24 de maio de 2010

BIOGRAFIA DE ROBERT KALLEY

JORNADA NO IMPÉRIO VIDA E OBRA DO DR. KALLEY NO BRASIL
Autor: William B. Forsyth. Editora Fiel, 2006, 254p.


             Esta obra é muito importante, pois trata da vida de Robert Kalley. Este médico escocês não é muito conhecido no meio evangélico brasileiro, apesar de ser o fundador da primeira igreja evangélica no Brasil: a Igreja Evangélica Fluminense, estabelecida em 1858.
            Apesar de se concentrar no trabalho exercido em terras brasileiras, ainda sob o reinado de D. Pedro II, o livro aborda o incrível esforço missionário do Dr. Kalley na Ilha da Madeira, em Portugal. Lá, a perseguição foi muito grande. Crentes foram agredidos e presos. O próprio Kalley teve que fugir às pressas, sob pena de ser morto por parte da população.
             O livro é bem escrito e não omite alguns momentos delicados que Kalley passou no Brasil, como seu desentendimento com o missionário presbiteriano Simonton    
e a saída de membros da sua igreja para o grupo de cristãos conhecidos como “Irmãos”. Retrata também sua amizade com alguns dos cristãos mais notórios de seu tempo: Charles Spurgeon e Hudson Taylor, que pregou em seu funeral.
             Indispensável para quem quer conhecer um pouco da história da igreja evangélica no Brasil.  
George Gonsalves     

A MULHER, O PERFUME E CRISTO


                                                                                                                por George Gonsalves

    Estamos em Betânia, século I. Cristo está mais uma vez na casa de um pária da sociedade: Simão, conhecido por ser leproso. De repente, uma mulher interrompe a reunião. Ela não pronuncia qualquer palavra. Carrega consigo um vaso de alabastro, material usado para fazer frascos. Dentro dele está um precioso perfume de nardo puro. Os contabilistas de plantão logo fazem os cálculos: custa em torno de trezentos denários, o salário de quase um ano de um trabalhador comum. O que faria aquela mulher com aquele líquido? O que nós faríamos?         
   Para surpresa de quase todos, ela quebra o frasco de perfume. O agradável cheiro enche a casa, impregna as pessoas. Mas especialmente uma. O bálsamo é derramado sobre a cabeça de Jesus. O que Cristo dirá a ela? Ele que alimentou os pobres famintos que o ouviram até o entardecer, que ensinou a ajudar àqueles que eram mais necessitados.
    A indignação toma conta do ambiente. “É um absurdo”, talvez alguém cochiche. “Para que este desperdício?”, afirmam alguns. Seria melhor, pensam, vender o perfume e repartir entre os pobres. A expectativa agora é pela repreensão que, com certeza, Jesus fará à mulher. Ledo engano.   
   Cristo então disse: “Deixai-a; por que a molestais? Ela praticou boa ação para comigo” (Marcos 14:6). Jesus resumiu a essência da moral cristã: boa obra é aquela que é para Deus. Quando aquela mulher entrou naquela casa ela não se importou com ninguém mais, a não ser o Mestre. Ela agiu como Maria que “quedava-se assentada aos pés do Senhor a ouvir-lhe os ensinamentos” (Lucas 10:39). Exprimiu o sentimento do salmista: “A quem tenho eu no céu senão a ti? E na terra não há quem eu deseje além de ti” (Salmos 73:25).    
  Conta-se que no século IV o jovem Eraclius subiu ao púlpito para pregar. Sentado atrás de si estava o já idoso Agostinho, bispo de Hipona, um dos maiores gênios da história da igreja. O jovem pregador, então, disse à sua platéia: “O grilo trila, o cisne está silencioso”. Diante do mestre aquele jovem sentiu que perdeu a importância. Diante de Jesus tudo o mais perde a importância: poder, dinheiro e até o próprio homem. Em Betânia, no momento em que Jesus estava prestes a morrer por nós, ajudar os pobres não era o mais importante a fazer: “Porque os pobres, sempre os tendes convosco e, quando quiserdes, podeis fazer-lhes bem, mas a mim nem sempre me tendes” (Marcos 4:7) .    
   Não existe lei moral à parte de Cristo. A doutrina cristã não é um conjunto de regras elaboradas sem relação com o Legislador. O apóstolo Paulo disse: “Não foi assim que aprendestes a Cristo” (Efésios 4:20). Aprendemos não uma doutrina, mas uma pessoa. O que fazemos deve ser para a glória de Deus. Assim, respeitamos o próximo, não por causa dos "Direitos Humanos", mas porque está no homem a imagem de Deus. Devemos cultuar ao Senhor não do modo que mais gostamos, mas de uma maneira que se coadune à majestade divina.         
   Destaco, ainda, uma frase de Jesus em relação àquela mulher: “Ela fez o que pôde” (Mc. 14:8). Como disse no começo, o valor daquele perfume era correspondente a um ano de trabalho. Mas, não acredito que Jesus estivesse calculando o seu valor. Ele enxerga o que não vemos: quanta gratidão e amor havia naquele ato. Ele, que sonda os corações, não vê apenas o que fazemos, mas como fazemos, o quanto de nós está em nossas ações. Homens depositam fortunas para Deus, mas ele ignora. Uma mulher entrega duas moedinhas, e ele a reconhece como a que mais ofertou. A mulher de Betânia não derramou apenas perfume sobre Jesus, ela mesma se derramou perante sua face, reconhecendo quem de fato ele era e o que merecia.
   Cantamos, oramos, pregamos e damos esmolas. Mas, será que Jesus poderia dizer de nós: “Ele fez o que pôde”? Jesus honrou aquela mulher a ponto de querer que sua memória fosse preservada (Mc. 14:9) Ela foi um modelo de como devemos nos portar diante do Senhor.     




