17 de maio de 2011

ANABATISTAS: SILÊNCIO, SUSSURRO E VOZ NA HISTÓRIA


Anabatistas condenados à morte por afogamento
"Diga-se agora que o valor da tentativa [dos anabatistas] não deve ser julgado à luz de sua contribuição para a história. Eles assumiram sua postura à luz da eternidade, independentemente do que poderia ou não acontecer na história."
Roland H. Bainton

Quando consultamos livros didáticos em nosso país, percebemos um silêncio eloquente: o anabatismo do século XVI é praticamente ignorado. Este silêncio se transforma em sussurro quando consultamos livros acadêmicos em português sobre a Reforma Protestante (refiro-me ao anabatismo pacifista, contrário à revolta ocorrida em Münster). Muito pouco se diz sobre àquele que é "um dos mais importantes movimentos de restauração de toda a história do cristianismo" (ALLEN e HUGHES, p. 129). Um exemplo claro disso é o livro do renomado historiador francês Jean Delumeau Nascimento e afirmação da Reforma, que em suas quase quatrocentas páginas, dedica apenas algumas linhas sobre o anabatismo.

Há várias razões para isso. Uma delas pode ser percebida por um conhecido jargão dos historiadores: "a história é escrita pelos vencedores". Entre os protestantes, luteranos e calvinistas alcançaram o poder político e econômico em vários países. Sendo assim, trataram de publicar livros de seus principais autores e de contar a história a partir de sua perspectiva. Por outro, os anabatistas foram perseguidos tanto em território católico como protestante. Basta lembrarmos que o líder anabatista Felix Manz foi morto no Cantão de Zurique, então território protestante, no ano de 1527, sob o olhar complacente do pastor Zuínglio. Centenas e talvez milhares foram mortos pela inquisição católica. Eles se negaram a associar-se a príncipes e reis e tiveram pouca força econômica. Assim, viveram sua fé "na periferia da história", como afirmou John Driver.

Felizmente, o interesse pela história dos anabatistas vem crescendo. Talvez, porque "os protestantes do protestantismo" (OLSON, p. 426) defendiam ideias que se tornaram caras ao mundo moderno: tolerância, pacifismo e senso de comunidade. Queriam viver nos moldes estabelecidos por Jesus. Abaixo relaciono algumas obras que estudam o anabatismo ou "os radicais", como também foram chamados:

HISTÓRIA GERAL:
DICKENS, A. G. A Reforma na Europa do século XVI: Verbo.
ELTON, G. R. A Europa durante a Reforma (1517-1559): Presença/Martins Fontes
FRIEDRICH, Otto. O fim do mundo: Record.
HILL, Christopher. O mundo de ponta-cabeça: idéias radicais durante a Revolução Inglesa de 1640: Cia. das Letras.


HISTÓRIA DA IGREJA:
GONZALEZ, Justo L. Uma história ilustrada do cristianismo - vol. 6 - A era dos reformadores: Vida Nova.
LATOURETTE, Kenneth Scott. Uma história do cristianismo - vol. 2: Hagnos.
LINDBERG, Carter. As reformas na Europa: Sinodal.
CLOUSE, Robert G., PIERARD, Ricahrd V. & YAMAUCHI, Edwin M. Dois reinos: Cultura Cristã.
OLSON, Roger. História da teologia cristã: Vida.
WALKER, Wiliston. História da igreja cristã: Aste.

HISTÓRIA E DOUTRINA ANABATISTA:
ALLEN, C. Leonard & HUGHES, Richard T. Raízes da restauração - a gênese histórica do conceito de volta à bíblia: Vida Cristã.
BENDER, Harold S. La visión anabautista: Clara-Semilla.
______________& John Horsch. Menno Simons - sua vida e escritos. s/e.
BRACHT, Thielman J. van. O espelho dos mártires (condensado): Publicadora Menonita.
DRIVER. John. Contra a corrente - ensaios de eclesiologia radical: Cristã Unida.
___________ La fe en la periferia de la historia: Semilla-clara.
DURNBAUGH, Donald. F. La iglesia de creyentes - historia y carácter del protestantismo radical: Semilla-Clara.
DYCK, Cornelius. Uma introdução à história menonita: Cristã Unida.
ESTEP. William R. Revolucionarios del siglo XVI - historia de los anabautistas: Casa Bautista de Publicaciones.
GARCIA, Raúl O. Porque sou cristão evangélico anabatista: Editora Cristã Unida.
GEORGE, Timothy. Teologia dos reformadores: Vida Nova.
JACKSON, DAVE e NETA. Nas chamas por Cristo: Moriá.
LEDERACH, Paul M. Uma terceira opção - diálogos sobre a fé anabatista/menonita: Cristã Unida.
KLAASSEN, Walter (ed.). Selecciones teológicas anabautistas: Herald Press.
PEREIRA, José dos Reis. Breve história dos batistas: Juerp.
SIMONS, Menno. "Confissão" e O novo nascimento: Publicadora Menonita.
STOLL, Joseph. Não vim trazer paz: Publicadora Menonita.
VERNON, Louise A. A igreja secreta: Livraria Cristã Unida.
WILLIAMS, George H. La reforma radical. Fondo de Cultura Económica.
YODER. John. A política de Jesus: Sinodal.


ARTIGOS:
ESTEP. William R. Historia de los anabautistas. (disponível em www.iglesiareformada.com/index.html)
MASKE, Wilson. Os menonitas e a construção do novo reino: Editora da UFPR. Revista História: Questões e Debates, nº 28.
NASCIMENTO, Luis Felipe Medes do. A Reforma vista por olhar marginal (na Alemanha): Revista Theos - 6ª edição, v. 5, nº 1.

FILMES:
Os radicais.
Amish grace.
George Gonsalves

Um comentário:

otavio albino disse...

é presiso de um zelo anabatista nos dias de hoje.pois vemos a amoralidade que o evangelho se tornou como bem fala a musica dos nonatos estão mercatilizando jesus . jesus não é produto mais sim nosso deus e senhor .graça e paz . asinado irmão otavio da ex-betesda maranguape (atual comunidade cristã sal da terra)venha nos visitar e dar uma palavra na nossa igreja

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