9 de outubro de 2010

O CRENTE E A PROSPERIDADE



“Então, lhes recomendou: Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza: porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que possui”.
(Lucas 12:15)

Lendo as Escrituras é possível perceber a preocupação, bem como o caráter, da mensagem dos grandes homens de Deus. O cuidado de Moisés com o povo Hebreu, seu zelo na lei do Senhor, sua mansidão e misericórdia são claramente vistos nas páginas do Pentateuco. Também percebemos a sinceridade de Davi, a fidelidade e paciência de Jó, bem como a perseverança de Paulo, na doutrina do Senhor ou mesmo no cuidado que tinham com os necessitados. Hoje, no entanto, muitos pregadores têm trazido uma mensagem nova de prosperidade que em nada se assemelha à dos santos de Deus. Como vamos nos preocupar com mansidão se, segundo a pregação desses  “profetas” da prosperidade  temos de ser revoltados? E, como falar de paciência ou de submissão se temos de colocar Deus contra a parede até que Ele nos dê aquilo que, segundo eles, nos é de direito? Que absurdo! A criatura ordenando ao criador! (Rm 9:20; Lm 3:39). E ainda, como vamos nos preocupar com os necessitados da igreja se os que estão passando por situações de miséria são culpados por não terem fé e, logo, se são culpados são também merecedores do estado em que se encontram? É de causar espanto a falta de sensibilidade, o apego ao que é do mundo e o total descaso que essa geração faz da palavra do Senhor, que é Bendito eternamente. 
Infelizmente a mensagem de prosperidade entrou sorrateiramente no meio evangélico que por sua vez, despreza a advertência do texto inicial que diz: “tende cuidado” e “guardai-vos”, acolhendo-a e tornando, assim evidente o estado espiritual em que se encontram.
 Os que ensinam a doutrina da prosperidade defendem que há uma promessa de riquezas financeiras para o povo de Deus e que é correto que vivamos como príncipes nesse mundo, pois somos filhos do Rei, dono do ouro e da prata. No entanto, além desta mensagem estar em total desacordo com a genuína Palavra de Deus, serve também para mascarar o pecado do apego aos bens materiais, à vaidade, à avareza e o egoísmo. O que dizer dos apóstolos de Cristo? Ao que me consta, a maior parte deles era de homens simples e iletrados. Pedro e João, ao receberem um pedido de esmolas do coxo, que estava assentado à porta do templo chamada Formosa, responderam claramente que não possuíam nem prata e nem ouro, mas tinham o que era de mais importante para aquele homem- a pregação do poder de Deus para a salvação da sua vida (At 3: 1-10). O próprio Jesus era um homem simples, filho de um carpinteiro. E, quanto ao fato de sermos filhos do Rei, de fato o somos, mas esquecem-se eles que o reino de Jesus, como ele mesmo afirmou, não é deste  mundo ( Jo 18:36). Se o reino deste mundo não é de Jesus também não é daqueles que Ele comprou com o Seu sangue. Amados, somos peregrinos em terra alheia ( I Pe 2:11). O nosso reino é o de cima, incorruptível, eterno e não o daqui de baixo efêmero, passageiro ( Gl 4:26).
 Não, meus irmãos, a vida do homem não consiste na abundância de bens que ele possui, mas no fato de ele ter se tornado filho de Deus, no fato de o seu nome está escrito nos céus. A nossa alegria e segurança vem do Senhor que habita em nosso coração, por isso: “Ainda que a figueira não floresça, nem haja frutos na vide: o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, todavia, eu me alegro no Senhor, exulto no Deus da minha salvação” (Hc 3:17,18). E como Jó  também  possamos dizer: “ainda que ele me mate nele esperarei” (Jó 13:15).
Não estou afirmando que o cristão não possa prosperar financeiramente e nem estou fazendo apologia à pobreza, mas apenas que não devemos colocar o nosso coração na incerteza das  riquezas ( I Tm 6:17 ) e que não nos esforçamos para acumular tesouros na terra, pois, onde estiver o teu tesouro ai estará também o teu coração. (Mt 6:19-21)
Por isso a Escritura nos ordena: “se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra” (Cl 3:1,2). “Porque o reino de Deus não é comida e nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo (Rm 14:17) .
Na primeira Epístola de Paulo a Timóteo, o apóstolo nos adverte acerca desses falsos mestres e também do perigo das riquezas: “...homens cuja a mente é pervertida e privados da verdade, supondo que a piedade é fonte de lucro. De fato, grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento. Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes( I Tm 6:5-8). Esses “mestres” não sabem o que é viver piedosamente com contentamento e muito menos  seus seguidores, e nem poderiam saber, pois negociam com a palavra de Deus e buscam seus próprios interesses. “Eles procedem do mundo; por essa razão, falam da parte do mundo, e o mundo os ouve” (I Jo 4:5).
“Ora os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e  perdição. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males, e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores( I Tm 6:9,10).
Meus irmãos, quando lemos as Escrituras com sinceridade de coração vemos que a prioridade dos santos de Deus era o cuidado de fazer tudo conforme estava escrito e não  busca por riquezas materiais: “Duas coisas te peço; não mas negue, antes que eu morra: afasta de mim a falsidade e a mentira; não me dês nem a pobreza nem a riqueza; dá-me o pão que me for necessário; para não suceder que, estando eu farto, te negue e diga: Quem é o Senhor? Ou que empobrecido venha a furtar e profane o nome de Deus” ( Pv 30:7-9).  Observem também o pedido de Salomão e, como Deus se agradou dele quando, tendo a oportunidade de pedir o que quisesse, pediu sabedoria para guiar o povo de Deus e não  riquezas ( I Rs 3: 5-15). Por tanto não se enganem:“Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo o amor do Pai não está nele( I Jo 2:15).