10 de maio de 2010

SER RELIGIOSO FAZ BEM PARA O CORAÇÃO

Dois estudos internacionais indicam que a religiosidade pode proteger da morte por problemas cardíacos e de doenças como hipertensão. Um, constatou, entre os religiosos, um menor número de mortes por doenças do coração, o outro que, atividades religiosas diminui o risco de hipertensão.
Visite: Gospel, Noticias Gospel, Videos Gospel, Musica Gospel Por 30 anos, médicos norte-americanos acompanharam a saúde cardiovascular de 6.500 adultos que não apresentavam fatores de risco (obesidade, tabagismo etc.). Constataram menor número de mortes por doenças do coração entre os que seguiam alguma religião.
Outro estudo americano, realizado pela Universidade de Duke com 3.963 pessoas, concluiu que a leitura de textos religiosos, a prática de oração ou a participação em cultos reduziu em 40% o risco de a pessoa desenvolver hipertensão. Com base nesses resultados, a Sociedade de Cardiologia de São Paulo vai discutir pela primeira vez a relação entre espiritualidade e saúde cardiovascular, em um congresso que começa hoje na capital.
“Cada vez mais estudos apontam essa associação benéfica. Os resultados ainda não são definitivos, mas merecem ser discutidos”, diz o cardiologista Álvaro Avezum, diretor da divisão de pesquisa do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia de São Paulo. Existem algumas teorias para explicar por que as pessoas religiosas têm menos doença cardiovascular. A principal delas, de acordo com Avezum, é o controle do estresse.
“O estresse aumenta os níveis de cortisol no sangue. Isso eleva a pressão arterial e pode provocar taquicardia -fatores de risco para problemas cardiovasculares. As pessoas espiritualizadas têm maior convivência social e enfrentam os problemas da vida de maneira mais fácil, gerenciam melhor o estresse”, diz.
O psicólogo José Roberto Leite, do departamento de Psicobiologia da Unifesp, concorda. “Pessoas que têm uma crença religiosa costumam alimentar expectativas positivas em relação ao futuro.”
Resultados controversos
O geriatra Giancarlo Lucchetti, do Departamento de Neurologia da Unifesp, diz que a dobradinha religiosidade e espiritualidade sempre esteve muito próxima da saúde, embora haja conclusões controversas. “Há estudos que mostram benefícios,outros não. Mas a religiosidade é benéfica não apenas para o coração, mas para a saúde como um todo.”
Lucchetti fez um levantamento com 110 pacientes idosos que estavam em reabilitação na Santa Casa de São Paulo. Aqueles que eram mais religiosos tiveram uma melhora mais rápida no tratamento e relataram ter mais qualidade de vida, segundo o médico. Ele alerta, porém, para o fato de que a religião pode atrapalhar o paciente, dependendo da abordagem: “Muitas pessoas acham que um problema de saúde acontece porque estão sendo punidas, porque Deus as abandonou. Isso provoca desfechos piores no tratamento e maior índice de depressão”.
Religiosidade, sozinha, não faz milagre, como lembra o cardiologista Marcos Knobel, do hospital Albert Einstein: “Quem só se dedica à religião e esquece de outros fatores não estará mais protegida do que alguém que cuida da saúde, mas não é tão religioso”.

Fonte: Folha / Gospel+

HÁ UMA "CULTURA GOSPEL"?

