31 de março de 2010

A “INQUISIÇÃO” PROTESTANTE


Gravura sobre a execução de Felix Manz


por George Gonsalves

    Em Zurique, Suíça, pela primeira vez, um governo protestante decretou pena de morte àqueles que praticassem o “rebatismo”, ou seja, quem se decidisse a batizar-se em fase adulta. Foi em março de 1526. As vítimas deveriam ser afogadas “sem piedade”. [1] Zuínglio, humanista, pastor e grande reformador, concordou com o decreto. 
   Esta lei atingiu em cheio a um grupo de cristãos, discípulos de Zuínglio. Ficaram conhecidos por anabatistas ou radicais. Para eles, o que praticavam não era rebatismo, tendo em vista que não consideravam o batismo infantil válido, porquanto não fora acompanhado de fé pessoal.                  
    No ano seguinte Felix Manz, discípulo brilhante de Zuínglio, foi condenado à morte por afogamento. Eis um resumo do julgamento dos magistrados de Zurique: “[Manz] e seus adeptos separaram-se da Igreja e se agruparam sediciosamente para formar um cisma e constituir uma seita independente sob o nome de uma assembléia cristã.”[2]
    A execução se deu no mesmo dia, 5 de janeiro de 1527, no rio Limmat, em Zurique. Ela foi acompanhada pelo irmão e pela mãe de Manz que, em alta voz, o animaram a manter-se firme durante todo o caminho para a execução.[3] 
    Perto dali, na Genebra de Calvino, outras penas de morte foram cumpridas. São grandes manchas de intolerância na história do protestantismo.
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[1] Dickens, A.G. A reforma na Europa do século XVI, Editorial Lisboa, 1971, p. 134.
[2] Delumeau, Jean. O pecado e o medo, EDUSC, 2003, p. 64.
[3] Driver, Juan. La fe em la periferia de la historia, Ediciones Clara-Semilla, 1997, p. 173.   

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