Em Cristo Jesus, o Senhor!
 Roberto Pereira

5 de outubro de 2010

LEMBRAI-VOS

                                                
              Era um dia inesquecível para os israelitas. Após muitas lamentações e sangue derramado, a arca de Deus fianlmente adentrava pelos portais de Jerusalém,  resgatada das mãos dos filisteus.
          O rei Davi ordenou que houvesse música para louvar ao Senhor. Em meio ao som de clarins, trombetas e harpas, ele próprio não se conteve e passou a saltar e a dançar (com todas as forças) perante o Altíssimo e todo o povo. Asafe e seus irmãos, encarregados de celebrarem a Deus com instrumentos, cantaram: "Lembrai-vos das maravilhas que fez, dos seus prodígios e dos juízos dos seus lábios... "(I Crônicas 16:12). 
          Lembrai-vos das maravilhas. É o primeiro destaque do hino do salmista. Quão importante e necessário é que nos lembremos sempre das obras do nosso Deus no decorrer da acidentada história humana. A memória é uma  poderosa fonte de informação e nela estão armazenadas lembranças boas e más, fatos que nos causam júbilo e outros que nos deixam tristes e perplexos. Todavia é preciso que ela seja santificada.
          O pecado corrompeu o ser humano por completo, e não apenas em parte, como afirmava Tomás de Aquino. Sendo assim, nossa memória tornou-se terrivelmente seletiva para o mal. Há pessoas que carregam durante anos lembranças de falhas ou pecado de outrem: uma palvra mais dura, uma incompreensão. Entretanto se esquecem, ou colocam em segundo plano, atividades corretas desta pessoa. O povo de Israel constantemente falhava no seu relacionamento com o Todo-Poderoso por não lembrar-se da misericórdia e do poder demonstrado por Ele.  
          Os israelitas foram tirados do Egito com mão poderosa pelo Senhor, que havia operado milagres. Mas logo se viram em grande prova. Espremidos entre o exército egípicio e o mar Vermelho, eles esqueceram a demonstração de amor e poder dado por Deus dias antes. Então disseram a Moisés: "Será por não haver sepulcros no Egito, que nos tiraste de lá, para que morramos neste deserto?"( Êxodo 14:11). Todavia, o Senhor demonstrou mais uma vez Sua misericórdia abrindo de forma espetacular o mar Vermelho, e logo em seguida fechou-o para os egípios. Houve festa entre o povo. Hinos de louvor e danças. Mas não foi preciso muito tempo para que eles murmurassem novamente: "Quem nos dera tivéssemos morrido pelas mãos do Senhor na terra do Egito, quando estávamos sentados junto às panelas de carne, e comíamos pão a fartar, pois nos trouxestes a este deserto, para matardes de fome a toda esta multidão" (Êxodo 16:3). Que terrível amnésia espiritual!
          A lembrança que nos é boa  não é aquela que nos torna amargurados e que  nos impele a suspirar: "tempos bons, tempos que não voltam". Esta não causa mudança de atitude, apenas saudade. Fujamos dela. O nosso lembrar deve, todavia, alimentar a esperança da intervenção divina: "Lembrai-vos, porém, dos dias anteriores em que, depois de iluminados, sustentastes grande luta e sofrimento".(Hebreus 10:32). A recordação de vitórias pretéritas nos revigora para as lutas presentes. Se vencemos antes, o nosso Deus ainda permanece conosco. Tenhamos confiança para outras conquistas. Quando partiu o pão e o deu aos discípulos, Jesus disse-lhes:" Isto é o meu corpo oferecido por vós; fazei isto em memória de mim"(Lucas 22:19). Ao participarmos da Ceia, passamos a reviver, pela fé, o dramático sacrifício de Cristo. Somos reanimados, revigorados pela doce lembrança do amor deDeus.
          Por último, precisamos lembrar que Ele, o Majestoso Senhor, se lembra de nós. Sim, Deus não esquece o seu povo. Ele está com seus olhos direcionados para cada  um dos Seus pequeninos. Está é uma garantia de que não seremos deixados à nossa própria sorte. O Espírito Santo deixou gravada esta  sublime mensagem nas Escrituras: "Acaso pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta viesse a se esquecer dele, Eu, todavia, não me esquecerei de ti"(Isaías 49:15).

                                                                   George Gonsalves

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