Os evangélicos criaram um novo jeito de ser, afirma pesquisadora. Confira a entrevista

      Desde que o movimento pentecostal brasileiro tornou-se fenômeno de massa, no último quarto do século 20, especialistas das mais diversas áreas têm se debruçado sobre a Igreja Evangélica com lupas de pesquisador. O espantoso crescimento do segmento, que pulou de um traço estatístico para a posição de segundo maior grupo religioso do país, tem sido discutido e explicado de muitas maneiras – quase todas, diga-se de passagem, incompletas ou mesmo parciais. Por isso, trabalhos como o da professora Magali do Nascimento Cunha ganham relevância. Jornalista, doutora em Ciências de Comunicação e mestre em Memória Social e Documento, ela é docente em diversos cursos da Faculdade de Teologia da Igreja Metodista da Universidade Metodista de São Paulo e atua ainda como palestrante e conferencista. Mas observa o cenário evangélico nacional com ainda mais conhecimento de causa, já que é membro da Igreja Metodista do Brasil e do Comitê Central do Conselho Mundial de Igrejas (CMI).
Visite: Gospel, Noticias Gospel, Videos Gospel, Musica Gospel       Ninguém pense, contudo, que Magali faz algum tipo de concessão ao corporativismo. Ao contrário – a pesquisadora não poupa as críticas que julga necessárias à Igreja contemporânea. No seu mais recente livro, A explosão gospel – Um olhar das ciências humanas sobre o cenário evangélico no Brasil (Mauad Editora), Magali constrói uma tese segundo a qual esse movimento chamado gospel fundamenta-se não apenas na lógica do mercado, mas também numa série de novos comportamentos e maneiras de enxergar e praticar o Evangelho. “Vivemos o surgimento de uma cultura religiosa nova”, afirma a professora. Segundo ela, a explosão gospel criou tantas demandas que afetou até mesmo a teologia cristã deste século 21. Entender este multifacetado universo de fé e todos os seus desdobramentos talvez seja tarefa para gerações. Mas nesta entrevista, Magali Cunha aponta alguns caminhos.

CRISTIANISMO HOJE – Como a senhora define a cultura gospel?
MAGALI DO NASCIMENTO CUNHA – Vivemos o surgimento de uma cultura religiosa nova, um jeito de ser diferente daquele construído pelos evangélicos brasileiros ao longo de sua história. Novos elementos foram adicionados como resposta ao tempo presente, que é fortemente marcado pelas culturas da mídia e do mercado, e pelo crescimento de novos movimentos evangélicos, principalmente o pentecostalismo. O movimento musical chamado gospel resultou deste processo sócio-religioso e abriu caminho para outras expressões. Isso quer dizer que testemunhamos uma ampliação, sem precedentes, do mercado religioso e de formas religiosas mercadológicas. Há também uma relativização da negação do mundo, tão cara aos evangélicos brasileiros – o corpo é valorizado, assim como a diversão. Com isso, temos uma nova cultura experimentada, um novo modo de ser evangélico: privilégio à expressão musical, envolvimento no mercado e espaço para o lazer e o entretenimento.
O termo “gospel” não é abrangente demais para abrigar tantos elementos e manifestações?
Na verdade, podemos dizer que as diferenças que existem entre os grupos evangélicos estão bastante “sufocadas” por essa forma cultural. Uso o termo “gospel” para definir esse modo de vida porque ele emerge do fenômeno que ganhou corpo nos anos 90 – o movimento musical que detonou um processo e configurou algo muito maior. Surgiu uma forma cultural, um modo de vida gospel. Ele não é uma expressão organizada, delimitada; mas resulta do cruzamento de discursos, atitudes e comportamentos entre si e com a realidade sociopolítica e histórica.

Mas existem traços comuns entre todas essas manifestações?
Há, principalmente, três elementos. Em primeiro lugar, a busca de modernidade e inserção dos evangélicos na lógica social da tecnologia, da mídia, do mercado e da política. Numa segunda perspectiva, tivemos as transformações na forma de cultuar e na ética de costumes de um significativo número de igrejas. Veja que atualmente não é mais possível identificar o que é um culto batista, ou um culto metodista, ou um culto presbiteriano. Identificamos, em nossas pesquisas, uma só forma de cultuar com as mesmas características. E, em terceiro lugar, um discurso comum que privilegia temas como “vitória” e “poder”, com ênfase no aqui e agora, bem diferente da tradição evangélica, cuja pregação privilegiava temas como o céu e a segunda vinda de Cristo como compensação pelos sofrimentos do presente. Essa produção de cultura alcançou uma amplitude que perpassa, senão todas, a grande maioria das igrejas e denominações evangélicas brasileiras.

