22 de outubro de 2011

CELEBRIDADES EVANGÉLICAS: PRECISAMOS DELAS?

        Há alguns anos atrás pretendi fazer uma programação na igreja. Pensei em convidar um pastor que também era um conhecido cantor evangélico. Consegui falar com ele através do telefone. Ele, então, impôs suas condições para vir à minha igreja: passagem de ida e volta de avião (ele morava cerca de 900 km de distância da minha cidade), dois dias em um hotel da cidade e um adiantamento em dinheiro. Em troca ele nos daria uma certa quantidade de CDs (dele mesmo) para vendermos, se quiséssemos. Agradeci a resposta e desliguei o telefone. Nunca mais entrei em contato.

           Meses depois um irmão de outra igreja me falou com entusiasmo que uma famosa cantora havia se disposto a "louvar" em um congresso que organizavam. O custo? "Apenas", ele disse, R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Como a dita "estrela" não cantou mais do que dez músicas, cada uma foi cantada por cerca de R$ 500,00 (quinhentos reais), e isto em um culto ao Todo-poderoso.

          Ouvi falar que o costume se espalhou entre alguns dos "grandes" pregadores de nosso país. Para ministrar a uma congregação que não a sua eles cobrariam determinado valor, além de exigir determinadas regalias.  Acho tudo isso um absurdo. Para mim, quem exige mais do que a cobertura de custos de transporte e alimentação se comporta como um mercenário da fé. Exigência para ficar hospedado em hotéis, por exemplo, não se coaduna com um espírito de serviço e fraternidade.

          A sociedade moderna é uma fábrica de celebridades. Alguém coloca algum vídeo (mesmo que seja de gosto duvidoso) no youtube e pronto...Pode estar nascendo mais uma celebridade, mesmo que efêmera. São pessoas que não necessariamente trazem alguma contribuição significativa para o mundo. Como alguém definiu uma destas: "é celebridade porque é famosa, e é famosa porque é celebridade".

          Há um aspecto que quero destacar. A massificação de condutas tende a enfraquecer nosso julgamento sobre as coisas: "Se muitas pessoas fazem alguma coisa, será que ela é tão ruim assim? ". Vençamos este obstáculo, temos a Bíblia. Ao orientar os seus discípulos a anunciarem o reino de Deus, Jesus enfatizou: "de graça recebestes, de graça dai" (Mt. 10:8). E olha que o trabalho dos discípulos incluía cura de enfermos, expulsão de demônios e ressurreição de mortos!

          Vejamos, ainda, o exemplo de Paulo. Tratava-se de um apóstolo do Senhor. Alguém que tinha indiscutivelmente experiências maravilhosas e conhecimento das coisas de Deus. Ele relata sua postura aos presbíteros de Éfeso: "Vós bem sabeis como foi que me conduzi entre vós em todo o tempo, desde o primeiro dia em que entrei na Ásia, servindo ao Senhor com toda a humildade, lágrimas e provações [...] De ninguém cobicei prata, nem ouro, nem vestes" (At. 20:18-19 e 33). O apóstolo recebia donativos, mas não os cobrava. Fico pensando que poderia ouvir as pregações do apóstolo Paulo ou Pedro, ou ainda, de Wesley e Whitefield, e também ouvir o grande músico Ira Sankey, companheiro de D.L. Moody, e isto tudo sem desembolsar nenhum tostão. Por que gastaria para ouvir os "ungidos" e "levitas" de hoje?

         No Antigo Testamento verificamos conduta semelhante do profeta Eliseu. Para que ficasse bem claro que o dom de Deus não tinha fim lucrativo, ele recusou um presente de Naamã, quando este ficou curado de uma lepra. O seu ganacioso servo, Geazi, agiu de forma contrária, e por isso ficou leproso (II-Reis 5).

         Ocorre, que a própria igreja  cria suas "celebridades". Quando alguém que fazia algum sucesso nos palcos das casas de show vem para a igreja, logo passa a ser a atração daquela comunidade. Em pouco tempo, funda o seu "ministério" e passa a fazer shows "gospel", arrebanhando uma multidão de fãs dentro dos arraiais evangélicos.

         Contudo, quero deixar bem claro que acredito ser uma benção podermos ouvir servos de Cristo que não fazem parte de nossa igreja local. Precisamos aprender com outros que possuem experiências diversas com Deus. Se pudermos trazer alguém de longe para nos abençoar, façamos. Devemos cobrir os seus custos e podemos, inclusive, lhe ofertar voluntariamente. No entanto, só quero ouvir alguém que se comporte como um servo e não como uma "celebridade". O mundo já está cheio delas.
George Gonsalves

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