5 de outubro de 2010

LEMBRAI-VOS

                                                
              Era um dia inesquecível para os israelitas. Após muitas lamentações e sangue derramado, a arca de Deus fianlmente adentrava pelos portais de Jerusalém,  resgatada das mãos dos filisteus.
          O rei Davi ordenou que houvesse música para louvar ao Senhor. Em meio ao som de clarins, trombetas e harpas, ele próprio não se conteve e passou a saltar e a dançar (com todas as forças) perante o Altíssimo e todo o povo. Asafe e seus irmãos, encarregados de celebrarem a Deus com instrumentos, cantaram: "Lembrai-vos das maravilhas que fez, dos seus prodígios e dos juízos dos seus lábios... "(I Crônicas 16:12). 
          Lembrai-vos das maravilhas. É o primeiro destaque do hino do salmista. Quão importante e necessário é que nos lembremos sempre das obras do nosso Deus no decorrer da acidentada história humana. A memória é uma  poderosa fonte de informação e nela estão armazenadas lembranças boas e más, fatos que nos causam júbilo e outros que nos deixam tristes e perplexos. Todavia é preciso que ela seja santificada.
          O pecado corrompeu o ser humano por completo, e não apenas em parte, como afirmava Tomás de Aquino. Sendo assim, nossa memória tornou-se terrivelmente seletiva para o mal. Há pessoas que carregam durante anos lembranças de falhas ou pecado de outrem: uma palvra mais dura, uma incompreensão. Entretanto se esquecem, ou colocam em segundo plano, atividades corretas desta pessoa. O povo de Israel constantemente falhava no seu relacionamento com o Todo-Poderoso por não lembrar-se da misericórdia e do poder demonstrado por Ele.  
          Os israelitas foram tirados do Egito com mão poderosa pelo Senhor, que havia operado milagres. Mas logo se viram em grande prova. Espremidos entre o exército egípicio e o mar Vermelho, eles esqueceram a demonstração de amor e poder dado por Deus dias antes. Então disseram a Moisés: "Será por não haver sepulcros no Egito, que nos tiraste de lá, para que morramos neste deserto?"( Êxodo 14:11). Todavia, o Senhor demonstrou mais uma vez Sua misericórdia abrindo de forma espetacular o mar Vermelho, e logo em seguida fechou-o para os egípios. Houve festa entre o povo. Hinos de louvor e danças. Mas não foi preciso muito tempo para que eles murmurassem novamente: "Quem nos dera tivéssemos morrido pelas mãos do Senhor na terra do Egito, quando estávamos sentados junto às panelas de carne, e comíamos pão a fartar, pois nos trouxestes a este deserto, para matardes de fome a toda esta multidão" (Êxodo 16:3). Que terrível amnésia espiritual!
          A lembrança que nos é boa  não é aquela que nos torna amargurados e que  nos impele a suspirar: "tempos bons, tempos que não voltam". Esta não causa mudança de atitude, apenas saudade. Fujamos dela. O nosso lembrar deve, todavia, alimentar a esperança da intervenção divina: "Lembrai-vos, porém, dos dias anteriores em que, depois de iluminados, sustentastes grande luta e sofrimento".(Hebreus 10:32). A recordação de vitórias pretéritas nos revigora para as lutas presentes. Se vencemos antes, o nosso Deus ainda permanece conosco. Tenhamos confiança para outras conquistas. Quando partiu o pão e o deu aos discípulos, Jesus disse-lhes:" Isto é o meu corpo oferecido por vós; fazei isto em memória de mim"(Lucas 22:19). Ao participarmos da Ceia, passamos a reviver, pela fé, o dramático sacrifício de Cristo. Somos reanimados, revigorados pela doce lembrança do amor deDeus.
          Por último, precisamos lembrar que Ele, o Majestoso Senhor, se lembra de nós. Sim, Deus não esquece o seu povo. Ele está com seus olhos direcionados para cada  um dos Seus pequeninos. Está é uma garantia de que não seremos deixados à nossa própria sorte. O Espírito Santo deixou gravada esta  sublime mensagem nas Escrituras: "Acaso pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta viesse a se esquecer dele, Eu, todavia, não me esquecerei de ti"(Isaías 49:15).

                                                                   George Gonsalves

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