O louvor tem importância cada vez maior nos cultos. Por que as igrejas têm dado tanto valor à música?
Quem é Deus e quem é Jesus na maioria das canções? A maior parte das composições traz imagens da teofania monárquica do Antigo Testamento. Assim, Deus e Jesus são intensamente relacionados a imagens de reinado, majestade, glória, domínio e poder. Nesta linha, ganha novo sentido a figura dos levitas, que passam a ser destacados e traduzidos na contemporaneidade como “os ministros de louvor”, terminologia assumida nas igrejas. Disso resulta também o estabelecimento de uma hierarquia de ministérios. Há maior destaque aos levitas, e isso pode ser observado no lugar que ocupam no culto. Quem toca e canta é considerado ministro; já quem realiza outras atividades de serviço raramente é apresentado e destacado dessa maneira.

Essa nova cultura gospel tem espaço para a ética cristã?
Vivemos hoje uma forte crise de ética cristã quando privilegiamos um modo de ser baseado no “eu” e na experiência. Isso é totalmente incompatível com o Evangelho. E a coisa se agrava quando aprendemos que ser cristão é consumir bens e serviços religiosos e divertir-se não como mera assimilação da cultura do mercado, mas como expressão religiosa. Quer dizer, a cultura gospel permitiu aos evangélicos brasileiros a inserção de elementos profanos na forma de viver sua fé e de relacionar-se com o sagrado.

Em seu livro Explosão gospel, a senhora diz que o fenômeno mercadológico mudou o jeito de ser evangélico no país. Afinal, o que mudou?
Mercado religioso não é novidade. A oferta de produtos relacionados à religião e à fé sempre existiu. O que ocorre hoje é que o mundo vive um momento em que o mercado é o centro da vida socioeconômica, determina políticas e relações. E esse momento tem reflexos no cristianismo quando, por exemplo, experimentamos um crescimento sem precedentes do mercado religioso e os cristãos se tornam segmento de mercado.

Qual o efeito disso sobre a teologia evangélica?
Observamos hoje o surgimento de teologias que resultam deste predomínio da lógica do mercado na cultura dos povos. A teologia da prosperidade, que apregoa o sucesso material, especialmente o financeiro, como resultado da bênção de Deus, é fruto disso. A confissão positiva, do “eu que tudo pode” – então, a bênção passa a ser resultado do esforço pessoal –, e a noção da guerra espiritual, que combate as forças espirituais malignas que prejudicam o homem, também. Mas não é só isso. Existe a idéia de que, ao comprar um produto de orientação cristã, o crente não está só adquirindo um bem, mas chegando mais perto de Deus. Ou seja, o caráter sagrado atribuído aos produtos cristãos os tornam uma espécie de mediadores entre Deus e o consumidor. Por isso, as pessoas compram adesivos para que seu carro seja protegido do mal ou adquirem camisetas que vão guardá-las de infortúnios. Isso sem falar em gente que compra um CD daquele cantor “abençoado”, acreditando que ouvir as músicas pode até proporcionar uma cura.

O individualismo é uma marca do cristianismo contemporâneo?
Ocorre hoje uma exacerbação desse individualismo porque a cultura do mercado que predomina entre os povos bebe dessa fonte, o que se reflete na religiosidade evangélica. Por isso, as canções nunca trouxerem tanto o predomínio do “eu”, do gozo espiritual intimista; ao mesmo tempo, muito pouco ou quase nada se fala do valor do outro, do serviço, da partilha e da mutualidade.

O surgimento das chamadas comunidades evangélicas, cujo apogeu ocorreu nos anos 1980, foi determinante para o surgimento da cultura gospel?
As igrejas alternativas surgem como uma reação ao protestantismo tradicional e ao seu comportamento restritivo. Por isso eram, e ainda são, majoritariamente jovens e modernas. Esse fenômeno contribuiu, sim, para a formação da cultura gospel, mas não podemos dizer que é responsável. Foi um elemento a mais. Mas vale dizer que este vanguardismo das igrejas alternativas nunca abdicou dos elementos básicos da cultura evangélica no Brasil – apenas deu-lhes nova roupagem.

Hoje, é comum as igrejas copiarem modelos eclesiásticos considerados de sucesso, sobretudo os grandes ministérios liderados por dirigentes carismáticos. Qual o papel da mídia nisso?
A cultura da mídia, que é um elemento forte nas sociedades contemporâneas, promove uma padronização de discursos e práticas. Temos um padrão para cantar, para se comportar, para falar de Deus e da Bíblia. Isso porque as grandes igrejas e os grupos mais expressivos, com suas respectivas lideranças, conseguem espaço na mídia e viram modelos a serem copiados ou adaptados para a realidade de um sem-número de comunidades.

