25 de setembro de 2011

SALVANDO O INIMIGO


Dirk Willems salva seu perseguidor
Ilustração extraída de "Martyrs Mirror"
                                                                                                                      por George Gonsalves    

 "Portanto se teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber [...] Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem" (Rm. 12:20-21).

   O inverno rigoroso castigava os habitantes da pequena Asperen, Holanda. Estávamos no perigoso século XVI, definido pelo eminente humanista Erasmo como "o pior século desde Jesus Cristo". O vocábulo tolerância não era muito comum nesta época.
   Dirk Willems havia se convertido à fé cristã e se ajuntado aos anabatistas. Sua disposição em negar a autoridade papal e os sacramentos da igreja romana (inclusive o batismo infantil) atraíram sobre si ódio e perseguição. Confiscos, torturas e mortes na fogueira não eram incomuns para àqueles que eram tachados de hereges pelo clero católico. Os países baixos estavam entre àqueles que mais tiveram seu chão manchado pelo sangue dos mártires no século XVI.
 Certo dia Willems se viu perseguido por alguém. Ele correu desesperadamente para salvar sua vida. Procurou se afastar o máximo possível daquele que poderia lhe prender e entregar às autoridades. Se fosse agarrado, fatalmente seria torturado e morto. Isto se não negasse sua própria fé, o que não estava em seus planos.
  De repente, o anabatista Willems se deparou com um lago. As baixas temperaturas o haviam congelado. Ele, então, decidiu atravessá-lo. Era sua única chance de escapar do perseguidor. Ele se agarrou a ela. Talvez pensou que seu algoz recuasse, temendo por sua própria vida.
    No entanto, não foi isso que aconteceu. O perseguidor também entrou lago pisando sobre as inseguras camadas de gelo. Willems, então, ouviu um forte estalo atrás de si. O gelo havia cedido e o seu perseguidor havia afundado nas águas geladas do lago. Em pouco tempo ele certamente morreria congelado. O que fazer? Seria um livramento de Deus para a sua vida? O Senhor estava punindo àquele que perseguia um dos seus? Não sabemos se ele teve estes pensamentos. Estas perguntas não têm respostas fáceis. Mas sabemos de sua atitude. Willems voltou e, correndo o risco de também afundar no lago, retirou das águas o seu caçador.
  Não temos detalhes, mas sabemos que Dirk Willems foi entregue às autoridades pelo homem que ele salvou. Foi interrogado, torturado e morto na fogueira em 16 de maio de 1569. Sua história se tornou um exemplo de fé e amor cristão para todas as épocas.
   Talvez nunca estivemos em uma situação limite como a de Willems. Mas, certamente já estivemos em outras em que o nosso amor foi posto à prova. Como tratamos àqueles que nos fizeram mal, àqueles de quem discordamos com veemência? Certamente, o sangue de Willems ainda nos fala.

Fontes:
Bracht, Thielman J. van. O espelho dos mártires (condensado): Publicadora Menonita.
Jackson, Dave e Neta. Nas chamas por Cristo: Editora Moriá.
Stoll, Joseph. Não vim trazer paz: Publicadora Menonita.
  

2 comentários:

*Patricia* disse...

Um verdadeira lição.

Fabio Silveira de Faria disse...

Realmente este texto é muito profundo. Declaramos amor a muitos nos momentos de alegria e gozo, mas basta uma pequena "farpa", e todas as virtudes são esquecidas. Se agimos assim em nosso relacionamento humano, não é difícil deduzir que a maior parte das juras de amor feitas a DEUS, são frutos apenas de uma emoção de momento.O quase impossível é termos a coragem de admitir. Eu me amo com muito furor e por isso estou sempre cansado no momento de dedicar amor a DEUS ou ao próximo.
Abraços.
Fabio, cristaodebereia.blogspot.com
Obs: Há um "Pequeno Lembrete" no blog.

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