8 de junho de 2010

A FALTA DE CONFRONTO PODE TRAZER ORGULHO

      Nestes últimos dias (28, 29 e 30 de maio) tivemos em nossa congregação conferências sobre missões. No dia 30 de maio, pela manhã, ouvimos sobre a “igreja perseguida”. Trata-se de cristãos que sofrem diversas restrições para viverem sua fé, em pelo menos 50 países, tais como Irã, Coréia do Norte e China. São prisões, proibições de evangelizar, torturas e até mortes.

      Ali fomos confrontados com o fato de que não levarmos a sério a fé que professamos. Ignoramos o sofrimento de nossos irmãos, apesar da convocação bíblica: “Lembrai-vos dos encarcerados, como se presos com eles; dos que sofrem maus tratos, como se, com efeito, vós mesmos em pessoa fôsseis os maltratados” (Hebreus 13:3). Voltados apenas para nossa congregação, esquecemos que a igreja do Senhor está espalhada por este mundo de meu Deus. Que não somos nós os que enfrentamos as maiores provações nesta terra.

        À noite ouvimos por cerca de 80 minutos o relato de Renê, jovem que se dispôs a gastar uma pequena fortuna para viver por 6 meses entre os africanos do Senegal. Suas experiências de privação, e senso de impotência em uma nação islâmica hostil ao evangelho nos emocionaram. Mais uma vez pensei em como a ignorância pode nos levar ao orgulho. Como desconhecemos a luta heróica dos missionários em terras tão longínquas e estranhas, tendemos a nos orgulhar do pouquíssimo que fazemos.

     Conheci homens que subiam à plataforma se vangloriando de coisas mínimas que fizeram ao reino de Deus. Achavam-se corajosos, ousados, desprendidos e ungidos. Talvez nunca se confrontaram com pessoas e situações que lhes mostrassem que não são tão especiais quanto se acham. “Poderosos” televangelistas não impressionam moradores de uma pequena aldeia no interior do Senegal. Algum sábio de nossas igrejas, devorador de livros, verdadeiro rato de biblioteca, precisa entender que este conhecimento pode ser completamente inútil no campo missionário.

    Certa vez David Brainerd, o jovem que evangelizou os índios americanos no século XVIII, se deparou com alguém que ele chamou de irmão Byram. Ele, então, escreveu em seu diário: “percebi-o mais morto do que eu para o mundo, para os seus cuidados ansiosos e para as suas atrações. Isso levou-me a examinar a mim mesmo, conferindo-me um senso mais profundo de minha culpa, ingratidão e miséria”. Depois deste dia, Brainerd seguiu em sua missão, que ela pensara em abandonar, até se tornar um dos missionários mais importantes de seu tempo. O confronto com situações e pessoas distantes do nosso pequeno mundo pode nos levar a refletir sobre nossas próprias vidas.
George Gonsalves

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