4 de abril de 2011

O MEDO QUE TODO CRENTE DEVERIA TER


Um ano antes de seu falecimento, em março de 2010, o então vice-presidente da República, José Alencar concedeu uma entrevista. Há mais de 12 anos lutando contra um câncer e depois de se submeter a mais de uma dezena de cirurgias a pergunta era inevitável:
- O senhor tem medo da morte? , perguntou o jornalista.
- Não.
- Não? insistiu o entrevistador.
- Não, eu tenho medo da desonra.

Este deve ser o medo de todos os cristãos. Está na contramão da "ideologia" hodierna, época sem sonhos altruístas, mas de pragmatismo egoísta. Hoje em dia não ouvimos tanto a pergunta: "o que é certo fazer?", mas sim "o que ganho com isto?".

São raros homens com a atitude como a do filósofo Sócrates. Condenado à morte por ter ensinado o que achava correto, disse que ninguém deve pesar as possibilidades de vida e morte, mas "considerar apenas este aspecto de seus atos: se o que faz é justo ou injusto, de homem de brio do de covarde."

No filme "As bruxas de Salém", que retrata um episódio verídico ocorrido em um lugar governado pelos puritanos que estavam na América, há uma cena marcante: o personagem interpretado por Daniel Day-Lewis, um pacato cristão, é acusado injustamente de praticar bruxaria. Os homens encarregados do processo, cientes de sua inocência, mas pressionados a dar uma resposta à sociedade lhe fazem uma proposta: ele ficaria livre da forca se assinasse um termo de arrependimento. Deste modo, ele confessaria um ato que não fez em troca de sua vida. Mas o homem rasga o documento diante das autoridades. Prefere morrer a ter seu nome marcado pelo resto de sua vida como alguém envolvido em uma prática satânica. Ou seja, prefere a morte à desonra.

Quantos cristãos estão vivendo de acordo com a sua consciência, sem fazer acordos espúrios para se livrar de alguma dificuldade? Quantos podem dizer como o apóstlo Paulo, que diante do governador Félix disse: "também me esforço por ter sempre consciência pura diante de Deus e dos homens"? (Atos 24:16).

Vivemos em uma época em que o medo de tantas coisas ronda nossas mentes. Há os medos antigos: morte, violência, futuro. E há os novos: escassez de água, aquecimento global, radioatividade. Sem falar em doenças atuais que fazem o homem ter pânico de coisas inofensivas. Mas, o medo da desonra está em extinção. Por isso, a frase de José Alencar ganhou a mídia, pois parece anacrônico para uma época que parece querer enterrar a virtude. Devemos, pois, lembrar das palavras do Senhor: "Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo" (Mt. 10:28).
George Gonsalves

Um comentário:

Anônimo disse...

Uma vida honrada vale mais que mil palvras e deveria ser marca registrada de um crente.

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