Qual a crítica que a senhora faz ao uso que os evangélicos têm feito da mídia no Brasil?
A mídia evangélica é extremamente comercial. Ela reproduz a lógica da mídia secular e não faz diferença no meio. É diferente de mídias cristãs de outros países, que produzem documentários, lideram campanhas de cunho social, exibem mensagens bastante criativas relacionadas ao calendário cristão. Ainda não assisti a nenhuma programação desta natureza em nosso país. O programa mais criativo que assisti nos últimos tempos saiu do ar – era o 25ª hora, da Igreja Universal, que debatia temas da conjuntura com especialistas e pessoas cristãs que os relacionavam ao desafio do Evangelho. Os poucos programas de debates nas rádios ou TVs evangélicas de hoje são apenas doutrinadores do grupo que os lidera. O debate já tem conclusão antes de terminar. O tom evangelístico, de buscar a adesão de novos fiéis à proposta evangélica, é coisa do passado na mídia. Os programas não são mais dirigidos aos não-cristãos, mas sim a quem é crente, ligado a qualquer igreja, para receber doutrinação que corresponde ao discurso da cultura gospel e as ofertas dos produtos de quem lidera aquele veículo. A divulgação dos locais de reuniões públicas dos grupos condutores da programação é apenas um apêndice à veiculação massiva de conteúdo musical, já que o mercado fonográfico do segmento é uma força. Os demais aspectos da programação – debates, sessões de oração, estudos e sermões – não têm aquele cunho proselitista clássico, mas é carregado de ênfase doutrinária para conquistar novos espectadores e consumidores para os produtos oferecidos.

A Renovação Carismática Católica assemelha-se ao pentecostalismo pela espontaneidade litúrgica e na ênfase nos dons do Espírito Santo; contudo, é um movimento bastante conservador, por exemplo, na devoção a Maria. A senhora acredita que os pontos de identificação entre os dois grupos podem chegar ao ponto de superação das diferenças teológicas?
Ainda não tenho elementos para falar sobre este fenômeno de maneira mais sistemática, mas esta é uma realidade. O fato é que a Igreja Católica Romana têm perdido membros durante as últimas décadas para o pentecostalismo, assim como as igrejas evangélicas históricas. A Renovação Carismática Católica tem buscado práticas de inspiração pentecostal para preservar sua membresia, atrair de volta os fiéis perdidos e conquistar outros. Marcelo Rossi e os outros padres cantores, assim como a Rede Canção Nova, são fruto desta conjuntura. A liturgia é chave deste processo. Não é possível ainda fazer previsões, mas uma intuição me leva a dizer que não podemos esperar a superação das diferenças. Ao contrário, deve haver um reforço da competição, pois membresia e números são chaves motivadoras de tal processo. O tom da visita de Bento XVI ao Brasil em 2007 deixou isso claro.

A flutuação de membros é fenômeno comum nas igrejas evangélicas deste início de século, ao contrário da valorização do pertencimento que se observava até bem pouco tempo. Quais os motivos que levam a esta infidelidade denominacional?
Vários sociólogos da religião têm estudado este fenômeno e o denominado “trânsito religioso”. Eles indicam que é fruto deste fluxo de modernidade que experimentamos na contemporaneidade – o individualismo, a busca extrema da satisfação pessoal imediata, a valorização do descartável. As pessoas transitam por igrejas em busca da satisfação pessoal imediata. Descartam experiências em busca de outras mais intensas e interessantes, e o descompromisso dá o tom deste processo.

A senhora é membro da Igreja Metodista, denominação fortemente envolvida com o diálogo ecumênico. No Brasil, o ecumenismo é veementemente rechaçado por igrejas de linha pentecostal. Esta rejeição deve ser atribuída ao desconhecimento acerca do movimento ecumênico ou trata-se mesmo de preconceito?
Um dos mais fortes impedimentos para o ecumenismo é a indiferença ecumênica. Há, sim, o anti-ecumenismo, a manifestação contrária de gente que é contra e diz por quê. Mas o que é maior não é a oposição declarada, e sim a indiferença à necessidade da busca de unidade entre os cristãos. Podemos chamar isso de “convivência tranqüila” com as divisões. Entre as razões da rejeição ao ecumenismo, podemos fazer uma pequena lista. Existem, claro, as divergências teológico-doutrinárias que as igrejas enfrentam. Muita gente não sabe o que é ecumenismo, não conhece a sua história – preferem dizer que é “coisa da Igreja Católica”. Há ainda o preconceito, o exclusivismo religioso, o medo do diferente e a crise de identidade. Mas, se sabemos quem somos, temos certeza dos nossos valores e do que dá sentido à nossa fé, como podemos ter medo de sermos influenciados? Então, vou aprender e reter o que é bom.

