7 de março de 2011

HISTÓRIA E RELIGIÃO

LIVRO: HISTÓRIA E RELIGIÃO
AUTOR: SÉRGIO DA MATA
ED.: Autêntica, 2010, 155p.


Simônides foi instado pelo tirano Hierion a dizer-lhe o que seria "Deus". O sábio pediu um dia para pensar sobre o assunto. Quando Hierion o procurou no dia seguinte, ele disse-lhe que precisaria de mais dois dias. A cada nova cobrança, mais tempo era pedido pelo sábio. Até que irritado, o tirano exigiu uma explicação. Simônides, então, se justificou: "Quanto mais eu penso sobre esta questão, mais obscura ela se torna". Com esta citação de Cícero, Sérgio da Mata identifica sua posição no início do seu excelente livro sobre a relação da disciplina de História com o fenômeno religioso. Ele admite que é uma "tentativa de formular perguntas, mais que de trazer respostas" (p. 12).

O autor, doutor em História pela Universidade de Colônia com pós-doutorado na Universidade Viadrina, em Frankfurt, ambas na Alemanha, faz um resumo sobre algumas contribuições importantes no campo historiográfico sobre a religião, de Eusébio de Cesaréia até Lucien Febvre, passando por Adolf von Harnack.

No capítulo 3, Sérgio da Mata critica aqueles que falam sobre um "retorno do sagrado" em nossos dias. Para ele, o sagrado não "retornou", porque ele nunca "se foi". Em um belo arremate diz: "a religião, em que pese sua mutabilidade histórica e sua diversidade, deve ser compreendida, na sua essência, como uma constante humana; ela é um universal humano [...] A religião é expressão inextinguível da conditio humana... (p. 89/90).

Boa parte do livro é dedicada à "morfologia histórica da religião", em que ele procura esclarecer termos caros à pesquisa histórica como por exemplo: ascetismo, carisma e conversão.

O autor, apesar de erudito, conseguiu escrever em uma linguagem relativamente simples e atraente. Trata-se de ótima leitura para para àqueles que pretendem estudar a história de um fenômeno tão complexo e diversificado como a religião.


LIVRO: O LIVRO NEGRO DO CRISTIANISMO - Dois mil anos de crimes em nome de Deus
AUTORES: JACOPO FO, SERGIO TOMAT e LAURA MALUCELLI
EDIOURO, 2007, 270p.



Os autores fazem um verdadeiro inventário da violência perpetrada pelo catolicismo romano contra àqueles que eram julgados como hereges em diversos períodos da história: inquisição, cruzadas, colonialismo, e muito mais.

Na obra há uma breve descrição de muitos movimentos religiosos discordantes da igreja romana, desde o seu estabelecimento no século IV: montanistas, paulicianos, valdenses, hussitas, huguenotes, dentre outros.

O livro também trata de problemas mais recentes envolvendo a igreja católica. Destaque para a relação do Vaticano com o nazismo e as ditaduras da América do Sul, bem como o envolvimento de sacerdotes com o crime de pedofilia.

Ao longo do livro, os autores fazem uma ligação entre a intolerância da igreja católica com o seu ensino. Ou seja, a perseguição e a violência era sancionada por uma peculiar interpretação das autoridades católicas.

Uma obra que nos leva a pensar como o ensino cristão pode ser distorcido para realização de atos de verdadeira barbárie.
George Gonsalves


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