11 de março de 2010

LIVROS SOBRE A HISTÓRIA DA IGREJA

PROTESTANTISMO TUPINIQUIM – HIPÓTESES SOBRE A (NÃO) CONTRIBUIÇÃO EVANGÉLICA À CULTURA BRASILEIRA
Gedeon Alencar. Arte Editorial, 2005, 160p.


      Gedeon Alencar é sociólogo, membro de uma igreja pentecostal. Como estilo adota a polêmica e a provocação. Muitas vezes sua linguagem chega a ser ácida e maliciosa. No entanto, esta obra é leitura importante pelas reflexões que provoca sobre o protestantismo no Brasil. Para onde ele está indo? Procura descrever as relações (ou falta delas) do protestantismo com a cultura brasileira, dando destaque ao neopentecostalismo (ou pós-pentecostalismo).
      Um de seus pontos fortes é a extensa bibliografia que apresenta no final do livro. Um grande apanhado sobre a produção acadêmica (histórica e sociológica) sobre o protestantismo no Brasil.
      Há alguns erros de digitação, mas que não comprometem o entendimento do texto. Dificilmente alguém concordará com tudo o que o autor diz, mas certamente ninguém deixará de pensar nas suas reflexões, ou melhor, hipóteses, como faz questão de frisar no decorrer do livro.


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MARTINHO LUTERO, UM DESTINO
Lucien Febvre. Edições Asa, 1994, 168p.

      Não podia imaginar que um agnóstico pudesse escrever um livro tão bom sobre o grande reformador. O francês Lucien Febvre foi um dos historiadores mais importantes do século XX, fundador da Escola dos Annales, junto com Marc Bloch.
      Sua obra é baseada principalmente nas cartas que Lutero escreveu. Ali, ele percebe um homem angustiado, preocupado com o destino de sua alma, e disposto a ir às últimas conseqüências pelo que acreditava. Falava como um verdadeiro profeta.
    Para ele, o reformador estava essencialmente preocupado com questões religiosas, inclusive íntimas. Não anteviu, pois, os desdobramentos sociais, políticos e econômicos que tomaram impulso com a Reforma.
        O livro é escrito com brilhantismo, enfatizando momentos decisivos da vida de Lutero.

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A BÍBLIA INGLESA E AS REVOLUÇÕES DO SÉCULO XVII
Christopher Hill. Civilização Brasileira, 2003, 644p.

        Excepcional obra de um dos mais importantes representantes da história social inglesa. Hill é especialista sobre o estudo da revolução inglesa no século XVII. Escreveu diversos livros sobre o tema, alguns em português como O eleito de Deus, sobre Oliver Cromwell e O mundo de ponta cabeça. Esta revolução desperta interesse entre os evangélicos, pois foi realizada, principalmente pelos puritanos, que eram protestantes dissidentes da Igreja Anglicana.
       Neste livro, Hill analisa a importância das Escrituras, especialmente a versão conhecida como Bíblia de Genebra, na revolução inglesa. Ele mostra como os vários grupos religiosos envolvidos no conflito (puritanos, anglicanos, quakers, diggers, levellers, etc), tiravam da mesma fonte (a Bíblia) argumentos para fundamentarem suas idéias.
        Apesar de o livro ser volumoso (mais de 500 páginas), não cansará o amante da história, e em especial da história da igreja, e trará para ele reflexões profundas sobre a diversidade religiosa e o seu lugar na sociedade. 
George Gonsalves

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