12 de agosto de 2011

LEMBRA-TE


     “Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras...” (Apocalipse 2:4-5).

      Uma das coisas que mais me chama atenção neste versículo é a expressão: lembra-te. E eu me arrisco a crer que esse é o passo fundamental para cada novo recomeço.
      Se pararmos para analisar o valor dessa atitude, podemos concluir que bênçãos há para os que se dão à reflexão de suas vidas. Aqui, vemos Jesus falando a uma igreja, no caso a de Éfeso. No entanto, isso não nos isenta da responsabilidade de aplicarmos as palavras do nosso Mestre às nossas vidas de modo bem particular.
      Deus nos criou com algo que, a meu ver, evidencia sua brilhante e perfeita inteligência: a mente humana. Ela é capaz de armazenar com certa precisão nossas mais valiosas lembranças sejam elas boas ou más, e por isso, somos convidados a fazer uso dessa criação abençoada em muitos momentos de nossa caminhada cristã.
     Infelizmente, há os que preenchem suas mentes com coisas que só lhe trazem prejuízos, lembrando-se de pecados e até se deleitando com eles. Outros por sua vez, insistem em lembrar-se de injustiças ou danos que lhe foram causados, enveredando pelo caminho da amargura, do ressentimento. Outros ainda sofrendo com recordações de pessoas que passaram por sua vida e que não mais terão retorno. Mas não é desse tipo de lembrança de que Jesus trata no texto citado. O Senhor nos fala de coisas que devemos lembrar e que nossa negligência por tantas vezes insiste em nos fazer esquecer.
     Três coisas importantes o Senhor nos fala:

     Lembra-te de onde caíste...

     Não deveríamos regressar, sem que recordemos das coisas que precisam ser lembradas. É necessário que não esqueçamos de onde caímos. Isso exige de nós um profundo estado de reflexão, do contrário podemos até continuar caminhando, mas sem a experiência abençoada do arrependimento e por consequência sem uma verdadeira mudança.
    E isso me faz lembrar uma história bem conhecida de muitos de nós cristãos - a parábola do filho pródigo. Aquele jovem, durante um período de erros em sua vida teve uma experiência maravilhosa de arrependimento, mas para que isso lhe acontecesse ele se lembrou de algumas coisas que eram imprescindíveis ao seu regresso, e, arrependido, retorna aos braços carinhosos do Pai. Era para ele um novo recomeço.

     Tenho contra ti que abandonaste teu primeiro amor...

     Conheço pessoas que no princípio de sua fé não passariam por cima de determinados erros, por menor que estes parecessem, sem se angustiarem com eles. Sua sensibilidade era uma evidência do zelo que tinham pela causa de Cristo. Hoje, a ausência dessa sensibilidade é exatamente o reflexo do abandono do primeiro amor e isso leva a erros bem mais grosseiros.

       ... e volta à prática das primeiras obras.

    Em toda a sua palavra Deus, nosso maravilhoso Criador, nos convida a regressos... Precisamos fazer uma avaliação diante dele. Se estamos realmente perto, em intensa comunhão, ou se estamos longe, à semelhança daquele filho pródigo.
      Alguém disse com muita sabedoria: em nosso caminho existem pedras e ao nos deparar com elas o ideal não é que passemos por cima, mas que as removamos para continuarmos a caminhada.
     As pedras que surgem no nosso caminho têm sido removidas ou simplesmente ignoradas?
Existem pecados que devem ser confessados? Erros que precisam ser abandonados? Atitudes a serem avaliadas? Então o nosso Criador não só nos convida a voltar, mas também a lembrarmos de onde caímos, e por fim nos arrepender.

     Essa é a voz de Deus ao nosso coração: lembra-te!

     Silvana Sales



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