Qual é a viabilidade do diálogo ecumênico em um universo religioso tão multifacetado como o brasileiro?
O diálogo ecumênico é algo de Deus. Pluralismo religioso sempre existiu e vai continuar existindo. Enquanto as religiões, principalmente as igrejas, não dialogarem e superarem suas divergências, o mundo não vai crer, como disse Jesus. Isso não quer dizer deixar de ser quem é e assumir outro jeito de ser. Diversidade é coisa boa. Deus permite isso porque quer que seja assim. A questão é sabermos lidar com isso e aprendermos. Precisamos que as igrejas dialoguem e cooperem entre si, a partir do que têm em comum, neste mundo tão dividido por natureza. As igrejas não podem ser mais uma fonte de divisão para este mundo esfacelado. O mundo não vai crer enquanto o crescimento evangélico for baseado em competição e divergências.
“O novo modo de ser evangélico caracteriza-se pelo privilégio à expressão musical, por envolvimento no mercado e espaço para o lazer e o entretenimento”
“Vivemos hoje uma forte crise de ética cristã quando privilegiamos um modo de ser baseado no “eu” e na experiência. Isso é totalmente incompatível com o Evangelho”
“A mídia evangélica brasileira é extremamente comercial. Ela reproduz a lógica da mídia secular e não faz diferença no meio”

Fonte: Cristianismo Hoje / Gospel+

ACIDENTE OU ATO DE DEUS?

Governador afirma que vazamento de petróleo foi um “ato de Deus”


     O governador do Texas, Rick Perry, disse hoje que o vazamento de petróleo no Golfo do México é um “ato de Deus” e reforçou que não será inteligente especular a razão da explosão na plataforma.
Visite: Gospel, Noticias Gospel, Videos Gospel, Musica Gospel     Segundo ele, a expressão “ato de Deus”, que utilizou pela primeira vez na segunda-feira, quer dizer o mesmo que “ninguém sabe o que aconteceu”.
     O poço subterrâneo joga ao redor de 800 mil litros diários de petróleo, equivalente a cerca de 5 mil barris de petróleo, segundo os números oficiais.
    “Se a definição de ‘ato de Deus’ for olhada, a usamos em termos legais durante muito tempo neste estado”, disse Perry no Capitólio do Texas, na cidade de Austin.
   "Ninguém sabe o que aconteceu e disse em meu discurso que há um montão de especulações. Pode ter sido um ato de Deus”, ressaltou o governador.

Fonte: UOL / Gospel+

CRISTIANISMO


"Assumo como verdade que a revelação cristã é a única revelação plena e que a plenitude da revelação cristã reside no fato essencial da Encarnação... Considero a divisão entre os que aceitam, e os que negam, a revelação cristã como a mais profunda divisão entre os seres humanos."
T.S. ELIOT

"Se você está à procura de uma religião que o deixe confortável, definitivamente eu não lhe aconselharia o cristianismo."
C.S. LEWIS

"Temos plena convicção de que o cristianismo pode sustentar-se sobre suas próprias pernas. Cristo não precisa de nossa nervosa defesa."
A.W. TOZER


"O cristianismo não é uma teoria, é uma experiência."
PAUL E. HOLDCRAFT 


"O cristianismo não é primariamente um código moral, mas um mistério permeado de graça; não é essencialmente uma filosofia do amor, mas um caso de amor, não é agarrar-se com unhas e dentes a regras, mas é receber um presente de mãos abertas."
BRENNAN MANNING


"O cristianismo é mais do que os ensinamentos de Jesus; é a pessoa de Cristo dentro do coração."
GEORGE MÜLLER

"A grande necessidade do mundo é a cristianização do cristianismo."
JOSEPH COOK


"Temos plena convicção de que o cristianismo pode sustentar-se sobre suas próprias pernas. Cristo não precisa de nossa nervosa defesa."
A.W. TOZER


"O cristianismo veio ao mundo acima de tudo para afirmar com veemência que o homem não só não devia olhar para dentro, mas devia olhar para fora, contemplar com assombro e entusiasmo uma companhia divina e um capitão divino."
CHESTERTON


"O cristianismo promete tornar os homens livres; não promete, todavia, torná-los independentes."
WILLIAM R. INGE


"Insistindo especialmente na transcendência de Deus, temos deslumbramento, curiosidade, aventura, moral e política, indignação justa – cristianismo."
CHESTERTON


"O cristianismo não é uma religião, é uma relação."
ELEANOR L. DOAN


"O cristianismo é um paradoxo sobre-humano segundo o qual duas paixões opostas podem arder lado a lado."
CHESTERTON

"Acredito no Cristianismo como acredito que o Sol nasceu, não apenas porque eu o vejo, mas porque por meio dele eu vejo o resto."
C.S. LEWIS

BÍBLIA



"A Bíblia é o tesouro do conhecimento celestial, a enciclopédia da ciência divina."
                                                                                        CHARLES SPURGEON

"Maior é a autoridade da Palavra de Deus que a capacidade de nossa razão."
                                                                                 MARTINHO LUTERO

"Não é através de períodos de meditação mística e experiências estáticas que aprendemos a permanecer em Cristo; mas alimentando-se de Sua palavra."
                                                                                                                                       R.A. TORREY

"A Bíblia é a história de amor de Deus com seu povo."
                                             BRENNAN MANNING

"A Bíblia, toda a Bíblia, e nada senão a Bíblia é a religião da Igreja de Cristo. E enquanto não voltarmos a isso, a Igreja terá que sofrer."           

