7 de janeiro de 2011

A ESQUECIDA DOUTRINA DA RESTITUIÇÃO

                                                                    
        Por George Gonsalves

        A Primeira Guerra Mundial finalmente acabou... em 2010. Explico: no dia 3 de outubro daquele ano Alemanha pagou a última parcela do ressarcimento aos aliados pelos danos causados naquele conflito, que terminou em 1919. Houve cerca de 15 milhões de mortos e grandes prejuízos materiais, principalmente em países como França e Bélgica. O valor da dívida foi acertado no Tratado de Versalhes, em 1919, e chegou ao valor de 24 bilhões de libras esterlinas.
       Nos Estados Unidos, depois de 150 anos, os batistas do sul pediram desculpas por seu apoio à escravidão. Em novembro de 2008, outro arrependimento se tornou público: Stephen Jones, presidente da conceituada universidade norte-americana Bob Jones, admitiu seu pecado na exclusão de estudantes negros até 1971. Ele declarou: “Nós nos conformamos à cultura em vez de lhe oferecer um contraponto cristão”.
        Por trás destes fatos podemos extrair um ensino bíblico negligenciado em nossas igrejas: a restituição. O cristão é chamado a fazer o bem a todos (Gálatas 6:10). Muitas vezes nossos pecados deixam marcas em outros e é nosso dever fazer o possível para que elas sejam apagadas, ou pelo menos minimizadas. Às vezes há necessidade de pedidos de perdão, outras de fazer pagamentos ou ainda reatar um casamento desfeito por egoísmo.
   Infelizmente, um texto bíblico tem sido cinicamente distorcido para favorecer a irresponsabilidade de alguns. Aos coríntios, Paulo escreveu: “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (II-Cor. 5:17). Obviamente, o apóstolo não está afirmando que compromissos firmados antes da conversão como, por exemplo, dívidas e casamento não tenham mais importância e, portanto, não devem mais ser honrados pelos cristãos. Se as coisas se fizeram novas, então o crente deve agir conforme sua nova orientação: honrando sua palavra, corrigindo erros. A Filemom Paulo manda de volta o seu servo Onésimo afirmando que restituiria algum dano ou pagaria alguma dívida em seu nome (Fm 18).
     Mas talvez o exemplo mais claro que temos desse dever cristão está registrado no evangelho de Lucas. Após, um encontro com Jesus o publicano Zaqueu declarou: “resolvo dar aos pobres a metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais” (Lc. 19:8). Não me admiro que o Senhor tenha dito logo após: “Hoje, houve salvação nesta casa, pois que também este é filho de Abraão. Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido” (Lc. 19:9-10). 
       O mundo precisa ver um testemunho marcante da igreja cristã. Ao contrário, muitas vezes tem visto espertalhões que se aproveitam de uma fachada religiosa para não cumprirem compromissos antes firmados. Restituamos, pois, o que é devido a quem de direito, para que o nome de Cristo seja glorificado nos seus.


  

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