11 de setembro de 2011

O FANATISMO RELIGIOSO E OS RADICAIS CRISTÃOS

         Poucas semanas após os atentados de 2001 escrevi um artigo para um jornal que publicava com alguns irmãos de fé. Transcrevo-o aqui com algumas modificações.

Mulher observa fotos de vítimas dos atentados terroristas 
  
        Estados Unidos, 11 de setembro de 2001. Esta data não será mais esquecida. Aviões foram sequestrados e lançados contra as torres do World Trade Center, em Nova Iorque, e contra o Pentágono, em Washington. Outro avião caiu em um campo no Estado da Pensilvânia. Cerca de três mil pessoas morreram. Algumas cenas dos  ataques foram transmitidas ao vivo para milhões de telespectadores pereplexos em todo o mundo.
        A autoria dos atentados é atribuída a extremistas islâmicos da Al-Qaeda. Cerca de dezenove membros desta organização teriam morrido e matado em nome de Alá e de seu profeta Maomé. Diante disto, alguns intelectuais, como o biólogo Richard Dawkins, vieram a público para criticar não só o fanatismo religioso, mas a religião em si. Para Dawkins, o homem moderno deve abolir qualquer tipo de fé religiosa.  
         De fato, o extremismo religioso muitas vezes está de mãos dadas com o terrorismo, uma modalidade de luta em que se mata inocentes para se obter conquistas políticas. Como exemplo temos grupos como o Hamas e o Hezbollah. 
         Também sabemos que, ao longo da história, em nome do Deus cristão já foram erguidas inúmeras fogueiras para matar aqueles que eram considerados hereges. Os católicos já sujaram suas mãos com o sangue dos mártires nas suas terríveis inquisições. Alguns protestantes também, como Zwínglio, pastor da Catedral de Zurique, na Suiça, que foi favorável à morte por afogamento do anabatista Felix Manz, em 1527. Ou ainda, os puritanos de Massachusetts, Estados Unidos, que levaram pessoas à morte por supostas práticas de bruxaria. Todavia, podemos afirmar que estas ações são uma distorção do evangelho, que refletem uma concepção mal elaborada da fé bíblica.
        Mas, a comunidade cristã que foi chamada de radical no século XVI, composta pelos anabatistas, deu exemplo de abnegação e amor ao próximo. Refiro-me aqui aos anabatistas pacíficos que tinham em suas fileiras homens como Conrad Grebel, Michael Sattler e Menno Simons  Eram radicais não porque executavam seus oponentes, mas porque queriam ir à raíz da fé cristã, não somente pregando os ensinamentos de Jesus, mas imitando sua própria vida. Sobre este grupo no século XVI, época em que católicos e protestantes se degladiavam nos campos de batalha, afirma o historiador Justo L. Gonzales: "... estes reformadores mais radicais sustentavam que a fé cristã era, em sua própria essência, pacifista. O sermão do Monte deveria ser obedecido ao pé da letra, apesar de muitas objeções sobre a impossibilidade de praticá-lo, pois tais objeções eram devidas a falta de fé. Os cristãos não deveriam tomar as armas para defenderem a si mesmos nem para defender sua pátria." (Uma História Ilustrada do Cristianismo, Vol.6 -  A Era dos Reformadores, p. 98).
        Eles honraram verdadeiramente o seu Mestre: "... Foi levado como ovelha ao matadouro; e como um cordeiro, mudo perante o seu tosquiador, assim ele não abre a sua boca" (Atos 8:32). Com suas vidas os radicais continuaram o vívido testemunho dos primeiros cristãos na terra. No ano de 110 d.C Justino Mártir, um dos pais da igreja, escreveu: "Nós, os que estávamos antes cheios de guerra e de mortes mútuas, e de toda maldade, temos renunciado em toda terra aos instrumentos guerreiros e temos convertido as espadas em arados e as lanças em ferramentas para cultivo da terra, e cultivamos a piedade, a justiça, a caridade, a fé, a esperança, que vem de Deus Pai por seu filho crucificado." (em La Fe en la Periferia de la Historia, Juan Driver, p. 51).
       Jesus deu o exemplo a ser seguido. Quando Tiago e João quiseram destruir os samaritanos que não haviam recebido a Cristo, Ele lhes repreendeu, pois não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las (Lucas 9:51-56). Em outra ocasião, quando Pedro sacou uma espada e cortou a orelha de um homem, Jesus curou o ferido e disse ao apóstolo: "Embainha a tua espada; pois todos os que lançam mão da espada, à espada perecerão" (Mateus 26:51-52).
        O radicalismo cristão é resultado de uma profunda experiência com Deus. Leva-nos a convicções inabaláveis, mas ao contrário do fundamentalismo islâmico ou de outra religião, nos leva igualmente à tolerância ao próximo. Ou seja, um cristão deve morrer, mas não matar por sua fé. Por isso, Peter Riedermann, líder anabatista, escreveu em 1545: "Cristo, o Príncipe da Paz, estabeleceu seu reino, isto é, sua Igreja, e a comprou com seu sangue. Neste reino  acabou-se toda guerra. Por ele, o cristão não toma parte na guerra nem também empunha a espada para vingar-se". (em La Visión Anaubatista, Harold S. Bender, p. 39).

George Gonsalves

Um comentário:

Kalany Munhoz disse...

''contrário do fundamentalismo islâmico ou de outra religião'' , minha religiao nao tem fundamentalismo em mantar ninguem, se voce estudasse um pouco sobre a minha religiao antes de falar, saberia que esta escrito no Quran : Combatei, Pela causa de Deus, aqueles que vos combatem, porém, nao pratiqueis agressao, porque Deus não suporta agressores''. Sabemos aqui que se alguem vier me matar, nao ficarei parado esperando minha morte, se fosse assim nao existiria o Islam pois os ateus, ou pessoas que acreditam em outras religioes diferentes,tentaram massacra-los, assim como os judeus fizeram com próprio enviado de Deus, JESUS ( que a apaz e a bençao de Deus esteja sobre ele). Gostei do seu texto mas fique atento no que falar, humildade em primeiro lugar. Um grande abraço SALAM

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