                                                                                                                       CHARLES SPURGEON


"A Bíblia é o tesouro do conhecimento celestial, a enciclopédia da ciência divina."
                                                                                        CHARLES SPURGEON

"Para crer na Palavra de Deus, não devemos esperara até que compreendamos tudo o que está escrito ali, senão nunca chegaremos a esta fé. Não entendemos bem a vida, pois está completamente fora de nossa compreensão, mas isso não significa que por isso não vivemos. Na vida, há mistérios, profundezas e segredos, e isso também existe nas Escrituras."                                                                                                   
                                                                                                                                    LEWI PETHRUS

"A Palavra de Deus existe, em qualquer situação, para mudar e renovar o mundo."
                                                                                           MARTINHO LUTERO

"A Bíblia fala a língua de todos os homens."
                                                     KEPLER

"Se as Escrituras não eram a Palavra de Deus, não havia {...} absolutamente como descobrir quais eram os nossos deveres e felicidades segundo a mente de Deus."
                                                                                                                              MATTHEW HENRY

RELATO DE ANABATISTAS MORTOS PELA INQUISIÇÃO


         
            "Nenhum ser humano foi capaz de tirar de seus corações o que haviam experimentado, tão zeloso era seu amor por Deus. O fogo de Deus ardia neles. Preferiram sofrer a morte mais amarga; preferiram morrer dez vezes a abandonar a verdade divina que haviam professado...
         Eles haviam bebido das águas que fluem do santuário de Deus, sim, da água da vida. Se deram conta de que Deus lhes ajudava a levar a cruz e a superar a amargura da morte. O fogo de Deus ardia neles. Haviam armado suas tendas, não nesta terra, mas na eternidade e tinham segurança e fundamento para sua fé. Sua fé florescia como um lírio, sua lealdade como uma rosa, sua piedade e sua sinceridade como a flor do jardim de Deus... Por isso sofreram todas as torturas e agonias sem temor. As coisas deste mundo eram vistas como sombra, tendo a segurança de coisas maiores. Estavam tão unidos a Deus que não sabiam nada, não buscavam nada, não amavam nada senão a Deus. Por esta razão tinham mais paciência em seus sofrimentos do que os seus inimigos em torturá-los.
       ...Os perseguidores pensavam que podiam extinguir o fogo de Deus. Mas os prisioneiros cantavam em suas prisões e se regozijavam de tal modo que seus inimigos, no exterior, estão muito mais temerosos que seus prisioneiros e não sabiam o que fazer com eles...
      Se falou para muitos deles de maneira sigilosa, frequentemente de dia e de noite. Monges, sacerdotes e doutores em teologia discutiam astuta e sabiamente com eles, com muitas palavras doces e suaves, usando falsos testemunhos, ameaças, repressão e engano, inclusive com mentiras e cruéis calúnias contra a irmandade, mas nenhuma destas coisas os comovia ou os faziam titubear.
      Do derramamento daquele sangue inocente se levantavam cristãos em todas as partes, todos irmãos, porque toda esta perseguição não se deu sem produzir fruto..."

(Escrito em 1542, retirado da antiga crônica dos huteritas, que se encontra no final de relatório sobre 2.173 irmãos que deram suas vidas por sua fé, citado em BENDER, Harold S. La visión anabautista: Clara-Semilla).

