14 de setembro de 2010

"CRISTIANISMO” NA PRATELEIRA



                                                                                                                            por George Gonsalves


Foi há alguns dias. Estive em uma das maiores livrarias da cidade. Deixei meu filho na seção infantil e me dirigi à seção de livros religiosos. Chegando lá, verifiquei que havia uma parte apenas para o Cristianismo. Os primeiros livros que eu vi lá foram de Max Lucado, autor de um tipo de teologia popular. Alguns são muito bons, outros apelam para um sentimentalismo, que rebaixa a soberania divina. Prossegui olhando nas prateleiras. Enxerguei um exemplar sobre como aplicar a liderança de Jesus nos negócios. Olhei ainda mais e... Deparei-me com um livro de alguém que prometia desvendar alguns mistérios escondidos na Bíblia. O autor se definia como teólogo, ufólogo (!) e filósofo autodidata. Saí atordoado.

Fiquei a pensar: será que tudo isto é Cristianismo? Será que devemos usar frases de Jesus fora de contexto e aplicar a coisas que evidentemente Ele não queria dizer? O Cristianismo seria este amálgama de várias teorias e filosofias contradizentes?

O fato é que todos querem a Cristo. Não necessariamente para aprender aos seus pés, como fez Maria, irmã de Marta, ou para prostrar-se aos seus pés e reconhecê-lo como Senhor e Deus, como fez Tomé. Muitos querem a Jesus para referendar suas opiniões, mesmo que sejam anti-cristãs. Querem seu aval para desejos inconfessáveis.

Antes de me tornar cristão, eu adquiria revistas de ufologia. Em uma delas havia um artigo em que o autor “demonstrava” que o profeta Ezequiel viu um disco voador e habitantes de outro planeta (Ez. 1:1-14). Há escritores que garantem que Jesus viveu na Índia e fundou uma seita por lá. Nós não consultamos a Jesus, mas queremos que Ele aprove nossos relacionamentos, nossos negócios, nossos sonhos e nossos pensamentos.

Em um mundo tão plural precisamos de discernimento para separarmos o trigo que é a palavra de Deus, do joio de vãs filosofias e doutrinas perniciosas que obscurecem a sã doutrina. Porém, mais do que isto, precisamos de um coração humilde, quebrantado. Como disse o escritor francês Paul Bourget: “É preciso viver como se pensa, do contrário se acabará por pensar como se tem vivido.” O que há, na verdade, não é tanto dúvida teológica ou intelectual sobre Jesus. Na maioria das vezes, há um afastamento afetivo do Senhor. A vida se afasta do padrão divino. O próximo passo, então, é uma elaboração de um pensamento que se coadune com aquilo que o homem já está vivendo. Ou seja, primeiro o homem peca, depois procura “argumentos” bíblicos para justificar seu pecado. E não só isto. Com quase toda certeza, ele encontrará uma “igreja” que apóie seu procedimento. Deste modo, muitas pessoas quando pecam em uma igreja, procuram uma outra, ao invés de se arrepender.

Parece que chegamos à época da qual falou o apóstolo: “Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceiras nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas.” (II-Tm 4:3-4).
 




















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