15 de junho de 2011

PALAVRAS NA AREIA

“E os escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher apanhada em adultério... E pondo-a no meio, disseram-lhe: Mestre, esta mulher foi apanhada, no próprio ato, adulterando, e, na lei, nos mandou Moises que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes?... Mas Jesus inclinando-se, escrevia com o dedo na terra. E como insistissem, perguntando-lhe, endireitou-se e disse-lhes: Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela. E tornando a inclinar-se, escrevia na terra” (João 8:2-8).
        Este é a meu ver um dos textos sagrados mais belos e intrigantes. Belo porque expressa o amor, a misericórdia de Deus pelo homem pecador, e intrigante pela tranquilidade inabalável de Jesus em meio a todo aquele tumulto.
     Intrigante também por causa das suas surpreendentes ações. Os fariseus e escribas esperavam, a princípio, uma resposta: "Tu, pois, que dizes?" E Jesus silenciosamente escrevia... Os religiosos insistem. Querem um julgamento, uma sentença, e o que Jesus diz atinge-os diretamente: "Aquele que dentre vós está sem pecado...” E inclinando-se continua a escrever. Deveria ser muito importante o que escrevia, porque Ele dá continuidade. 
    Quem de nós nunca se perguntou ou desejou saber o que Jesus escrevia naquele momento? A Bíblia não nos diz, mas teólogos se arriscam e dão seus palpites. Há quem acredite que naquele momento Jesus deveria estar escrevendo os pecados do povo, pois ao final de tudo, todos saíram, um a um, do mais velho ao mais jovem e naquele cenário, antes conturbado por uma multidão polvorosa, encontrava-se apenas Jesus e aquela mulher.
        No livro Derrubando Golias, Max Lucado faz uma citação brilhante e que me fez pensar muito nesse episódio: “Escreva as preocupações de hoje na areia, grave as vitorias de ontem na pedra”. Apesar de nossas tentativas, não sabemos ao certo o que Jesus escreveu, mas sabemos onde Ele escreveu. E se é verdade que Jesus escrevia pecados naquele momento, para os acusadores era a palavra final, mas para aquela mulher era a sua absolvição.
     Essa história se repete até hoje. E, fazendo uso da frase de Lucado, digo que nossos pecados, causa de nossos fracassos, Jesus os escreve na areia, onde o seu perdão tem o poder de apagar e a nossa maior vitória Ele grava-a em pedra, para que não mais esqueçamos do Deus amoroso que Ele é.
        Com certeza, aquela mulher nunca mais esqueceu.
Silvana Sales

Nenhum comentário:

Você pode também gostar

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...