George Gonsalves

PENSANDO NO AMOR DE DEUS


        No início da minha fé aprendi um corinho simples, mas que tem uma mensagem muito profunda. Em um trecho diz: “faz-me entender o teu amor por mim e assim amar-te mais...’’. De fato, o que faz com que tenhamos cada vez mais uma vida devotada ao Senhor é a consciência cada vez maior do amor de Deus por nós.
         Em primeiro lugar, para que tenhamos uma visão mais clara do amor divino devemos relativizar as comparações, pois em relação a Deus toda  comparação é como uma sombra pálida e distante. Amamos nossa esposa, nossos filhos, nossos irmãos em Cristo, e então pensamos que o amor de Deus deve algo próximo a isto. Entretanto, a realidade é que estamos falando de coisas muito distintas. O amor de um ser humano a outro, pecador e limitado como ele, é muito diferente daquele que emana do Todo-Poderoso para o homem: “Ninguém tem maior amor do que este” (João 15:13).
         No livro de Lucas, capítulo 7, há uma história envolvendo três personagens: Jesus, Simão (um religioso) e uma mulher, que a Bíblia descreve apenas como pecadora. O fariseu recebe Jesus com frieza, afinal, pensava ele, não era tão mau assim. Cumpria seus deveres religiosos (os fariseus procuravam cumprir mais de mil regulamentações) e, além disso, teve coragem para convidar Jesus para sua casa. Imagino que ele não destratou o Senhor. Durante a ceia, deve ter conversado polidamente com o Mestre, feito perguntas, etc. Já a mulher pecadora não tinha muito a dizer a Jesus. A Bíblia não registra uma única frase que ela tenha pronunciado. Ela nem sequer ficou em frente de Cristo, mas “estando por detrás, aos seus pés, chorando, regava-os com suas lágrimas...” (7:38). O que mais ela fez? “Então os enxugava com os próprios cabelos, beijava-os e os ungia com o ungüento”. Que demonstração de gratidão! Simão, o religioso, não entendia nada disso. Ficou chocado com aquele “exagero”, ou para usar uma palavra cara aos nossos dias, com aquele “fanatismo”.
         Qual a razão para tamanho gesto de carinho e reverência daquela mulher? Ela compreendeu o amor de Cristo por ela. Tão desprezada pelos seus pares, foi acolhida exatamente por aquele que estava em condições de condená-la. “Os teus pecados te são perdoados”. Já o fariseu pouco amava, porquanto não achava que tinha muito a ser perdoado: “Mas aquele a quem pouco é perdoado, pouco ama”. Mas qual crente pode dizer que foi pouco perdoado por Jesus?    
        Às vezes, somos tentados a achar que tínhamos apenas alguns ajustes a fazer em nossas vidas para sermos dignos de contemplar o Altíssimo pelo século dos séculos. O que a Bíblia nos afirma é diametralmente oposto a isto. A ênfase nos atordoa e humilha: “Não há um justo, nem um sequer; não há ninguém que entenda, não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só...” (Romanos 3:10-12). Era este o nosso estado natural, esta era a nossa condição. Não fomos nós que subimos moralmente até chegarmos às portas celestes, mas Ele se humilhou, tomando a forma de servo, vindo a este mundo para morrer pelos pecadores. A manjedoura, primeiramente, e depois a cruz, nos fala até que ponto Jesus estava disposto a tomar o nosso lugar. Por isso podemos falar como Tozer: “sendo imenso, o Seu amor é um mar incompreensivelmente vasto, profundo e sem praia, perante o qual nos ajoelhamos em jubiloso silêncio, e do qual a mais sublime eloqüência se retrai, confusa e envergonhada”.      
        O apóstolo Paulo falou que orava pelos éfesos para que eles pudessem conhecer o amor de Cristo. Só que ele mesmo completa dizendo que este amor excede todo o entendimento. Como podemos conhecer aquilo que ultrapassa nossa razão? Poderíamos afirmar que seria um conhecimento não meramente intelectual, mas também afetivo, mas acredito que a resposta não é apenas isto. Na verdade, podemos ter algum vislumbre deste amor, seja afetivo ou intelectual. Podemos e devemos crescer neste amor, mas não alcançaremos sua plenitude. É como se percorrêssemos uma infinita estrada. Quando chegamos a algum horizonte, então percebemos que a estrada não chegou a seu limiar. Então olhamos para frente e descobrimos que ainda não caminhamos nada em relação à infinitude do caminho.  
        No final de seu belo livro Os quatro amores, C.S. Lewis evita mensurar o seu amor por Deus. Faço também o mesmo. Por muito tempo pensava se estaria disposto a morrer por Cristo em uma fogueira, como fizeram tantos cristãos ao longo do tempo. Pensava se realmente estaria disposto a sacrificar para Deus tudo aquilo que Ele porventura pedisse. A resposta para estas perguntas eu realmente não sei. Se alguém me perguntar hoje se teria coragem de morrer por Jesus em uma fogueira, minha resposta será: “só quando acenderem o fósforo é que saberei”. Contudo, sei que a consciência cada vez maior do grande amor de Deus por mim, vai levar-me a também amá-lo mais. Quanto mais perceber seu amor, mais terei vontade de agradá-lo. Não quero me concentrar no amor que tenho por Deus, mas sim no que Ele tem por mim: ”Pois o amor de Deus nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressurgiu” (II – Coríntios 5:14).       
            George Gonsalves

Você pode também gostar

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...