus estudos é conhecer a Deus e Jesus Cristo". (em Santos no Mundo. Leland Ryken, p. 171). O fim de tudo deve ser a glorificação de Deus e o bem comum: "Portanto quer comais, ou bebais, ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus" (I-Cor. 10:31). 
 
George Gonsalves

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