14 de julho de 2011

CENTENÁRIO DA ASSEMBLEIA DE DEUS: LEMBRANÇAS JUSTAS E APROPRIAÇÕES INDEVIDAS

    
    No ano de 1999, a revista norte-americana Time selecionou os 100 acontecimentos mais importantes do milênio. Um dos escolhidos foi o avivamento pentecostal ocorido na rua Azusa, em Los Angeles, em 1906. Ali, William Seymour, um pastor negro, filho de escravos, alugou um imóvel. Ali ele basicamente orava, orava e orava com sua pequena comunidade. Em breve, a igreja cristã não seria mais a mesma. Fervor evangelístico, desejo de santidade, e curas se intensificaram entre os cristãos de várias partes do mundo. Mas, atenção! Não confundamos os pioneiros pentecostais com muitos mercenários neopentecostais de nossos dias.
    Apenas cinco anos mais tarde, em 1911, houve uma reunião de cerca de vinte pessoas na tórrida cidade de Belém, no Estado do Pará. Lá estavam dois missionários suecos: Daniel Berg e  Gunnar Vingren, e mais alguns brasileiros. Tinha início ali um dos maiores movimentos da história da igreja. Em 1930, apenas menos de duas décadas após a primeira reunião, a denominação já possuía 14.000 membros. Vinte anos depois os fiéis já eram 120.000. Ou seja, mais de 600.000% de crescimento nas primeiras quatro décadas! Na época áurea de expansão (1950-1971) as congregações se multiplicaram de forma exponencial. Em 1980 já haviam 6 milhões de membros nas Asssembleias de Deus, um crescimento espetacular (Por que crescem os pentecostais? Peter Wagner: Ed. Vida, p. 23). Em junho do corrente ano, completaram-se 100 anos do início de um movimento que veio a institucionalizar-se (ver a análise de Emílio Conde em O testemunho dos séculos, CPAD, 1982, p. 13/17). Muitas celebrações foram realizadas no Brasil para lembrar o centenário da Assembleia de Deus.
   Lembrar os homens e mulheres que estiveram no início deste movimento é praticamente um dever dos que fazem parte da igreja (mesmo que não comunguem com a doutrina pentecostal). Não que esta obra fosse perfeita, é óbvio. Mas, guardadas as proporções, também não houve perfeição na Reforma Protestante, Movimento Puritano ou Avivamentos dos séculos XVIII e XIX, por exemplo. Todavia, reconheço a mão de Deus nestes movimentos. 
     Portanto, deixo claro minha satisfação em que se recorde e se conte as histórias de crentes como Paulo Macalão, Frida Vingren, Adriano Nobre, Emílio Conde, Lewi Pethrus, Samuel Nyström, Otto Nelson, Lawrence Olson, dentre outros, todos participantes ativos do início do movimento pentecostal no Brasil. A fé, coragem e abnegação, que os fizeram passar por grandes provações, são inspiradoras.
    Mas, devemos traçar limites entre a justa lembrança e a apropriação indevida. Nestes dias, muitos pastores não somente lembraram os pioneiros pentecostais, eles se apropriaram da história deles. Falaram deles como se seguissem o que eles pregavam. Sem medo de fazer um julgamento precipitado, afirmo que a esmagadora maioria dos primeiros líderes pentecostais no Brasil simplesmente não seriam aceitos nas atuais igrejas que ostentam o nome de Assembléia de Deus. Seriam tachados de fanáticos, radicais, legalistas. Para muitos, o nome Assembléia de Deus virou apenas uma marca. Não há identificação com os postulados doutrinários, muito menos com o padrão de vida dos pioneiros. Tal fato ocorre, evidentemente, com outras denominações. Há batistas que não se identificam com Roger Williams, presbiterianos que não crêem como Calvino e metodistas que não aceitam o pensamento de John Wesley. Mas mesmo assim, se mantém o nome da denominação. É como um marketing. O nome lembra um passado glorioso, tem tradição.            
    Há pelo menos duas doutrinas que são ensinadas hoje em muitos templos assembleianos que não se coadunam com a mensagem dos pioneiros. A primeira é a "teologia" da prosperidade. Com absoluta certeza, este ensino era estranho às primeiras congregações da Assembleia de Deus. A mensagem dos primeiros líderes tinha como um dos focos a busca pelos dons espirituais, e não por bens terrenos. A pobreza não era vista como maldição. Esta diferença foi assim percebida pelo sociólogo Gedeon Alencar: "Aqui não há a 'barganha cósmica', ou o 'é dando que se recebe', típico da teologia da prosperidade que atualmente é marca nas chamadas igrejas neopentecostais. Os adeptos não estão esperando enriquecer, ter saúde e assumir o poder político..." (Assembleias de Deus - origem, implantação e militância (1911-1946). Arte Editorial, p. 84/85).
    Outro ensino atual que está bastante distante do anunciado no início do século XX, é o relativo à maneira de como o cristão deve se vestir. Seguindo a tradição de Calvino, Richard Baxter, Wesley e outros, os líderes da antiga  Assembleia de Deus pregavam a necessidade do crente se vestir de modo simples, sem o uso de jóias ou maquiagens, e de forma não sensual. Tal comportamento seria o reflexo de uma vida santificada, não uma obra meritória. Esta linha, que se tornou uma característica distintiva da denominação, foi reafirmada em diversas convenções gerais, como em 1975 (Santo André-SP) e 1999 (Rio de Janeiro-RJ)(ver tópico "usos e costumes" - Dicionário do Movimento Pentecostal, Isael de Araújo, CPAD, 2007). Hoje, muitos pastores "modernos" tacham esta tradição de legalista, mas mesmo assim se dizem herdeiros de Berg e Vingren.   
   Portanto, devemos separar as coisas: lembrar nomes e momentos de um movimento espiritual é justo, mas apropriar-se de uma obra da qual se discorda é simplesmente desonesto.
George Gonsalves

3 comentários:

otavio albino disse...

é lamentavel que a cgadb tenha feito uma comeração do centenario das assembleias de deus paralela a da igreja mãe que é a igreja que realmente completou cem anos só porque essa igreja é dirigida pelo pastor samuel camara o presidente da cgadb tem rixas politicas com pastor samuel que cocorreu a presidencia da cgadb algumas vezes . se daniel berg e gunar vingre estivesem vivos ficariam tristes com tal ocorrido e outra coisa o proprio cristo esta triste com tamanha rixa a igreja é uma só ela não e a placa denominacional paz e grasa meu otavio de maranguape membro da comunidade cristã sal da terra ex- betesda maranguape gosto muito do programa da igraja batista do verbo na radio vida as tersas feiras

Anônimo disse...

foi lamentavel as comemoraçoes do centenario das assembleias de deus foram feitas duas festas que vergonha em separado tudo por da arrogancia do presidente da cgadb

o disse...

meu nome é otavio pertenso a ex-igraja betesda maranguape que atualmente se chama comunidade cristã sal da terra venho perabenizalos pelo programa na radio vida as tersas feiras das 10 as 11 da noite grasa e paz

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