12 de abril de 2010

DEVEMOS ORAR POR COISAS E UNGIR OBJETOS?



por George Gonsalves 

            Uma prática vem se espalhando por comunidades ditas evangélicas no Brasil: oração por objetos. Em muitos lugares é comum líderes fazerem calorosas preces sobre coisas como sal, óleo, lenços ou água. Há também a “unção” de casas, veículos e até carteira de trabalho. Depois de receber a oração as coisas ficariam “santificadas” ou “abençoadas”, de modo que tragam benefícios aos seus possuidores. Será bíblica esta prática?  
            O apego a coisas mágicas é antigo dentro de parte da cristandade. No século XV e início do XVI a devoção às relíquias, por exemplo, chegou a níveis aberrantes. Havia uma verdadeira competição de coisas sagradas na Europa. Uma igreja alegava ter as vestimentas de Maria, mãe de Cristo. Outra, localizada na Alemanha, ostentava possuir trinta e cinco pedaços da cruz de Jesus, uma lasca da vara de Moisés e até mesmo um frasco com o leite de Maria. Fora do cristianismo, várias seitas esotéricas atribuem poderes a objetos como cristais e pirâmides.  
            Um dos textos bíblicos usados para embasar a oração por coisas é Atos 19:11-12: “E Deus, pelas mãos de Paulo, fez milagres extraordinários. De sorte que até lenços e aventais eram levados do seu corpo aos enfermos, e as enfermidades os deixavam e os espíritos malignos saíam.” Primeiramente, devemos observar que o apóstolo não fez qualquer oração pelos objetos que eram trazidos a ele. O próprio Deus é que, em sua soberania, operava as curas. Em segundo lugar, o texto faz menção a milagres extraordinários, ou seja, fora do comum. Talvez isto tenha acontecido para confirmar o apostolado e a mensagem de Paulo. Aos coríntios ele fala que: “as credenciais do apostolado foram apresentadas no meio de vós, com toda a persistência, por sinais, prodígios e poderes miraculosos” (II-Cor. 12:12).
            Há um caso relacionado com Jesus que também pode ser citado. Uma mulher que há muito sofria de uma enfermidade, creu que o Senhor a podia curar. Sua fé era tão firme que dizia que um só toque nas vestes do Mestre seria suficiente para que sua saúde fosse restabelecida. De fato, quando ela tocou nas vestes de Jesus foi imediatamente curada. Todavia, também neste caso não houve nenhuma oração pelas roupas de Jesus para que ficassem milagrosas. Mas Ele honrou a fé dela, concedendo-lhe a cura no toque de suas roupas. Não foram das vestes de Cristo que saiu poder, mas d’Ele mesmo: “Disse Jesus: alguém me tocou: senti que de mim saiu poder.” (Lucas 8:46).
      Com respeito à unção com óleo, muitos equívocos estão ocorrendo. Não é prática neo-testamentária a unção de coisas, e sim de pessoas, acompanhadas de oração (Mc. 6:13; Tg. 5:14).
Oração por objetos, assim com a unção deles, conferindo-lhes poderes mágicos, são práticas pagãs com roupagem cristã. Coloca o homem na dependência da “oração forte” de algum pretenso homem de Deus. Desfigura a sã doutrina, devendo ser banida da vida da igreja.                                                                                                                                                             
   

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