12 de junho de 2011

RECUPERANDO A BELEZA DA AMIZADE


      Hoje fui acordada com uma mensagem no meu celular que dizia exatamente assim: “Amigo é um anjo que nos ajuda a ficarmos de pé quando nossas asas têm problemas e já não conseguem voar, por isso te digo, tenho você como minha amiga”. Confesso que essa frase me trouxe certa perturbação e me deixou por um longo tempo muito, mas muito pensativa.
      Preocupa-me a noção que muitas pessoas têm acerca da amizade. Apesar de gentil e aparentemente atraente, essa frase me transporta para uma realidade dolorosa e bem comum entre muitas pessoas: o falso conceito de amizade.
      Vivemos numa era de modernidade, em que o computador, os celulares, infelizmente, têm tomado um espaço bem maior na vida das pessoas do que realmente deveria. E muitos têm trocado o calor de um abraço, a ternura de um toque, por teclas, mensagens e e-mails.
       Não tenho absolutamente nada contra amizades virtuais, desde que a excessiva distância seja o único impedimento para uma proximidade real. Não podemos permitir que nossas ocupações, nosso comodismo ou qualquer outra coisa dessa natureza, nos impeçam de nos relacionar, de tocar as pessoas, de senti-las.
       O que mais me deixou perplexa é que a mesma pessoa que me enviou essa frase, e que me colocou num padrão tão elevado de um relacionamento (a amizade), é muito distante de mim. Vivi acontecimentos importantes, dolorosos, e inesquecíveis como perdas, desemprego, perseguições e em nenhuma dessas ocasiões, tive-a por perto.
     Precisei fazer escolhas, tomar decisões, trilhar caminhos importantíssimos na minha caminhada cristã e, mais uma vez, esse meu pretenso amigo esteve absolutamente alheio e ausente. O que me leva a crer que muitas vezes falamos de coisas que não sabemos e nem sequer sentimos.
       A Bíblia é a nossa regra de pratica e fé. E é nela que existem exemplos de homens e mulheres, vivendo uma autêntica relação de amizade. Amizades essas que deveriam nos servir de referencial. Davi e Jônatas, por exemplo, experimentaram em sua relação de amor, o mais alto grau de serviço, desprendimento e confiança, elementos tão essenciais numa amizade. Tanto que o próprio Davi, saudoso, disse que melhor era o amor desse amigo do que o amor de muitas mulheres... 
        E o que dizer de Noemi e Rute? Esta última mostrou fidelidade e misericórdia quando decidiu seguir sua sogra. Atributos estes tão em falta em tantos relacionamentos atuais. As pessoas, mesmo as que se dizem amigas, abandonam-se e se traem-se muito facilmente.
Paulo, o apóstolo, não tinha apenas cooperadores ao seu lado, mas também amigos. Amigos como Priscila e Áquila, que arriscaram suas próprias vidas em seu favor. E isso é próprio do amor. Verdadeiros amigos se arriscam. Jônatas que o diga!
        Jesus um dia elevou seus discípulos a amigos e fez jus a essa condição, porque os amou até o fim. Que possamos olhar para esses exemplos e para o exemplo maior. Que possamos ponderar nossas palavras, atentar para nossas atitudes, e rever com muita atenção o nosso conceito de amizade.
          Que Deus em Cristo nos abençoe e nos faça amigos legítimos e fieis.
Silvana Sales

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